Textos de Amor Passado

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Você foi a confluência do passado e do ontem.
Vi-me no tempo presente, vivendo dois passados que se colidiram simultaneamente, como diante de um espelho que confundia minha mente, a ponto de já não ter discernimento sobre o que, afinal, pertencia ao presente.


Diversas vezes entrei num portal dessas realidades já não mais existentes. Perdi-me e, quando percebi, já estava nesse labirinto, atravessando esses limiares que jurei nunca mais atravessar.


Foram necessários para que caíssem as vendas daquilo que permanecia oculto diante dos meus olhos. E, no auge da minha lucidez, vi que, de ti, em mim, uma nova camada havia germinado, até então desconhecida.

Passado...Futuro...Presente...


O passado é uma casa onde já moramos,
e que podemos visitar vez ou outra,
sem nos demorarmos nela.
O presente é a casa onde vivemos
e que precisamos cuidar com atenção.
O futuro é uma casa em construção,
da qual ainda não sabemos
se chegaremos a abrir a porta.


O passado é uma casa velha que ainda cheira a nós,
paredes impregnadas de ecos,
móveis que guardam nossos silêncios.
Visitamos, às vezes, só para lembrar
que já fomos outros
e que não podemos morar ali de novo.
O presente é a única casa habitável:
tem luz acesa, chão gasto,
plantas que precisam de água
e um telhado que pede reparos —
é viva, é urgente, é agora.
O futuro é um terreno em obras, poeira suspensa,
barulho de martelos, vento atravessando vãos.
Não sabemos se veremos essa casa pronta,
nem se haverá chave para nós,
mas seguimos sonhando a planta dela.


O passado é uma casa onde deixamos
versões antigas de nós;
às vezes voltamos, devagar,
como quem acaricia um álbum amarelado,
mas sabemos que não há cama pronta
nem lugar para ficar.
O presente é a casa que respira conosco,
com suas frestas, suas manhãs,
seus pequenos cuidados cotidianos
que sustentam o que somos.
O futuro é uma casa azul desenhada no horizonte,
em obras, em névoa, em promessa,
e caminhamos rumo a ela
sem saber se um dia
ela nos reconhecerá na porta.


✍©️@MiriamDaCosta

Num futuro muito próximo,
viveremos das memórias de um passado
em que as pessoas lutavam por aquilo
em que acreditavam, criavam
e acreditavam naquilo que criavam
e pelo que lutavam.


No presente,
a banalização, a futilidade
e a emulação reinam.
A escassez de conhecimento
e de consciência histórica,
de talento, sacrifício, estudo,
leitura construtiva, criatividade,
originalidade e idealismo
faz com que essas palavras
já pertençam ao passado.
✍©️@MiriamDaCosta

Ela se virou
e o olhar, bordado de poesia antiga,
tocou as teias do passado
com a delicadeza de quem ainda sente.


Pelas narinas da saudade
respirou a poeira e as teias de aranha
dos dias longínquos
e cada partícula era um verso
à espera de nome e escrita.


O tempo, esse artesão invisível,
pousou-lhe as mãos no peito
e ali, entre cicatriz e luz,
a dor aprendeu a florir em palavra.


✍©️@MiriamDaCosta

Carta para o "Eu" do passado.


Querido Eu de 1992,
Olho para essa foto tua, aos 20 anos, e sinto uma profunda vontade de te abraçar.


Vejo no teu olhar essa mistura bonita de serenidade, coragem e a simplicidade de quem ainda não faz ideia de tudo o que a vida guarda pelo caminho.


Se eu pudesse atravessar o tempo e parar ao teu lado por alguns minutos, não te daria atalhos, nem estragaria as surpresas do destino.
Mas gostaria de te sussurrar algumas certezas ao ouvido.


Ama sem reservas e guarda cada detalhe.
O tempo passa mais rápido do que essa fotografia consegue registrar.
Aproveita cada risada, cada abraço de quem está ao teu redor e cada momento simples do dia a dia.
São essas memórias que vão aquecer a tua alma no futuro.


Sê gentil contigo mesmo, tu não precisas de ter todas as respostas agora.
Os erros que vais cometer e as dúvidas que irão te tirar o sono vão servir para moldar a tua maturidade.
Tudo o que vier fará parte do teu crescimento.
A tua essência é o teu maior bem.


A vida vai mudar muita coisa ao teu redor.
Vai trazer alegrias imensas, mas também um momento em que o chão vai sumir completamente debaixo dos teus pés e dias em que a saudade vai parecer insuportável de carregar.
Mas ainda assim, aquilo que tens de mais puro no coração, o amor incondicional, a tua sensibilidade e a tua verdade vai permanecer intacto e dar-te forças para continuar.


Continua a caminhar com a cabeça erguida e com esse olhar focado mesmo nos dias cinzentos que irão surgir.
O futuro que te espera é feito de lutas, dor e lágrimas mas também é de uma beleza profunda que só o tempo e o amor conseguem ensinar.


Com todo o carinho e admiração do homem que te tornaste,
Do teu "Eu" do presente.

O que você mudaria em seu passado, se pudesse?


Certamente,
o empenho ao estudar para aprender,


o estudo com método (testarie vários),


rotina de produção textual diversificada...


[...]


Entretanto, isso só seria possível,


ou melhor: viável,


apenas,


se


houvesse um bom orientador.


[...]


Não houve.


Resultado?


Agora, sou meu mestre e pupilo.


Não porque não seria se fosse bem direcionado.


Mas porque tive que formar meu próprio professor...


enquanto formava meu próprio aluno.

Soirée d'Anniversaire de Monsieur Ricardo


Domingo passado, tive o prazer de desfrutar do aniversário de Monsieur Ricardo Soares: senhor de berço africano, porém de vivência europeia e, atualmente, dono de terras da província de São Vicente — mais exatamente na região de Leripe ou Baía Formosa, como desejar —, mas, mais importante e sem possibilidade de omissão, meu grande amigo.


Lá pelas quatorze horas, ordenei ao cocheiro que se preparasse, pois gostaria de partir rumo ao evento. Após as escolhas de vestes aptas a tamanha honraria, partimos rapidamente pelas estradas de terra da Fazenda Marilea rumo ao litoral, algo que atualmente, pelas carruagens de quatro cavalos, pode ser rapidamente percorrido no período de 45 minutos. Porém, não convém entrar em detalhes das modernidades de nossa época.


Depois de muitos solavancos, chegamos ao Palácio The King — nome, acredito eu, que venha de alguma homenagem ao amigo durante sua passagem pela Inglaterra. O local, externamente, era composto de vidro e pedras negras, dando um ar bucólico, porém destoante de todas as outras grandes residências locais, já que, na região litorânea, ficavam os grandes barões da região de Leripe.


Ao adentrar o Palácio, pude perceber que era muito belo e que possuía uma arquitetura extremamente moderna para os padrões da época. Luminárias de velas se alinhavam a espelhos, criando efeitos de cores superinteressantes e nunca vistos por mim. Havia também inúmeros violinos sequenciados que subiam enfileirados pelas paredes, indo até o teto, como se fossem uma onda de instrumentos vindo em minha direção. Lembro que Monsieur Ricardo é um grande apreciador da arte e grande musicista; por isso, não haveria como ser diferente: tal decoração tinha de ser harmonizada pela música e por seus instrumentos.


Além disto, temos de admirar a criatividade de Monsieur Ricardo em tentar nos proporcionar novas experiências, eis que ele criou um balcão de taberna para a aquisição de bebidas — algo totalmente contrário aos padrões de um palácio desta época. Por fim, um ato superelogiado perante os convidados.


A alta sociedade da Baía Formosa se encontrava em peso pelo salão, sendo muitos locais e outros vindos do povoado vizinho de Sacra Família de Ipuca, local de onde saíam as embarcações que atravessavam o Rio Peruíbe — única forma de se chegar à distante Capitania de Cabo Frio —, fora os vizinhos mais próximos que vinham do norte, diretamente da Capitania de São Tomé.


Pessoas extremamente bem-arrumadas, em trajes de gala, causavam tamanho estrondo na localidade, que não estava acostumada com tais vestimentas. Logo na entrada, vi muitos conhecidos, como a Madame Helen, grande confeiteira, das mais requisitadas por nossas terras e também na Europa por seus quitutes diferenciados em capricho; Madame Gláucia, possuidora de terras locais; Madame Sarah, amiga da área da saúde; Monsieur Lelecô, amigo de longa data, grande boêmio, alma dotada de tamanha alegria a ponto de contagiar todos ao seu redor nos eventos e que, utilizando um termo popular, é um dos grandes bastiões dos bailes imperiais atuais; Madame Qel, grande conselheira em tempos de crise; e muitos que há tempos eu não via, como Madame Fernanda e seu esposo, e Madame Faby e seu futuro esposo. Isso sem contar as celebridades, como o Monsieur Gertz, maior mestre vidente de nossa época; os Maestros Blue e Groove, conhecidos internacionalmente por conduzirem as mais importantes orquestras nos bailes do Império; e a esposa oriental do grande tenor Monsieur Luz, que não pôde estar presente por compromissos profissionais e, por isso, enviou sua esposa para representá-lo. Isso sem falar da ilustríssima presença da belíssima Mata Hari, que se fez presente ao fim do evento. Por fim, simplesmente um grande evento, na proporção que se deve esperar do dia do natalício de Monsieur Ricardo.


Após esse turbilhão de emoções entre um convidado e outro, encontrei Madame Paula com uma beleza estonteante, vestindo uma grande crinolina de armação antiga e um belo corpete preto na parte de cima — algo extremamente magnífico, simplesmente à altura de seu esposo e nosso anfitrião, a quem ainda faltava o meu abraço de afeto e de desejo de felicidades. Algo que não demorou: sempre sorridente e feliz com tal festejo, ele me deu um grande abraço e me agradeceu por estar ali. Pontuei que estava lá por ele, por nossa amizade, e que desejava alegrias e felicidades mil ao caro amigo que me recepcionava.


Seguindo o baile, pude dançar com inúmeras damas; confesso que há tempos não dançava tanto e não me divertia daquele jeito. Porém, sou obrigado a afirmar que havia senhoritas que eu nunca havia visto, e uma delas me chamou a atenção por uma beleza simples, singela demais para os padrões estéticos brutais de nossa época, fora a conexão existente no salão. Confesso que não sei o seu nome e nem irei procurar saber, pois quero mantê-la viva em minha memória como um sonho que alivia os dias difíceis atuais. Tamanha era a leveza daquela alma a girar sob minha condução que irei guardar na memória aquela dança — algo que, por algum momento, trouxe uma energia que há muito eu não sentia. Algo tão personificado em sentimento que merece o deslumbre futuro sem ao menos existir. Por fim, que lindo devaneio trarei comigo: não apenas o de uma dança, mas o de um baile nos tempos do Império em pleno 2026.




Rodrigo Horta

Rasgou as velhas roupas do passado como quem corta cordas invisíveis. Cada fio que caía era um sopro de liberdade, uma promessa de si mesmo que não se enrolaria mais em nostalgias fáceis. O prazer momentâneo sussurrava em cada canto — o chamado das mesas cheias, dos abraços sem compromisso, dos consolos rápidos — mas ele fechava os ouvidos.

Escolher o melhor para si é coragem que não se veste de glamour. É se colocar inteiro diante do mundo e dizer: “Não mais me contentarei com migalhas, mesmo que doces.” Há uma dor doce nisso, um aperto nos ombros e no coração, porque renunciar é um rito silencioso que só o próprio corpo entende.

Mas há também poesia no sacrifício. Cada passo para longe do que não serve é um avanço rumo à plenitude que ninguém pode roubar. É o gosto de um vinho guardado, saboreado depois de anos, ou o perfume das flores que crescem em solo inesperado, intenso, solto, sem pressa.

Ser gentil consigo mesmo não é indulgência; é firmeza. É reconhecer que você merece o melhor, ainda que seja caro, ainda que seja solitário, ainda que precise atravessar tempestades interiores. É aceitar que a reconstrução dói, que a vida não se repete nem se empresta, e que a cada manhã há um pedaço de você que renasce.

Reviver é isso: um gesto íntimo, visceral e silencioso. É dançar com suas próprias feridas, abraçar a coragem que faz do abandono do velho uma vitória e da escolha consciente, o maior dos prazeres.

Não busque a cura que apaga o passado como se ele fosse um erro, mas busque a força que transforma a cicatriz na sua medalha de honra mais valiosa e reluzente. O mundo tentará silenciar o seu grito com a mediocridade do barulho cotidiano, então transforme-o em um adágio eterno, profundo e absolutamente inabalável. No final, o que sangra em você hoje é o que dará ressonância à sua majestade amanhã.


- Tiago Scheimann

O passado é uma terra de sombras que não possui autoridade para ditar o ritmo do nosso passo presente, a menos que permitamos que o ressentimento se torne a nossa bússola. A libertação real ocorre no momento em que olhamos para as nossas feridas não como erros do destino, mas como o mapa geográfico de uma vitória que ainda está sendo escrita. Seja o estrangeiro de sua própria dor, observando-a com o distanciamento de quem sabe que o ator é muito maior do que a tragédia que ele encena.


- Tiago Scheimann

Meu passado é pesado demais. Por isso, não permito que ninguém entre. Sei que dividir esse fardo seria condenar outra alma a carregar um peso insuportável, imensurável, impossível de compreender por inteiro. Nunca permitirei que alguém sofra o que carrego em silêncio, ainda que, para isso, eu precise assistir à felicidade partir mais uma vez. Há dores que preferem a solidão, porque amam o outro mais do que a própria possibilidade de serem salvas.


- Tiago Scheimann

O futuro também pode aprisionar

Falamos muito sobre pessoas presas ao passado, mas quase nunca percebemos aquelas que se tornaram prisioneiras do futuro.

Há quem não viva porque ainda sofre pelo que aconteceu.

Mas há também quem não viva porque está permanentemente esperando aquilo que ainda não aconteceu.

Talvez passado e futuro possam produzir a mesma prisão quando retiram nossa presença do único lugar onde a existência realmente acontece.

O passado aprisiona pela lembrança. O futuro pode aprisionar pela expectativa.

Entre os dois existe o presente — frequentemente abandonado enquanto lamentamos aquilo que fomos ou imaginamos aquilo que seremos.

Planejar é necessário.

Sonhar é importante.

Ter propósito nos direciona.

Mas existe uma diferença entre construir o amanhã e hipotecar o hoje para consegui-lo.

Quem vive exclusivamente para o futuro transforma o presente em pagamento de uma vida que talvez nunca consiga usufruir.

Talvez tenhamos confundido evolução com chegada.

Queremos chegar.

Ao reconhecimento.

Ao sucesso.

À estabilidade.

À realização.

À felicidade.

Como se existisse algum ponto da existência em que finalmente pudéssemos declarar: agora tudo está resolvido.

Mas toda chegada inaugura alguma nova partida.

Toda resposta produz outras perguntas.

Toda conquista modifica o horizonte daquele que conquistou.

O horizonte não se afasta de nós. Somos nós que, ao avançarmos, passamos a enxergar mais longe.

Talvez seja por isso que algumas conquistas que pareciam enormes antes de acontecer se tornem pequenas depois que acontecem.

Não necessariamente porque perderam valor.

Mas porque aquele que chegou já não possui exatamente o mesmo olhar daquele que desejava chegar.

E aqui existe algo que raramente percebemos:

não conquistamos apenas coisas; somos modificados pelo caminho utilizado para conquistá-las.

Por isso, nenhum objetivo deveria ser avaliado somente pelo lugar ao qual poderá nos levar.

Precisamos perguntar também:

quem precisarei me tornar para chegar até lá?

Porque algumas conquistas custam exatamente aquilo que pretendíamos conquistar através delas.

Há quem procure sucesso e perca a própria vida tentando alcançá-lo.

Há quem procure reconhecimento e deixe de reconhecer a si mesmo.

Há quem procure liberdade tornando-se escravo daquilo que acredita que poderá libertá-lo.

Nem toda conquista representa crescimento. Algumas são apenas perdas socialmente aplaudidas.

Talvez desenvolvimento não seja acumular cada vez mais.

Talvez seja desenvolver consciência suficiente para distinguir aquilo que acrescenta à nossa existência daquilo que apenas ocupa espaço nela.

Porque também existe excesso na falta.

Podemos ter muito e continuar sentindo que falta alguma coisa.

Podemos conquistar aquilo que desejávamos e descobrir que o desejo era maior do que a necessidade.

Talvez exista uma pobreza produzida justamente pelo excesso:

quando precisamos possuir cada vez mais para sentir cada vez menos.

E não estou falando apenas de coisas.

Acumulamos títulos.

Funções.

Relacionamentos.

Compromissos.

Informações.

Opiniões.

Personagens.

Até que um dia podemos descobrir que construímos uma vida tão cheia que já não existe espaço para nós dentro dela.

Há pessoas que não precisam encontrar alguma coisa. Precisam se desocupar daquilo que as impede de se encontrar.

Talvez por isso evoluir também seja subtrair.

Retirar ruídos.

Abandonar excessos.

Rever necessidades.

Encerrar ciclos.

Desocupar espaços internos.

Nem toda ausência é vazio.

Algumas ausências são espaços finalmente disponíveis para aquilo que ainda poderá nascer.

E talvez seja essa uma das formas mais profundas de discernimento: compreender não apenas o que devemos buscar, mas aquilo que já podemos deixar de carregar.

Porque o peso da vida não é determinado somente pela quantidade de problemas.

Também somos pesados pelas expectativas, personagens, culpas, comparações e futuros imaginários que carregamos diariamente.

Talvez leveza não seja ter uma vida sem peso.

Leveza é parar de carregar aquilo que nunca precisou fazer parte da viagem.

No final, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Até onde quero chegar?”

Mas:

“Quando chegar, ainda reconhecerei quem chegou?”

Porque nenhuma conquista deveria exigir como preço definitivo a perda daquele que pretendia conquistá-la.

O futuro merece ser construído.

Mas não às custas da inexistência do presente.

Afinal, talvez o maior fracasso não seja chegar ao fim sem ter conquistado tudo aquilo que desejávamos.

Talvez seja chegar exatamente onde queríamos…

E descobrir que, enquanto construíamos a vida que sonhávamos viver, esquecemos de viver a vida que estava acontecendo.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

Quem vive vasculhando o passado de alguém acaba deixando de viver o próprio presente.
Quem se prende ao que aconteceu antes, alimenta mágoas que não lhe pertencem e transforma o ontem em prisão. O passado dela não é sua história. Você recebeu algo muito maior: a chance de junto com ela ser o começo de uma nova história. Então pare de tentar apagar páginas que você não escreveu. Escreva algo tão intenso no presente, que quando ela olhar para trás, não sinta vontade de voltar, apenas perceba que tudo o que viveu antes foi apenas o caminho que a trouxe até você.

Vejo-me novamente a contemplar um passado de um estado anímico irrepetível para mim; em que se torna improvável voltar a ignorar aquilo que as palas dos meus olhos cobriam.

A ontologia do ser, o humano em demasia, ecoam numa mente que só sabia viver. Mente essa que aprendeu a viver antes de entender o que é estar vivo.

A nostalgia de um dia bom ou a memória de momentos felizes, é o que faz com que o passado não precise ser tão criticado, não é questão de "viver dele", mas compreender que o dia de ontem, ninguém me tira mais!


Já o presente é, na literalidade múltipla de um idioma, o que reúne os nossos fragmentos, sejam eles bons ou não, e ele pode vir em laços, e no perpétuo socorro da vida, o "é", é a conjugação do verbo "ser", o que há de ser, está sendo...


Já o futuro, se ele de fato pertence a alguém eu não ouso dizer, porque ele precisa deixar de ser uma preocupação, mas apenas um mensageiro da esperança, porque mesmo fazendo mil projeções ou infinitas e ansiosas imaginações, ele é cercado de "talvez", sem a essência do passado que já é uma marca, ou da grandeza do presente! Ele só será, será e às vezes: "Será"?


Entre exclamações, reticências ou interrogações, eu desejo o pôr do Sol, nada pra fazer e que os "bons dias" não sejam apenas cumprimentos litúrgicos, mas que eles carreguem o desejo mais genuíno de que tenhamos dias intensamente belos, mesmo na feiura da surpresa aterrorizante.

Deixe o passado..

Na vida de cada um de nós existe um passado.
Certamente todos têm uma história onde passaram por momentos
bons e por situações difíceis, pois a vida é uma mescla
de coisas boas e outras, digamos assim, mais difíceis.
O que não podemos fazer é vivermos presos ao passado,
vivendo de recordações. A vida segue e o passado não volta.
Não há como reviver o momento passado, pois cada um
é único em nossas vidas. Podemos sim usar o que vivemos
no passado como experiência para um futuro melhor.
Tenha o passado sido bom ou ruim deve ficar para trás.
Devemos prestar atenção no momento presente,
pois o futuro depende do que fizermos hoje.
Portanto, agradeçamos a Deus pelo passado que nos enriquece
de experiências e nos faz crescermos,
e fechemos essas páginas de nossa história,
para que possamos abrir uma nova página,
de um novo começo no dia de hoje.
Cada dia é uma oportunidade que temos de
fazermos uma nova história. Reflitamos!

Fique sempre no presente, porque toda falsidade vem do passado ou do futuro. O que passou passou, não se preocupe mais com isso. E não carregue o passado como um fardo; do contrário, isso não deixará que você seja autêntico no presente.
Além disso, tudo o que ainda não aconteceu de fato não aconteceu, não fique se preocupando à toa com o futuro, senão isso interferirá no presente e o estragará. Seja verdadeiro no presente e você será autêntico. Estar aqui e agora é ser autêntico.

A vida é hoje e hoje podemos ser felizes. Não fique preso ao passado. Talvez nem tudo aconteça como você gostaria ou planejou. Talvez você tenha sofrido doenças, dores, angústias e decepções. Procure descobrir se houve alguma falha pessoal nisso tudo. Se houve erros é só ter a coragem de corrigi-los. Não fique preso e angustiado porque algumas coisas não deram certo. Tenho a mais profunda convicção de que se você tiver a humildade de analisar sua vida ao longo do último ano, perceberá que aconteceram muito mais coisas bonitas do que negativas. Quantos momentos de paz você viveu? Foram trezentos e sessenta e cinco dias que Deus lhe concedeu gratuitamente. Foram oito mil e setecentas e sessenta horas, quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos, trinta e um milhões e quinhentos e trinta e seis mil segundos...neste tempo todo, com certeza, muitas coisas bonitas aconteceram. Você viveu. Experimentou amor, ternura, carinho. Viu pássaros, flores, rios e mares, florestas e firmamento. Você encontrou pessoas maravilhosas, amou e foi amado, sorriu e fez sorrir. Você está vivo!!! Multiplique esses números pela sua idade e perceba que até hoje aconteceram milhares de coisas bonitas e maravilhosas em sua vida.
Não permita que o pessimismo e o negativismo, tão presente nos jornais e na televisão, influenciem sua vida. Acolha o novo como uma criança. Esqueça o passado. Ajude Deus a ajudar você. Jogue ao fogo, com os calendários dos anos anteriores, as coisas negativas. E com as cinzas desses calendários, faça um poderoso fertilizante para semear o amor, a ternura e a paz de Deus. A cura interior ajuda-nos a acolher cada dia como um grande presente de Deus.
Lute, busque com afinco. Deus e seu Espírito estão ao nosso lado. Viva o hoje de Deus!

Baú de recordações

Baú de espantos...
Baú de recordações...
Saudades de um passado sem volta
Resgate de um tempo perdido
Sem tristezas
Sem magoas
Pedras no caminho
Tropeços de um crescimento interior
Buscas externas
Procuras internas
Equilíbrio encontrado
Há muito tempo esquecido e adormecido...

A NOITE CHEGA

A noite chega e traz com ela o perfume das flores. Traz as lembranças de um passado, a calmaria, o momento em que o silêncio se aloja e as vozes da noite se reúnem para um aparte. Por trás da escuridão, a luz se intensifica trazida pela lua que dormia no colo do horizonte. Os pássaros que em revoada anunciavam o dia, agora descansam. Assim são as noites, intensas como nossos sonhos, bela como as águas serenas e perfumadas como as flores primaveris.