Texto sobre Voce Mesmo
"Sobre os mesmo rastros dos pés que o mar levou, reconheço um pouco de mim que aqui ficou" Trancoso
"Os filósofos não dizem nada que eu não possa dizer" Amores Imperfeitos
"Andar nas constelações esquecidas, pensar nos perdidos amores tão errantes quanto ele, sem sinal de redenção" Um Homem Solitário
"Tudo bem, dissipação de vez em quando é bom. Misturar o brasileiro com alemão" Pacato Cidadão
"Um dia ela já vai achar o cara que lhe queira, como você não quis fazer" Acima do Sol
"Eu moro no palácio e cuido de suas flores. Não é ofício fácil como pensam os senhores" Escravo
que nosso maos prevaleça estendida para o proximo erguida para os ceus,
mesmo passando sobre os tempos fortes,
sobrevivemos as tempestades vastas,
que dirigia sua vida para as mortes
mas parecida com um deserto,
caminhei sereno soloneto sempre pelo
vale da escuridao
como se deduzia a maioria sobre a invastidao
que persegue enduzia
louco e aquele que sobresaia lento
as vezes pela maresia
acrescento em seu lugar /
sua postura se afirmar
longe da fissura que o condena
lentamente sua alma envenena
se ligue sua vida ha que digue
quando treme
si fiz so frigeme
atirando sobre os verme
quantos na calada
nao sao os que temem
Eu, sobre eu mesmo
Como falar de si próprio?
Sério, como falar de si próprio?
Eu sempre fui muito sonhador
Criativo e inspirador
Já quebrei a cara várias vezes
E me decepcionei com coisas de mais
Quando paro pra pensar sobre tudo isso
Sei que não posso voltar a atrás
Levantar é necessário, e ir atrás do que faz bem é a única escolha
Quando eu era pequeno, eu queria voar,
Mas por escolha dos roteiristas
Eu tropecei no infinito e comecei a me encontrar
Me encontrei em música
Me encontrei em na arte
Me encontrei em escutar
E me encontrei em atuar
A magia do cinema me encantou
Eu já chorei e sorri
Me encantei e me espandi
Fui convidado pelo destino a subir aos palcos
Com guitarra nas mãos
Ou com um personagem na alma
O teatro me adotou
E fora do tablado eu não sei quem sou
Quando as cortinas se abrem
E não exergam mais eu ali
É o único momento em que eu existo de verdade
Sei que ainda tenho muito a dizer
Mesmo não sabendo como
Na arte é onde me expresso
É onde me entrego
E onde eu morro
Quando tudo isso acabar, sei que terá sido um grande espetáculo.
Mundo perdido
Vivo em um mundo perdido
Onde ninguém quer saber sobre ninguém
E ao mesmo tempo se preocupam com alguém.
Vivo no mundo onde todos se preocupam,
Mas ninguém se preocupa com todos.
O sodomita só quer saber do sodomita,
O enfermo só quer saber do enfermo,
O homem só quer saber do homem,
A tribadia só quer saber da tribadia,
A mulher só quer saber da mulher,
O branco só quer saber do branco,
O pobre só quer saber do pobre,
O preto só quer saber do preto,
O rico só quer saber do rico,
Mas ninguém quer saber de ninguém.
Vivo em um mundo perdido
Onde o mim é mais importante que o tu
E onde o outro não tem vez.
Enquanto o Eu existir
E enquanto o outro não mais existir,
O mundo que vivo
Vai sempre ser perdido.
Vivo perdido em um mundo perdido,
Tentando me encaixar
Em algum lugar,
Mas nada posso encontrar,
Pois vivo em um mundo perdido.
A vida é mesmo estranha. Pior do que o comentário previsível da maioria sobre essa frase ser óbvia, é a constatação de que ela faz sentido na realidade mais limpa de imposições.
Você já quis algo que não sabia o que era? As vezes saudades de uma pessoa que se foi, ou de um sonho que se perdeu. Essas duas podem ser igualmente tristes, se o sonho for a única coisa que você tiver na vida.
Eu me reverso entre variados e excêntricos gostos e vontades, com pouco sentido ou sentido nenhum, milhões de sensações em doses curtas e longas, superficiais e profundas, - em uma explicação excessivamente limitada. Me incomoda o sentir demais, como se qualquer arranhadura fosse uma hemorragia que necessitasse de cirurgia, cada vento frio congelasse o corpo todo e me cremasse a qualquer fraco aquecer.
Mas o sentir demais não me intriga tanto quando a variação com que alterno entre os estados de espírito. Posso amar em demasia ou não expressar sequer reação de sentimento, e isso pode sim ser sincero. Quando já definimos, mesmo que confusos, escolhas que nos levam a diferentes caminhos, a pior decepção provavelmente acompanhe o primeiro amor, o inocente e a posterior perda mental da inocência. Se caso der sorte, tu pode fazer parte do percentual mínimo, aquele das pessoas que se casaram por algo maior que decisão inteligente.
Eu posso ser de direita e esquerda, conservador ou rebelde, encarar as tecnologias facilitadoras como evolução humana ou como razão de todos os problemas. As vezes quero abraçar todas as pessoas, em outras explodir o mundo inteiro. A louca sensação de querer resolver coisas que fogem de minhas capacidades em soluções drásticas e me mantenho apático aos meus verdadeiros problemas. Confio e desconfio em milésimos do tempo. Posso ser alegre e triste, ser taxado de termos modinhas, (aqueles que usam pra nos limitar); viajar entre os extremos e não demonstrar nenhum deles, ou mesmo expressar o que por dentro não existe, desenhar sobre o rosto formas que escondam o que não quero que vejam. As vezes gostaria de ser mais específico, é esquisito não poder me definir. Todas essas possibilidades que juntas formam milhares de outras me cansa o pensamento. Amo e odeio em simultâneo, e as vezes não encontro palavras pra descrever o que sinto. Me irrita explicar a raiva quando esta domina, ou mesmo a tristeza quando conceituá-la só a faz crescer. Talvez por isso correr do mundo em momentos assim continua sendo a melhor opção.
As pessoas nos perguntam, e não significa que queiram mesmo saber sua situação ou vai sentar de teu lado e ouvir teus problemas. A pergunta é algo incrível. Mesmo que não falemos nada, o silêncio é uma resposta livre de interpretações. Não se esconde tantos mistérios e segredos quanto em um ou mais segundos de silêncio em momentos ditos decisivos. Nossa aptidão em dar importância a palavras, sons, imagens, voz. A subjetividade do silêncio em suas reações parece parar o tempo, e só importa um sentido, todos os outros param ao seu momento.
Por aí já encontrei vários possíveis amores, muitos 'quases esquecidos' entre as poucas chances de deixarem o virtual. A distância é cruel em sua essência, torna possível a aproximação parcial, que resiste por algum tempo a ausência física até o encantamento do explorar o desconhecido diminui e torna tudo talvez tão igual antes, talvez ainda mais vazio, ou talvez até melhor, - parafraseando Exupéry.
Eu prossigo só, e ainda sem entender nada. Companhia é ilusão. Somos corpos solitários e sempre seremos, companhia é um estado, não uma condição. Se sujeita as mudanças do tempo, dependendo de outras pessoas pra sensações além do comum. Quanto dura esses momentos é o que define quanta motivação temos na vida. E tem gente que não tem nada, sozinho só. Esses sim viram de perto a face do abandono.
Me falta o ar, desaparecem as palavras, pensar consome, cansa, e pensar demais entristece. Sempre voltamos do caminho dos questionamentos com mais dúvidas do que fomos. Uma coisa aqui e ali resgata resquícios de forças, sorrisos, e eu posso não sorrir hoje, mas nenhum momento tem controle do tempo. Acontecem quando e quanto deveria. São tantos momentos vagando no ar, momentos bons tu procura, momentos ruins te acham.
Sobre o Peso Invisível Que Habita os Ombros Mesmo Quando o Mundo Sorri
Há um lugar dentro de mim
onde os passos não se repetem,
mas continuam a ecoar,
como se cada som fosse a lembrança
de algo que nunca aconteceu.
A solidão não chegou como tempestade,
nem como rajada de vento
foi se infiltrando
nas frestas mais estreitas
da minha rotina,
ocupando o ar sem pedir licença,
até que respirar e tê-la perto
se tornaram a mesma coisa.
No princípio, imaginei que fosse ausência,
um buraco a ser tapado
com conversas, música,
ou o simples ruído de outros corpos passando.
Mas havia nela
uma densidade particular,
uma matéria invisível
que parecia moldar o contorno
de tudo o que me cercava.
Aprendi que a solidão não é
o silêncio ao redor,
mas o peso dentro,
uma pedra colocada onde antes
morava o impulso de chamar alguém pelo nome.
Ela é paciente,
ensina que o mundo se move
sem precisar de testemunhas,
que a respiração pode ser
a única prova
de que ainda se existe.
Falar comigo mesmo
deixou de ser confissão
e se tornou um rito
um pacto que mantém
o frágil edifício da mente
de pé no meio da madrugada.
Alguns dias ela me prende,
como corda atada à cintura,
puxando para um fundo que não se vê.
Outros, se espalha
como luz pálida sobre campos vazios,
onde cada passo que já dei
parece ter sido apagado pelo vento.
E sem despedidas,
permanece:
invisível,
inseparável,
uma presença imóvel
que me habita
com a mesma intensidade
com que o sangue habita as veias.
Sobre tudo…
Donos de tudo, de tudo mesmo, mas, tudo esvai-se, devaneio e me volto, tudo, é sério.
Tudo desejo, tudo quero, tudo posso, tudo espero, tudo é meu, tudo encanto, tudo vou, tudo encerro, tudo corro, tudo é pressa, tudo ordeno, tudo erro.
Num mundo em que tudo é nada, lá vou eu pintando a minha estrada, não sei ao certo pra onde vou, não sei nada do que encontrarei, não sei, só sei que me perdir.
Não sei, realmente não sei como vim parar aqui, ah, eu lembro, eu me trouxe, mas, não sei quando e nem como. Aqui estou, será que é sonho, uma quimera, é muito raro, muita miséria.
Um preço pago por linhas tortas, eu escrevi e Deus se importa, quer corrigir e eu proíbo, quer me unir, só eu consigo, assim pensando vou me perdendo de hora em hora, mais me prendendo, a um caos tamanho, um cais vazio, barcos partiram, ninguém me viu.
Puxo as correntes, nunca termina, a minha âncora enferrujou, olho pro lado, mais preso estou, ainda uma corda num cais me amarra, minha tristeza não se compara. Mas, me recordo, não sei, nunca naveguei, que barco é esse, eu enlouqueço, apenas eu.
Eu, aliás, quando sobre filosofia digo eu mesmo algumas palavras ou as ouço de outro, afora o proveito que creio tirar, alegro-me ao extremo; quando, porém, se trata de outros assuntos, sobretudo dos vossos, de homens ricos e negociantes, a mim mesmo me irrito e de vós me apiedo, os meus companheiros, que pensais fazer algo quando nada fazeis. Talvez também vós me considereis infeliz, e creio que é verdade o que presumis; eu, todavia, quanto a vós, não presumo, mas bem sei.
(Em "O Banquete")
"Ter paz consigo mesmo é o alicerce sobre o qual se constrói a resiliência, a força interior que nos permite enfrentar os desafios mais árduos. É o silêncio que precede a tempestade, o refúgio seguro onde podemos nos recolher e recarregar nossas energias. Quando estamos em harmonia com nossos pensamentos, emoções e valores, somos capazes de enfrentar as adversidades com serenidade e determinação.
A paz interior não é a ausência de conflitos ou dificuldades, mas sim a capacidade de lidar com eles de forma saudável e construtiva. É a aceitação de que a vida é um ciclo de altos e baixos, e que cada desafio é uma oportunidade para crescer e aprender.
Quando temos paz consigo mesmo, somos capazes de:
- Enfrentar os medos e inseguranças com coragem e confiança
- Manter a clareza e a objetividade em momentos de crise
- Cultivar a empatia e a compaixão por si mesmo e pelos outros
- Desenvolver a resiliência e a capacidade de se adaptar às mudanças
- Encontrar o propósito e o significado em nossas vidas
Portanto, ter paz consigo mesmo é o princípio fundamental para construir uma vida plena, feliz e realizada. É o ponto de partida para enfrentar os desafios com confiança, coragem e determinação, e para viver uma vida que reflita nossos valores e objetivos mais profundos."
Sobre fibromialgia!
Mesmo nos dias em que tudo parece mais difícil, é a sua força interior que se destaca. Você enfrenta uma batalha invisível, dia após dia, sem abaixar a cabeça.
A dor tenta te limitar, mas você segue em frente, adaptando-se, reinventando-se, lutando silenciosamente com uma coragem que poucos enxergam.
O que realmente te define não é o diagnóstico, mas a forma como você escolhe viver apesar dele — com resiliência, bravura e uma vontade incansável de continuar.
"A fibromialgia não define quem você é. Sua resiliência, coragem e determinação é que definem."
fibroInspiração FibroSuperação 💜
“Tudo e Nada”
Ao mesmo tempo em que achamos ter domínio — sobre bens, pessoas ou até sobre nós mesmos — a vida sopra o contrário.
Se é seu, cuide.
Se pode, faça.
Se domina, não se preocupe.
Mas lembre-se: existem muitos tipos de força e poder, e o verdadeiro desafio é saber onde e quando usá-los.
Acreditar que temos poder absoluto sobre tudo é perda de tempo.
Quando pensamos saber demais, é aí que ainda não aprendemos nada.
O tudo e o nada caminham juntos nas escolhas que fazemos.
Você pode imaginar que tem total controle sobre si,
mas o que realmente possui são responsabilidades.
Com o tempo, isso fica claro.
A sabedoria vem quando entendemos que o maior tesouro é a felicidade —
a única que tem valor real e dá sentido à vida.
E você saberá que a encontrou
quando perceber que aquele vazio antigo já não existe mais.
Vivemos confusões, dores e quedas…
mas tudo passa.
E aqui está você: de pé, diferente, mais consciente.
Não crie expectativas sobre pessoas, coisas ou situações.
Apenas viva o que precisa ser vivido,
faça o que precisa ser feito — hoje, sempre.
Não subestime ninguém,
mas também não supervalorize.
Dê a cada pessoa o valor que suas atitudes mostram.
E não seja bajulador: isso não leva a lugar algum.
Seja prudente, mesmo quando a dúvida tentar assombrar a alma.
A vida é boa e maravilhosa quando entendemos sua importância.
Alegria, felicidade e amor são parte da existência —
e isso sim pode ser seu, meu, de qualquer pessoa que compreenda essa verdade.
Porque vem da alma, do espírito, do coração.
Asas do Mesmo Pássaro
Esquerda e direita: asas do mesmo pássaro voraz, que voa alto sobre o rebanho adormecido. Elas batem em uníssono, fingindo oposição, enquanto o bico ceifa as liberdades que prometem defender. Os acéfalos, massa de manobra cega, agitam bandeiras opostas como se batalhassem por destinos distintos, mas servem ao mesmo voo predatório, manipulados por narrativas que os mantêm no chão, pisoteando uns aos outros em nome de ídolos vazios. Enquanto isso, desperta quem vê a gaiola: o multilateralismo, essa teia de tratados e cúpulas que escraviza nações soberanas a elites invisíveis. Esses visionários, que ousam questionar o consenso globalizado, são tachados de antidemocráticos, marginais, conspiracionistas. Silenciados por algoritmos, censurados em púlpitos digitais, exilados do debate público. O pássaro, incomodado, bica
os que ameaçam revelar suas penas sujas de ouro e poder. Mas o voo cessa quando as asas se rebelam contra o corpo e o rebanho, enfim, ergue os olhos para o céu.
Um olhar para dentro.
Aprendo muito sobre mim mesmo, quando observo o outro. Nesta observação não há nenhum juízo formado nem qualquer tipo de preconceito. Contudo, quanto mais observo mais gosto do eu que me governa. Posso viver só? Claro que sim, tenho-me, e, porque me sou, basto-me ! Há uma multitude de coisas que me fazem sobejar a mim mesmo.
A CALIGRAFIA DO ESQUECIMENTO
Sobre nós, nem mesmo a minha sombra que rasteja no chão sabe os versos que contávamos para o silêncio; e nem mesmo os lugares que guardamos na memória carregam lembranças sobre nós.
Um dia fomos presença em nosso pequeno instante, e fomos o próprio presente do instante. E, mesmo que eterno, o tempo leva tudo ao esquecimento.
Somos dois abismos no profundo de nossas memórias, memórias perdidas entre o real e as imaginações. Se um dia fui o herói nas tuas lendas ou o vilão na sombra das tuas lembranças, tudo o que posso esperar é a ausência de nunca saber.
Sou a sobreposição da verdade que jamais compartilharemos. Em nossos pensamentos, os versos que contávamos se vão em direção ao esquecimento — a caligrafia apagando o que um dia fomos.
Então, o último conto, um eco que retorna ao silêncio; e assim, restando em nós apenas a lenda, a verdade que jamais saberemos um do outro.
Fúria! Todos procuram defeitos para atirar pedras sobre mim, mas nem mesmo me procuram para saber sobre mim!
Acaso és perfeito, oh, julgador? Por que não crucifica a si mesmo? Pois apenas olhas a trave dos mais fracos, impiedoso!
Dizes tu que queres ajudar-me com críticas que ferem como espadas de dois gumes? Portanto, eu te afirmo: Médico, cura-te a ti mesmo!!
Um olhar, sobre o mesmo
Ponto.
Havia ali um interesse em se conhecer.
Uma conversa agradável, poesias, as vidas sendo contadas. A cada dia, a proximidade era maior, como se caminhassem na mesma direção.
Mesmo ao longe, caminhavam de mãos dadas, tinham gostos parecidos. Em determinados momentos a mesma sensibilidade emocional .
Mas, por algum motivo algo aconteceu, na primeira curva que surgiu, ela virou o volante do coração, mudou a direção, o curso da história, .
Os dias se foram, os ventos mudaram, então ela ressurgi, mais disposta, determinada, finalmente decidida.
Porém, dentro dele mudou, apesar de ter continuado na mesma estrada, seguiu, abasteceu se de vida nova.
Lá foi ele buscar o que se encontra atrás da linha do Horizonte.
Porque viver não é sobre nunca cair,
é sobre aprender a continuar…
mesmo quando a gente não entende o porquê. No fim, cada um de nós está lutando uma batalha silenciosa.
E talvez a maior dificuldade que todos temos seja fingir que está tudo bem,
quando, no fundo, a gente só queria um pouco de paz.
Tudo bem...
DeBrunoParaCarla
Cada ser humano habita um mundo diferente, mesmo caminhando sobre a mesma terra.
Há aqueles que enxergam apenas a superfície das coisas: o que podem tocar, possuir, controlar. Outros percebem camadas invisíveis símbolos, padrões, energia, intenção. E existem os que atravessam o véu e compreendem que a realidade externa é apenas reflexo do estado interno da consciência.
Ninguém vê o mundo como ele é. Vê como consegue.
A consciência de cada indivíduo determina o tamanho da sua prisão… ou da sua liberdade.
Por isso, impor uma verdade ao outro é, muitas vezes, apenas a manifestação do próprio ego disfarçado de razão. É acreditar que a própria experiência limitada define a totalidade da existência. É querer transformar percepção em lei universal.
O inconsciente sempre tenta converter.
O consciente apenas observa.
Não buscar seguidores cegos, mas seres capazes de iluminar a si mesmos. Porque luz não é concordância. Luz é percepção.
Cada pessoa desperta no tempo que suporta despertar.
Alguns ainda precisam da ilusão para continuar existindo.
Outros já não conseguem mais dormir diante da verdade que sentiram dentro de si.
Sabedoria não é convencer.
É compreender que cada mente interpreta a realidade conforme seus medos, desejos, traumas e limites internos.
A verdadeira expansão da consciência começa quando o indivíduo abandona a necessidade de estar certo… e passa a buscar apenas enxergar além.
AS FLORES NASCEM MESMO SOBRE OS SEPULCROS.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Há dores que chegam silenciosamente.
Não quebram portas.
Não anunciam despedidas.
Apenas entram.
Sentam-se dentro do peito.
E começam a transformar a alma em um inverno sem aurora.
Foi assim com certas perdas.
Primeiro veio o vazio.
Depois o eco das lembranças.
Depois aquela sensação insuportável de caminhar entre pessoas enquanto uma parte inteira do espírito permanecia enterrada em algum ontem inalcançável.
Existem lágrimas que nunca descem pelos olhos.
Elas descem pela existência.
Transformam o modo de olhar o céu.
O modo de ouvir músicas.
O modo de tocar objetos antigos.
O modo de suportar a própria noite.
E durante muito tempo pensamos que jamais iremos sobreviver à ausência.
Porque há pessoas que se tornam estruturas internas.
Elas não ocupam somente espaço em nossa vida.
Elas sustentam partes inteiras de nossa sensibilidade.
Quando partem, o mundo perde equilíbrio.
As manhãs tornam-se pálidas.
As madrugadas parecem corredores infinitos.
E o coração passa a respirar como uma casa abandonada coberta de poeira e memórias.
Mas existe algo que a própria dor ensina lentamente.
Nenhum amor verdadeiro desaparece completamente.
Ele muda de forma.
Aquilo que antes era abraço torna-se lembrança.
Aquilo que antes era voz torna-se presença invisível.
Aquilo que antes era convivência transforma-se em permanência espiritual dentro da consciência.
E então compreendemos algo profundamente humano.
As pessoas que amamos não vivem apenas ao nosso lado.
Vivem dentro daquilo que nos tornamos depois delas.
Há uma espécie de eternidade escondida no afeto sincero.
Por isso algumas lembranças doem tanto.
Porque ainda possuem vida.
Contudo, até os jardins devastados pela tempestade conhecem novamente a primavera.
Mesmo depois do luto.
Mesmo depois das noites insones.
Mesmo depois das despedidas que pareciam destruir completamente a alma.
A esperança retorna devagar.
Não como euforia.
Não como esquecimento.
Mas como uma pequena luz humilde atravessando as frestas da escuridão.
E um dia percebemos que já conseguimos olhar o céu sem chorar imediatamente.
Conseguimos ouvir aquela música sem desmoronar por inteiro.
Conseguimos recordar sem morrer junto da lembrança.
A cicatriz permanece.
Mas já não sangra da mesma maneira.
Porque o tempo não apaga o amor.
Ele apenas ensina o coração a carregar a saudade sem transformar-se em sepultura.
E talvez seja esta a maior dignidade da alma humana.
Continuar amando.
Mesmo depois da dor.
Continuar acreditando.
Mesmo depois da ruína.
Continuar florescendo.
Mesmo tendo conhecido profundamente o inverno.
Porque algumas flores mais belas da existência nascem exatamente sobre os sepulcros que imaginávamos eternos.
Calar sobre o que é injusto
mesmo não sendo
na prática o outro lado,
pode vir no futuro custar
um preço muito caro,
e por cumplicidade passiva
se tornar a real condenação.
Quando se cala o justo
se cala um aliado
para caminhar lado a lado,
quando for se deparar
com o que for tumultuado.
Vivo sob a Canela-guaicá,
não permito calar nem sobre
tudo aquilo que não gosto;
pois não existe conforto
quando se habita no injusto,
e por mais desconfortável
que seja a verdade rendo culto.
Onde há dor do povo, do meu jeito
abraço e continuo falando
para que a injustiça e a indiferença
no nosso meio não enraízem.
Deixo falar o que falarem,
mas ao aceleracionismo dou
minha jura de agulha no palheiro:
para que o êxito não alcancem,
porque não há mundo derradeiro.
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