Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Eu demorei a perceber que não fui deixada de uma vez, fui ficando para depois, depois das conversas importantes, depois do dia cansativo, depois da fase ruim, depois de tudo melhorar.
O amor não acabou, ele foi sempre adiado até não caber mais no calendário
Curioso? Porque enquanto você aprendia a viver sem mim aos poucos, eu aprendia você por inteiro ( a voz alta que eu queria pra mim)
Não se engane, eu sabia quando o silêncio era cansaço e quando era distância, Eu sabia quando você precisava de resposta ( sempre sei quando precisa), quando só precisava que alguém não fosse embora
Se apegou um alguém que vivia se espremendo pra caber em seu mundo ( sabia quando me controlar, sabia quando me ter em sua mãos *na sua carência*)
Você nunca pediu que eu ficasse e mesmo assim eu fiquei ( eu era abrigo quando nada pra você deu certo )
Tenho sido o que você pensou que seria para sempre? Nada é para sempre quando só um lado percebe o milagre, não dói, não dói mais, isso é o que mais me surpreende.
Algumas pessoas não nos quebram,apenas nos atravessam ( rasgou todas minhas linhas temporais ) e continua vivendo sem saber de quem carrega partes nossas, eu sou uma bagagem sem bagagens
Você ainda vai encontrar risos mais altos, dias mais fáceis, amores mais leves, e por favor não fuja ( fique onde você está )
Não será uma intensidade, nem destino, nem promessa, será entrega
Um lugar onde você possa existir sem esforço e por que resolveu ficar
Embora eu tenha feito tudo para ser seu abrigo, apenas espero que um dia reconheça que tudo aqui, hoje virou lembrança
Vou descrever o que eu sinto ( cada eu te amo, é uma despedida)
Eu não fui ausência ou presença despercebida?
Você nunca me perdeu de repente, me perdeu aos poucos, cada vez que escolheu não olhar
E mesmo assim…
eu te amo no tempo que te esperei sem relógio, porque quem ama não mede atraso, eu te amo na calma que te ofereci quando o mundo te gritava,e você chamou de comum
eu te amo no cuidado que parecia pequeno, até você não ter mais, eu te amo nas conversas que eu continuava sozinho depois do “boa noite", eu te amo no jeito que aprendi seus silêncios antes de você aprender os meus, eu te amo na paciência que você confundiu com permanência infinita, eu te amo nas vezes que te escolhi sem você precisar me escolher, eu te amo na segurança que te dei, tão constante que virou invisível, eu te amo no detalhe que você nunca reparou, mas vai procurar todas depois, eu te amo no porto que você chamou de rotina até virar tempestade, ete amo no lugar onde você descansava sem saber que era abrigo, eu te amo no futuro que não aconteceu, mas que ainda te visita às vezes, eu te amo na comparação inevitável que você jurará nunca fazer, eu te amo no nome que você quase digita antes de apagar, eu te amo na saudade que não vai admitir ter, eu te amo na paz que você só percebeu quando virou silêncio demais, eu te amo na versão sua que só existia comigo, eu te amo na falta de esforço que era ficar, e no esforço eterno que será substituir, eu te amo no amor simples que você só vai reconhecer quando tudo for difícil, eu te amo sem pedir volta, porque algumas perdas não são castigo são compreensão tardia

A solidão anda comigo lado a lado; sempre foi minha melhor amiga. Se um dia eu a deixar para ter ao meu lado outra pessoa, será que a solidão perdoaria tamanha traição?
A verdade é que ela permaneceu comigo, vendo meu pior lado e todos os meus pecados. Mas quem eu trocaria para estar ao meu lado, talvez não aceitasse nem mesmo a minha melhor versão.

Chegar ao vazio que cheguei diante do nada, sentir a dor que senti através do calor do mais cruel sentimento, vivenciar de maneira nítida o fim... e conseguir levantar, recomeçar, renascer e viver, definitivamente não é para qualquer um e sim somente, para quem é movido pela luz e guiado pelas mãos de Deus.

- Flávia Abib

O relógio preguiçoso, com as pernas cruzadas, sussurrava seu tic-tac incessante, ecoando na vastidão da solidão. Eu me afogava na última dose amarga da cachaça, entregue ao vazio do pensamento, sem desejo de agir.

À meia-noite, o sino distante da igreja no alto da montanha rompeu o silêncio, convocando-me para a realidade. Soube então que era hora de me banhar nas águas do esquecimento e entregar-me ao sono.

Despeço-me, envolto no manto escuro do medo que abraça a noite.

A falta que sentimos do que ainda não vivemos…

Em muitos momentos da vida, acreditamos estar sentindo falta de alguém.
Mas, se formos honestos e silenciosos o suficiente para observar, perceberemos que não é exatamente da pessoa que sentimos falta.

Sentimos falta da história que começamos a escrever com ela.

Não é ausência.
É interrupção.

A mente humana tem uma capacidade extraordinária de projetar futuros. Antes mesmo que algo exista de fato, o cérebro já ensaiou diálogos, construiu rotinas, imaginou casas, viagens, pertencimento. Criou uma narrativa inteira — sem que nada disso tenha acontecido no mundo real.

A neurociência chama isso de simulação prospectiva.
O cérebro antecipa experiências para se preparar para elas.
Mas, emocionalmente, ele não diferencia tão bem o que foi vivido do que foi apenas imaginado com intensidade.

Por isso, quando algo não se concretiza, não sofremos apenas pela perda de alguém.
Sofremos pela perda de um caminho inteiro que já havia sido aceito internamente como destino.

É o luto do que não aconteceu.

E esse luto é silencioso, porque não há memórias suficientes para justificar a dor.
Há apenas expectativas que não encontraram lugar na realidade.

Mas existe uma segunda camada, ainda mais sutil.

Quando aquilo que imaginamos não se realiza — principalmente quando depende do outro — o cérebro muda de estado. Ele sai do campo do vínculo e entra no campo da conquista.

O que antes era afeto passa a ser desafio.

Isso acontece porque o sistema de recompensa do cérebro, regulado principalmente pela dopamina, não responde apenas ao prazer de ter algo. Ele responde, sobretudo, à possibilidade de obter algo que ainda não foi alcançado.

A ciência chama isso de erro de previsão de recompensa.

Nós nos tornamos mais motivados quando:
• quase conseguimos,
• quando há incerteza,
• quando não está garantido.

O desejo cresce na ausência.
Não porque aquilo seja mais valioso, mas porque ainda não foi resolvido.

Assim, o que parecia amor, às vezes era ativação.

Não era a pessoa que nos prendia.
Era o estado interno de busca.

Quando conquistamos, o cérebro reduz esse impulso — porque aquilo já não exige esforço, já não representa novidade, já não carrega tensão.
E então confundimos estabilidade com perda de interesse.

Na verdade, são sistemas diferentes operando:

O da conquista busca intensidade.
O do vínculo busca continuidade.

Um produz excitação.
O outro produz construção.

Se não soubermos distinguir, passamos a vida tentando reviver o primeiro, incapazes de permanecer no segundo.

Por isso, muitas vezes, queremos mais aquilo que não temos do que aquilo que já está presente.
Não porque seja melhor.
Mas porque o cérebro foi desenhado para perseguir, não para repousar.

E é aqui que mora o equívoco.

Relacionamentos não são metas a serem atingidas.
São realidades a serem habitadas.

Metas terminam quando são alcançadas.
Vínculos começam exatamente aí.

Quando entendemos isso, algo muda.

Percebemos que não estamos tentando esquecer alguém.
Estamos apenas ensinando o cérebro a encerrar uma simulação que continuava rodando sozinha.

Não precisamos lutar contra o sentimento.
Precisamos retirar a energia da projeção.

O que não aconteceu não precisa ser resolvido.
Precisa apenas deixar de ser continuado dentro de nós.

E, pouco a pouco, o desejo deixa de ser urgência.
A ausência deixa de ser falta.
E a mente, que antes insistia em terminar uma história imaginada, aprende a voltar para aquilo que está vivo — agora, concreto, imperfeito, mas real.

Porque maturidade emocional talvez seja exatamente isso:

Parar de confundir intensidade com verdade.
E escolher, conscientemente, aquilo que cresce com o tempo — não aquilo que apenas nos acende por um instante.

O Que me Completa


Demétrio Sena - Magé


Eu não sei não viver de sobressaltos;
das angústias de não vê-las imunes
aos assaltos do tempo, a vida, o mundo
que nos ferem alheios a castigos...
E não sei não querer ser Super-homem,
abrigá-las na capa dos meus sonhos,
das verdades que chegam de surpresa,
sem a minha ilusão nem dar por si...
Nem consigo não ter por que chorar
ou sorrir por bobagens, por consolos
enganosos e tolos, de momentos...
O amor não tem como não moer
nossas carnes, os ossos, as entranhas,
em estranhas versões de completude...
... ... ...


Respeite autorias. É lei

CARNAVAL DA BAHIA


Tempo de magia
Tristeza não tem espaço
Hora de sorrir e viver
Caia nessa folia.


No carnaval de poesia
É festa e emoção
O coração bate forte
Vista sua fantasia.


Cinco dias até onde se alcança
Nada impede a alegria
O folião não se cansa.


Carnaval da Bahia
Explode na avenida
Tem versos e melodia.


Irá Rodrigues

O silêncio é conhecer a alma dentro do vazio.
É se apresentar à solidão num abraço acolhedor.
É olhar nos olhos da angústia
e convidá-la para entrar.


Refrão
A dor me acolheu caindo do precipício.
A fraqueza fez de mim um homem
forte.
Você não viu.
Você não estava aqui.


A tristeza acolheu o triste
em lástima, chorando só.
Meus pensamentos viajam de férias.
Não vou esperar você chegar.

Nasci em janeiro e passei a infância em fevereiro. Fui para a escola em março e terminei o ensino primário em abril. Comecei o ginásio em maio, depois o colegial em junho, e me formei no curso técnico.

Trabalhei de sol a sol em julho. Em agosto, recebi meu salário, paguei um cursinho pré-vestibular e fui para a faculdade. Em outubro, reprovei, mas em novembro continuei os estudos e, em dezembro, me formei.

O que aconteceu depois disso, eu não sei.

Na verdade, jamais imaginei que saberia tudo o que sei sem sequer buscar esse conhecimento. Para mim, o que está acontecendo é algo único, um fenômeno que nasce e se desenvolve dentro da imaginação.

Sei que você não me compreende, e nem precisa tentar. Há um mundo vasto de leituras intelectuais à sua espera; por isso, peço apenas que me deixe em paz para que eu possa seguir meu caminho.

Água Fria


Demétrio Sena - Magé


Teu silêncio me diz para manter distância;
parachoque nos passos esquivos e lentos;
a criança perdida numa feira-livre
passa dentro de mim como ventos do mar...
Meu carinho se fere sem soltar gemido,
serpenteio meus olhos enquanto prossegues,
depois fico espremido no velho abandono
de saber novamente; não foi desta vez...
Nada tenho a cobrar, não me deves um eco,
bebo a seco a cachaça desta solidão
que ninguém suprirá neste meu Alabama...
Tua calma gelada e teu olhar de rocha
tornam tudo sombrio, fazem se apagar
minha tocha de sonhos e de fé em gente...
... ... ...


Respeite autorias. É lei

Era uma vez
Eu e você
E o Amor que estava prestes a acontecer,
Parou no caminho do quase
Virou utopia


Nos tornamos aqueles que poderiam ser;
Sujeitos,
Pretérito imperfeito
De onde não conseguimos passar do quase;
Ficamos na primeira fase
Findamos o meio do caminho


Cruzamos a linha do começo,
mas não sustentamos o depois.
Tocamos o futuro,
mas não virou nós dois
Fomos além do quase,
mas não do fim.

07 — O Nosso Dia


Hoje não é apenas mais um dia no calendário…
é o número que aprendeu a ter significado,
é o 07 que virou promessa,
que virou encontro,
que virou “nós”.
Eduarda,
se meu coração tivesse voz,
ele não sussurraria…
ele declararia ao mundo inteiro
que foi em você que ele encontrou morada.
Antes de você,
ele batia…
agora ele sente.
Antes de você,
eu existia…
agora eu vivo.
Você chegou como quem não faz barulho,
mas transformou tudo.
Organizou meus sentimentos,
acalmaram meus medos,
e fez do meu peito um lugar de paz.
No dia 07,
as estrelas foram testemunhas
de um amor que não nasceu por acaso —
nasceu com propósito.
Eu não te amo pela metade.
Eu não te quero por momento.
Eu te escolho por inteiro.
Eu te quero para a vida.
Se um dia me perguntarem
onde mora o meu amor,
eu direi sem hesitar:
ele tem nome, sorriso,
e atende por Eduarda.
Hoje é o nosso dia.
Mas, na verdade…
todo dia que acordo e lembro que você é minha,
já é um 07 eterno dentro de mim.
Com amor,
Aden
— o homem que encontrou em você
o significado da palavra eternidade, te amo!!!

Cheguei no limite da razão, atravessei uma tempestade de emoção, fiz-me forte...descobri-me frágil. Nos extremos do que podemos chegar entre dor e alegria reside a escolha: levantar-se ou ficar a mercê da piedade, largar-se caído...na vida. E nesse vendaval de sentimentos você mostrou-me outra vez: ANJOS não morrem, perdas não significam separação de ALMAS.

Flávia Abib

Acordei diferente, não sou mais o mesmo de ontem.
De pouco em pouco fui me transformando.
Não há mais aquele sorriso fácil na minha face.
Nem tudo que demonstrei até ontem era real e, mesmo assim, segui.
Compreendi que o peso do sonho que carreguei por muito tempo não me valeria a pena, não mesmo!
Vim buscando, estando (eu) mesmo fragilizado, compreendi que, afinal, ninguém será feliz por mim.
A prioridade para minha existência é a paz de espírito, ninguém vai levar minha fé ou tirar-me do caminho.
A tristeza deixei para trás, ficou no passado, fiz a escolha.
Serei absoluto e concreto nas minhas atitudes.
Quero ser a minha própria razão e dar continuidade.

A Bagagem Invisível

A Mente que Tudo Absorve

A mente não é apenas onde pensamos —
é onde tudo chega, entra e se instala.
Ela absorve o que o corpo vive,
mas também o que nunca aconteceu de verdade,
apenas foi sentido… ou imaginado.

Ela não distingue com precisão o que é memória, sonho ou trauma.
Guarda o que foi dito…
e o que apenas achamos que ouvimos.
Armazena não só os fatos,
mas também as suposições, as projeções, os medos, os desejos.
Tudo vira experiência — mesmo que só mental.

Um gesto mal interpretado.
Um silêncio carregado de expectativa.
Um olhar que julgamos de desprezo.
Nada disso talvez tenha existido fora de nós…
mas a mente vive como se fosse real.

E o corpo responde.
A ansiedade aparece.
A raiva se inflama.
O coração acelera por guerras que só aconteceram na imaginação.
Mas a dor é autêntica.

A mente, como solo fértil, não seleciona o que brota.
Ela acolhe tanto as sementes do que foi vivido,
quanto as ervas daninhas do que só foi sentido.

É por isso que muitos sofrem por histórias que nunca existiram,
por rejeições que nunca aconteceram,
por palavras que nunca foram ditas —
mas foram criadas dentro, moldadas pelas emoções.

A mente absorve não só o que lhe fazem,
mas também o que ela acredita que lhe fariam.

Ela é o espelho quebrado de todas as possibilidades:
o que foi, o que poderia ter sido, o que jamais será…
e o que insistimos em reviver.

A Morte: A Porta Que Se Fecha

A morte não é o fim.
É a abertura de uma porta.

Não uma porta comum…
Mas uma daquelas que, ao se fechar atrás de nós,
não se pode mais abrir para voltar.

Quando cruzamos essa soleira,
não levamos o corpo, nem os títulos, nem os pertences.
Levamos apenas o que acumulamos por dentro:
as intenções, os pesos, as culpas, os gestos, os silêncios, os afetos.

Lá, nesse novo espaço que não sabemos nomear,
seremos cercados por tudo o que deixamos de ver em vida:
as palavras que engolimos, os amores que negamos,
as escolhas que feriram, os sonhos que enterramos em nome do medo.

Nada se perde,
tudo nos espera do outro lado.

A morte é espelho.
É a projeção ampliada daquilo que evitamos encarar.
Lá, não há distrações.
Não há tempo.
Só presença nua…
e consciência crua.

Morremos com o que fomos — não com o que fingimos ser.

Talvez lá a dor não venha da morte em si,
mas do confronto com a vida que não vivemos.
Das chances desperdiçadas.
Da coragem adiada.
Do amor que sabíamos dar, mas recusamos por orgulho.

A porta se fecha.
E não se abre mais.
Mas não como punição…
como consequência.

Porque tudo o que era externo perde sentido —
e tudo o que era interno ganha voz.

Quando a Mente se Fecha e a Morte se Abre

A mente é um receptáculo.
Ela absorve tudo —
o que vivemos, o que inventamos,
o que sentimos, mesmo sem ter acontecido.

Carrega dores que ninguém nos causou,
traumas que nasceram apenas de ideias,
feridas abertas por suposições,
e amores que existiram só na imaginação.

Ela não julga o que é real,
ela apenas registra.

E enquanto estamos vivos,
continuamos alimentando esse cofre invisível —
feito de lembranças reais e fantasmas emocionais. Mas então… a morte chega.

E com ela, uma porta se abre.
E ao atravessá-la, não levamos o corpo,
nem as certezas que fingíamos ter.
Levamos apenas a bagagem mental:
nossos atos, nossos afetos,
nossas intenções escondidas e sentimentos silenciados.

A morte fecha a porta atrás de nós,
mas nos eterniza no conteúdo que deixamos.
Porque a mente — esse cofre que absorveu tudo —
se transforma agora em memória viva no mundo.

Nossos gestos passam a viver nos pensamentos de quem tocamos.
Nossas palavras ecoam no inconsciente de quem ouviu.
Nossas ausências se transformam em presença psicológica.

Somos arquivados no subconsciente alheio.
Nos tornamos lembrança.
Presença mental.
Símbolo.

A morte eterna não apaga.
Ela espalha.

Não somos mais vistos, mas continuamos sendo acessados.
Não respiramos, mas seguimos influenciando.
A mente que um dia absorveu o mundo,
agora é o mundo que absorve a mente que partiu.

Somos lembrança viva nos que ficaram.
E isso… é uma outra forma de eternidade.

Frase:
“Fazer algo sem saber pode até gerar falhas, mas é compreensível. O que não se justifica é fazer errado quando se está sendo orientado. É preciso seguir o que foi instruído, dar o primeiro passo corretamente e depois aguardar o processo com fidelidade, sabendo que a base foi feita da forma certa.”


Reflexão:
Errar por ignorância é parte do aprendizado, mas errar por descuido é escolha. A diferença está na escuta: quem busca orientação, mas não a segue, transforma o conselho em desperdício. Há quem se precipite, tentando colher o fruto antes do tempo, e há quem plante com paciência, confiando no processo.
Fazer o certo desde o início é mais do que obediência — é maturidade. É reconhecer que o primeiro passo dado com consciência sustenta todos os outros. A fidelidade ao que foi ensinado é o que mantém o caminho firme quando o tempo parece demorar. Porque o que é construído sobre base correta não precisa de pressa: apenas de confiança.

Enquanto lutamos para sobreviver, a atenção está voltada ao essencial — comer, respirar, resistir. Mas quando a sobrevivência deixa de ser o centro, surgem os conflitos que vivem no convívio. É aí que o humano se revela: já não é a falta de recursos que o atormenta, mas a presença do outro.
A convivência exige empatia, paciência e autodomínio — virtudes que poucos desenvolvem quando o instinto não é mais o guia. Sobreviver é biológico; conviver é espiritual. E é nessa passagem que muitos se perdem.

Observe uma folha presa ao galho.
Ela ainda está ali,
mas já não é mais parte do agora.
O vento passa, toca, insiste.
Não a empurra com violência,
apenas lembra que o tempo segue.
A folha não resiste por medo,
nem cai por fraqueza.
Ela apenas escuta o instante certo.
Há momentos em que permanecer
é apenas atraso disfarçado de fidelidade.
E há quedas que não são perdas,
são conclusão.
A folha não decide quando o vento vem,
assim como nós não decidimos tudo o que nos atravessa.
Mas decide não lutar contra aquilo
que já cumpriu seu sentido.
Cair, às vezes,
é o gesto mais lúcido de quem compreendeu.
Nem tudo que se solta é abandono.
Algumas partidas são apenas maturidade.

Observe uma gota de chuva no vidro do carro.
Há apenas uma.
Veja-a com atenção.
Tente entendê-la não apenas pela sua visão, de dentro do carro,
mas também pela perspectiva dela —
que te observa estando dentro, e não fora.
Talvez ela esteja vivendo um momento difícil,
sabendo que, quando o carro seguir viagem,
precisará seguir o seu próprio caminho.
Ou talvez compreenda que, se o carro seguir,
ela já terá cumprido a sua missão.
A gota não controla o movimento do carro,
assim como nós não controlamos tudo o que passa por nós.
Ela apenas existe enquanto está ali,
fazendo o que pode.
Cumprir a missão não é permanecer,
mas saber a hora de seguir —
ou de deixar seguir.
Nem toda despedida é fracasso.
Algumas são apenas consciência.
A gota não é fraca por cair.
Ela é inteira por entender o seu tempo.
Porque nem tudo que vai ficar precisa ficar para sempre,
e nem tudo que vai embora perdeu o seu valor.