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De tudo que sei na vida
Agora eu me pergunto
O que será que sei
Das coisas que eu aprendi
O que será que seria
Se não tivesse sido desse jeito
Dos caminhos onde andei
Onde será que eu estaria
Se nunca tivesse pisado
Nos caminhos onde andei
Sobre os sonhos que sonhei
Não me pergunto nada
Pois cada um de nós
Um dia desejou estar distante
de onde queria estar
E desse imensurável tanto
de nada que assimilei
Uma quantidade enorme de perguntas
Muitas
Cujas respostas
Não sei.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Ando apaixonado
Não pela vida
Pois essa foi sempre traiçoeira
Não pela noite
Que me deixa só toda manhã
Também não amo a poesia
Pois esta é feita
de pensamentos, palavras
e lembranças
nas quais pouco eu penso
Eu ando apaixonado
Pelo som do silêncio
Silêncio no qual vivo agora
Que ignora a voz do vento astuto
Atento ao coração
Pois hoje
Quando ele chora, eu escuto
No silêncio das coisas que ora penso
Mando embora toda e qualquer tristeza
Mas quando a tristeza vem
Ela também chega em silêncio
Me abraça, enquanto acordado
Explica e justifica
O sentido dessa vida
Nós dois nos viramos de lado
Abraçados, não dormimos
Dormitamos
Sem ouvir qualquer ruído.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Pra cada dia uma noite
Uma morte a cada vida
E pra cada norte um rumo
Vários ventos sem direção
Em cada mar, muitos naufrágios
A saudade que se vê tão só
A pá de terra sobre o tempo
O erro que me acerta
A resposta certa eu nunca soube
A tarde que não me cabe
Antes que o Céu
Desabe por sobre essas nuvens
Há pra cada chuva, um Céu
Mas não sei dizer
de quantos Céus há sobre nós
Sob meus pés
Estrada e pó
Simplesmente mais nada
Pra cada vida
Uma morte apenas
Viver de espera
Termina
Na serena morte
De sorte que ela vence no final
Pra cada um
Há outro igual
Só não se sabe onde.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Poema de compreensão.

Na vida nada se tem
Como o ar que te escapa entre os dedos
Vai rodando a longa estrada
Um dia há medo
Em momentos, coragem
A paisagem que sumiu pela janela
Coisas boas e ruins
As pessoas
Nada que se vive
A vida vem para mal ou para bem
Mas passa
Esvaindo igual fumaça
E nada se tem ou se leva
Até mesmo as lembranças evaporam
A tudo que tive
O momento mais suave da existência
Não se leva nada
Nesta estrada estreita
Só se deixa
Nossos passos vão ficando no caminho
A gente só precisa
Aprender o que não sabe
Atentar onde pisa
Para que os passos sejam leves
E as lembranças suaves
Pois
Nessa nossa breve existência
Nada se leva
Nada se deixa
Nada e ninguém nos pertence
A vida é uma curta experiência
De cujos resultados, nada saberemos
Diferente
De tudo que se pensa
Enquanto vive
Tudo passou por mim
Mas eu nunca nada tive.

Inserida por edsonricardopaiva

Num momento qualquer
Dessa vida
Que a gente vive
Muitas vezes sem querer
Acontece de pensar na morte
Não na morte como um final
Porém como uma mudança
A Música acabou
Troca o passo da dança
E naquele pedaço
De tempo que passou
Numa tarde qualquer, a gente pensa
Nas muitas caras da morte
Pense em tudo que matou na sua vida
Antes que a vida acabasse
O que será que você faria
Se tivesse
Pelo menos mais um dia?

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

O maior desafio da vida
É vivê-la, sendo a quem nós somos
Na maior parte do tempo
Não somos quem pensamos ser
Nem aqueles a quem
Enxergamos em nós
Como sendo a nós mesmos
Mudanças acontecem
Baseadas no primeiro pensamento
Que lhe vem pela manhã
O mundo muda num momento
Pra depois a gente ver, ou não
Que tudo ainda é do jeito que era
Sem nunca mais poder ser de novo
Do jeito que um dia foi
Pensamentos são como folhas que vem e vão
Procure olhar pra si mesmo
Com a mesma isenção de quem o vê
De longe e pelo lado de fora
Perceberá
Nossas ideias e pensamentos
Não são quem nós somos
Mas podem e mudam a vida
Sejam eles bons ou ruins
Conduzem decisões
Fazem escolhas importantes
Tudo muda
Mas você ainda
É o mesmo de antes
Mas não tem como voltar a ser quem era
Não pense ser a parede
Nem veja a si mesmo
Como sendo a mancha na pintura,
A pesca generosa
E nem o buraco na rede
Alegria, euforia, melancolia, tristeza
Um pouco de cada coisa
Do brilho do ouro à leveza do pó
Para o qual fatalmente se volta
Mas, enquanto isso
Pense nisso
Conheça-se e ame-se
Pra poder ser um milhão
Sendo sempre uma pessoa só.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Dizem
Que muita coisa na vida
Não vale a pena
Quando eu ouço isto
Penso nas coisas que conheço
No preço que custou-me a vida
Eu olho pra mim e pras roupas que visto
Penso em cada manhã
Que acordei muito cedo
No jeito que fui tratado
E em cada trabalho bem feito
E até hoje
Ainda não me pagaram direito
E nem sequer agradeceram
Pois conheço a fundo
A solidão e ingratidão
Com que este mundo nos paga
Penso no quanto
Eu aprendi com tudo que passei
Enxergando que cada ser vivente
Possui uma lista de coisas
Pelas quais somente ele há de passar
Pra aprender o valor
Desta vida e do seu viver
Mas somente uma pouca parcela
Descobre que essa história louca
Compensa
E no fim
Dizer o quanto ela foi bela
Pois, por mais que se escreva essa história
No final descobre
Que fizemos apenas parte
Uma pequena parte dela
Mas que viver
Valeu a pena.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Existe alguma coisa em minha vida
Que eu na verdade
Nunca soube entender muito bem
Parece que em algum momento
Eu devia ter caído em algum abismo
Um lugar que era frio
e não cai
mas deixei por lá uma parte de mim
O difícil em conviver com isso
É que as coisas que ficaram
Eram de lá
Me acompanha o vazio
Não das coisas que perdi
Pois nada nunca me pertenceu
Me acompanha o vazio
Do espaço oco reservado a mim
De um lugar que jamais foi meu
Mas em contrapartida
Aprendi com a vida
Não mais pertencer a um lugar
Nem a nada e nem ninguém.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Vida Flor.

A vida é o dia de uma flor
Quando a chuva aproveita
Bota as pétalas de lado, assim
Se espelhando numa poça rasa
Detalhando os seus tim-tins
Orgulhosa da própria beleza
Ajeita luz do sol
Renovando a folia
Acredita, enquanto há tempo
Tempo é tudo quanto mais havia
Quando o tempo de já não mais crer vier
Ele vem, crer ela não quer...aceita
Bota espinhos, tenta defendê-la
Tristes mãos que, porventura, recolhê-la
Assim, como um sol que renasce
E que jamais se opõe
Ao orvalho das trevas
Escolhe uma melhor lembrança e a leva
Molha-te por molhar-se
Escolhe um ramalhete pra passar teus dias
Que, por ora, ornamenta e tenta e tenta
Tanto tenta que, quando desiste
Já não sente assim, tanta tristeza
Tenta, mas aprende a desistir também
Nem jamais te arrependa de nada
Desaprenda o sorrir
Mesmo assim, depois, aprende
Rir-se de si mesma.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A vida é uma lista
de coisas que nós não fizemos
relembre o que fez
E verá que deixou de fazer
Um tanto assim de coisas boas
E seu coração
Ainda guarda um lugar vago
Um lago sem vida
Cercado de esperanças perdidas
A saudade é uma cobra que voa
Pouca coisa sobra
Além daquilo que não fez
desde que elegeste a lista
das coisas importantes
Que hoje não parecem
Nem de perto
As mesmas de antes
Algo soa dissonante
A vida é um barbante esticado
No qual penduramos lembranças
Algumas doídas
Outras mansas
E algumas malsãs
A saudade é uma irmã
Furtada de nós, quando criança
A vida é uma dança
Que nós não sabemos dançar
A esperança
é um pote de ouro escondido
que você nunca vai saber
onde ele está
Por mais que procure
Por mais tempo que dure
esta busca infinda
Mas mesmo assim, no final
Verá que acabou de escrever
Uma história linda
num livro que não tivemos
tempo de lêr
Estávamos ocupados
em viver

Inserida por edsonricardopaiva

Não tenho medo da morte
Nunca tive
Meu medo era viver
Esta vida
Na qual não se vive
Nunca tive medo de tempestade
Tenho medo deste Sol que arde
Não Existe apenas a chuva
O problema é a palavra
Que me vem e tanto machuca
São lembranças
Piores que a morte
Que fizeram estes cortes
Sem cura
Não tenho medo do escuro
Meu receio é a claridade
Ela invade a vida
E me impede de esconder
Ou de esquecer
A dor
de ver tanta vida
assim
Perdida

Inserida por edsonricardopaiva

Vida efêmera
Vivida longe de tudo
e sem acesso a um escudo
Que pudesse me afastar
Das passagens frívolas
Que gostaria de não ter vivido
Vida hilária
Na qual não passei de pária
Observando à distância
e descobrindo
Que sendo este mundo uma esfera
O menor caminho
Quase nunca é reto
Porém a trajetória
É muitas vezes temerária
Poucas vezes concreta
e quase sempre
Na direção contrária
Em uma estrada muito fria
Em companhia
De mim mesmo
Ensimesmado
E muita coisa ainda falta
Pouca coisa resta
Na parte que ainda
Não foi vivida
A estrada que percorri
Foi simplesmente
Sinuosa e descabida
Eu vejo gente arvorada
Em impérios imaginários
Apoiando os pés no nada
Quando este rio houver
Finalmente desaguado
No inexorável Oceano de verdades
Infinitamente capaz
De apagar a pira
do todas as vaidades
Pouca coisa emergirá
Além da ira
Incapaz de qualquer vingança
À luz da alva verdade
Que há de tornar toda gente muda
de forma aguda e incisiva
A finalmente perceber
Que a vida era passageira

Inserida por edsonricardopaiva

Tento entender
O que se passa comigo
Com o Mundo
Com a vida
E enquanto isso
O tempo passa
E eu envelheço sem saber
O Mundo gira sem sentir
A vida escoando
Por entre os dedos
Eu procuro dar sentido
Na medida em que coincidem
As várias modalidades
de incerteza
das vidas que aqui vivemos
Meu Mundo e único abrigo
Onde a melhor amiga
é esta vida
Na qual eu mesmo
Faço de mim
O pior inimigo

Inserida por edsonricardopaiva

Um dia
A vida vira uma miragem
Que a gente mira e não atinge
O tempo inexistia
Enquanto a vida passava
É quando a gente pára e olha
Que vai se dar conta
Que eles passaram de mãos dadas
E eles já vão ao longe
Quando a gente finalmente tem certeza
Que a vida e o tempo co-existem
Meu Deus
Que conclusão mais triste!

Inserida por edsonricardopaiva

O que é a vida?
O que vem a ser a vida?
A vida é um arame
Quase sempre farpado
Mantendo a gente de um lado
da outra parte do mesmo chão
é preciso ter Arte pra entender
Que a vida é uma vela
Quase sempre acesa
Que exibe
Bela, fraca e efêmera chama
Se atentarmos, veremos nela
Algumas lágrimas que rolam
Enquanto o calor à consome
e o tempo lhe apaga o nome
A vida é um poema
Quase sempre lido
Porém, quase sempre compreendido
Somente por quem escreveu
Cada um escreve o seu
e publica em seu próprio envoltório
A vela se apaga
Se parte o arame inglório
Misturam-se as palavras
do transitório poema
Escrevê-lo
É nossa pena.

Inserida por edsonricardopaiva

O mais belo poema do dia
Nem sempre é aquele que lembra
Que a vida é um problema sem solução
Pois a vida não o é
Porém, muitos poemas que o dizem
São
A mais bela poesia
Nem sempre é aquela que agradece
O nascer de mais um dia
A vida merece que agradeçamos
Por cada momento que se vive
O dia é feito de momentos
Nem sempre há poesia
O mais bonito pensamento já escrito
Nem sempre aponta a solução
Alguns deles romantizam belamente
E apontam as folhas ao vento
Belíssimos de se ler
Quando quem as vai varrer
Não é a gente
O mais belo aforismo
Soneto, sextilha ou canção
Às vezes é aquele que diz
De forma simples e direta
Mesmo que para isso
Use palavras desconhecidas
Mas, mesmo assim, no fim
Todo mundo compreende
Que tudo aquilo que não ensina o amor
Com a dor a gente aprende.

Inserida por edsonricardopaiva

De repente o vento
vem bater à tua porta
é que a vida te trouxe o convite
a vivê-la enquanto ela existe
da melhor maneira que for capaz
a escolha é toda sua
O que você não fizer
a vida faz
Coloque no teu coração
o maior amor que lhe couber
Se você não o tiver
a vida traz
Conhecimentos serão necessários
pra que você não precise
consultar o calendário
Tempo e vida são somente
aquilo que trazes na mente
o medo de não saber
é algo que não te cabe
aquilo que não souber
a vida sabe.

Inserida por edsonricardopaiva

Se sinto saudades na vida?
Claro que eu sinto
Sinto saudades da minha infância
das casas onde morei
das ruas onde brincava
dos amigos que não vi mais
tenho saudade até
de algumas pretensas namoradas
Mesmo que por elas
eu não sinta mais nada
além do desejo de que sejam felizes
nos caminhos escolhidos
Assim como estou feliz
Com que eu escolhi e me escolheu
Tenho saudade
daquele que um dia eu fui
Saudade da ingenuidade
Saudade da confiança que sentia
em gente que não merecia
Saudade das pessoas
Que eu havia idealizado
E que com o tempo
descobri que eram outras
Sim
Eu sinto saudade das coisas
Nas quais eu acreditava
Sinto saudades até
dos fantasmas que me assombravam
e que hoje eu reconheço
Que não me fizeram mal
Não sinto saudades apenas
das coisas das quais me esqueci
Mas eu não vivi à tôa
ou minha memória é muito boa
ou é amor demais no coração
sinto saudades dos meus irmãos
de todos eles, sem exceção
Sinto saudades dos professores
das escolas e até
das passagens pela Diretoria
saudades dos inspetores:
A Dalva e o Seu Osvaldo
que corrigiam o menino que eu era
Queria abraçá-los hoje em dia
Sinto saudades dos primos
das tias, dos amigos, dos avós
Que amaram todos nós
talvez de maneira igual
Quem vai saber?
Se não foi, também não faz mal
Eu sinto saudade da vida
E de tudo que eu vivi
Mas não gostaria de viver
novamente a mesma vida
Passou
Foi muito bom e sou grato
Faria tudo de novo
mas desta vez faria melhor
se tivesse que fazer
Mas o passado Deus não muda
Só não sinto saudade de Deus
Pois Ele estava lá, naquele tempo
E ainda está aqui agora
Guiando meus pensamentos
E fazendo carinho com o vento
que entra pela janela
Enquanto eu escrevo estes versos
Meu "muito obrigado" a todos
Que passaram
Agradeço a Deus por ter ficado
Eu tive uma vida bela
da qual vou sentir saudades

Inserida por edsonricardopaiva

O que mais me impressiona
É perceber que nesta vida
Nada mais me pode impressionar
Deixei meu viver de lado
Parei de sonhar acordado
Eu, que tanto quis saber
Agora acho tudo assim...
Sem graça
As emoções me abandonaram
Eu não sinto mais falta de nada
Coração oco
Alma vazia
Não entendo como foi que um dia
Eu pude gostar da vida
E querer bem a este mundo
Que me esqueceu
Assim
Pra mim tanto faz
Por favor, vida
coisa abandonada
Me esqueça no meio da estrada
me deixe sumir em paz

Inserida por edsonricardopaiva

O início e o fim
entre eles
um intervalo chamado vida,
simples assim:
Espinho e aroma na mesma rosa
o amor e o desamor na mesma casa
a saudade sentida
e a palavra Adeus da mesma mente saída
o fim e o começo
tudo que há de bom
carregando em si mesmo
todo mal que já existiu
Encontrados no mesmo endereço
Quem despreza o lado bom
E se vende pro mundo
Em troca de curta emoção
Não vale seu preço
Eu não quero ver nunca mais
tudo aquilo que foi visto
ao mesmo tempo ninguém viu

Inserida por edsonricardopaiva