Texto sobre Medo de Mario Quintana
As pessoas escrevem poemas sobre fuga
como se realmente vivessem o que escrevem.
Falam do amor que não praticam,
postam a vida que sonham ter,
enquanto escondem o caos que carregam.
São disfarces.
Máscaras bonitas para uma sociedade distraída.
Têm sorrisos perfeitos,
corpos esculpidos,
olhares treinados para convencer.
Mas por dentro…
por dentro existe um estrago silencioso.
E eu me pergunto:
como um ser humano consegue andar,
conversar, dançar, sorrir…
estando morto?
Porque às vezes a alma já partiu há muito tempo,
e só ficou o corpo vagando pelas ruas,
repetindo frases que fazem sentido para os outros,
mas nunca para si mesmo.
Um corpo sem espírito,
vivendo no automático,
tentando parecer vivo.
VERSOS PERDIDOS
Sem saber escrevo,
sem nada que de tudo sobre,
sem nexo,
no viver inexorável de um dia,
mundo a fora,
jazigo em castigo,
fazendo a cada uma coisa,
doce amarga poesia.
Um dia,
um vinho, um chatô,
um amor, uma decepção,
uma poesia,
doce amargor de perder uma paixão.
Momentos,
realentos levados,
fazendo perdidas,
currutelas em pântanos,
poesias aladas,
dormindo em prantos.
Implicados com os poetas os pagãos de leituras,
pobres de leigos,
não sorverão de doce amargo,
poesias escritas.
Sobre nós
A gente não é só corpo e alma
É passado
É presente
É futuro
A gente não só vive
A gente finge
Inventa
Aguenta
Viver é só uma forma de continuar
A gente não morre de repente
Vai se desmanchando aos poucos
Esvaindo-se em saudades
Enchendo-se de tristezas
Entulhado de dores
No fundo,
Bem no fundo
A gente se esforça pra não ficar louco
"Muitas vezes Deus não te livra da tempestade, Ele te faz andar sobre as águas no meio dela. A proteção d'Ele não significa que os problemas sumiram, mas que nenhum deles tem o poder de te afundar. Você é guardada por quem nunca falha.
Lúcia Reflexões & Vida
Palavras ditas na ira revelam mais sobre quem fala do que sobre quem ouve. Ser chamada de algo que não sou não me define, mas define a falta de respeito de quem proferiu a ofensa. Eu sou responsável pelo que eu faço, não pelo que os outros escolhem dizer para me ferir. Onde o respeito termina, o meu silêncio começa. 🕊️🚪
@SerLuciaReflexoes
"Sua vitória sobre a dor de alguém é, na verdade, a sua maior derrota como ser humano.
Pode tentar convencer o mundo de que você está certo, mas o travesseiro sabe a verdade.
A vida é um espelho: quem usa a força para devastar, acaba sendo consumido pelo vazio que criou ao redor."
SerLucia Reflexoes
Dia 1 — Presença não é sobre calma. É sobre integridade.
Existe uma ideia perigosa circulando por aí: a de que estar presente é estar sempre em paz, centrado, quase iluminado.
Isso não é presença. Isso é cenografia emocional.
Presença não exige que você se sinta bem; exige que você seja honesto.
Estar presente é parar de desertar de si mesmo quando o clima aperta. É a coragem de habitar o agora, especialmente quando o agora é inóspito.
É perceber a ansiedade sem tentar "consertá-la" como se fosse um erro de sistema.
É reconhecer a raiva sem transformá-la em martírio ou culpa.
É admitir o cansaço sem pedir desculpas por ser humano.
Quando você se força a parecer bem, você se abandona por dentro. Quando você se permite sentir o que realmente está aí — o caos, o tédio ou a fúria — você finalmente volta para casa.
A presença é um ato de integridade.
É o alinhamento bruto entre pensamento, emoção e corpo no mesmo instante — mesmo que esse instante seja desconfortável.
Não se trata de silenciar a mente. Trata-se de parar de mentir para si mesmo.
A presença começa quando você encerra a divisão interna:
Uma parte vivendo, outra se julgando;
Uma parte sentindo, outra se reprimindo.
Estar inteiro é permitir que tudo o que você é hoje entre na sala. Sem edição. Sem maquiagem. Sem fuga. E, paradoxalmente, é essa aceitação que cura.
Porque o que dói não é a intensidade do que você sente.
O que dói é a solidão de se abandonar enquanto sente.
O Convite
Hoje, renuncie ao papel de seu próprio editor. Não tente melhorar nada; apenas observe com integridade.
Em que situação você costuma se abandonar para parecer forte, funcional ou aceitável?
Onde, hoje, você pode estar mais inteiro — mesmo que não esteja confortável?
Diane Leite
Muitas foram as lutas que lutei até aqui. Muitos foram os processos que tive que carregar sobre as minhas costas e os medos que, no silêncio, gritavam dentro da minha cabeça. Houve dias em que tudo parecia frio, vazio e solitário, mas em nenhum deles pensei em desistir, morrer ou partir. Sempre tive fé e acreditei, pois ninguém é o milagre que sou sem um propósito. O meu: aprender e evoluir!
Nildinha Freitas
Deus se revela...
Terminei de crescer perto de uma cidade rica...
Logo aprendi sobre as diferenças sociais...
Não entendia por que alguns tinham tanto, enquanto outros tinham tão pouco...
Hoje vivo exatamente desse jeito...
Se acredito em Deus?
Sim...
Plenamente...
Mas, pelas inconstâncias da vida, às vezes duvidei e acreditei que
Ele não morava aqui na Terra...
Que Ele morava em outro lugar,
lá na cidade rica...
Que estávamos sozinhos aqui...
Que, na verdade, já estávamos no inferno e não sabíamos...
Mas Ele veio e me mostrou os Seus passos na areia,
enquanto, tantas vezes, me carregou no colo,
lá na cidade pobre.
Existem almas como o amanhecer,
que trazem o sol sem pedir licença.
Não é sobre o que você faz,
mas sobre a paz da sua presença.
Admiro o silêncio da sua integridade,
essa alma que é porto e é prumo.
Sua ética é o que traz a verdade,
sua bondade é o que dá o rumo.
Há uma beleza que o tempo não gasta:
a luz que vem de quem é de verdade.
Para iluminar o mundo, você basta,
pelo simples dom da sua raridade.
Não é sobre o traço, a cor ou o olhar,
É sobre a luz que você insiste em emanar.
Sua beleza caminha, mas não se limita ao chão,
Ela mora no jeito que você estende a mão.
O mundo repara no que o tempo consome,
Mas eu vejo em você o que não tem nome.
Uma calma no gesto, uma força que ensina,
A alma de mestre no brilho de menina.
Suas virtudes são versos que Deus escreveu,
No mapa de um coração que se assemelha ao d'Ele.
Pois mais do que o rosto que o espelho revela,
É a pureza da alma que te faz ser tão bela.
Vejo o vazio das pessoas vazias
Conversam sobre outras pessoas, nunca sobre elas mesmas
São conversas rasas, recheadas de esquecimento
Esquecidos de quem são
Vivem sobrevivendo
Sem olhar para dentro
A inveja é minha vizinha
Ela olha e pensa:
“Eu queria ser você, mas eu não sou”.
Mal sabe as dores que carrego e já suportei
Porém, a paz que habita em mim transcende o ego da matéria
O brilho incomoda quem está no escuro
Quem está no escuro, mal se enxerga
Vê a beleza do outro com aspecto negativo
Esquece-se de lapidar a si mesmo.
Entre o toque e o cuidado
Às vezes, não é sobre o outro…
é sobre o preconceito que mora dentro dele —
ou dentro de quem o protege.
Eu nunca soube ver “deficiências”.
Vejo energia.
Sinto presença.
E, quando a minha energia encontra a do outro,
nasce em mim um gesto simples:
um abraço,
uma palavra,
um carinho que não pede explicação.
Mas o mundo anda na defensiva…
e o afeto, que deveria ser leve,
vira invasão aos olhos de quem tem medo.
Eu não me aproximo sem caminho.
Sempre há um antes —
uma convivência,
um silêncio compartilhado,
um laço invisível se formando devagar.
Outro dia, me disseram:
“Ela é adulta.”
E aquilo ficou em mim.
Voltei para dentro,
revisei meus gestos,
me procurei nas minhas intenções…
e encontrei o mesmo de sempre:
carinho.
Porque com todos é assim —
e de todos, o carinho voltou.
Mas, ainda me contive.
Segurei o gesto.
Guardei o abraço.
Mesmo sentindo que, às vezes,
quando o afeto não é recebido,
não é recusa…
é proteção de alguma dor.
Depois, veio a confirmação:
existia, sim, um cuidado ali,
uma história sendo tratada em silêncio.
Mas eu não desisto.
Nunca desisti de ninguém.
No Natal, prometi um abraço.
Antes que dissessem outra vez
o que ela já não era criança,
eu disse o que eu era naquele instante:
“Eu gostaria muito de receber "esse" abraço…
mas, já que não é possível,
então eu apenas dou.”
Porque amar, às vezes, é isso:
não esperar retorno,
não medir resposta,
não endurecer o gesto.
Só ser.
Talvez o mundo confunda idade com sentir.
Mas nem todo corpo acompanha a alma no mesmo tempo.
Há quem tenha trinta…
e um coração de oito,
delicado, sensível,
ainda aprendendo a confiar.
E há quem force encaixes,
rótulos, aparências —
como se crescer fosse caber
em uma forma pronta.
Mas sentir…
sentir nunca obedeceu calendário.
E eu sigo assim:
Me aproximando com cuidado,
respeitando limites,
mas nunca deixando de oferecer
o que há de mais bonito em mim —
o afeto. 🌛☀️
Sempre escrevi sobre castelos, Carla, mas esqueci que muros servem tanto para proteger quanto para aprisionar. Hoje, sinto um invasor caminhando pelos corredores da minha vida. No início, achei que fosse apenas o mundo lá fora, com seu ódio gratuito e o barulho de quem não suporta ver alguém sentir demais. Depois, pensei que fosse a minha própria consciência, me cobrando dívidas que eu nem sabia que tinha.
Mas a verdade é mais afiada: o invasor tem o teu rosto. Ou talvez, seja "alguém" que você criou dentro de mim para me manter sob vigilância constante.
É estranho como o amor, quando vira controle, se transforma em uma ocupação silenciosa. Você entrou como brisa, mas trouxe consigo um exército de dúvidas que agora habitam a minha mente. Sinto o peso do mundo contra mim, mas o golpe mais forte vem de dentro, dessa projeção que você moldou para me julgar a cada passo.
Será que fui eu quem te deu as chaves, ou você sempre teve o plano de trocar as fechaduras?
Hoje, não sei se luto contra o mundo, contra a minha mente ou contra essa versão de você que se tornou meu maior tribunal. O que era para ser refúgio virou invasão. Onde antes havia poesia, agora há uma sentinela. O invasor não bateu à porta; ele foi convidado por você ou talvez, Bruno, ele seja a parte de você que a Carla aprendeu a dominar.
Sigo escrevendo, mas agora com a mão trêmula. Porque é difícil ser o criador quando a criatura decidiu que o autor não tem mais direito ao próprio roteiro.
Bruno aprendeu que amar Carla
não era sobre prometer o infinito,
mas sobre segurar a mão dela
quando o mundo pesava mais do que devia.
Carla entendeu que Bruno não era abrigo perfeito,
mas era quem ficava…
mesmo com as próprias tempestades.
E no meio das falhas,
dos silêncios e dos dias difíceis,
eles descobriram que cuidar
é escolher o outro
até quando o amor deixa de ser fácil.
DeBrunoParaCarla
Porque viver não é sobre nunca cair,
é sobre aprender a continuar…
mesmo quando a gente não entende o porquê. No fim, cada um de nós está lutando uma batalha silenciosa.
E talvez a maior dificuldade que todos temos seja fingir que está tudo bem,
quando, no fundo, a gente só queria um pouco de paz.
Tudo bem...
DeBrunoParaCarla
Não é sobre a eternidade, porque o para sempre é uma promessa pesada demais para ombros. É sobre a finitude bonita de saber que, entre tantas eras e galáxias, nossas trajetórias colidiram. No fim, a gente só quer alguém que nos segure com firmeza o suficiente para não cairmos, e nos olhe com doçura o suficiente para querermos ficar.
DeBrunoParaCarla
Não escrevo sobre um "para sempre" abstrato, mas sobre um "agora" eterno. Cada momento que passo contigo é uma promessa renovada. O meu lado intenso exige que eu viva cada segundo como se fosse o único, enquanto o meu lado sereno constrói a base para que o amanhã seja ainda melhor. De Bruno para Carla, a minha única promessa é a presença: estarei aqui, com todos os meus anjos e todos os meus demónios, enquanto o fôlego me permitir.
DeBrunoParaCarla
Perguntei ao sereno pela manhã....
De onde eu vim?
E tão tranquilo, vindo do céu, sobre o meu jardim, mesmo em silêncio, me respondeu:
-Como as ondas do mar que vão e vem,
eu também já estive aqui várias vezes...
Vim do céu, pequeno fio d'água, me transformei em riacho, virei um rio, fui lagos, mares e oceanos.
Subi aos céus e hoje volto à terra.
Venho trazer mais brilho ao seu jardim e fazer você ver a continuidade da criação.
Então perguntei à brisa fria, que tocando meu rosto, em beijos gélidos, me estremecia...
-Para onde eu devo seguir?
Em abraço, sussurrando em meus ouvidos, respondeu...
-Siga sempre em frente...
O passado já foi, o futuro, logo ali, viva o presente...
Avisou que durante o meu caminho obstáculos irei encontrar...
-Transponha que ao seu destino irá chegar...
E assim, sorrindo, a brisa partiu...
Perguntei ao beija-flor que se eu seguisse o conselho da brisa eu poderia ser feliz...
Ele me respondeu que eu deveria ser como o dia de hoje...
Lembrou-me que o amanhã pode não chegar...
Que na viagem, que faço todos os dias, sem me dar conta, já sou feliz...
Então voltei meus olhos para o céu, de onde descia o sereno e vinha a brisa, que sustentava o vôo do beija-flor...
- Em meus caminhos, no fim, o que encontrarei?...
Perguntei...
E o céu me respondeu, com um pequeno raio de sol...
- O recomeço...
O VOO DA ÁGUIA
(O passado ficou na água, hoje escolho voar.)
Pairava sobre mim uma sombra que não me pertencia. Doeu, até que o sofrimento virou cinzel e me esculpiu nova. Hoje, diante do espelho e da memória, faço como Pilatos: lavo as mãos. Deixo que a água leve os resíduos do passado. Sigo o caminho sob o sol, enfim, subo ao alto da montanha e, como águia, renasço e voo...
Lu Lena / 2026
