Textos de Afeto
" A ética da alteridade consiste basicamente em saber lidar com o "outro", entendido aqui não apenas como o próximo ou outra pessoa, mas, além disso,como o diferente, o oposto, o distinto, o incomum ao mundo dos nossos sentidos pessoais, o desigual, que na sua realidade deve ser respeitado como é e como está, sem indiferença ou descaso, repulsa ou exclusão, em razão de suas particularidades."
Um carinho um afago, um elogio, um minuto de atenção, faz tão bem. Exista tão pouco pra quem dá se comparado com a alegria de quem recebe, e a recompensa que traz. Porque é tão difícil pra algumas pessoas expressar sentimentos, afeição, carinho. Na certa o ego, o olhar somente para o próprio umbigo faz certas pessoas assim... secas. Os relacionamentos seriam muito mais felizes, se nos expressarmos mais. Um carinho, um elogio, um pouco de atenção não custam nada . Mas com certeza muda o dia de quem recebe..
(...)Cace o afeto, procure quem vc gosta de verdade, tire férias de rancores e mágoas, abrace forte, sorria, permita que lhe cacem também.
Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos, vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente, o que lhe provoca prazer de olhar,sentir,sorver(...)
Em tempo de "fome de afeto",
o ser humano lança mão de artifícios inimagináveis para se sentir mais feliz, mais amado, mais aceito e se esquece de que tudo começa em bastar-se, aceitar-se, querer-se bem...
O amor vindo de fora só brota
por estar enraizado no amor que
eu tenho dentro.
Cika Parolin
Eu prefiro ficar do lado dessa gente doce...Que esbanja afeto...
Escancara generosidade nos gestos, abraça com a fala, distribui beijinhos com os olhos, dá colo, dedicação.
Eu prefiro abdicar das posses, e ficar com o que liberta...
"O singelo, o puro e modesto..."
na medida certa, bem do jeitinho que encanta meu coração!
-----Lanna Borges
Morando em ti...
Conheço bem o afeto de seu coração
Seu pensar, seus desejos e penares
Sua alva alma, que brinca com a minha
Onde lhe reside a estrada de todo meu canto
Em cada canto, semeio rimas, versos e pranto
E versando, me toma cissura do sim e do não
Tenho em mim um passarin, ânima de emoção
Por isso, não importa, se sua construção
É meu cativeiro, universo ou alçapão
Nele, respiro e encontro a luz de seu encanto
No calor de um abraco me perco em sentimentos,sentidos,amores,sensacoes...
No calor do abraco afetos se enraizam..plantam sementes...
No calor de um abraco (re)floresco...me fortaleco...me perco e me acho novamente...num desejo imenso de ficar..de permanecer assim...eternamente ,indefinidamente ,perdidamente abracada!
Ah...assim!
Não tenha medo de amar...
Quem "economiza" afeto
perde vida, perde encantamento...
Há quem se perceba amado e amando
e, por medo do desconhecido,
apressa-se em ferir;
para permanecer no isolamento,
único lugar aonde se sente seguro...
Amar é lançar-se sem medo,
é viver em plenitude
as delícias e as dores...
É saber que só se encontra a luz
quando se enfrenta o escuro.
Cika Parolin
Testamento
A você deixo o meu afeto. E mais. Deixo os beijos que ainda não dei. O bilhete para ser lido. O quadro colocado no alto para nunca ser de lá retirado. Um jantar à altura de sua fome. O velho livro de histórias. A coleção de filmes para chorar. Uma garrafa cheia de café. E uma bruta saudade.
A você eu deixo tudo de bom para me vingar de todas as sequências de discórdias nas falidas noites de domingo. Deixo o meu telefone azul. Os sonhos adormecidos. As extravagâncias das férias. O vício de escrever na madrugada. A você deixo o meu relógio vermelho, que de propósito está uma hora adiantado, assim não correrá o risco de perder seu jogo predileto. E por falar em jogo, deixo a camisa do seu time, no ponto de ser usada. O taco de beisebol, mas não acerte a janela. Folhas de caderno para as cifras da madrugada. O vinho gelado para as noites de frio. A pipoca amanteigada. O filme no pause. O copo de vodka. Ovos mexidos. Roupa limpa e suaves prestações da coleção de Drummond.
Deixo a roupa lavada, passada. A carne assada no forno. A conta vencida. A senha da internet. E tudo desligado. Aceso deixo apenas as fagulhas do coração, prontas para serem apagadas.
Um pouco das tempestades, não te fará mal, portanto deixo vinte e cinco dos meus odiados clichês, dois poemas ordinários, uns palavrões impublicáveis.
Pelo excesso de mistério, deixo as vírgulas, as reticências, as aspas, a interrogação.
Deixo o dicionário para decifrar as palavras soltas e não confundir sentimentos.
Deixo sem nenhum medo a minha covardia transbordante. As atrapalhadas afetivas. O sol. A lua. O mar, não necessariamente nessa ordem. Deixo a desordem das escolhas que é mesmo para bagunçar as ideias.
Deixo a sensação da promessa cumprida e uma lista de coisas pendentes para serem feitas a qualquer horinha dessas. Deixo para amanhã, qualquer coisa bonita, talvez quem sabe uma lembrança patética, uma abusada vontade, uma sentimento que coça, um vazio sem canção.
E por último deixo o perigo do meu amor.
Ao falarmos de afeto, temos que aprender a respeitar antes de tudo a natureza genética do outro. A biologia humana difere em particularidades consideráveis no que diz respeito a percepção de gêneros.
Existe uma forma de entendimento distinta e variável entre o homem e a mulher...
O conflito nas relações acontece principalmente pela incapacidade de tolerar essa diferença.
O respeito de fato se torna efetivo quando deixamos de fazer comparações em busca de igualdade e passamos e entender e a aceitar as necessidade individuais de cada um. É importante buscar um alinhamento harmonioso entre os desejos um do outro, sem exigências de uma reciprocidade "gêmea" idêntica ou parecida. Lembre-se que nem toda proporção se mede pela semelhança, mas pela compatibilidade...
Se me jogarem pedras, não devolverei flores.
Só as entrego a quem faz laços de afeto comigo;
a quem não solta minha mão, mesmo nos momentos
de dúvida e tempestade;
a quem me olha de frente e consegue me enxergar
até quando nebulosidades insistem em turvar a visão.
Entrego as flores aos que me ouvem só pela sintonia.
E as pedras?
Me defendo delas sendo quem sou:
de verdade e protegida pelo céu.
Coisa interessante são os laços de família.
Uma relação de afeto de uma vida inteira, ora perto, ora longe.
E, às vezes, até parecemos estranhos, esquecendo-nos que temos irmãos, sobrinhos, netos. Quase não há diálogo.
Então, você se dá conta de que o tempo passou sem que um "eu te amo" fosse dito, ou uma ligação telefônica para sabermos notícias. Como se fôssemos imunes à solidão e saudade. Mas o tempo passa, vem a dor e a tristeza. E a gente se dá conta de que ainda dá tempo. Tempo de ligar, falar, dizer daquele amor guardado na garganta. E então fala. E tudo se torna doce e morno, feito brisa de primavera. E uma paz toma conta da gente. É família, é sangue. É puro amor.
DRAMA (soneto)
Quando é que o afeto meu terá encontrado
a sorte duma companhia pra se apresentar?
Quando é que na narração poderei conjugar
Assim, despertarei de então estar deslocado
Se sei ou não sei, só sei que eu sei atuar
E se eu estarei ou terei ou se está iletrado
É impossível de inspirar, o ato está calado
Pois, o silêncio discursa sem representar
O aplauso alheio pulsa, mas de que lado?
Na cena a ilusão é expulsa e, põe a chorar
Impossível imaginar atuar sem ser amado
E este drama sem teatro, e ator sem teu lar
De comédia trágica, no peito, então atuado
É amor e fado, no palco, querendo ser par!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, julho
Cerrado goiano
Num gesto: o afeto!
Quase prece, apreciamos
os sentimentos que aquece
Aquilo tudo que desejamos, pedimos
Às vezes ganhamos, às vezes não
Mas meu medo fui perdendo
Fui te descobrindo, me reinventando
Me tornando melhor
Afinal, o que sentimos nada tem a ver com cifra, medida ou razão
Apenas somos assim. E gostamos do que temos um no outro.
Um reflexo, um nexo
E "a tua presente ausência, sua ausência presente", ainda insiste
Mas já não mais me incomoda
Pois com uma atitude, um verso
Você me fez sentir tão completo
E vai ser dificil te querer no inverso
Onde minha vida vai estar...
Prece do Amor !
Bendito seja o coração que sente!
Multiplicado de afeto seja todos os dias!
Perdoai toda incredulidade
Aumentai nossa capacidade de amar
E a confiança de ser amado!
Que a beleza extraordinária da Terra
Seja nossa cúmplice!
Que nossas almas alcance o céu
Dos enamorados!
Livrando nos dos olhares da cobiça
Permitindo nos nunca ofender ao amor sentido!
Que assim seja !
" Infinito e eterno enquanto dure !
Lili Aires Felipe ! 142018
DA PAIXÃO AO FOGO
Enlevado afeto que ao profano sente
O beijo em fogo no queimar a pele,
Que no fulgir paixão em corpo vele
O desejo arder no cumprir da gente!
E findar ardor que não for contente
No aventurar de luz, e, por aquele,
Se desdenhe em sede ao ardil mobele
No enlevar em flor o beijar ardente!
Que do suposto, aventura se vigore!
No acender a chama em mais primor,
De eloquente a cobardia se devore!
E no exaltar tão mais profundo ardor,
Que em disfarce gentil, implore
No emular mais alto, (o vosso amor!)
Me pego pensando no que de fato deu errado com a gente, tínhamos planos, tínhamos afeto, tínhamos um ao outro.
Em uma parte do caminho nos perdemos? Não consigo imaginar quando, se foi naquela viagem onde não conseguimos nos conectar. Lembro, você queria ir a todos os lugares turísticos e eu só queria permanecer no quarto do hotel, queria amor, queria conexão uma pausa onde só nós dois existíssemos.
Não sei se foi ali, mas era notório que já estávamos vibrando diferente. Você não estava presente.
Eu queria você comigo, sempre quis, e isso que me dói, querer você é algo que me quebra sempre, , porque ainda não consigo dizer não, toda vez que insiste em me procurar.
A decisão de partir foi tua, e eu sempre deixo a porta aberta para você. Me iludo na falsa esperança de um dia sermos um casal.
A mania de ter você é tanta que ainda compro o seu vinho favorito e parece estranho o que vou dizer, mas o mantenho gelado, como se fossemos bebê-lo todas as noites...
Não consigo explicar essa mania de te querer e de permitir ainda, que seu toque me alcance.
Estou sentada, isolada, pensando em você, mas agradecendo, porque apesar dessa abstinência da sua pele, estou obrigando a minha mente a te esquecer, pior que quebrar a quarentena, é deixar você me quebrar todas as vezes que resolve aparecer... Bendito esse vírus que me afasta de você.
Mereço muito mais que um amor raso e ficar longe de você, me fez perceber que a tanto tempo não me sentia inteira.
As ruas vazias e o ar morbido...
fazem solidão paira sob o a liberdade...
o amor e afeto e se retrucam na voz do medo...
o ambiente sombrio denota o verbo.
a dor do vazio torna se mais obscuro,
na transição do amor paira a paz da solidao.
murmuro uma música que afringe o sentimento na crua estrada da vida.
Cheguei, trouxe meu afeto sorrindo pro seu dia,
Com desejos de paz para o teu lar e muita calmaria para o nosso mundo.
Cheguei...
Trazendo flores para a elegância do teu olhar,
para alegrar um pouco mais a tua alma.
Afaste do pensamento as preocupações,
confie no Deus que te deu a vida!
-----Lanna Borges...
Colha ao menos uma flor de afeto para a elegância do seu dia,
Que as maravilhas de Deus te encontrem logo pela manhã, te revigorando, motivando, restituindo os sonhos.
Viva a claridade de ser o que é, com verdade sem se desviar do acredita, então valorize o seu existir.
Teime sempre em florir!
14 de julho de 2020
