Textos de Saudade de Falecido
Às vezes, muitas vezes
Eu sinto uma imensa, muito imensa
Muito imensa mesmo
Uma saudade imensa, bem maior
Do que muita gente pensa
E penso nele, penso e me pergunto
Por que é que a gente repete e repete
e repete tantas vezes o mesmo assunto?
Quanta coisa a gente tinha pra dizer
e não disse...
Queria que ele me visse agora
Queria que ele me dissesse
Que sentiu a minha falta
Queria que ligasse pra mim
Qualquer hora dessas
Queria conversar um dia
Sem pressa
Ou gente por perto pra apressar a gente
Um dia o tempo acaba
Um dia um de nós dois se vai
Nunca se sabe
Queria dizer
Pai, meu coração é bem pequeno
Mas você ainda cabe.
Tem horas em que fico me lembrando
Sentindo uma imensa saudade
daqueles bons tempos da inocência
Coloridas peças de encaixe
o brinquedo que vinha no doce
desenhar a minha mãe com tinta guache,
A moeda que meu pai trouxe da rua,
Olhar as figuras nos livros
Sem saber o que é que estava escrito
Correr até ficar sem ar
Parava, dava uma respiradinha
E novamente estava pronto pra brincar
Brincando a gente se machucava
cortava o dedo e chorava
No outro dia, tudo havia passado
E meu medo era de coisas imaginárias
Hoje os cortes são bem mais profundos
Feridas, que apesar de imaginárias
No outro dia não passaram
Eu aprendi a ler o escrito
E não gosto das coisas que eu leio
O tempo da falta de inocência veio
As peças não parecem ser mais assim;
Tão coloridas
Meus medos são reais
Nada mais se encaixa
Há Pessoas
Que eu gostaria de rever
e outras das quais
Eu sinto saudade
Há lugares
Onde nunca fui e nunca vou
Outros que conheci
e não quero voltar
Há lugares
Que são muito mais meu lugar
do que este onde eu estou
Existe uma grande diferença
Entre "querer" e "ter vontade"
Assim como
Existem pessoas que "nos suportam"
e outras, que talvez um dia
de nós sintam saudade
Tudo muda com o tempo
Inclusive as pessoas
e aquilo que elas sentem
Algumas mentem pra si mesmas
Tentando ocultar o que é evidente
Se enganam com tanta perfeição
Que chegam a crer ser verdade
a repentina imperfeição
Que enxergam no Mundo
por pura vaidade
Cada pessoa, cada lugar e cada dia
São coisas insubstituíveis
E o tempo é Senhor da razão
Então, melhor esperar que o tempo passe
Aguardar o desenlace
e um dia poder partir
Pra um lugar qualquer
Onde seus gritos
Não mais nos alcancem
Creio que me seja preferível
Viver de saudade, talvez até
de insanidade, uma curta loucura de mentira
À viver as verdades que amanhecem com os dias
Eu acho que esse quotidiano mundano
É horrível demais, para vivê-lo assim
da maneira que ele me vem
Prefiro conversar com as almas do além
A gente vai falando sobre as coisas
que nos eram costumeiras
lealdade, coragem, galhardia e outras besteiras
bobagens que não fazem mais
parte deste infame dia a dia
em que impera a covardia
na triste realidade
Que os modernos amanheceres nos apresentam
Calço meus chinelos e vou ao quintal
até os voos mais inocentes
das transeuntes borboletas soam falsos
Elas dão-me a impressão
Que se esqueceram como se voa
e voam à toa um voo desajeitado
De inseto que não poliniza nada
Voa um voo meio que andando
de vez em quando vêm-me a impressão
Que ela está a ponto de pedir minha ajuda
A vantagem que vejo no inseto
é que ele voa mal, mas voa quieto
seu voo suicida de quem se autoatropela
Deus fez muito bem
Em fazer da borboleta
Uma criatura muda e bela
A Rua da Saudade existe em Muitas Cidades
Lá, como em qualquer outra rua
Vão morar pessoas de todas as idades
Pessoas ruins, medianas e boas
Gente honesta, meio-termo e gente à toa
Tem o cara que Guardava as Chaves
E os caras que ficaram atrás das Grades
O velho e o menino, o senhorio e o inquilino
O fervoroso, o ateu e aquele, cujo coração
Foi uma semente que caiu na areia
Mulher bonita, remediada e mulher feia
Lá nessa rua eles tem toda a eternidade
E também não há mais tempo pra nada
Ela tem esse nome para honrar
Algumas pessoas que moram lá
Outras não deixaram nenhuma saudade
Um dia todos nós seremos vizinhos
Mas ninguém virá bater à sua porta
Pra pedir açúcar ou café
Portanto
Se você tem algo a dividir
divida agora
Aquele que por último, melhor vai rir
É aquele que sabe o que há no porvir
E muitas vezes, hoje chora
Saudade
dor passageira
Que volta todo dia
de maneira costumeira
e nos invade insistente
Qual Palmeira ao vento
e faz chorar
A quem eu queria ver
e não vejo
Pois não mais existe
Saudade
dor Feiticeira
Porque é que foi
Que junto à tanta ausência
Tu também não sumiste?
Desiste de mim, saudade
Por que é que escolhes
Justamente eu?
Esquece de mim, saudade
Igualmente ao restante do mundo
Cuja lembrança
Mais mansa e menos profunda
Que a sua
Me esqueceu.
Do quase nada
que aos olhos do mundo
se pode resumir
desta existência
eu hoje falo da saudade
que haverei de sentir
daquilo que resumo
como humilde humanidade
por ter vindo a este mundo
e uma vez aqui estando
não saber pra onde ir
esgotadas
todas as possibilidades
eu fiquei por aqui
respirando
pensando
aguardando
chorando de vez em quando
disse quase tudo
que queria
muita coisa
deixei pra depois
mas o "depois"
ainda não é hoje
e talvez não seja
nenhum dia
mesmo assim
não sei dizer
se foi por comodismo
ou esperança
de poder viver
aquele dia
que nunca chegou
de aguardar você dizer
aquilo que nunca falou
mas hoje eu sei
e percebo que sinto
a falta de lugares
de animais de estimação
da minha mãe dizendo "não"
de olhares que eu nunca entendi
o quê que queriam dizer
mas a saudade que eu sei
que mais haverá de doer
é aquela que eu sei que
vou continuar sentindo
de você.
Tua ausência fere
E a alma canta
é tanta essa saudade
Que me fere, que me invade
O tempo que a tudo cura
Me procura pra dizer
Que essa saudade
Não tem cura
Eu tenho que pensar
Em outras coisas
Então eu tento inutilmente
Mas a mente pinta
Tua cara na parede
Teus olhos
A brilhar na noite
Não me veem
Enquanto estrelas lá no Céu
vão me seguindo
Por mais
Que não me enxerguem
Eu as vejo
Atrás das nuvens
A tua ausência
e existência
Me perseguem
A vida vai passando
Assim, depressa
Enquanto o tempo
escoa lentamente
Minh'alma à toa
Não se cura
E a dura dor
No dia claro
Torna a vida
muito escura
Eu tento mentalmente
Imaginar-te
Num futuro inexistente
E enquanto a tarde vai passando
Gotas da chuva que não cai
Vão brilhando aqui pertinho
Teu nome insiste
Em minha vida
e meu caminho.
Esperanças se perdem
Sonhos se desfazem
e os amores um dia se vão
Até aquela imensa saudade
Que todo dia
Lhe invadia o coração
Com o tempo; esmorece
A vida passa depressa
Por mais que a gente pense
Que não
Com os anos tudo se vai
O que permanece
É somente
Uma certa serenidade
Que antes não existia
E que a gente de vez em quando
Até se ria
Quando a via
Nas pessoas mais experientes
Que a gente devia ter respeitado
e muitas vezes não o fez
Se é este o seu caso, neste momento
A resposta
Um dia vem no vento
A vida passa depressa
Sem pressa
Um dia de cada vez
Eu sinto saudade
de todos os risos que dei
E de todos os sorrisos
Que porventura tiver causado
Eu sinto saudade das conversas
de todas as conversas que não tive
Sinto vontade de escrever versos
Que falem sobre elas
Mas quando tento buscá-las
As lembranças e pensamentos mostram
Que tudo está lá no começo
E hoje, eu olhando ao avesso
As enxergo pertinho do fim
Meu, Deus. Eu sinto saudade
Pois, se havia alguma maldade eu não vi
Só sei que não estava em mim
A vida segue adiante
Tudo se arruma, novos rumos vão surgindo
A gente só não pode endurecer o coração
E deixar de sentir
Saudade, de vez em quando
No mais
A gente se acostuma a quase tudo.
Edson Ricardo Paiva
Você, parado
Sentado ou de pé
Olhando um lugar onde havia Sol
Recorda com saudade
O brincar de esconder-se
debaixo da pia
na casa da tia
Uma corda, uma árvore
As moedas tilintando
Era o troco da hora que foi à venda
A graça de olhar ao longe
A fumaça se esvaindo
Saindo da chaminé do trem da vida
Na estrada do tempo
O alegria da hora da saida
Correria no portão da escola
na hora da entrada
A festa na igreja
Veja que naquele tempo
Os sinos dobravam
E eu, na minha inocência de menino
não via e não perguntava por quem
Assim são as coisas
Eu olhando o lugar que havia Sol
Agora sei que era por mim
Que os sinos dobravam assim
Os adeuses e despedidas
Acenos sem lenço que ao longe sumiam
Sem saber em qual tempo
E nem mesmo a estação
Fui vivendo sem noção da vida
Penso que dormia
E quando a gente desperta
Pensa que pode ter se dado ao luxo
de nem ao menos espiar pela janela
Pra saber que paisagem
era aquela
Nas cartas que a vida põe
Não se encontra curingas
O caminho de volta pra casa
é descida
E olhar pra trás, dá tempo de ver ainda
A fumaça que ao longe se dissipa
A presença, que de tanto se ausentar
Tornou-se ausência
As cascas de amendoim espalhadas
Lá no chão da saída
As figurinhas do álbum
Mal coladas, perdidas
A festa, a escola, o dia de Sol
O menino que brincou de vida
E que foi perceber só no fim
Que os sinos dobravam por mim.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje eu fiz café
E desfiz a amizade
da saudade que eu sentia
de mim mesmo
Parece a semana passada
Mas faz muito tempo...
Eu sentia um perfume
Que até hoje eu não sei ao certo
A vida não era
Um caminho de estrelas
A vida era o nada
Onde a trilha era delas
Meus pés vão pisando outro chão
Onde o brilho são vagalumes
Hoje eu fiz café só pra mim
Hoje eu vi que tinha
Borboletas coloridas
Bordadas
Na única xícara que não quebrou
A vida ilude
Mas não faz feliz
Acordo outra vez
Agora não sou mais
Um menino de giz
Desenhado num muro
Novamente me vi de pé
Transbordando o café na pia
Acordo de novo
Dessa vez
No mesmo dia
Percebo que nunca mais
Quero estar perdido
O poema de hoje
Ainda nem foi escrito
O dia de ontem
Escurece no esquecimento
Borboleta que pousa na minha mão
Minha única xícara
Linda... e última vida.
Edson Ricardo Paiva.
POEMA PARA O AMOR NA DOR.
Eu já viajei por estradas de vento e saudade como se cada curva fosse um corte na carne do tempo até descobrir que o amor espera à margem da estrada exangue e solitário.
Eu vi teus olhos como duas chamas bruxuleantes no crepúsculo do mundo e ouvi no silêncio teu nome mais profundo do que todas as vozes que se perderam na noite.
Cantaste a canção que não termina e a dor tornou-se verbo que pulsa como coração ferido de tanto amar a quem não volta.
O amor é esta estrada interminável onde cada batida de peito é um grito e cada lembrança é um corte que sangra luz e sombra.
Eu te amo como quem espera junto à beira do caminho sabendo que a alegria só existe porque a dor ensinou-me a reconhecer o valor de cada gota de vida.
Ainda que o mundo se acabe entre nós eu guardo teu nome no centro mais ardente do peito onde a dor é chama e o amor é chama mais forte ainda.
E assim eu canto até que o tempo se renda ao meu amor feito dor e a dor se renda ao meu canto feito amor.
Autor:Marcelo Caetano Monteiro .
Saudade do Rio antigo.
Lá onde o sol beijava o mar,
Minha infância voou, sem pressa,
Em Niterói, berço de sonhar.
Na Escola Santos Dias, aprendi,
Letras e números, sonhos e gritos,
Professores que inspiravam,
Amizades que eternizam.
Praias de Icaraí, São Francisco,
Onde o verde encontra o azul,
Crianças rindo, ondas dançando,
Inocência sem igual.
Cinemas de rua, filmes clássicos,
Sorvetes na mão, risos livres,
Calçadões de madeira, histórias,
Vozes do passado, memórias.
O Rio de Janeiro de outrora,
Era um cenário de magia,
Carnaval, samba e alegria,
Viva a saudade que não passa.
Hoje, da distância, eu vejo,
A cidade que meu coração guarda,
E, na saudade, eu sinto,
O Rio antigo, minha alma guarda.
Quando a noite se despede da luz e as estrelas bordam o céu com sua tímida claridade, a saudade emerge como uma brisa suave, sussurrando o seu nome ao vento. É nesse silêncio profundo que o seu rosto se desenha na minha memória, cada traço tão vivo, cada detalhe tão nítido, que quase posso sentir o calor do seu olhar e o toque delicado da sua presença. A lembrança se torna meu refúgio, um lugar onde o tempo se curva e a distância se dissolve, trazendo você para perto de mim.
Na solidão desse instante, uma lágrima tímida escapa, carregando consigo o peso de um amor que as palavras jamais poderão conter. Ela desliza lentamente, traçando caminhos invisíveis em minha pele, como se fosse uma prece silenciosa, uma oferenda à mulher que domina meus pensamentos e faz o meu coração pulsar com intensidade.
E assim, no santuário erguido por essa lágrima, encontro um abrigo onde você reina absoluta. Ali, entre as sombras da noite e a luz da lembrança, você permanece viva, imortalizada no espaço sagrado que o amor construiu em mim. Cada batida do meu coração é sua, e cada pensamento meu é guiado pela sua doce existência.
Assim como a distância
A saudade do toque
Carinhoso das suas mãos
Dói profundamente
Como não rimar
Amor e dor
Quando tudo que preciso
É o sorriso distante e
Amoroso do teu olhar
Sou teu homem
És minha minha mulher
Sou teu destino
És minha vida
Somos o reflexo do amor
Esperando nosso encontro, afinal
Senhor Jesus,
ensina-me a viver com saudade do céu.
Que meu coração esteja pronto,
que minha alma esteja cheia do Espírito.
Dá-me o clamor da Noiva,
a chama viva da Tua espera.
E quando ouvires meu sussurro dizendo “Vem”,
responde com Tua glória:
“Eis que venho sem demora!” Amém.
SAUDADE DOS ANDES
Sentimento invade o ser que dorme
Penetrando lembranças apagadas pela mente.
Ressurgem imagens que invadem o coração
Como presentes escondidos no inconsciente.
Pergunto-me:
__ Onde estou? Que lugar é esse?
Uma resposta apresenta-se em meio à névoa,
Evocada pelo som de uma orquestra
Que vem ao meu encontro.
Uma voz canta e ecoa reminiscências
De um passado ainda mais remoto
Que despertam pela vibração dos instrumentos:
Violinos, órgão, "chello" e uma voz de contralto a cantar!
Viajo. Vou longe. Aos picos dos Andes.
Vejo os incas: são mulheres, homens e crianças,
Cabanas, fogo, céu estrelado e a mesma lua.
Sons abafados, choros, canções e risos.
Não quero voltar!
Está tão frio lá fora...
Mas sinto um calor intenso em mim.
De repente, o som se transforma!
Uma buzina soa estridente do outro lado do mundo.
Retorno, sem piscar, rodopiando, ao mundo presente,
Ao plano material e dos corpos físicos!
São 23 horas de um dia 29 de outubro.
O ano é 2004!
Uma multidão discute embaixo da janela.
A noite está quente.
Água cai do céu...
E a orquestra já se foi...
Como nunca, estou mais do que presente!
Malgrado os ruídos que vêm da rua,
O quarto está calmo e em silêncio:
Reverência pelos irmãos que dormem nos Andes - como sempre!
out/ 2004
Saudade e um vazio
Um livro qualquer da estante...
Pego-o
Aquele vazio de não me acostumar
Bate em mim
Forte.
Uma data simples, comum: outubro de 2019,
Marcou aquele fim de ano.
Penetra-me
Sem machucar!
Finca o pé sem estreitar visões
Sem deixar sinal
É só um passado... quase distante,
Vindo de livros
Um passado que está onde deve ficar,
Pois lembranças nada são que memórias
_______> Vêm e vão _______>
Passam
Nada mais são!
11/09/2024
O hoje de antigamente
Sinto a presença da saudade.
Chega mansa,
Devagar me alcança,
Abraça-me.
Toma posse, instala-se.
Num repente, vislumbro todos os momentos:
*positivos
*negativos
*vida plena
Indo fundo em mim mesma.
Consciente X inconsciente
- "versus" da poesia -
Explode e aflora.
Como um vulcão "caliente",
Jorro para fora todos os meus ais.
Ai que saudades tenho:
*do mar
*do luar
*dos olhos fundos
*do bom manejo do afeto e das palavras.
Psicólogo leigo,
Aconchego pleno...
Plena estava como vim ao mundo...
Como voltar para o mundo?
__Como? indago!
Set/1991
