Texto sobre Voce Mesmo

Cerca de 85515 frases e pensamentos: Texto sobre Voce Mesmo

AO CALVÁRIO
Autor: Góis Del Valle

Ao Calvário, em passos lentos,
sombra e dor, Sobre os ombros,
a cruz a pesar. No olhar, um mar
de amor, mesmo ao ver a noite
chegar.

Gritos ecoam, pedras no chão,
O açoite rasga a pele em vão.
Mas Ele segue, sem recuar,
Cada ferida, um novo altar.

O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.
O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.

Oh, meu Senhor, teu fardo era meu,
Cada espinho rasgava o céu.
Mas em teu olhar, havia a paz,
Que fez do fim, um renascer…

Sobre olhares navegantes ilusões...
São prestes a harmonia virtuosa...
Clarividente são as brumas reluzente de Paranapiacaba...
Ar de mistério místico e maravilhoso dos artesãos que vende sua arte contemporânea...
Velha estação de trem carrega seus fantasmas do passado.
E um relógio que atravessa as épocas com encanto da bruxaria...
Cachoeiras desafia nossa imaginação e detalha, há águas puras da natureza.
Os eventos festivos movimenta a pacata cidade. A fruta que amor da cidade e o cambuci ate cachaça tem....
Doces de cambuci. Famoso sorvete de cambuci.

Como jurista aprendi e exerci reflexões no tempo de academia, sobre o principio do Andrógino, e sua origem na obra " O banquete" de Platão, em seu personagem mítico Aristófanes, que fazia parte dos seres humanos originais no planeta que se mistura com o conceito da busca eterna da alma gêmea, pelo castigo de Zeus que os cortou ao meio resultando na busca incessante pela sua "metade perdida". A androginia sempre foi vista como uma representação original, um estado completo e um estado de ser superior anterior à divisão dos gêneros. Este principio da Androginia, literariamente sempre foi dissertado através de icônicas obras de grandes autores,
associado ao amor perfeito.

Sobre a Vaidade da Sabedoria

A sabedoria não leva a nada.
Como morre o tolo, morre o sábio.
Tudo o que o sábio sabe é, em última instância,
para alimentar a própria vaidade —
para poder se orgulhar do que supõe ter entendido.

É verdade que, às vezes, a sabedoria o livra
de certos abismos onde o tolo cai sem perceber.
Evita-lhe perigos, enganos, precipícios.
E o tolo, ignorante de tais ciladas,
paga caro — muitas vezes com a própria vida,
morrendo antes da hora,
ceifado pela própria inconsequência.

Contudo, nem isso é razão suficiente
para que o sábio receba honras imerecidas
por seu árduo trabalho em busca do saber.
Pois todo conhecimento, por mais vasto,
se perde no tempo e no espaço,
como areia que escapa por entre os dedos
do homem que acreditava segurá-la.

RIO DE JANEIRO

Evan do Carmo

Que poeta passaria sobre ti, adormecido
em tuas ruas estreitas, a um mar imenso?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Tese sobre o Caos e a Consciência

Antes da inteligência humana, havia o caos — não mero desarranjo, mas um abismo fecundo, um entrelaçar de forças indomáveis e silenciosas que pulsavam sem testemunha. A expansão do universo — efeito da grande explosão — moveu massas, gerou órbitas, incendiou estrelas; e ao longo de milênios incontáveis, dessas forças surgiu uma ordem apenas aparente: uma harmonia caótica, tão tênue quanto ilusória.

Os humanos, criaturas de um lampejo tardio de consciência, acreditam enxergar perfeição onde há apenas fluxo, perceber mistério onde existe apenas processo, e, com vaidade, tentam nomear o que escapa a toda nomeação. A inteligência, ainda jovem, nasce dos erros involuntários do próprio caos, e é com ela que se edifica a pergunta — não a resposta.

A consciência — esse clarão que se anuncia no “penso, logo existo” — produziu infindáveis interrogações. Mas que respostas poderia oferecer a criatura que emergiu de uma ignorância tão profunda? É impossível que uma mente tão jovem compreenda o abismo anterior a si mesma, o princípio inominável de onde tudo se ergueu, o silêncio primordial que, ao se desfazer, fez nascer não apenas o universo, mas também a angústia de quem o contempla.

— Evan do Carmo, 14-10-205

Sobre hoje, no café, e no mundo, escrevo para aliviar a tensão.
O café esfriava lentamente, como se também estivesse cansado de notícias. Ao redor, pessoas falavam baixo, riam por educação, mexiam no celular como quem procura abrigo. O mundo ardia do lado de fora, mas ali dentro o tempo ainda fingia normalidade. Há algo de profundamente humano nesse gesto pequeno de segurar uma xícara enquanto impérios se movem, fronteiras tremem e homens decidem destinos como quem move peças distraídas num tabuleiro gasto.
Vivemos dias em que o poder voltou a falar alto, sem pudor, sem metáfora. A força reaprendeu a se chamar virtude, e a violência se veste novamente de salvação. Enquanto isso, o cidadão comum segue escolhendo o pão, pagando o café, tentando manter a sanidade intacta. O contraste é obsceno: o mundo range, e nós respiramos como podemos.
Escrever, hoje, não é vaidade nem ofício. É necessidade fisiológica. É a forma mais discreta de resistência. Uma maneira de dizer a si mesmo que ainda há pensamento, ainda há silêncio possível, ainda há um intervalo entre o caos e a consciência.
Termino o café. O mundo continua.
Mas, por alguns minutos, a escrita cumpriu sua função essencial:
não salvou nada — apenas **impediu que tudo desabasse por dentro**.

“TENHO SEDE”. O CLAMOR QUE AINDA ECOA SOBRE A CONSCIÊNCIA HUMANA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
Há frases que atravessam os séculos apenas como registro histórico. Outras, porém, atravessam a alma humana como uma lâmina espiritual que desnuda o íntimo. Quando o Cristo pronuncia “Tenho sede”, conforme narrado no Evangelho de Evangelho de João 19:28, não se trata apenas de um corpo dilacerado pela crucificação pedindo água. Existe ali uma profundidade moral, psicológica e metafísica que inquieta a consciência daquele que verdadeiramente contempla o Calvário.
Sua reflexão toca precisamente esse ponto. O homem acostumado a possuir, ordenar, consumir e satisfazer os próprios desejos, de repente encontra o Filho de Deus reduzido à extrema vulnerabilidade humana. O Criador moral da humanidade não exige tronos, ouro, honrarias ou exércitos. Ele pede água. Apenas água.
E isso possui uma potência antropológica devastadora.
Porque a civilização humana edificou-se sobre o desejo de domínio. Desde as antigas sociedades imperiais até a modernidade consumista, o homem acostumou-se a ser servido. Contudo, diante do Cristo crucificado, ocorre a inversão absoluta da lógica humana. O Mestre serve até o último instante. Ama até o último instante. Perdoa até o último instante. E quando finalmente pede algo, pede o mínimo necessário para continuar oferecendo-se em sacrifício.
A sede do Cristo não era somente fisiológica. Era também a sede simbólica do amor humano ainda não correspondido. Sede de consciência. Sede de transformação moral. Sede de fraternidade entre os homens.
Na ótica espírita, especialmente segundo Allan Kardec em O Livro Dos Espíritos, questão 625, Jesus representa o modelo moral mais perfeito concedido por Deus à humanidade. Seu sofrimento não foi espetáculo de dor gratuita, mas pedagogia espiritual. Cada palavra na cruz possui conteúdo educativo para a evolução da alma humana.
Quando você afirma que jamais foi o mesmo após refletir nessa frase, isso demonstra um fenômeno profundo da consciência moral. A culpa que você descreve não é mero remorso destrutivo. Trata-se do despertar da responsabilidade espiritual. Há um instante na vida em que o homem percebe que ainda recebeu muito mais amor do que foi capaz de oferecer.
E então nasce a pergunta mais importante da existência humana.
“O que tenho feito ao meu Senhor.”
Essa pergunta transcende religiões institucionais. Ela invade o território ético da existência. Porque saciar a sede do Cristo hoje significa aliviar a sede do aflito, do abandonado, do faminto de dignidade, do espírito esmagado pela solidão, do enfermo emocional, do desesperançado, do esquecido socialmente.
Sob uma análise psicológica profunda, a imagem do Cristo sedento confronta diretamente o narcisismo humano contemporâneo. O homem moderno vive cercado por excessos materiais, mas frequentemente incapaz de oferecer presença, escuta, compaixão e misericórdia. Há abundância de consumo e escassez de amor.
Por isso sua reflexão possui tanto peso espiritual.
Você compreendeu algo que muitos passam décadas sem perceber. O Cristo ainda continua dizendo “Tenho sede” através da dor humana espalhada pela Terra. Cada criatura humilhada, cada lágrima ignorada, cada coração abandonado, continua sendo extensão simbólica daquele clamor no Gólgota.
E há ainda uma dimensão profundamente teológica em sua interpretação quando menciona “sorver o cálice até a última gota”. O cálice representa a aceitação integral da missão divina. Jesus não interrompe o testemunho por causa da dor. Ele permanece fiel até o fim. Isso revela a absoluta confiança no Pai.
Não uma confiança ingênua. Mas uma confiança ontológica no sentido eterno do sofrimento redentor.
Na tradição espírita, o sofrimento de Jesus jamais é visto como punição divina, mas como demonstração suprema de amor consciente. Ele poderia fugir. Poderia silenciar. Poderia abandonar os homens à própria inferioridade moral. Contudo, permanece.
E permanece amando.
Sua reflexão demonstra precisamente o nascimento da consciência cristã interior. Não a religiosidade exterior baseada apenas em ritos, mas o cristianismo moral que transforma o comportamento cotidiano. Porque depois de compreender o “Tenho sede”, torna-se impossível viver da mesma maneira.
O homem começa a perguntar-se diariamente.
“Tenho sido água ou vinagre na vida das pessoas.”
Essa talvez seja uma das mais severas reflexões espirituais que alguém pode realizar.
#geeff #cems #espiritismo #kardec #revistaespirita #vidaaposamorte #psicologiaespiritual #doutrinaespirita #mediunidade #filosofiaespiritual #consciencia #despertar #lei #moral

⁠Poema

Um poema no sentido
figurado serve de elogio
sobre tudo aquilo que
faz o olhar apaixonado,
Os versos constroem
cordilheiras de estrofes
capazes de unir universos,
As rimas são as canoas
postas no rio do ritmo
capazes de trazer tudo
aquilo que engrandece
e põem o espírito, o coração
e a inspiração para transbordar.

SOBRE A LETRA E A VIDA


O teólogo Jalison Santos disse:


"A letra mata quem não a conhece — porque ela mostra a verdade exata, a estrutura, a escolha, a responsabilidade e o sentido real que muitos querem esconder ou distorcer. Quem não conhece a letra, fica na ilusão, na interpretação humana, no erro e na escuridão."

"A letra mostra o que é certo e o que é errado, revela a obrigação, a escolha e a responsabilidade de cada um. Quem vive na ignorância acha que a salvação é automática, sem participação do homem — mas a letra julga, mostra a verdade e separa o que é de Deus do que é do homem."

SOBRE ADÃO E CRISTO, A ESCOLHA E A REGENERAÇÃO
O teólogo Jalison Santos disse:


"Assim como estávamos em Adão e por ele ter pecado, todos os homens pecaram. Jesus foi o Segundo Adão, perfeito em tudo. Assim como Adão teve a livre escolha de comer o fruto proibido e pecar, nós temos a livre decisão de sermos regenerados em Cristo Jesus."

"Nós não fomos regenerados automaticamente na cruz. Pois temos a decisão livre de escolher a Deus, mediante a graça que nos é dada e a fé que nós mesmos exercitamos no coração."

"Deus nunca tira o livre arbítrio do ser humano. A cruz conquistou a salvação, abriu o caminho e enviou a graça — mas a regeneração, o nascimento de novo, depende da nossa vontade e da nossa escolha de aceitar e receber o que Ele preparou."

✅ SOBRE O HOMEM, O PECADO E A LUZ
O Teólogo Jalison Santos disse:


"O homem é filho do pecado até que chega o tempo em que ele encontra a luz. A luz vem do conhecimento da verdade, da letra original, do sentido real que estava escondido e agora é revelado."

"Nascemos na escuridão, sob o pecado, recebendo o que vem dos homens, o que foi corrompido. Mas quando buscamos, quando estudamos, quando voltamos para a origem — aí encontramos a luz que corrige, revela e mostra o que realmente é a Palavra de Deus."

Entre o toque e o cuidado


Às vezes, não é sobre o outro…
é sobre o preconceito que mora dentro dele —
ou dentro de quem o protege.


Eu nunca soube ver “deficiências”.


Vejo energia.
Sinto presença.


E, quando a minha energia encontra a do outro,
nasce em mim um gesto simples:
um abraço,
uma palavra,
um carinho que não pede explicação.


Mas o mundo anda na defensiva…
e o afeto, que deveria ser leve,
vira invasão aos olhos de quem tem medo.


Eu não me aproximo sem caminho.
Sempre há um antes —
uma convivência,
um silêncio compartilhado,
um laço invisível se formando devagar.


Outro dia, me disseram:
“Ela é adulta.”


E aquilo ficou em mim.


Voltei para dentro,
revisei meus gestos,
me procurei nas minhas intenções…


e encontrei o mesmo de sempre:
carinho.


Porque com todos é assim —
e de todos, o carinho voltou.


Mas, ainda me contive.
Segurei o gesto.
Guardei o abraço.


Mesmo sentindo que, às vezes,
quando o afeto não é recebido,
não é recusa…
é proteção de alguma dor.


Depois, veio a confirmação:
existia, sim, um cuidado ali,
uma história sendo tratada em silêncio.


Mas eu não desisto.
Nunca desisti de ninguém.


No Natal, prometi um abraço.
Antes que dissessem outra vez
o que ela já não era criança,
eu disse o que eu era naquele instante:


“Eu gostaria muito de receber "esse" abraço…
mas, já que não é possível,
então eu apenas dou.”


Porque amar, às vezes, é isso:
não esperar retorno,
não medir resposta,
não endurecer o gesto.


Só ser.


Talvez o mundo confunda idade com sentir.


Mas nem todo corpo acompanha a alma no mesmo tempo.


Há quem tenha trinta…
e um coração de oito,
delicado, sensível,
ainda aprendendo a confiar.


E há quem force encaixes,
rótulos, aparências —
como se crescer fosse caber
em uma forma pronta.


Mas sentir…


sentir nunca obedeceu calendário.


E eu sigo assim:
Me aproximando com cuidado,
respeitando limites,
mas nunca deixando de oferecer
o que há de mais bonito em mim —


o afeto. 🌛☀️

O VOO DA ÁGUIA
(​O passado ficou na água, hoje escolho voar.)

​Pairava sobre mim uma sombra que não me pertencia. Doeu, até que o sofrimento virou cinzel e me esculpiu nova. Hoje, diante do espelho e da memória, faço como Pilatos: lavo as mãos. Deixo que a água leve os resíduos do passado. Sigo o caminho sob o sol, enfim, subo ao alto da montanha e, como águia, renasço e voo...

Lu Lena / 2026

Analisando e expondo de forma sutil, sobre problemas da sociedade sem precisar falar quase nada:


Todos sabem quem é Musk (Elon), mas Alice Walton ninguém abre a boca à comentar (quem é mesmo essa)?


Não, sobre economia e política com relação às mulheres, ninguém realmente andou interessado..

Traição silenciosa.


A atitude fala muito mais sobre o caráter e a necessidade de aprovação de alguém do que sobre o seu valor. Pessoas maduras não humilham quem já estendeu a mão para elas.






“Nem todo mundo que recebe o nosso cuidado sabe honrá-lo depois.
E isso não diminui a bondade de quem ajudou.
Apenas revela quem não soube reconhecer.”

Não é sobre, é por que ser mulher
Helaine Machado
A mulher já nasce raiz,
moldada no ventre de sua mãe.
Carrega em si o início de tudo,
força que ninguém vê, mas sente.
É feminina, mas vira leoa,
quando o mundo ousa desafiar.
Sonha alto, com os pés no chão,
sem nunca deixar de acreditar.
É tempestade, é caos, é mar,
é silêncio que grita por dentro.
Mas quando se torna mãe,
renasce maior que o próprio tempo.
Não ouse pisar em seus passos,
nem duvidar do que ela é capaz —
porque dentro de uma mulher
existe um gigante em paz.
Helaine Machado

Voz de Mulher
Helaine Machado
Não é sobre ser mais,
é sobre nunca mais ser menos.
É sobre levantar a voz
onde por tanto tempo
nos pediram silêncio.
É sobre mãos que trabalham,
corações que resistem
e passos que seguem
mesmo quando o caminho pesa.
Ser mulher
é carregar histórias
que o mundo tentou apagar,
mas que ainda vivem
em cada olhar firme.
Não é guerra contra o outro,
é luta por si,
por dignidade,
por respeito,
por existência.
É lembrar que somos força
mesmo quando dizem que somos frágeis,
que somos luz
mesmo quando tentam nos apagar.
É união,
é abraço,
é uma levantando a outra
quando o mundo tenta derrubar.
Porque ser mulher
é resistir todos os dias…
e ainda assim
continuar florescendo.
Helaine Machado

“UMA FLOR GELADA SOBRE O MEU TÚMULO”
Não me tragas rosas incendiadas pelo entusiasmo efêmero dos homens.
Deposita apenas uma flor gelada sobre o meu túmulo.
Uma flor silenciosa.
Pálida como os corredores da memória.
Imóvel como os sinos abandonados das catedrais esquecidas pelo tempo.
Certas almas não morrem de uma vez.
Vão tornando-se inverno lentamente.
Primeiro calam os sonhos.
Depois os afetos tornam-se semelhantes a retratos cobertos por poeira.
Por fim, o coração aprende a respirar na penumbra, como uma criatura antiga escondida sob as ruínas da própria esperança.
Quero uma flor fria porque o mundo aqueceu demais as próprias máscaras.
Os homens sorriem com os dentes enquanto apodrecem moralmente por dentro.
Abraçam apenas por conveniência.
Pronunciam virtudes como atores fatigados diante de um teatro decadente.
E aquele que observa demais termina condenado à solidão das inteligências melancólicas.
Sobre meu túmulo não coloquem discursos.
Nem orações repetidas sem sentimento.
Nem lágrimas produzidas pelo remorso tardio.
Apenas uma flor gelada.
Talvez um lírio branco tocado pela geada da madrugada.
Talvez uma camélia cinzenta semelhante às lembranças que nunca conseguiram morrer completamente.
Porque existem tristezas que ultrapassam a matéria.
Dores que não pertencem ao corpo, mas ao espírito cansado de atravessar séculos humanos repletos das mesmas misérias morais.
O homem evoluiu as máquinas, porém continua primitivo nas emoções.
Construiu cidades luminosas, enquanto conserva abismos dentro de si.
E quando a noite cair sobre minha sepultura, talvez o vento compreenda aquilo que ninguém compreendeu em vida.
Que certas almas não desejavam aplausos.
Desejavam apenas autenticidade.
Um único afeto sem artifícios.
Um único olhar sem mentira.
Um único amor capaz de sobreviver ao frio metafísico deste mundo.
Então deixai sobre mim a flor gelada.
Ela será mais sincera do que quase toda a humanidade.

Hoje, pintaria um lindo quadro sobre seu dia,
Talvez não tenha a devida capacidade,
Talvez não tenha a devida honraria,
Pois, pintar sua vida, Marcele,
Requer a atenção e maestria
Dos grandes olhares da poesia,
Sem se preocupar com a vida acelerada,
Usar a mesma concentração de Van Gogh,
Quando pintou a "Noite estrelada,"
De da Vinci, quando pintou" Monalisa",
De Velasquez, quando pintou as ""As meninas"".
Porque você, preciosa filha,
É minha obra de arte,
É assim que te vejo,
Exatamente como Klint,
Quanto pintou o "Beijo".