Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Raízes da Terra e do Mar.

Na dança dos tambores ecoa a herança ancestral
Cultura afro-indígena, raízes da nossa nação
Na pele, nas cores, a força de um povo imortal
Histórias entrelaçadas, em cada gesto e canção

Dos orixás aos pajés, o sagrado se revela
Em cada canto, em cada reza, a conexão divina
Na arte, na culinária, a sabedoria que se revela
Tradições que resistem, memórias que iluminam

Nas festas populares, a festa da resistência
Celebração da vida, da luta e da fé
Nos terreiros e aldeias, a força da existência
Entre rezas e cantos, a esperança se refaz

Cultura viva pulsando, no coração do Brasil
Afro-indígena é presente, é passado e é futuro
Nas danças, nos rituais, um povo em busca de paz
Lembrando sempre de onde veio e para onde aponta o rumo.

O Bom Dia Durante a Noite


O relógio insiste no escuro,
o silêncio ocupa o corredor,
e o mundo, sob o manto duro,
adormece o medo e o fervor.


Mas quando a tua voz me toca,
ou o brilho desse olhar me invade,
a luz que nasce na tua boca
desmente toda a brevidade.


Não importa o breu da hora,
nem o sol que ainda não vem;
quem traz a aurora do lado de fora
não sabe o sol que o peito tem.


É um despertar no meio do nada,
um café quente em plena solidão:
o bom dia é a mão dada,
enquanto a noite é só uma estação.

O Bom Dia Durante a Noite 2


Mas o tique-taque é um carrasco,
lembrando que o tempo não para.
O nosso brilho é apenas um lasco
de um sol que o destino nos nega a cara.


Dizemos "bom dia" com o peso do adeus,
num quarto onde a lua é a única espia.
Teus dedos traçam nos ombros meus
a aurora que a lógica nunca veria.


Se o mundo lá fora condena o agora,
e exige que a noite seja o fim,
eu nego o relógio, eu jogo-o fora,
contanto que amanheças dentro de mim.


Pois que venha o abismo, o silêncio, a saudade,
e que a sorte nos cobre o que for.
Morrer no teu abraço é a única verdade
de quem fez da treva o seu dia de amor.

Olhos de jabuticaba, um olhar sereno.


Olhos negros, redondos e brilhantes,
Como jabuticabas colhidas no pé,
Guardam mistérios de instantes,
E uma doçura que a gente até crê.
É um olhar que descansa a alma,
Sereno como um fim de tarde,
Traz o silêncio, traz a calma,
Sem que nenhuma pressa alarde.
Nessas esferas de puro cetim,
O mundo parece encontrar seu lugar,
Um brilho profundo, que não tem fim,
E faz a gente querer apenas olhar.⁠

O Encontro dos Contrastes.


Ele era o silêncio das bibliotecas antigas, O cheiro de papel velho e o peso do que foi escrito.
Um verso pausado, uma nota que hesita,
Vivendo no rastro do que é finito e restrito.
Ela era o eco das praças lotadas, O vento que bagunça o cabelo e a alma.
Um riso solto em esquinas geladas,
A pressa que ignora o convite da calma.
A Geometria do Destino
Não havia lógica no mapa que os guiava,
Pois um buscava o norte, o outro a imensidão.
Mas o destino, esse artesão que não errava,
Tinha planos traçados na palma da mão.
- Distintas? Como o fogo e o sereno.
- Opostas? Como o abismo e o luar.
- Destinadas? Como o rio, ainda pequeno,
Que não conhece outro caminho senão o mar.
A União dos Avessos
Quando se olharam, o tempo perdeu a medida,
As arestas se moldaram em perfeito encaixe.
Ele deu a ela o porto, a raiz, a guarida;
Ela deu a ele o voo, sem que ele baixasse.
Pois almas diferentes não buscam o igual,
Buscam o que falta, o que completa o desenho.
E no abraço que funde o mortal e o imortal,
Descobrem que o amor é o seu único empenho.
"Duas metades que não se parecem, mas que, ao se tocarem, finalmente se reconhecem."

A mata, que era o meu reino
Hoje é cinza e solidão
Onde eu rugia com brio
Resta o som do caminhão

As cercas vão me prendendo
Onde antes era o meu chão
E o homem vai esquecendo
Que somos parte do mesmo quinhão.

Peço que o olhar se transforme
Que o respeito possa voltar
Pois se a selva adormece
A vida vai se apagar

Não quero ser só gravura
Ou um bicho de museu
Quero ser força da natureza
No lugar que Deus me deu.

Ainda há tempo de cura
De plantar o que se perdeu
Para que a onça futura
Não diga o adeus que eu disse ao meu.

É difícil ignorar o sentimento de que, em certos aspectos, a sociedade caminha para trás quando deveria avançar. Ganha força, e com razão, a mobilização em defesa dos animais e contra qualquer forma de crueldade. Trata-se de uma pauta legítima e necessária. No entanto, essa sensibilidade seletiva suscita um questionamento inevitável: onde se insere, nesse debate, a proteção à vida humana?
Evidentemente, não se trata de estabelecer uma hierarquia simplista entre causas, nem de negar a importância do bem-estar animal. Mas há quem veja com preocupação a naturalização de decisões que envolvem a interrupção da gestação, interpretando-as como um sinal de desvalorização da vida em suas fases mais iniciais. Para esses críticos, o tema exige mais reflexão ética e menos soluções apressadas.
Sob essa ótica, o problema central não reside apenas nas escolhas individuais, mas na ausência de políticas públicas robustas que ofereçam apoio real a mulheres em situação de vulnerabilidade. Em vez de respostas que se limitem ao ato final, seria mais responsável investir em educação, acolhimento, assistência social e acesso à saúde, medidas capazes de ampliar alternativas e reduzir dilemas extremos.
Em um cenário ideal, o compromisso coletivo deveria ser com a dignidade em todas as suas formas: proteger os animais, sim, mas também assegurar que nenhuma pessoa seja deixada sem orientação, suporte ou perspectiva. Afinal, uma sociedade verdadeiramente progressista não escolhe quais vidas merecem atenção, ela se empenha em cuidar de todas.

O invasor


Olhares de fúria e perplexidade...
Um menear de cabeças, não o queriam ali...
Que desrespeito!, ele tem que sair!
Absurdo! respeitem nossa identidade!


Faces que exalam ódio... E a verdade
que pulsa é a vontade de lhe agredir,
em ação rápida, o foragido estás a partir,
envolve a prole e parte em velocidade...


Encara a vergonha, suporta o fadário...
Mais uma daquelas dores que ninguém vê,
um rito comum, um desprezo diário...


No banheiro feminino, acabou de suceder,
um pai usando o espaço do fraldário
hostilizado ao trocar a fralda do seu bebê.

TEMPO IGUAL HOJE NÃO HÁ.


Existem coisas que o tempo não apaga,
que o dinheiro jamais paga:
a lembrança que se tem.


A boa vida que a gente vivia,
com amor e alegria...
até chego a chorar da lembrança que me vem.


Minha família reunida ao sol poente,
sem dinheiro, mas contente
de poder se abraçar.


Havia risos e alegria de verdade...
Ah, meu Deus, quanta saudade!
Tempo igual hoje não há.


Que saudade do meu tempo de criança,
daquela vida da infância
que jamais vai voltar.


Que saudade de um tempo tão singelo,
onde o amor era tão belo
e não precisava se explicar.


Hoje em dia, tudo isso é diferente,
pois o povo é descrente,
sem amor, sem se amar.


Cada um está preocupado com o seu “eu”,
o amor já se perdeu
neste mundo em que se está.


Já não há lugar pra Deus
no café da manhã
ou na mesa do jantar.


E no meio de tanta correria,
perdeu-se a alegria
de simplesmente amar.


Cícero Marcos

Nesta viagem que se chama vida, estamos sempre acompanhados dos pensamentos, mas seguimos sozinhos no meio da multidão. A solidão no meio da multidão é um sentimento profundo, onde os pensamentos se tornam os nossos mais fiéis companheiros. Em meio ao movimento e às vozes, existe um espaço só nosso, uma viagem interior que ninguém pode totalmente compartilhar."


​Autor: Prof. Me. Yhulds Bueno

Na vida, não há indivíduos insubstituíveis nem relações que se sustentem apenas na ideia de exclusividade. Por mais significativo que alguém possa ser para outra pessoa, a ausência de respeito mina qualquer possibilidade de convivência saudável e duradoura. Relações não se mantêm por apego cego, mas por reciprocidade e dignidade.
É ilusório, para não dizer ingênuo, acreditar-se acima dessa lógica. Quem se julga indispensável revela, na verdade, uma compreensão limitada das dinâmicas humanas e do valor essencial do respeito mútuo.

Há um discurso recorrente que se apresenta como defensor da democracia, mas que, para muitos críticos, encobre práticas de concentração de poder e limitação de liberdades. Sob essa ótica, o que se vende como ampliação de direitos pode, na prática, resultar em maior controle sobre a sociedade, com decisões centralizadas e pouca margem para divergência.
Nesse contexto, argumenta-se que diferentes setores da sociedade teriam sido gradualmente influenciados: a educação, por meio da formação de narrativas específicas; as camadas mais vulneráveis, por políticas que, embora necessárias, também podem gerar dependência; e o debate público, por mecanismos que restringem vozes dissidentes. A recente discussão sobre regulação e limites no ambiente digital intensifica essa percepção, levantando questionamentos sobre os limites entre organização do espaço público e cerceamento da liberdade de expressão.
Para os que defendem essa leitura, a ausência de reação mais ampla estaria ligada aos benefícios obtidos por grupos que se adaptam ou prosperam dentro desse modelo. Ainda assim, o calendário eleitoral surge como um momento decisivo: é quando a sociedade tem a oportunidade de reavaliar seus representantes e redefinir os rumos do país por meio do voto, instrumento central de qualquer sistema democrático.

Enquanto o poder público mantém práticas de gasto que levantam questionamentos sobre prioridade e responsabilidade, parcelas significativas da população seguem enfrentando a fome e a insegurança cotidiana. A sensação de abandono se agrava quando cresce a percepção de que os mecanismos institucionais, que deveriam assegurar equilíbrio e justiça, nem sempre respondem de forma transparente ou acessível ao cidadão comum.
Nesse cenário, instala-se um desalento coletivo: muitos passam a acreditar que as normas e estruturas legais, em vez de atuarem como instrumentos de proteção social, acabam sendo utilizadas para encobrir práticas questionáveis dentro de determinados grupos políticos. A discussão sobre o que é moral ou justo parece perder espaço para disputas de interesse, nas quais a vontade de poucos se sobrepõe às necessidades da maioria.
Dizer que a justiça é “cega” deveria significar imparcialidade. No entanto, para parte da sociedade, essa imagem já não traduz a realidade percebida. O que se observa, segundo essa visão crítica, é um sistema que enxerga, e responde, a interesses específicos, o que compromete sua credibilidade e aprofunda a distância entre instituições e população.

Cresce, em diferentes setores da sociedade, um sentimento de descrença em relação ao futuro da justiça no Brasil. A percepção de que nomeações e composições institucionais possam ser influenciadas por critérios políticos, e não estritamente técnicos ou legais, alimenta dúvidas sobre a imparcialidade de decisões que deveriam se pautar exclusivamente pelo cumprimento da lei.
Nesse contexto, ganha força a crítica de que vínculos pessoais e redes de proximidade acabam pesando mais do que o interesse público. Para muitos, instala-se a impressão de que a lógica da conveniência substitui a da justiça, como se a prioridade fosse preservar alianças em vez de assegurar equidade.
Se já há, hoje, questionamentos sobre a capacidade de identificar e corrigir irregularidades em determinados círculos, o receio é que, uma vez investidos de maior autoridade, esses mesmos atores reforcem práticas que fragilizam ainda mais a credibilidade do sistema. Assim, a ideia de uma justiça verdadeiramente “cega”, no sentido de imparcial, corre o risco de se tornar apenas retórica, distante da experiência concreta vivida por grande parte da população.

Onicofagia


Na fronteira extrema da tensão,
assume caráter destrutivo...
onde tédio é berço cativo,
de ansiedade e depressão...


Válvula de fuga em momentos de pressão,
tendo como princípio ativo,
um instinto férreo e corrosivo,
que em tais horas suplanta a razão...


A angustiante espera por definição,
inunda o ambiente opressivo,
até que surja alguma solução...


Que modifique o clima apreensivo,
e então, os dedos feridos da mão,
serão prova de que ainda estarei vivo

Eu tô num abismo,
num abismo frio e sem cor…
sem amor.


Amor… aquele que me prometeu amor,
onde foi parar o seu?
Se perdeu de mim
ou nunca foi meu?


Amor… palavra tão cheia,
hoje ecoa vazia,
bate nas paredes do peito
e volta… fria.


E eu fico aqui,
tentando entender
se o amor acabou…
ou nunca chegou a nascer.

Enquanto uns
inventam cursos para homens
enfraquecidos e etc e tal...
e outros
se ocupam em apoiar
ou criticar tais invenções...


eu, no meu canto, permaneço,
observando e refletindo.


E, nesse silêncio que me acompanha,
recordo um episódio antigo,
daqueles que o tempo não apaga,
porque certas palavras não envelhecem…
elas permanecem.


Em um grupo de escritores, poetas
e pensadores,
alguém, certo de sua própria lucidez,
aconselhou-me a fazer um curso
para aprender a escrever poesia.


Lembro-me com nitidez.
Há frases que não passam,
ecoam.
Minha resposta foi simples, direta,
como sempre procurei ser:


A poesia, desde sempre,
brota do meu âmago.
Não a busco, ela me atravessa.
Poesia se sente.
Poeta se nasce.
Pode-se estudar técnica, forma, estrutura,
pode-se aprender a organizar palavras,
a dominar ritmos e estilos…
mas há algo, esse algo essencial,
que não se ensina.


É o que separa
o ser
do aparentar ser.


E assim também é o humano,
um homem de princípios,
uma mulher de valores,
não se constroem em cursos rápidos,
nem em fórmulas prontas.


Nascem, sim,
mas sobretudo se desenvolvem
no seio das relações,
no convívio, no exemplo,
no tecido invisível da educação cotidiana.


O que realmente falta,
e disso pouco se fala,
não são métodos para "corrigir"
ou "melhorar" identidades,
mas sim, educação humana.


Educação para o respeito.
Para a escuta.
Para a diferença.
O resto…
é puro ruído tentando se vender
como solução.


Uma confusão de ideias
que confundem ainda mais
o que anda confuso.


✍@MiriamDaCosta

Muitos carecem de lavar
suas roupas sujas
e até encardidas
em águas limpas e cristalinas...


para depois estendê-las
no varal sob o sol
e aos cuidados do vento...


Não é sobre roupas!


Há quem carregue tecidos
manchados de dentro,
impregnados de silêncios
mal lavados,
de culpas acumuladas
nas dobras do tempo.


Carecem de mergulho,
não em qualquer água,
mas naquelas raras,
límpidas o bastante
para não negociar com a sujeira.


É preciso esfregar as fibras da alma,
retirar o que já endureceu como hábito,
o que já se confunde com a própria pele.


Depois, sim,
estender ao mundo,
sem esconder nas sombras,
e permitir que o sol revele,
que o vento atravesse,
que o tempo termine
o que a coragem começou.


Porque há manchas
que não saem no escuro.


E não,
nunca foi sobre roupas...
✍@MiriamDaCosta

O mais importante na vida é traçar metas e objetivos que te elevem — que te façam crescer, evoluir e se tornar melhor a cada novo dia. Melhor como pessoa, como profissional e também nos papéis que exercemos: como mulher de Deus, mãe, filha, amiga… em todas as áreas da nossa vida.
Insta: @elidajeronimo

DEPOIS NÃO DIGAS QUE NÃO AVISEI
Vai chegar o dia em que vais aprender da pior forma: falar demais não te salva, só te expõe.


Quando fores acusado injustamente, vais sentir vontade de gritar, de implorar para que acreditem em ti. Não adianta. Quem decidiu condenar-te já não quer verdade.


O teu desespero vai trair-te. Vais parecer culpado só por tentares provar que não és. Explicar demais é humilhar-te. Quem quer entender, não precisa do teu discurso inteiro. Quem não quer… vai usar cada palavra tua contra ti.


Guarda provas. As tuas emoções ninguém quer saber. Dor não convence ninguém.
Aceita isto: nem todos estão do teu lado. Alguns sempre desconfiaram de ti. Outros só estavam à espera de uma falha, ou de uma mentira para te virar as costas sem culpa.


E dói mais saber que alguns vão sorrir enquanto cais. A vida não pára. Enquanto tentas limpar o teu nome, o mundo segue. E, se parares, ficas para trás… por causa de algo que nem fizeste.
Só depois, não digas que não avisei.


Haverá noites em que vais sufocar com palavras não ditas. Vais querer explicar tudo, detalhe por detalhe… mas ninguém está à espera disso. Ninguém tem paciência para a tua verdade inteira.


E aqui está a parte que custa engolir:
há bocas onde o teu nome já está sujo, e nunca mais será limpo. Por isso, esquece convencer toda a gente.


Faz apenas isto, se ainda tiveres forças: não te abandones. Porque perder a tua reputação dói… mas perder-te a ti mesmo é o fim.
Só depois, não digas que não avisei.