Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

⁠O Ônus e o Bônus do Silêncio

O silêncio pode ser uma arte — uma escolha sábia quando as palavras seriam navalhas afiadas. Mas já parou para pensar no turbilhão de pensamentos de quem espera, desesperadamente, ouvir ao menos uma palavra?

Há uma tortura cruel em tentar decifrar o que se esconde nesse vazio. O que se passa no outro lado do silêncio? Talvez seja um ato inteligente calar-se quando tudo o que temos a dizer reflete dor ou ressentimento. Mas será que já pensamos no quanto esse silêncio pode ferir profundamente quem escolhe sufocar suas palavras, engolindo cada sentimento como se fossem cacos de vidro?

Existe toxicidade no silêncio? Sim, quando ele se torna uma prisão que sufoca experiências não verbalizadas e necessidades não atendidas. Quando não dizemos o que nos incomoda, essas emoções se acumulam até explodirem de forma destrutiva.

Silenciar e esperar que o tempo resolva tudo é uma ilusão cômoda. É angustiante esperar que o tempo cure feridas que poderiam ser tratadas com um diálogo consciente e empático. Às vezes, bastaria a vontade de escutar — e ser escutado.

Por outro lado, o silêncio pode ser transformado em arma. O tratamento de silêncio é uma forma cruel de manipulação, abuso e punição. Ele faz com que o outro se sinta inseguro, ansioso, rejeitado, invisível e, muitas vezes, culpado por algo que nem compreende.

É preciso sabedoria para respeitar o silêncio do outro, mas também coragem para verbalizar esse respeito, validando os sentimentos de ambos.

Então, o silêncio é sabedoria ou covardia? Depende. O mérito está em saber quando calar — e quando falar, pode libertar.

⁠Quando o Amor Silencia

O amor não grita quando se vai,
desvanece em passos sutis,
se esconde na rotina que dói,
nos gestos que já não são gentis.

É o toque que não arrepia,
o olhar que desvia ao passar,
palavras que caem vazias,
silêncios que vêm pra ficar.

Previsíveis são os caminhos,
sempre iguais, sem emoção,
corações viram vizinhos
num mesmo corpo em solidão.

Então, sinto falta de mim,
da alegria que já foi morada,
do brilho que chegou ao fim,
dessa presença cansada.

Prefiro partir e me encontrar,
ser leve, ser meu próprio sol,
pois o amor que faz morar
não vive preso em lençol.

Desvelando a Morte: O Caír das Cortinas

A morte há de ser como
O cair das cortinas entre a cria e a criatura,
A parede invisível que nos separa da eternidade,
Podendo assim estar diante do Criador.

O rasgar do tecido fino que separa o agora do infinito,
Revelando a nudez do ser humano,
Deixando para trás todas as bagagens e tesouros
Que acumulamos em vida,
Mas que ali não têm utilidade alguma.

Nesse momento, tarde demais,
Percebe-se o quão fútil pode ser a vida,
E que talvez a morte não seja o problema.
Ela há de ser uma solução,
Uma passagem para o eterno e o desconhecido,
Onde o peso do viver finalmente se dissolve.

⁠O Peso do Sentir

Meu erro talvez seja pesar os sentimentos dos outros com a mesma balança que uso para os meus,
imaginando que têm o mesmo peso, a mesma medida, as mesmas dimensões.
Uso uma régua única para dimensionar algo que nunca é igual.
Acredito, ingenuamente, que os sentimentos sempre preenchem os espaços vazios com precisão.

Mas esqueço que transbordo.
E, no outro, quase nunca me encaixo — não por inteiro, não de forma completa.
Tenho excessos.
E, ainda assim, ofereço tudo.

E talvez seja exatamente isso que me salva:
não saber amar pela metade.

⁠Passos Leves

Caminho com passos leves, pois é caminhando que se aprende a caminhar.
Mantendo a constância, mesmo nos passos lentos, o destino é chegar.
Mas nunca me permito desistir de seguir adiante.
Nem sempre a velocidade é o que nos leva a algum lugar.

Pauso quando necessário, para recalcular a rota,
e retocar o sonho que me impulsionou a caminhar.

Hoje sigo, e é bem provável que amanhã chegarei lá.

⁠O Fim Silencioso do Amor

O amor não termina com gritos ou despedidas dramáticas. Ele se desfaz no silêncio, nos gestos repetidos que já não emocionam. Acaba quando você percebe que o outro se tornou um roteiro previsível, um ciclo exaustivo onde cada ação já tem um desfecho conhecido.

Você sabe quando ele vai se calar, em qual ponto irá fugir, mergulhando no vácuo de silêncio para, mais tarde, retornar como se nada tivesse acontecido. E é nesse padrão que a esperança morre, sufocada pela certeza de que nada vai mudar.

Então começa o processo mais cruel: sentir falta de si mesma. Lembrar que já foi mais feliz, que seu coração já bateu forte por motivos simples. Agora, a presença que deveria ser companhia se tornou peso, roubando seu tempo e sua essência.

Você se vê sugada por uma monotonia que apaga o encanto das palavras e silencia o diálogo. O ânimo escapa, e o amor, antes vibrante, agora se dissolve em indiferença.

Talvez o amor acabe assim: não com um ato final, mas com a ausência de surpresa, quando você entende que a vida é curta demais para amar apenas por hábito.

Janelas da Alma: A Conexão Entre Imagens e Palavras


⁠A fotografia tem o poder de transformar uma simples imagem em uma janela para o mundo. Através dela, conseguimos enxergar além do óbvio, trazendo à tona uma nova perspectiva, uma que conecta nossa alma ao olhar do outro. Eu acredito que a sensibilidade do fotógrafo é o que torna a imagem mais valiosa. É como se, através do clique, eu transmitisse um pouco da minha essência, permitindo que os outros vejam o que, muitas vezes, está oculto.

Cada foto é uma história que, assim como as palavras, tem o poder de tocar profundamente. E é isso que busco em minha arte: fazer com que você, que está do outro lado, sinta e viva um pouco do que eu experimento, como se estivéssemos em uma mesma jornada emocional. Como escritora, também busco essa conexão. Os meus textos são mais do que palavras, são sentimentos que dançam no papel, buscando ecoar no coração de quem os lê.

Seja nas imagens ou nas palavras, meu desejo é simples: que você se veja nas histórias e nos momentos que compartilho, que as palavras e as imagens revelem algo sobre você também. Porque, no final, todos estamos juntos nesse caminho de descobertas e de sentimentos, e é através dessa troca que a arte ganha vida.

Fotografia: A Alma no Olhar


Fotografar, para mim, é a arte de perceber o mundo de forma única e sensível. A fotografia não é apenas sobre capturar uma imagem, mas sobre transformar a maneira como as coisas são vistas. Busco mostrar o que muitas vezes passa despercebido pelo coletivo, revelando o que falta nos olhos comuns: uma conexão emocional, uma alma no olhar.

Essa sensibilidade me permite enxergar as camadas ocultas de cada cena, trazendo à tona a essência do que está sendo fotografado. Cada clique é uma forma de compartilhar com o outro o que a visão cotidiana não alcança, uma maneira de mostrar que a beleza está muitas vezes escondida na simplicidade, na luz, na sombra, no ângulo. Ofereço aos espectadores uma nova perspectiva, algo que não poderiam ver por si mesmos, pois, minha visão está imbuída de alma e significado.

Uma imagem vai além da técnica; nela, estão contidas histórias e sentimentos. Nela também reside o poder de comunicar sem palavras. Contém experiências e é um convite para que o outro se conecte com a visão mais profunda e sensível do mundo.

Reflexos da Alma: A Arte de Capturar e Expressar

⁠Cada imagem é uma janela aberta para o íntimo, uma fração de alma capturada em um instante. A fotografia, como uma linguagem silenciosa, fala ao coração de quem a observa, conectando sentimentos que palavras às vezes não conseguem. Mas, assim como uma imagem, as palavras também carregam o peso do que não se vê, traduzindo o invisível em sentimentos tangíveis. Quando unimos esses dois mundos — a visão e a expressão escrita —, criamos uma ponte entre o visível e o intangível, onde as emoções se encontram e se revelam.

Escrever virou um vício. Frases soltas, textos longos, nadas escritos só pra existir. Se eu não registrar, uma parte de mim se esquece. Se eu parar, uma parte de mim morre.
E o bloqueio? Vai me enlouquecendo. É como se me negassem comida, oxigênio. Sinto como seu eu fosse morrendo a cada começo jogado de lado por não ter o que desenvolver. Se eu dormir, acordo melhor?

'Eu te escolhi.
Outros me olhavam, outros pareciam talvez
até um pouco mais interessantes, mas eu escolhi você.
Que esquisito, eu já havia escolhido outros outras vezes.
Dessa vez tudo foi diferente, dessa vez não era tão simples assim,
dessa vez havia um diferencial tão complexo:
você me escolheu também.'

Essa sintonia que de tão legítima cura, é certa e mágica. É, só você mesma pra saber a sintonia certa dessa paixão pra dar aquela sintonizada nesse meu coração. Você entende sempre o que digo e fez o meu avesso parecer bonito. Esse meu queixo vive no chão por você. Esse amor é muito mimado, isso sim. Ele sabe que você sempre vem querendo mais. Ele sabe que eu sempre venho querendo mais. E quando o amor é bem amado ele sabe recompensar. E a gente sempre é recompensado por fazer do amor o que ele sempre quis ser, vivido intensamente e sentido pra valer. Você é a minha sensação mais vivida intensamente. Você é o meu amor mais sentido pra valer.

Jota Cê

-

Serenata do Adeus

Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer dos braços meus
Cai a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra: adeus

Ai, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima
Um momento breve
De uma estrela pura, cuja luz morreu

Ah, mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir
Rasga o meu coração
Crava as garras no meu peito em dor
E esvai em sangue todo amor
Toda a desilusão

Ai, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora
Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora
É refletir na lágrima
Um momento breve de uma estrela pura
Cuja luz morreu
Numa noite escura
Triste como eu

Estou preso nas grades da paixão,
Estou amando alguém que não tem coração.
Conhece os meus sentimentos,
Não sabe valorizar.
Eu tenho pressentimento;
Ele não sabe o que é amar,
Meu maior desejo é ficar juntinho dele,
Fazer tudo por ele; lhe acariciar.
Ele é tudo que eu preciso,
Meu amor, meu paraíso, é a luz dos olhos meus;
Ele é a joia mais rara, é o presente mais lindo;
Que Deus me deu...

"E então, o que é a Mulher Selvagem? Do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como pela tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto do mundo visível quanto do oculto - ela é a base. Cada uma de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para a nossa vida.
Ela é a força da vida-morte-vida; é a incubadora. É a intuição, a vidência, é a que escuta com atenção e tem o coração leal. Ela estimula os humanos a continuarem a ser multilíngües: fluentes no linguajar dos sonhos, da paixão, da poesia. Ela sussurra em sonhos noturnos; ela deixa em seu rastro no terreno da alma da mulher um pêlo grosseiro e pegadas lamacentas. Esses sinais enchem as mulheres de vontade de encontrá-la, libertá-la e amá-la.
Ela é idéias, sentimentos, impulsos e recordações. Ela ficou perdida e esquecida por muito, muito tempo. Ela é a fonte, a luz, a noite, a treva e o amanhecer. Ela é o cheiro da lama boa e a perna traseira da raposa. Os pássaros que nos contam segredos pertencem a ela. Ela é a voz que diz, "Por aqui, por aqui".
Ela é quem se enfurece diante da injustiça. Ela e a que gira como uma roda enorme. É a criadora dos ciclos. É à procura dela que saímos de casa. É à procura dela que voltamos para casa. Ela é a raiz estrumada de todas as mulheres. Ela é tudo que nos mantém vivas quando achamos que chegamos ao fim. Ela é a geradora de acordos e idéias pequenas e incipientes. Ela é a mente que nos concebe; nós somos os seus Pensamentos."

Meu filho,
Perdoe a minha ausência
Seu pai queima o tempo
Para te trazer a comida

Perdoe o meu cansaço
Perdoe a minha impaciência,
Fruto do fel de cada dia

Perdoe a minha ignorância,
Não tive tempo.
Perdoe meus amigos,
Que perderam a esperança
De me ensinar sobre o amor.

Perdoe a minha dúvida em relação a sua mãe
Perdoe o flerte das minhas palavras
Que só dão voltas quando querem atingir o alvo

Perdoe meu olhar pesado
Perdoe o meu abraço duro
Perdoe o meu sorriso guardado
Perdoe aquele a quem a vida só deu trabalho§

A felicidade é um jeito de viver.
Não curta somente a calmaria, aproveite a tempestade.
Tudo enriquece a vida.
Ela não pode ser vivida somente dentro de uma casa,
a vida tem que ser experimentada dentro do Universo.
A felicidade é um jeito de viver,
é uma postura de vida,
é uma maneira de estar agradecido a tudo,
não somente ao sol, mas também à lua,
não somente a quem lhe estende a mão,
mas também a quem o abandona,
pois certamente nesse abandono
existe a possibilidade de descobrir a força
que existe dentro de você.

Poetas e poesias
Quero ouvir Vinicius,
Sentir Castro Alves,
Pensar, Augusto dos Anjos e Tomé Varela,
Quero ver Camões, Márcio Catunda,
Ver pensamento ouvir sentimentos.
Poetas anônimos, poetas sem pseudônimos,
Quero ver o coração e a razão.
Eloquente indecente.
Quero ouvir, quero sentir.
Poetas consagrados, poetas desolados.
Quero ouvir seu coração.
Onde está a literatura?
Fernando Pessoa, Francisco Carvalho.
Onde esta o cordel?
Poetas desolados por falta de poetas.
Anônimos e sem pseudônimos.
Falta poesia para a falta de poeta.

Memórias



⁠Criar memórias é uma forma de viver plenamente. Cada instante, cada rosto, cada sorriso ou lágrima carrega uma história única que merece ser lembrada. A vida acontece de forma efêmera, e por isso precisamos aprender a direcionar nosso olhar para os detalhes que fazem cada momento valer a pena.

A fotografia tem esse poder mágico: congelar o tempo, capturar sentimentos e preservar emoções que talvez a memória sozinha não consiga reter. Um abraço afetuoso, um pôr do sol vibrante, o brilho nos olhos de quem amamos — todos esses fragmentos de vida se tornam eternos quando registrados.

Mais do que imagens, fotografias são pedaços da nossa história deixados para aqueles que nos amam. São uma maneira de continuar presente, mesmo quando já não estivermos por perto. Cada clique é um convite para recordar, reviver e sentir de novo a essência do momento vivido.

Por isso, valorize cada instante e tenha a coragem de congelá-lo em imagens. No fim, são essas memórias visuais que atravessam gerações e mantêm vivas as histórias que nos conectam. Afinal, o que seria da vida sem as lembranças que nos aquecem o coração?
As memórias que criamos não são apenas para nós, mas principalmente para aqueles que ficam. O tempo, implacável, leva nossos dias, mas deixa marcas que resistem em forma de histórias, fotografias e lembranças. Quando partimos, o que permanece são os fragmentos de quem fomos, guardados com carinho por aqueles que nos amaram.

Criar memórias vai além de simplesmente registrar momentos. É sobre construir um legado emocional. Como gostaríamos de ser lembrados? Pela leveza de um sorriso, pelo brilho nos olhos ao contar uma boa história, pelos gestos de amor e cuidado? Quando deixamos essas marcas em forma de imagens, palavras ou simples momentos vividos intensamente, estamos oferecendo a quem fica uma ponte para nos reencontrar sempre que precisarem.

As fotografias, por exemplo, não são apenas pedaços de papel ou arquivos digitais; elas são cápsulas do tempo. Nelas, nossas expressões, olhares e emoções se eternizam, permitindo que futuras gerações conheçam não apenas como éramos por fora, mas quem éramos por dentro.
Assim, viver criando memórias é um ato de amor. É pensar em como queremos ser lembrados e garantir que aqueles que ficam tenham sempre um pedaço de nós para segurar quando a saudade apertar. Porque, no fim, nossas histórias continuam vivas nas lembranças que deixamos.

"Resiliência e Fé: Uma Jornada de Sobrevivência e Esperança"



⁠Flertar com a morte por mais de dois mil dias não é uma experiência que qualquer alma suporte sem cicatrizes profundas. Cada dia vivido, cada fôlego tomado, é uma vitória silenciosa, embora nem sempre celebrada. Em alguns momentos, a morte parece uma amante tentadora, sussurrando promessas de descanso e alívio. Ainda assim, não me deixei seduzir por ela.

Tenho um relacionamento regado pela fé com o Eterno, que, mesmo nos dias mais sombrios, não deixou de me embalar com promessas de dias melhores. Confesso que, em meio a esse caminho tortuoso, minha alma já se sentiu frágil, minha voz trêmula diante das tempestades internas. Mas fraqueza não é sinônimo de desistência.

Por mais que parecesse uma mulher fraca aos olhos de quem não conhece minhas batalhas, sou forte. Fui forte por mais de 48 mil horas. Tenho enfrentado um processo que parece infinito, mas sigo aqui — de pé, mesmo que com os joelhos trêmulos. Porque há algo em mim que se recusa a ceder, algo que insiste em acreditar que o amanhã pode ser melhor.

E assim sigo, um dia de cada vez, carregando cicatrizes que contam histórias, mas com a fé de que, ao final, a luz há de prevalecer sobre todas as sombras.