Textos de Mar

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ROSA RECALCADA

⁠Rosa formosa dos seios grandes
Com cheiros de mar nas axilas
Trazias em ti almoços de sandes
E no coração memórias de pilas.

Nas tuas pernas feitas almofadas
De sal ao sol já tão crestadas
Alapavam outras de estofadas
Peles e espumas contaminadas.

Rosa enjeitada rameira sem nada
Objeto abjeto corpo de diversão
Em que tornaram o teu destino coitada
Mulher viva e tão morta de ilusão.

E um dia na campa ao lerem o teu jazer
Hão de estar sem arrependimento
Todos os que exploraram o sofrer
Do teu corpo de fora para o de dentro.

(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 18-04-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

MEU MAR MINHA LINHA

⁠Era eu um pequenito
Naquela praia grande
De areal imenso
Do então Espinho extenso.

Eu ficava sozinho
Sentado numa pedra
Mais ao longe
Como que a comandar
A proa do meu barco
Rumo àquela linha do horizonte
Que eu via sempre direitinha
Com aqueles barcos grandes
De cargas de pão, de ouro
E especiarias, nos porões
Das fantasias.

Se calhar alguns petroleiros
Assaltados pelos piratas
Da minha verde imaginação
Que passavam com pachorra,
Na linha, do mar quente de verão.

E eu então imaginava:
Para além daquela linha, ficava
A Beira de Moçambique,
Era aí que o meu pai morava.

Não muito longe, eu via numa tela:
A Caracas do meu tio Vitorino,
Emigrado em Venezuela.

Depois, de barriga vazia
Voltava à areia da praia,
Morna da sorna da tarde
Que se ia com os barcos
E convidava ao sono.

Então, eu cobria-me com o meu manto
De areia
E, entretanto,
Adormecia...

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-05-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠PROGENITURA QUIÇÁ

Pai, é barco
É vela,
É uma caravela no mar
Manso
Ou bravo,
Lutando contra a maré
E disputando com a ralé.

É aquela flor chamada cravo
Que nunca renega a fé
Quando o barco ameaça partir-se
Nas ondas revoltas,
Tortas,
Da vida.

Então aí, a mãe ao sentir-se,
Toma conta do leme
E não treme
Nunca no torto
Até o barco amainar,
Serenar,
Em bom porto,
Ainda que isso lhe vá custar
Em contrapartida,
Alguns anos a menos da sua própria vida.

(Carlos De Castro, em Há Um Livro Por Escrever, em 15-07-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

NA NOITE

⁠Era noite escura,
Tudo invitava ao descanso,
Até o rugido do mar era manso,
Convidando ao remanso.

Nisto, o chiar de pneus no asfalto,
Como um grito alto
Na noite serena e pura
Toda silêncio de negrura.

Gritos e bebedeiras loucas na noite.
Músicas tolas debitadas às paletes,
Que mais pareciam um açoite
Nos ouvidos, como foguetes
Estourando nas retretes.

Era uma discoteca na estrada,
Urros de animais grotescos,
No rebentar de fluidos
Dos possuídos
De duas patas quixotescos.

E a noite ia avançando
A chorar pelo seu descanso,
Já em maré de balanço.

Lembrou-se então,
Com emoção,
Dos tempos
De outros tempos,
Que era a dona do serão.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠MELANCOLIA

Cai a tarde lenta em brasa,
Num céu de mar ondulante,
Enquanto este vai e vaza,
Meu coração está distante
Pensando em ti, ó sereia
Que vi uma vez ao luar,
Em noite de lua cheia
Nas águas de prata, a rolar.

Que saudades sobre o mar
Meu coração lá deixou;
Tristezas de fazer chorar...

Enquanto eu não encontrar
Esse amor que lá ficou,
Farei na areia um altar...

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 08-03-2025)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠A Ligação

Hoje o telefone tocou
Chama quem o coração chamou
Um convite para encontrar
Mar, areia e um caminhar
Um belo sol para nós dois
Beija agora e ama depois
Muitas ideias e nada explicar
Ao seu lado é bom conversar
Passa o tempo nada acabado
Feliz ao teu lado ter caminhado
Espero amanhã o telefone tocar
Para andar, conversar e te amar

Inserida por silvio_flamel

⁠Uma Boa Lembrança

Da areia o mar infinito
Como um arco a praia se faz
Olho o azul do mar em ondas que chegam
Espumas rolam em minha direção
Sereias desfilam a beira mar
Golfinhos sorriem dizendo que sim
Ao fundo um quadro de montanhas
Delas nasce um sol lindo a brilhar
Em um céu limpo azul ele sobe
Uma leve brisa refresca meu rosto
Sinto a maresia no camarote do paraíso
Sentado em areia macia percebo a beleza
Quanta alegria em um só momento
Apenas areia, um mar e um céu
A memória do poeta colocada em papel

Inserida por silvio_flamel

A saudade vem e vai como a onda do mar, totalmente abstrata, algo longe de ser tocado. Um sentimento que, às vezes, vem como uma adaga, muito bem trabalhada, fazendo com que um frágil coração seja afligido, causando tormento de lembranças, ora em sorriso largo, ora com nó na garganta, enfim, fazendo com que as veredas do passado se tornem um imenso deserto no presente.
.
Mas será que é só isso? Não! A inocência é bela, repleta de graça, tornando em realidade como se tocasse as nuvens, enchendo os olhos de vida e um burburinho acelerado no peito trazendo a saudade do amor, da pureza, da ingenuidade de uma criança. O cocheiro muito volátil nos coloca na porta!
.
Sim, na porta e com um leve toque conseguimos abri-lá e então ser surpreendida com turbilhões de sentimentos, onde a saudade é a chave e que está na sua mão lhe permitindo e lhe outorgando poderes para sorrir, abraçar, bailar, chorar largado, cochichar, beijar e tocar o oposto do abstrato a ponto de ouvir o coração e se derramar na saudade que chegou ao fim.

Inserida por Avipen

⁠Mudez

Mudo, mas não mudo muito
⁠Na esquina da cortina ao alto mar
Me vejo
Desejo de ser e tocar de vidro frio

Do horizonte cheio de montes baixos
Desembrulhar-me e ser eu
E raspar a tinta
Como os que me pintaram os sentidos

Nas grandes cidades
A vida é mais pequena
Na cidade, as grandes casas fecham
A vista e à chave
E as flores são cor da sombra

E tornam-nos pobres,
Porquê a nossa única riqueza
É ver.

Inserida por samuelfortes

Conjugação Cotidiana

⁠A vida como
Um seio exausto

Assim tão reluzente
Sobre a noite e do mar,
Lhe veio a voz

E só então, foi totalmente a sós
Sentiu-se pobre
E triste como Jó

Da carne nos rasgos
Da febre mais quente

Que

Jamais queimasse
Mas nunca como antes

Nem paixão tão alta
Nem febre tão pura
Em noites de insônia

Inserida por samuelfortes

⁠⁠A mar

Rápido estado
Ancestral de um indivíduo

Que vem do vento
Um sossego, uma unção

Estado leve anuncio seu lugar
Leve estarei parado aqui
No seu lugar

E eu te espio da varanda
Indo embora
Mas você vem

Hoje a janela
Me ofereceu a paisagem
Ressuscitando formas

Era um sujeito
Realmente distraído

Na hora de dormir
Beijou o relógio, deu corda no gato
E
Enxotou o olhar pela varanda

Venha pra cá deixe de ser
Bem acanhado

Do seu ditado
Agitado
Cabelo ao vento

Do saculejo
Dessas roupas
No varal

A mar
De onde
Que tu tiras tantas ondas

De onde
Que tu tiras vai e vem

De onde
Que tu vens tão descolado

Prá onde vai só do seu jeito
Descansado

Volte amanhã bem de manhã
Aqui estarei

Prá ver de perto
Seu molejo
Arretado

Agitando o ar
No
Seu espaço confinado

Tomando a fresca
Tomo o ar
Quarando o corpo

Em alguns lugares estratégicos
Já foi mar

Voou por sobre as montanhas e cabeças
Fez dali seu Espinhaço

Passou por cima
Do seu mundo
Seu lugar

Busca
Bem de lá
De onde vem seu infinito

Se esperar
Possa estar marcado em horas
Rochas

E no nascer
De
Espectativas fulminantes

Lá vem o mar
Trazendo a fonte e o defronte

Cavalga ventos
E a voz do sussurrado

Ginetes pronto aparado
A cavalgar

Alados ventos
Sobe e desce das areias

Ao espairecer espalha
Espuma em seu olhar

Já sinto aqui
O seu perfume estrangeiro

Bebendo em tua boca
O perfume dos sorrisos

Que o vento forte acaba aqui
De me entregar

Inserida por samuelfortes

MAR

Muito se fala na imensidão e profundidade de um lugar onde nem mesmo a luz do sol pode alcançar. Temido por muitos e admirado por todos, nossas vidas, assim como o mar, são ondas constantes, maremotos inundados de problemas, mas que, por diversas vezes, nos trazem calmaria.

Acredito que o maior medo do mar seja sua profundidade, mas é incrível como, muitas vezes, nos afogamos no raso. Assim como a profundidade de nossos problemas, por vezes, os mais simples são os que mais nos deixam afogados.

Saber flutuar é o mais importante: tentar sempre manter a cabeça fora da água, respirar e admirar o que temos de mais bonito, o azul infinito.

Existem contos antigos de um amor impossível: o mar e a lua, atormentados por uma maldição, onde a lua conseguia tocar o mar todas as noites, mas nunca podia encontrá-lo de verdade. Muitas vezes, o mar se irrita e cria tempestades e enormes mares como efeito de sentir a lua e não poder tê-la.

É normal, em nossas vidas, desejarmos algo que nunca conseguiremos alcançar, mas acredito que o importante é fazermos por onde e chegarmos o mais próximo de nossos objetivos, cruzar oceanos, desbravar correntezas e encontrar a calmaria.

Parte do nosso navegar nos pede paciência, mas, acima de tudo, humildade: em reconhecermos nossos limites, fraquezas. Nem mesmo o que um dia já foi o maior navio do mundo resistiu às reviravoltas de um mar tempestuoso, frio e congelante. Como na vida, sempre precisamos saber que, às vezes, naufrágios fazem parte. Tudo o importante é não ficar à deriva.

O vai e vem das ondas é o ciclo do mar, da vida e, como um rio, é impossível entrar no mesmo mar duas vezes. Só vivemos uma vez, e o que nos torna mais fortes é sabermos navegar. No final, sabemos flutuar, viver de forma leve, manter sempre a cabeça fora d'água. Lembrar que, depois da tempestade, vem a calmaria. Amar a vida, amar o MAR.

Inserida por Allanbss

⁠As lágrimas do amor
Em um mar de lágrimas, formado pelo sofrimento, o abismo que nos separa da felicidade parece imenso e distante. A dor e a raiva se fazem constantes, e vivemos em um mundo triste e solitário. No entanto, a única coisa que nos lembra do porquê continuamos a sobreviver é a família. Ela é o que realmente importa — é o amor de cada dia que ainda nos traz alegria. É o contato que vai além de um simples abraço, até chegar ao afeto de um beijo. Esse é amor

Inserida por Lost_future



Falta


Enquanto é noite, o mar se esconde,

alguns passos reaprendem, trilham

os mesmos caminhos... levando a lugar

nenhum um desejo,e vai... com atenção

nos tantos esquecidos detalhes... seus.

Uma falta que falta.



Falta o riso, o olhar, a graça,

o pronunciar o amor com alegria.

Presa à alma, restos de poesia.

Ainda,algumas palavras habitam

lá dentro...

outras se perdem sem eco, a doçura

aos poucos vai amargando, noites

e noites, nada bem vindas, torturando

os pensamentos.



Tristonhavem outra madrugada,

sonhos solitáriosvão sumindo, descendo feito chuva

banhada em lágrimas pelas calçadas.



O mar noturno queria ser, para assim ficar

invisível, ao menos nas noitesque já não posso

sequer sonhar com você.

Inserida por liduinadonascimento2

Marcas

E ela parou diante do espelho e se permitiu observar as marcas esculpidas em sua face, marcas que o tempo não foi capaz de suavizar e tão pouco amenizar.
Marcas de alguém que caiu, sofreu, mas que sobreviveu!!
Marcas de muitas lutas e algumas derrotas, mas também marcas de grandes vitórias e conquistas.
Marcas que contam histórias, que marcam o tempo vivido e não foiesquecido, e que marcam o tempo que você esperou para os seus sonhos alcançar.
Marcas que te fazem ser forte, quando você pensa que não pode mais continuar. Marcas que te impulsionam a continuar e não desistir.

Mas tem algumas marcas que são tão queridas, que são tão únicas, que você faria tudo novamente só para viver a emoção daquele momento tão especial.
Marcas que te devolveramo prazer de viver, e que colocaram um brilho novo no seu olhar.
Marcas que te deram forças para continuar a lutar!!

E lembre-se, ninguém passa pela vida sem ter suas próprias marcas, sem ter suas próprias lutas ou suas próprias batalhas.
Mas o bom é que a cada vitória alcançada, nossas forças são renovadas e novos objetivos são traçados.

Algumas vezes ficamos tão cansados que a melhor opção é desistir, mas isso não significa que vamos esquecer dos nossos projetos, é só uma pausa para renovar a nossa fé e continuar a jornada de onde paramos.

Não desista se a luta estiver muito pesada, não desista se seus ombros não mais aguentarem e se o cansaço tentar te dominar.

Não desista se você não tiver mais forças para continuar, se você não encontrar mais razão para novos caminhos trilhar.

Olhe para tudo que você conquistou e tudo que ainda deseja conquistar.
Coloque os motivos que fazem seus olhos brilharem sempre diante de você e continue sua caminhada.
Tudo tem dia certo para terminar, tudo tem hora certa para acontecer.
Seja forte, seja persistente e siga sempre em frente.
Não desista, acredite, ainda é tempo de realizar!

Inserida por Marthasil

FROST: A VOZ QUE VEM DO MAR

O céu lançou uma tempestade.

A família orca atravessava o oceano para chegar ao Àrtico, onde a comida era farta e o clima agradável.

A vovó orca dava as coordenadas e pedia para que ficassem firmes.

O mar ficou intenso.

A orca mais nova, chamada Frost, não conseguiu acompanhar sua família e se perdeu.

Depois de longas horas, a água já estava calma, mas ele não viu mais ninguém.

Continuou nadando por um bom tempo e se sentia cada vez mais sozinho.

O silêncio ecoava e ele tinha medo.

Semanas se passaram e Frost conseguiu comer apenas alguns salmões.

Estava desanimado e tentava lembrar do que a vovó orca dizia:

- Se um dia vierem a se perder, lembrem-se do nosso chamado, pois ele será a voz do seu coração e o levará de volta para casa.

Frost cresceu, e parecia que a voz ficava cada vez mais distante.

Ele fez amigos.

Conheceu uma tartaruga. Ela nadava em uma corrente rumo ao verão, mas Frost não queria viver no calor.

Conheceu também um tubarão, mas muitos animais do mar acreditavam que orcas eram má companhia.

Sentindo-se infeliz, Frost chorou.

Quando chorou, ele emitiu um som alto e desconhecido.

E de repente, o mar se movimentou em grandes ondas circulares.

Os peixes foram todos embora, enquanto várias orcas se aproximavam e o encaravam.

A vovó orca assobiou.

E ele se lembrou.

Agora, Frost andava junto com sua família, fazia amigos e brincava.

Ele finalmente pertencia a algum lugar.

Frost continuou sendo uma orca corajosa e gentil, e viveu feliz por muitos anos.

Inserida por tainawolff

Um dia me sentei bem na beira da praia E me perguntei por que a vida parece tanto com o mar...?!

Uma hora tudo tão calmo e Brando outra hora tudo tão tempestade

Tenho certeza que Deus sabia o que fazia quando criava o mar...

O mar e as suas ondas os ventos
A onda é a sua dor ...ela vai...volta..some..sobe..desce...
sempre...
Você precisa ser o mar que fica.⁠

Inserida por Brunawotkosky

⁠Ela era um mundo em um só coração...
Amava o mar...o sol, a música... Amava Ivete ...
Amava tanto o amor, que não teve coragem de deixa -lo partir quando era tempo ...

E não deixando esse amor partir, se partiu seu coração...

E viveu na imensidão sem novamente encher seu coração...

Inserida por Brunawotkosky

Paixão Oceânica

O azul mais belo,
Mistério a desbravar,
Como um grande pirata, no mar,
Minha liberdade, vou encontrar.

Vento na proa,
Azimute definido,
Indo até a popa,
Contra as ondas, destemido.

"O mar levou toda a tristeza,
Todo sentimento ruim,
Isso que me deixa"

Navegar os sete mares
E é o que me deixa feliz,
Yo ho ho hou!

O que faz eu enfrentar,
Até gigantes, sem cair,
Yo ho ho hou!

A liberdade dessa jornada,
O sal das ondas no casco,
O balanço do nosso barco,
De bonbordo a estebordo é a minha casa.

O maior tesouro viver,
Viver e sentir o fogo arder,
Arder e não doer,
Simplesmente apenas viver...

⁠Não é a mesma coisa…
Olhar o por do sol sem sua presença
A beira do mar sentindo a boa e velha brisa
Eu só queria estar com você
Mesmo sabendo que isso nunca vai acontecer
Talvez tenha perdido nossa única oportunidade
Mas o que fazer? agora é tarde
Tivemos os melhores momentos bons e ruins
E lembro de todos eles mesmo assim
Querer poder ser e estar
Mesmo sabendo que isso esse dia nunca vai chegar
Essa sensação angustiante de querer quem já se foi
E pelos meus erros peço que me perdoe
E ainda assim no lapso de euforia
Uma memória boa se inicia
E o choro por sua vez
O acompanha no fim do dia

Inserida por Fred_de_perruan