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Textos de Filosofia

Cerca de 2279 textos de Filosofia

⁠Na jornada da alquimia, um caminho traçado,
O alquimista busca, com o coração iluminado.
Transmutar o chumbo em ouro, não só na matéria,
Mas na alma, na mente, na jornada inteira.

Prima Materia, o caos primordial,
Onde reside o potencial universal.
Do solo escuro da Nigredo, nasce a luz da Albedo,
A purificação que nos leva ao enredo.

Solve et Coagula, o mantra a guiar,
Desfazer para refazer, é o segredo a desvendar.
Em laboratório interno, o alquimista mergulha,
Explorando os recônditos da alma, onde a verdade fulgura.

Correspondências cósmicas, entre céu e terra,
Onde cada estrela, cada planta, cada pedra,
Ecoa a voz do universo, em harmonia eterna,
Uma dança de símbolos, uma sinfonia etérea.

Magnum Opus, o Grande Trabalho a realizar,
A jornada do alquimista, sem fim, sem parar.
Em busca da pedra filosofal, da verdade a encontrar,
Na alquimia da vida, a transformação a se revelar.

Com mercurius em mente, a mente a se elevar,
Na busca pelo conhecimento, pelo despertar.
E assim, na senda alquímica, seguimos adiante,
Em busca da luz, do ouro interior, do brilho radiante.

O Diálogo Eterno

No princípio, Thales contemplou o mar,
"tudo é água", o mundo a flutuar.
Parmênides contestou, com ousadia:
"o ser é imutável, a mudança é utopia."

Heráclito, no fluxo, ergueu sua voz:
"tudo flui, nada permanece em nós."
Platão buscou o ideal, além da visão,
"o mundo das ideias é a perfeição."

Aristóteles, atento, fez sua objeção:
"o real é a substância, a causa e a ação."
Santo Agostinho, em prece, refletiu:
"amo-te, verdade, tardia, mas foste o que insistiu."

São Tomás, da razão e fé defensor,
clamou: "a causa primeira é o Criador."
Maquiavel, ao poder fez seu louvor:
"o fim justifica os meios", disse com ardor.

Descartes duvidou, firme em sua missão:
"penso, logo existo" — a base da razão.
Locke, na tábula rasa, escreveu o saber:
"somos moldados pela vida e o aprender."

Schopenhauer lamentou, com profundo pesar:
"o mundo é vontade que nos faz penar."
Kant, do dever, trouxe nova lição:
"age como lei universal tua ação."

Hegel viu o mundo em dialética erguido:
"tese e antítese, o real é um tecido."
Nietzsche, no eco, um desafio deixou:
"torna-te quem és" — assim ele ensinou.

Beauvoir, na igualdade, desafiou o viver:
"não se nasce mulher, torna-se ao crescer."
E Sócrates, sereno, em sua ironia,
deixou: "só sei que nada sei," como guia.

E assim, no ciclo, a filosofia caminha,
do eterno perguntar ao que nos aninha.
No fim, todos juntos, num coro a ensinar,
que pensar é existir e, no existir, amar.

GinoPedro

Inserida por GinoPedro

⁠Viaje...

Mas faça essa viagem para além das externas estradas... Viaje para os labirintos das profundezas de seu Ser... Explore os caminhos desconhecidos, e nesses caminhos, redescubra Você, e compreenda que És bem mais do que aquilo que durante muito tempo "tentaram fazer você acreditar".

Rubenita Olindo

Psicanalista

Inserida por RubenitaSimeyy

⁠“Somos tendenciosos a falar e contar os nossos problemas para amigos e parentes. É uma forma de desabafar, aliviar as tensões e ouvir conselhos, mesmo que passem a nos identificar como ‘reclamões’. Será que não seria melhor falar mais das realizações, momentos agradáveis e ser taxados de ‘arrogantes’? Ou, ainda, não contar nada, falar pouco e ser taxado de ‘excêntrico’? Sei lá! Qualquer alternativa escolhida vai ter a sua ‘taxa’.”

Livro: Opiniões e Reflexões Polêmicas de um Sexagenário
Autor: GessimarGO

Inserida por rogeriopacheco

⁠"Ao contrário da expansão do universo, que cria novo espaço vazio, o desenvolvimento pessoal é um processo ativo e intencional de expansão. A cada nova descoberta, a cada desafio superado, traçamos novas conexões neurais, ampliamos nossas perspectivas e construímos uma compreensão mais profunda de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. É nesse constante movimento que reside a beleza e a complexidade da experiência humana."

Livro: Decodificando Pensamentos II - Sinfonia das Pérolas e Diamantes
Autores: Ótomo Rélcia & Azume Iá.

Inserida por rogeriopacheco

⁠Alma e Sonhos

É como ter todos dentro de si,
E estar em todos, sem jamais partir.
A saudade, essa parte que falta,
Viver sem ela é viver sem alma.

Voar... Ah, voar...
É a paz que vem sem a gente esperar.
A calma que mereço, mesmo sem saber,
Um momento onde posso ser.

Choramos, porque transbordamos,
Dor e amor que em nós clamamos.
A falta que o próximo traz,
Ou a presença que deixa a alma em paz.

E o sonho? Ah, o sonho...
Não é pequeno nem grande demais,
É o tamanho de uma vida, que jaz
No coração de quem busca a eternidade.

Inserida por Yaudim

Não tem mais lar o que mora em tudo.
Não há mais dádivas
Para o que não tem mãos.
Não há mundos nem caminhos
Para o que é maior que os caminhos
E os mundos.
Não há mais nada além de ti.
Porque te dispersaste…
Circulas em todas as vidas
Pairas sobre todas as coisas
E todos te sentem.
Sentem-te como a si mesmos
E não sabem falar de ti.

Cecília Meireles
Cânticos. In: Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
Inserida por IntoSense

Procuramos por algo que não vemos: seu nome é "semente".

Procuramos por algo que não ouvimos: seu nome é "sutil".

Procuramos por algo que não sentimos: seu nome é "pequeno". Essas três coisas são inseparáveis. Por isso, entrelaçadas, formam o Um.

Seu aspecto superior não é luminoso; seu aspecto inferior não é escuro.

Lao-Tsé
Tao-te King: o livro do sentido e da vida. São Paulo: Pensamento, 2006.
Inserida por IntoSense

⁠Se eu realmente soubesse o que quer dizer viver no Grande Tao, eu temeria, mais do que tudo, a atividade.
Onde as grandes estradas são belas e planas, mas o povo prefere os atalhos; onde as regras da corte são rígidas, mas os campos estão cheios de ervas daninhas; onde os celeiros estão completamente vazios, mas o povo se veste com roupas lindas e suntuosas; onde cada qual traz na cinta uma espada afiada; onde os hábitos de comer e beber são refinados e os bens excessivos, aí não reina o governo, mas a confusão.

Lao-Tsé
Tao-te King: o livro do sentido e da vida. São Paulo: Pensamento, 2006.
Inserida por IntoSense

⁠O Poder, sobretudo, o poder do dinheiro não apenas corrompe, ele turbina o mal, a podridão, a perversidade e a hediondez, principalmente, daqueles que já possuem a mente, o coração e a alma em estágio avançado de degradação, doentiamente apegados às coisas materiais.

___E.K~

Inserida por Vogelfrei

Que a tua Alma dê ouvidos a todo o grito de dor como a flor de lótus abre o seu seio para beber o sol matutino.
Que o sol feroz não seque uma única lágrima de dor antes que a tenhas limpado dos olhos de quem sofre.
Que cada lágrima humana escaldante caia no teu coração e aí fique; nem nunca a tires enquanto durar a dor que a produziu.
Estas lágrimas, ó tu de coração tão compassivo, são os rios que irrigam os campos da caridade imortal. É neste terreno que cresce a flor noturna de Buda, mais difícil de achar, mais rara de ver, do que a flor da árvore Vogay. É a semente da libertação do renascer.

Helena Blavatsky
A voz do silêncio. São Paulo: Montecristo Editora, 2021.
Inserida por IntoSense

⁠Sobre o amor, o que posso dizer...

Experienciei e continuo a experienciar o amor há anos. Hoje, consigo expressar em palavras conscientes algo sobre ele:

A paixão é algo intenso, mas fugaz. Ao mesmo tempo em que vem, se vai. Assim como as palavras e pensamentos mais lindos te preenchem, da mesma forma eles se vão. E está tudo bem. Acredito que isso não seja um problema, pois o que importa é o quanto você se permite sentir e se imergir nesse mar.

Deixe-se banhar, permita-se sentir, sem pensar que isso irá chegar ao fim. Porque, quando chegar, as melhores lembranças permanecerão vivas. Aqueles momentos que preencherão seu coração de amor, não pela posse ou insegurança de não ter o outro, mas pela pessoa que te fez sentir tudo aquilo e que, em sua homenagem, te presenteia com um caloroso sorriso.

Hoje, entendo que a paixão é passageira, mas o amor é eterno. Não tenha medo. Pessoas passarão e levarão o amor com elas, e isso será parte da sua história. Não tenha medo de guardar as lembranças, sejam físicas ou mentais, porque sempre que se lembrar delas, o amor te preencherá novamente.

Confesso que tive medo, pois pessoas que eu amo se vão. Porém, com o tempo, entendi que é isso que torna a vida tão bela. Se essa paixão já lhe preencheu e chegou o momento de ela partir, guarde o amor. No entanto, torça para que essa paixão possa preencher outra pessoa e que ela sinta toda essa intensidade da forma mais bela que se puder.

Inserida por ruanbublitz

Quantas vezes?

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Quantas vezes cheguei ao meu limite e continuei.
Quantas vezes vi meu mundo desmoronar e, no dia seguinte, ainda estava de pé.
Quantas vezes caí e me levantei, mesmo quando pensei em ficar no chão.
Quantas vezes chorei com vontade de desistir e, no dia seguinte, um sorriso largo surgiu.
Quantas vezes vi tudo chegar ao fim e, mesmo assim, segui em frente.
Quantas vezes? Sinceramente, não sei.

- Britobc

Inserida por britobc

⁠A originalidade, afinal,
é um mito bonito contado por quem esqueceu
que até a luz do sol é repetida
todos os dias,
e ainda assim nos encanta como se fosse a primeira vez.

Criar é respirar o mundo,
engolir memórias, sons, dores e belezas,
e depois devolver tudo isso
com outra forma, outra cor, outra alma.

Somos colagens vivas —
de livros que lemos, músicas que ouvimos,
pessoas que amamos,
e sonhos que não são só nossos.

Nada é original, mas tudo pode ser autêntico.

Porque a arte não nasce do nada.
Ela floresce do tudo
que carregamos por dentro.

Inserida por IgorDischer

⁠Não Fosse a Arte

Não fosse a arte...
Talvez eu não soubesse
a delícia da loucura
de respirar no topo de um abismo

Talvez, jamais entendesse
que quanto mais sei,
mais mergulho no nada,
mais me descubro no vazio,
mais me sinto inteiro.

Quanto maior a lente,
mais vejo o que escapa.
Menos quero ver —
mas mais quero saber.

Não fosse a arte,
eu talvez nem estivesse aqui:
Seria uma pedra
ou a carteira assinada,
com as noites dormidas
e as certezas guardadas numa gaveta.

Mas não fosse a arte...
Talvez eu não soubesse
quão gostosa, inquieta,
incerta e imprevisível
é a vida.

Inserida por gustavosp7

⁠O que é a vida: A vida, para mim, é uma missão na qual viemos para aprender e evoluir espiritualmente, desenvolver nosso intelecto e adquirir conhecimento. Nosso propósito é contribuir, por meio do trabalho e do saber, para um mundo melhor, com mais justiça social e conforto para nós mesmos e para aqueles que nos cercam. Em essência, buscamos a evolução do nosso ser e da humanidade, aprendendo a lidar conosco e com o próximo, praticando a lei do amor em nossas relações sociais e com a natureza, além de respeitar o planeta para que a vida floresça e a humanidade se desenvolva tanto material quanto espiritualmente.
Para os espíritas e espiritualistas como eu, a vida é uma missão concedida por Deus para redimirmos erros de existências passadas e avançarmos espiritualmente, seja por meio de expiações ou provas. Nosso caminho envolve o trabalho com a lei do amor e a reforma íntima, visando a evolução do espírito. Se conduzirmos esse processo de forma correta e for da vontade divina, poderemos também alcançar progresso material, desde que mantenhamos o equilíbrio entre o mundo espiritual e o material, sempre priorizando o espiritual.
No fundo, a vida se resume a aprender a vivenciar a lei do amor, a principal lei de Deus que rege a humanidade.

Inserida por celsobranicio

⁠Resenha Crítica: O Banquete, de Platão
Por João Moura Júnior

O Banquete, de Platão, é um dos diálogos mais conhecidos da filosofia ocidental. A trama se passa em uma espécie de reunião festiva, onde sete personagens se revezam em discursos sobre o Amor (Eros). Entre eles estão Fédro, o primeiro a falar; Pausânias, que distingue entre dois tipos de amor; Erixímaco, que tenta dar um tom médico e universal à força do amor; Aristófanes, que apresenta um mito cômico sobre as “almas gêmeas”; Agatón, que entrega um elogio poético; e, finalmente, Sócrates, que, como de costume, desconstrói as falas anteriores para apresentar uma visão filosófica mais profunda, supostamente ensinada a ele por Diotima, uma mulher sábia. Por fim, chega Alcibíades, já embriagado, elogiando Sócrates de maneira apaixonada, revelando mais sobre o filósofo do que sobre o Amor em si.

Apesar do prestígio da obra e de seu lugar cativo nos estudos filosóficos, é importante pontuar críticas que raramente são levantadas. A primeira delas é o cenário: um banquete regado a vinho, onde os discursos, embora inicialmente bem intencionados, em muitos momentos se perdem em devaneios. Homens embriagados discutindo sobre um dos temas mais complexos da existência, o Amor, pode até parecer provocador ou ousado, mas resulta, na prática, em falas que mais se aproximam de vaidades infladas do que de sabedoria autêntica.

É evidente que há momentos de beleza literária e até reflexões profundas, principalmente no discurso socrático. Diotima, por meio de Sócrates, apresenta a famosa escada do amor, uma jornada que vai do amor físico ao amor pelo saber, até alcançar a contemplação da Beleza em si. No entanto, esses momentos são precedidos e sucedidos por falas que, muitas vezes, parecem desconexas, repetitivas ou baseadas em achismos emocionais. A embriaguez que se intensifica ao longo da obra simboliza, de forma irônica, o quanto a razão pode ser abandonada facilmente em meio à celebração, algo que deveria soar como alerta, mas é romantizado por Platão.

Outro ponto a se considerar é a completa ausência de vozes femininas reais. Diotima é mencionada, mas não está presente e, ao que tudo indica, pode até ser uma criação retórica de Sócrates. A filosofia, nesse contexto, é apresentada como um clube masculino, fechado, elitista e orgulhoso. A experiência amorosa feminina, assim como outras perspectivas não contempladas (como as do povo comum, os marginalizados ou os mais jovens), são ignoradas. Isso empobrece o debate, que poderia ser mais contagiante e mais conectado com a realidade da sociedade.

João Moura, ao ler O Banquete, compreendeu os fundamentos filosóficos do diálogo, especialmente no que tange à elevação do amor como impulso para o conhecimento e a verdade. No entanto, ficou com a sensação de que a obra é mais celebrada pela forma do que pelo conteúdo. A retórica, o estilo literário e o carisma dos personagens encobrem uma fragilidade conceitual: o discurso filosófico sério cede lugar a um jogo de vaidades, elogios mútuos e declarações etílicas.

A filosofia, para ser útil e transformadora, precisa estar enraizada na experiência concreta das pessoas. Deve surgir não em jantares refinados ou apenas em academias fechadas, mas nos becos, nas praças, nos ônibus lotados, nos corredores das escolas, nas conversas com quem vive à margem do pensamento acadêmico. Deve ser questionadora, mas também acolhedora. Deve incomodar, mas também inspirar. E acima de tudo, deve respeitar a lucidez, não se deve discutir o Amor (ou qualquer outro tema essencial da existência) sob o efeito do vinho, nem com o ego mais inflado que a razão. Com isso, cito quatro frases com o mesmo sentido, para que complemente o entendimento:

“A embriaguez enfraquece o compromisso com a razão e abre espaço para discursos sem clareza ou profundidade.”

“Sob o efeito da embriaguez, a razão perde o protagonismo, e o discurso se torna refém da emoção e do impulso.”

“A embriaguez desfoca o olhar racional, permitindo que a vaidade e o desatino ocupem o lugar da reflexão lúcida.”

“Quando a mente se turva pelo vinho, a razão é deixada de lado, e o pensamento se embriaga junto com o corpo.”

Assim, O Banquete se torna mais um retrato de sua época do que um convite atemporal à reflexão. Seu valor histórico é inegável, mas seu conteúdo deve ser lido com criticidade e contextualização. Afinal, como disse João Moura: “A Filosofia precisa se levantar da mesa do banquete e caminhar até onde a vida realmente acontece.”

Inserida por jsmj


Eu notei que
as pessoas humildes sem dinheiro,
nunca respeitam as pessoas humildes
(com ou sem dinheiro).
No entanto, as primeiras se apressam em puxar o saco
das pessoas não-humildes
(tendo essas dinheiro, ou apenas se fazendo passar por ricas)
(ao contrário do rico humilde
que não importa em parecer-se pobre).
Concluí que:
as pessoas humildes , sejam ricas, sejam pobres, são sábias;
que as pessoas não-humildes, (pobres ou ricas) são tolas
e que as pessoas pobres bajuladoras dos ricos
(ou dos falsos ricos)
não são verdadeiramente humildes,
mas sim ingênuas, (para não dizer, tolas).

⁠Cicatrizes que Florescem

Eu carrego o peso dos dias não ditos,
os ecos de passos que não me pertencem,
fragmentos de uma estrada sem destino,
onde a dor se enrola nas raízes do tempo
e floresce como cicatriz que canta.

Há um grito em cada gota de chuva,
uma confissão no som que corta o vento.
A alma se espraia pelos campos secos,
e o coração, inquieto,
brota em flores que não pediram cor.

Sou rio que deságua na própria margem,
meu curso incerto entre pedras e paus,
correndo por entre trilhas rasgadas
que costuram minha pele ao chão da existência.
Não há ponte que atravesse o que sou.

Em noites de silêncio denso e cru,
a lua sussurra verdades que não quero ouvir,
desvenda os espelhos internos,
onde sou herói e vilão,
onde luto contra meu próprio reflexo
até me tornar pele, osso e vontade.

E quando o sol, ao fim de seu fôlego,
se deita sobre os montes quebrados,
meu corpo, feito de sonhos e poeira,
abre os braços para um horizonte que se dissolve
no vão entre ser e querer ser.

Eu permaneço inteiro
na tempestade que arranca galhos secos,
pois sou árvore que cresce do avesso,
raiz que abraça o abismo
e flores que desafiam o solo.
Sou também a calmaria que sucede o caos,
a certeza que nasce do chão devastado,
o tronco que se curva, mas não quebra,
que desafia o vento com sua seiva viva
e canta, mesmo quando a dor ecoa.

Inserida por DanielAvancini

⁠Entre o Assassino e a Vítima

Quem sou eu?
Um humano imperfeito,
destroçado entre o espelho e a carne,
cometendo crimes contra mim mesmo,
atentados sutis que corrompem a alma
e rasgam a pele da consciência.

Sou vítima ou assassino
daquilo que me tornei?
Voluntário no ato de me ferir
ou involuntário na arte de desmoronar?
Sou necessidade que enlouquece,
psicose que se veste de razão,
ou um delírio lúcido que encena
a tragédia de ser quem sou?

Sou mesmo louco?
Ou a loucura é a máscara
que uso para não ver a verdade
do caos que me habita?
Sou mesmo eu?
Ou sou um espectro fragmentado,
uma nota dissonante
na sinfonia do que jamais fui?

Indizível.
Como nomear o vazio que preenche
os espaços entre meus gestos?
Como afirmar com certeza
que sou algo além do que falha
ao tentar existir por completo?

Se a dúvida me define,
sou tanto a ferida quanto a lâmina,
a mão que acolhe e que esmaga,
o vulto que se esconde atrás de um rosto
que mal reconhece sua própria sombra.

E se o espelho estilhaçado
reflete múltiplos eus
que coexistem na fissura do real?
Serei eu o caco que corta
ou o reflexo que sangra?
Sou a colisão entre o ser e o não ser,
o vértice do abismo onde a dúvida ecoa
e a própria identidade se desfaz.

Há um grito que rompe o silêncio,
uma palavra que treme na garganta,
como se nomear-se fosse desabar
e aceitar-se fosse um pacto
com a dor que me habita.

E no limiar dessa guerra interna,
sou o paradoxo que respira,
uma verdade que mente para si mesma
enquanto tenta sobreviver ao próprio fardo.
Ser é ser incompleto.
Sou a imperfeição que sobrevive
no abismo entre razão e caos,
desafiando a lógica
com um coração que ainda pulsa
mesmo quando a mente implora por trégua.

Inserida por DanielAvancini