Textos de Manha
Porque aprendi a ser assim
A cada manhã ou ao acordar, mire-se no espelho e dê um sorriso.
Ame-se! Ninguém fará isso se você não der o primeiro passo.
Procure a felicidade no seu interior e não nos outros.
Mergulhe no seu íntimo e reconheça seus erros.
Peça perdão a você e depois aos outros.
Aproveite o presente, um dia de cada vez.
Valorize os momentos. Eles não se repetem.
Perdoe sempre. Antes de qualquer pessoa, isso fará bem a você.
Seja otimista e tenha bons pensamentos.
Olhe pra frente mas não esqueça de olhar para os lados. Neles você encontrará o seu próximo.
Ajude todos, ao menos, com uma palavra de carinho. Se sincera, ela poderá recuperar alguém.
Refaça seu acervo de lembranças e guarde as boas. Algum dia, elas fizeram você crescer.
Aja com firmeza, ainda que não compreendam.
Busque na memória tudo o que ajudou você a ser melhor. Se necessário, exercite-o mais vezes.
Agredir-se é uma das piores violências.
Persista em corrigir seus defeitos. Você merece!
Esqueça o que magoou. Já passou.
Repense e repita suas melhores atitudes.
Armazene bons sentimentos.
Fale e aja com sinceridade. Ela lhe trará amizades verdadeiras.
Procure compreender, mesmo que não seja fácil.
Na medida do possível, coloque-se à disposição. Alguém pode estar precisando de você.
Relegue as más experiências ao esquecimento. Às boas, dê ainda mais brilho e destaque.
Sempre que puder, testemunhe sua vivência. Ele poderá ajudar alguém que esteja em situação semelhante.
Rascunhe planos mas não os passe a limpo. De repente, Deus muda tudo. E para melhor, mesmo que você não compreenda imediatamente.
Faça muitos agradecimentos ao final de cada dia. Mesmo que não perceba, você tem vários motivos pra isso.
Canções
És precioso a mimo orvalho de manhã
Brisa do vale fragor do dia
Que tens tu de tão belo?
Que me torna enamorada
Por esse jeito seu.
Livre-me um dia Deus
De perder nos olhos meus
O reflexo dos teus.
E desse jeito eu sou feliz
Contentando-me em te amar.
Não cobro ou espero,
Realizo-me ao me doar.
E se nessas turvas viradas da vida
Na fagulha do vento ao passar,
Mais nada na vida vinhece a me confortar,
No coração teu sei conforto achar.
E se acaso á vida deprima ou roube de ti o olhar,
Tentes e canção não puder entoar.
Meu coração querido, só para ti ira entoar
A canção mais linda do amor para te guiar.
ORAÇÃO DA MANHÃ
Senhor, reveste-me com a Vossa bênção
e assim estarei livre de todo o mal que por
ventura estiver a caminho a fim de desvirtuar-me de Ti;
desperta em minha alma... a clemência, a piedade e o amor
por aqueles que, na caminhada pela vida me desestabilizam;
Tende compaixão de minha alma que sofre pelos desencantos
e pela desarmonia que por vezes me abate;
Toca meu coração que tantas vezes desacredita num amanhã...
Cura-me de toda insegurança e dos medos que me paralisam!
Concede-me a graça de um recomeço...
no labor e no sentimento!
Concede-me a graça do reconhecimento e da certeza
de que NUNCA me abandonas-Te
Deus meu, Deus meu!
Acolhe minha prece e enxuga minhas
lágrimas de desesperança...
Que nenhum infortúnio me impeça
de ver a Tua face e as Tuas mãos a me afagar
Pois... És
o meu único refúgio,
meu único conforto,
minha única esperança
e minha salvação!
AMÉM
Descrição de meu fim.
Um acordar de uma manhã.
A certeza de perder
Sonhos e desejos
Para o decorrer
Da vida.
Passos falsos
Que ditei aos meus
Olhos, me levaram
Ao um lugar do qual
Já não consigo sair.
Subir é inútil, escapar
É bobagem, permanecer
É impossível.
O frio em meu corpo
Mostra que a hora
Chegou.
Viver ali para sempre
Era tempo demais
E muito pouco para
Mim, que medo
Tinha de meu mundo.
Minha mente, confusa e
Atordoada já não sabia
Nem ao menos o que
Sentir. Se entregar
Era o que me restava
Levado para o inferno
que temia mais,
No qual me encontrava.
Fazia dos meus
Passos os primeiros
Dos últimos que o chão
Iria pisar.
Se me palavras fossem
Necessária para descrever
Tudo que estava vendo,
Ficaria calado.
Indiferente do que pensei
Tudo me destruia
E sentido minha pele
Como um papel que
Lentamente se rasgava
Com os olhos
Famintos da besta.
Orava para que piedade
Fosse usada naquele
Momento e poupasse
A dor de minha alma.
Sabia que não podia
Pedir o que nunca
Acreditei que fosse
Acontecer.
Vagarosamente e
Com muito prazer
De sua parte, me tomou
Por inteiro e que me fez
Entender.
A vida é a passagem
De seus dias mais
Escuros e que a luz
É o conforto daquilo
Que ainda não viveu.
Se você se esquecer de sorrir para mim ao acordar pela manhã, não tem problema, eu te lembro, pois é o que sempre faço e sempre vou fazer. Se vc se esquecer de me dar um beijo e me dizer bom dia ao despertar, eu te lembro, você certamente ouvirá isto de mim. Se você se esquecer que seu abraço me acalenta e não vir até a mim para me abraçar, não tem problema, eu te lembro, pois você vai ser abraçada todos os dias e toda hora.
Amor, quero ser para sempre um marido especial para você. TE AMO
Estrela da manhã, tão bela...
Estrela da manhã, que do dia nasce e na noite não surge.
Estrela do dia, que na luz brilha,
Estrela Alva do Universo.
Fonte de luz, esperança do náufrago,
consolação do desesperado.
Amor inconsciente, felicidade ilustre,
sentimento de paz.
Estrela do dia, que pelo fogo passeia,
Estrela de verdade, que mim modela,
Estrela de sempre, sempre estrela,
que a mim, ordena...
Venha ate mim, com a esprança de iluminar meus dias...
Te aguardo...... você
Idealizei tanto o momento dessa manhã, como aqueles autores que escrevem poemas melosos, idealizando perfeições, que eu não poderia imaginar que, na realidade, seria infinitamente mais aprisionador… esse amor de manhã inteiro!
Você achou lindo, quando te mostrei e você ouviu…
… vai dizer que não lembra, aposto!
Jota Cê
-
Como ver um sorriso seu pela manha, de sentir a brisa do vendo no seu cabelo, o seu jeito de falar, a forma de se vestir, o seu medo de não ter nascida para amar, o seu jeito de fazer as coisas com o maior cuidado de não errar, seu jeito que lutou e alcançou tudo que tem hoje, a forma de ter medo de algumas coisas mesmo sabendo que tem pessoas que querem o seu bem, saber que pode até fazer a coisa errada mas se não fizer pode arrepender se, sabe que meche com meus sentimentos e mesmo assim fica com medo de não dar certo, já chorou, já sorriu, pode até ter chorado mas do que sorriu mas cada sorriso se vale bem mas do que mil lagrimas derramadas por causa de um falso amor!
Hoje e sempre será a minha estrela.
E hoje quando acordei, vi a porta de um bar que nunca ficava aberta, mais hoje, numa
manhã, após uma forte chuva, lá estava ela, aberta!
" Depois de uma forte chuva, sempre pode haver um recomeço."
E tentei pensar ( ou tentar acreditar?) que " Hoje seria um dia diferente".
Mas quando olhei no relógio, ja se passava das 8 da manhã!
Portanto dia ja tinha começado á muito tempo. Até mesmo pra mim, e no dia anterior,
ou pra ser mais exata, nessa madrugada, eu tinha acabado de passar a noite
com as duas pessoas com toda certeza são as que dá algum sentido na minha vida.
E nessa madrugada, mágica ou não, fui psicóloga e amiga, me surpreendi
e fui surpreendida pelo bom e velho destino.
Percebi também, que o que temos que passar na vida tem um ensinamento, que mesmo
que no momento é uma coisa dificil, ou até mesmo triste, depois fará algum sentido.
E agora eu me pergunto, será que tudo mesmo tem um sentido? Nada é por acaso?
Pensei no futuro, e me perguntei como iria ser... Depois de tantas mudanças.
Então, parei de tentar adivinhar o futuro!
Começei a pensar no passado, e percebi que tinha perdido muito tempo! Mais como tentar
adivinhar o futuro já era dificil imagina tentar mudar o passado? É seria mais que dificil,
seria impossivel!
Então me concentrei no presente, perguntei á mim mesma se estava vivendo intensamente...
Foi pergunta sem resposta... E nesses pensamentos indefinidos lembrei de uma vez
em que uma estranha havia me dado um conselho e feito uma pergunta, A pergunta foi
"Qual seria meu maior medo"? . No momento, não me lembro a resposta que dei,
mais acredito que não era a verdadeira.
E agora, nesse momento, com essa dor e arrependimento do passado, solidão e angustia do
presente, e desespero do que pode acontecer futuro, descobri a resposta para á pergunta
feita á tanto tempo!
E era a resposta mais sincera que eu poderia ter dado! O meu maior medo era chegar
lá na frente e descobrir que tudo o que aconteceu não significou nada, ou que eu
não tinha me tornado um "Alguém"!
Ou descobrir tambem que estava sozinha, que tudo que eu sempre sonhei em ser
o ideal de vida pra mim, não tinha passado de uma vontade egoísta e sonhadora demais pro
mundo real que a gente vive.
Tentei parar de pensar em tudo e me concentrar (ou tentar acreditar) em uma unica coisa:
Aconteça o que acontecer, terei certeza, que o que vivi não foi em vão, tentarei
lembrar das vidas que eu mudei, e não das que eu de alguma maneira não fiz á "diferença",
tentarei manter os sonhos acordados, e me esquecerei dos que foram destruídos, tentarei
lembrar dos amores que vivi, e não dos que perdi.
Tentarei lembrar tambem dos amigos e da familia, mais somente dos momentos bons,
porque os ruins... É de uma certa maneira bem irônica me fizeram crescer e
me tornar a pessoa que sou hoje, mais só quero me lembrar do aprendizado, e esquecer dos
momentos mais dificeis.
Tentarei lembrar dos erros e dos acertos, das duvidas e das resposta, das que eu não queria
ouvir,das que eu precisava ouvir, ou das que eu julguei não precisar ouvir.
E mais uma vez no dia de hoje, e daqui em diante, farei da palavra "recomeçar" um lema,
e da frase " Hoje será diferente" um simples recomeço, mais que me dará á todo dia
uma nova oportunidade de mudar minha história!
Parei de pensar, parei de remoer e maltratar meu próprio eu.
Agora vou viver, do meu jeito, porque cansei de chamar de vida o meu "existir".
Ps: E como eu disse no começo, hoje seria um dia diferente, estava repetindo isso á
mim mesma, desde o primeiro minuto quando lembrei, que minha melhor amiga
estava em alguma rodovia, de algum lugar, buscando o "recomeço" .
Eu piso o chão molhado do sereno, respiro o perfume da manhã
tenho tudo e ao mesmo tempo tenho nada que adianta tudo isso sem você,
se pareço estar feliz é engano seu, pois por dentro eu só sei sofrer.
Dizem que amor também tem cura que é com outro amor que se esquece alguém
já tentei em outros braços te esquecer, esquecer que eu amo só você!
SAUDADES
Sabe do que eu sinto saudades? Saudades de quando você acordava de manhã, ao meu lado, com aquele sorriso, naquele dia chuvoso em que ficávamos deitados contando nossas historias de vida, do seu sorriso e do quarto desarrumado, de quando simplesmente ficávamos olhando um nos olhos do outro e fazíamos juras de amor eterno, mas acabou, mas o que passou, passou, o que ficou, marcou. Mas estou vivendo normalmente, não vou ficar pensando se tivesse sido o contrário, porque esse contrário aconteceu e você simplesmente não soube aproveitar a oportunidade, mas agora não dá mais para mim, tentar de novo não ira trazer o amor que já senti por você. Mas saiba que gosto muito de você, espero que esteja feliz e bem acompanhada, estou feliz, mesmo sozinho, esse meu silêncio é paz.
Quando a dúvida chegou
De repente,
ao abrir os olhos pela manhã
quando o sol vem visitar-me na aurora,
sinto uma estranha dúvida.
Dívida do medo.
E não estou seguro de continuar,
ainda que este não seja meu lugar.
Quero ir muito além
mas não caminho longe d’onde estou agora.
Quando a luz partir
que ela devolva às trevas a dúvida
que veio abraçar-me.
Presença
Você é o refrigério, a paz, a calma,
Você é a manhã tranqüila e límpida
Você é mar sereno após a tempestade
É um raio de luar na escuridão
É o silencio na alma, o pensamento que voa
No espaço da distância, que mesmo distante é,
Tão presente, tão próxima, que quase se pode tocar
Tão real que as mãos sentem as marcas na face
É como sentir o cheiro do orvalho no amanhecer
Ter a certeza de não caminhar só, ainda que,
não esteja presente, no mesmo espaço físico,
É ter certeza no amanhã, mesmo que ele seja futuro,
É ser feliz sem razão ou lógica, sem explicação,
Ser feliz porque você existe, e eu existo por você.
Vera Costalonga
07/02/2011.
Segunda feira.
15 de setembro de 2009.
Uma manhã fria, nevava. O vento batia contra as janelas das muitas casas daquela rua vazia. As aulas começavam e um ou outro corria pelas ruas, para alcançar o ônibus. E ali estava ela, não necessáriamente a espera do escolar. Estava apenas saindo de casa, com as chaves em mãos. Iria de carro. Usava vestes apropriadas para o dia. Uma calça de couro preta e botas. Usava também uma camiseta deuma banda de rock dos anos 80 e um sobretudo preto por cima. Os seus cabelos escuros estavam soltos e os olhos num verde esmeralda destacavam-se devido ao lápis escuro.
- Volta pra casa depois?- O homem perguntou, parado na porta, com um sorriso no rosto. Uma garrafa de cerveja em mãos. A menina revirou os olhos ao vê-lo levá-la aos lábios. Como fora parar ali?
- Sim, vou voltar para a minha casa.- Enfatizou, abrindo um sorriso lateral, que logo sumiu de sua face. Derick não era uma garoto feio, mas também não era uma beleza rara. Tinha cabelos escuros e a pele clara, os seus olhos eram num cinza claro e o seu corpo era ideal, talvez fora muito bonito no colegial, mas não agora. Agora era só um bêbado viciado, que vendia drogas para sobreviver.- Até mais, Derick.- Acrescentou e seguiu até o velho impala, estacionado em frente à velha casa.
- Espera, você me liga, Myv?- Derick perguntou, jogando a garrafa agora vazia na lata de lixo enferrujada.
- Derick, você está parecendo uma garota.- Myv riu e abriu a porta do carro.- Não, eu não vou ligar. Apareço quando sentir necessidade.- Piscou marota e entrou no automóvel, fechou a porta e deu a partida, acelerando com tudo rumo ao colégio em que estudava.
SOFIA DESCONFIADA
Juliano estava apressado. O relógio marcava seis e trinta da manhã e ele já estava desperto há tempos. Qualquer erro poderia pôr tudo a perder e ele sabia muito bem disso. Sua namorada, Sofia, não poderia desconfiar de nada. Mas como ela era desconfiada!...
Aproveitando a folga no trabalho, Juliano decidiu ser aquele um momento de transição. Estava disposto a mudar de vida. Bem arrumado, rumou direto à floricultura mais próxima. Comprou um buquê pomposo, de grandes rosas vermelhas, e seguiu em direção a um famoso restaurante da cidade. Estava acompanhado de uma mulher muito bonita e elegante.
Desconfiada que era, Sofia resolveu ligar para o namorado. Por que sair tão cedo em um dia de folga? Por que tão bem vestido? “Isso não está me cheirando bem”, pensava. De fato não estava, foi o que deduziu após a sétima chamada não atendida pelo amado. Saiu de casa apressada, em direção ao endereço escrito no cartão que achou em cima do criado mudo. Era a dica que ela precisava.
Juliano e a misteriosa mulher almoçavam animadamente. Conversavam gesticulando muito e demonstravam ter grande afinidade. O grande buquê na cadeira ajudava a compor a cena de um casal apaixonado. Sentados à mesa do lado de fora do restaurante, só deixavam de se falar quando ele atendia ao telefone ou ligava para alguém. “O desgraçado só não atende a mim!”, foi o que deduziu sem pestanejar. Fazia sentido.
Sofia era desconfiada, ciumenta, mas não era de dar show. Aguardou pacientemente – ou quase, haja vista as unhas roídas – e foi conversar com o garçom assim que o “casal” saiu. “Para onde foram eu não sei, mas eles comentavam a todo tempo a respeito de joias, aneis”, disse o homem. Sofia notava que a situação era muito mais séria do que parecia. Ficou preocupada, teve medo até de saber a verdade. Mas prosseguiu. Ainda havia tempo de seguir o carro que acabara de sair do estacionamento.
Chegando a uma importante joalheria da cidade, ela se assustou. “Ele está comprando jóias para aquela ali?”. Permaneceu no carro, atônita, esperando pelo pior. Quando os “pombinhos” saíram da joalheria com uma sacola elegante, risonhos e com um olhar apaixonado, Sofia indignou-se. Atravessou cega de raiva à rua, puxou a rival pelos cabelos com a maior força possível e a derrubou ao chão, pisoteando-a incessantemente com seu salto 15.
Mentira, ela não fez nada. Mas pensou. E continuou seguindo-os com uma curiosidade masoquista de dar dó.
O próximo destino foi o Shopping Center. “Até onde esse cretino chega?”, imaginava em voz quase alta. Quando pediram sorvete de baunilha, que era seu preferido e ele sabia disso, Sofia chorou. Estava tudo acabado e não havia mais o que ser feito. Tinha certeza que havia sido substituída. Estava pronta para ir embora, mas não sem antes dar uma última checada. Tinha muito o que falar e não hesitaria em fazê-lo. Entrou no cinema escuro olhando para baixo, tentando não ser vista. Relutava, pensando qual seria o melhor momento de dizer “umas boas verdades” ao seu ex-amor. Só não sabia que era Juliano que tinha muito a dizer. Bastou o filme começar para ela descobrir isso.
O susto de Sofia foi imediato ao se ver na tela. Montagens caseiras de momentos marcantes de sua vida com Juliano começaram a ser mostrados. Aniversários de namoro, festas de Ano Novo e até o dia em que eles se vestiram de “Lampião” e “Maria-Bonita” foram lembrados. Ao fundo, uma música que ela adorava.
A perplexidade de nossa heroína era tão grande que ela não conseguia entender o que estava acontecendo. Os pensamentos se misturavam às emoções e o que era real passava a ser figurado, talvez com um “vice-versa”. Se acham isso confuso, imagine para Sofia! Após alguns minutos de imagens, as luzes do cinema se acenderam e ela passou a olhar para as pessoas. Eram todas conhecidas e tinham um sorriso curioso. Foi quando Sofia começou a perceber o que estava acontecendo.
O famoso restaurante foi o local do primeiro encontro. O cartão no criado-mudo, a deixa para que ele pudesse ser seguido – sim, claro que ele sabia que o seria, visto que é notória a “personalidade desconfiada” dela. As rosas vermelhas, o primeiro presente. O pedido que se seguiria explica a joalheria. Quanto ao garçom, bastaram alguns trocados para que ele entrasse na jogada. O sorvete de baunilha dispensa comentários o cinema foi possível graças ao Agenor, dono da sala e grande amigo de Juliano.
“Mas e as tantas ligações que você fez?”, perguntou. “E você acha que é fácil convidar todos os nossos amigos e parentes para uma sessão surpresa de cinema?”, foi a resposta dele. Nada mais óbvio. Saber quem era a bela misteriosa era a questão final. Antes que ela pudesse perguntar, ele a apresentou. Era Beatriz, Gerente Executiva de uma empresa especializada em casamentos e grande responsável pela “Operação Casa-Comigo”, como ele apelidou.
Casaram-se no mesmo mês, com Bia sendo uma das madrinhas. Sofia mudou sua forma de pensar e agir. Deixou de ser desconfiada? “Nunca! Aliás, por que a pergunta?”, foi o que ouvi dela com ar sério, rígido, enfim, desconfiado.
Quem foi que disse que casamento faz milagres?
Morte no silêncio
A noite segue emudecida,
E a manhã custa chegar.
Eu calado aos prantos, me deito.
Prefiro não ver no que vai dar.
Ao deitar, vejo os anjos no obscuro,
Parece me privar de algo.
Tento dialogar...
Mas tudo é inútil.
Inutilidade no silêncio,
Paralisam meus pensamentos.
E fico sem reação,
Na fria noite do silêncio.
De fato um estranho silêncio.
Parece vir de uma coisa oculta.
A ele sinto uma calma.
Agora vivo numa irreconhecível serenidade.
A manhã se aproxima,
E o silêncio vai me deixando,
Aos poucos as coisas perdem o sentido.
E ao meu corpo, vou abandonando.
Sem desespero, do mundo real me desligo.
Minha alma nos céus sobrevoa.
E meu corpo volta pra terra.
Em um mundo oculto, vivo livre a viajar.
As coisas do mundo
Cantar...
A musica,
Ao amor,
A moça,
A melodia.
Cantar na manhã de todo dia.
Dançar...
Comigo,
Com ele,
Sozinha...
Para eu,
Pra você,
Pra lua...
Chorar...
A tristeza,
Agonia,
A alegria,
Dor, ódio,
Pra vida,
A perda,
A despedia.
Viajar...
Por ai,
Pra lá.
Pra outro mundo,
Pro lado de casa,
Pelos sonhos...
Viajar pelos meus obscuros
Amar...
As coisas do mundo,
O tempo,
A mim,
A você,
Ele.
O distante,
O amigo,
O próximo
O infinito.
Aquilo que desconheço,
E aquilo que mereço.
Amar a todos,
Amar a vida...
E a deus agradeço
Coisas Intocáveis
Pela manhã, canta um galo digital.
O sol reluz numa alamêda infinita.
Café com leite numa xícara quebrada.
Da sacada também vejo a rua inabitável,
Uma porta velha trancada com um cadeado.
Dentro existe uma piscina em desuso
Refletindo a plantação abandonada
Uma criança sorrindo com bolhas de sabão
Em frente de um quadro de bela imagem,
Uma ponte que faz chegar num zoológico
De rosas mal cuidadas e baldias.
Chegando à beira do lago, cena de piquenique:
Pães, frutas e vinho abençoados.
Por uma oração e um girassol bem amarelo.
Duas pessoas satisfeita de mãos dadas
Perdidas por entre o vão da cidade
Que no passado contruiam castelos de areia.
Que agora à beira da praia, tantos reveillons...
Com as mãos murchas lavando os pratos,
Enxugando os pés numa toalha branca
E o colorido a estourar no poder da memória.
Na gravura do tempo o poder da ciência.
Mil experiências coloridas em vidros intocáveis
Que o resultado é uma cor que não existe
Que guardaram num lugar seguro e gelado.
A luz não resiste a escuridão da evolução.
Com esforço, faz sombra na ampulheta que marca mas não vê passar o tempo
Nos fazendo saber que mais um ano findará.
Árvores coloridas, mesa com comida, diplomas e formaturas
Passando nossas vidas com vitórias e agruras
É mágico o tapete do tempo pendurado no armário.
Uma roupa, uma gravata. A porta colada nos retratos
Dos enfeites, perfumes, convites revelados no álbum
De um mundo tão pequeno e valioso
Prendendo nossa história no relógio do calendário.
André Amaral
Me sinto tão só esta manhã.
Tudo é tão frio.Tão quieto.Tão incerto.
Olho pela janela
Ninguém vejo
È inverno.
Aonde estão todos?
Em suas casas
A beira de uma lareira
Vinho para o Amor.
Afinal para se esquentar é preciso estar frio.
Sempre pensei Não preciso de ninguém para ser feliz
Será que me enganei?
Tão auto suficiente
Tão dona de mim mesma
Eu quero.
Eu posso.
Eu consigo.
Pra que força?
Não tenho com quem lutar.
Ser frágil é bem melhor.
Perder também e ganhar.
Ceder nem sempre é se humilhar.
È bom deixar ser vencida.
O que é o amor,
se não um jogo de Ceder?
A vida é feita de viver.
E não saber amar é aos poucos morrer.
Suor frio, pensamento quente. Eram 05h00min da manhã, minha cabeça pesava, meu corpo tremia de frio, meus olhos queimavam. Desconheci-me por horas, o que eu achava que era forte, tornou-se fraco, parecia que nada era o bastante, nada era o suficiente.
Rendi-me a imensa dor, que martelava ate alma, com os pés descalços ao tocar o chão, recebi um choque térmico, por segundos fiquei inerte.
Voltei à cama, a cabeça queria explodir excessivamente, tentei respirar, algo prendia, algo sugava o resto de força que em mim restava.
Encontrei-me neste estado por horas, ate suar mais frio e começar a delirar. Era controlador, operante, insaciável.
Vomitei, vomitei e vomitei...
Sim foram três vezes, mas na verdade eu tive vontade de colocar mais do que vomito pra fora, tive vontade de expulsar cada gota de amor, cada pedaço do passado. Aquele passado que ao lembrar me quebrava mais do que qualquer dor física.
Ali estava implorando a Deus por piedade, mesmo não merecendo, implorava.
Tudo ficava cinza, era minha visão apagando, pedindo descanso. Mais não obedeci. Não lembrava mais nada ate chegar ao hospital.
Agulhas, algodão, remédios, sangue, curativos, soro, analgésicos...
Estava sedado, tudo era uma ponte naquele momento, uma ponte para que eu pudesse estar acordado ainda. E ver a vida lá fora...
