Texto sobre eu Amo meu Irmao
“Ao tomar meu desjejum está manhã, me lembrei de que tu não tomas café sem açúcar.
Então gargalhei sozinha ao perceber que me lembrava em detalhes de alguém que já não está ali, e ainda me esqueço se coloquei ou não as chaves na bolsa.
Tu es o curso em que mais me dediquei, onde as melhores notas tirei
O mestrado mais inútil de minha vida.
Afinal de que me serve agora todo esse conhecimento sobre ti?
De que me vale saber tuas manias, rotina, sonhos, receios e anseios?
Em que será útil saber te ler como um livro que está escrito em uma língua que apenas eu profiro?
Terei de fazer com essas informações o que fiz contigo,
Dobrá-las em centenas de milhares de partes, até que fiquem impossíveis de serem vistas a olho nu.
E então as colocarei na mesma caixinha em que lutei tanto para que tu coubesses,
E a guardarei no baú mais fundo de meu subconsciente.”
Madrugadas de Lisboa -
Na fria madrugada de Lisboa
meu berço de saudade à beira mar
bebi o cálice do fado, fui à toa
andando p'las vielas sem parar.
Há guitarras a rasgar o coração
esperando de Lisboa num desejo
as colinas são lamento e solidão
nas noites que adormecem sobre o Tejo.
Eu vejo o teu olhar em cada fado
eu sinto-te Lisboa no meu peito
meu corpo como a rua tão pisado
silêncio que adormece no meu leito.
Lisboa porque corres onde vais
à hora de cantar a tradição
que alguém deixou um dia pelo cais
pairando no teu cais de solidão.
Ânsia do meu Corpo -
Numa cama dura, fria, sem sentido
na ânsia do meu corpo a desejar-te
meu peito bate forte ressentido
meus olhos já não sabem procurar-te.
Meus olhos tem tons de pedra rara
num anel de estimação que um dia dei
que dei a um amor de pele clara
amor que já não tenho, já nem sei.
Tu levas-me na mão em esquecimento
horas más que tem vivido um coração
se ouvires por ai este lamento
não voltes meu Amor é ilusão.
Do silêncio que tu fazes faço um grito
faço um grito que me rasga a solidão
meus olhos pedras raras, um gemido,
que levas nesse anel de estimação.
Barco da Vida -
Minha Vida é um barco
à deriva pelo mar
em meu peito desembarco
Senhor vem me salvar.
Há ondas, há lamentos
que afogam minhas mágoas
são velas, são sentimentos
pairando sobre as águas.
Minha Alma é a proa
desta fria embarcação
vou sozinho, vou à toa
neste mar de solidão.
Ato os nós do Coração
às cordas do meu sofrer
uma simples afeição
a Minh'Alma queria ter.
Meu leme a incerteza
levado por minha mão
vou na rota da tristeza
a caminho do Coração.
Meu bem, meu pobre coração não tem medo do perigo.
É intenso e nessa imensidão toda, todos os sentimentos são bem vindos.
Desde as curvas e o punhal de um amor ferido.
Nós meus braços o perigo é não viver comigo.
Sou o calor do fogo e a fortaleza de uma montanha.
Minha fúria,
Meu corpo,
Minha sede pela vida,
Quero tudo lento pra ter tempo de me apaixonar.
Sem medo corro o risco .
Sou 8 ou 80 e eu prefiro o 80.
Um lugar
O dia que estava passado no meu profundo jardim
No Nordeste do Brasil que morava-lá
Onde que eu então sei o que é.
O sol estava quase morrendo
Do final do dia.
Mas os bronzes do lugares escuros,
Veio de um amor fora do mundo.
Uma meiga curiosidade
Que luminava a sabia
Mulher que ligou,
A sua vida pra saber
o que era.
Eu já sabia de tudo
Um lugar do meio
do deserto em nada afinal.
Árvores e flores,
Cinzas e uma boa prosa.
Um lugar do coração
Que lucrou um amor.
Meu Medo
Estou preste a explodir,
Em meio ao desespero vou rir.
Não tem graça e muito diversão,
Ter medo de desistir
A fobia é abandonar
Meus sonhos, perder a esperança, desistir da vida;
Tenho medo
De não me encontrar
Desistir de tentar continuar,
Meu medo é me abandonar
Meu medo sou eu
Do que posso me tornar.
7 Espadas -
Não me lembro meu amor já do teu rosto,
os meus olhos estão cansados, no vazio,
do lastro de uma raiva, de um desgosto
que queimou o coração do meu navio.
Eram sete as solidões do meu destino
dessas sete, eram quatro, o meu tormento,
restam três, sobre as quais perdi o tino,
mas só uma, foi p'ra ti, nesse momento.
Inda lembro aquele instante em que disseste
sete sonhos, sete beijos eu te dou
traíste essa promessa que fizeste
sete dores, foi só isso o que restou.
Sete espadas, afinal, é que trazias
mais os versos que rimavam ilusão,
eram sete essas mentiras que dizias
uma-a-uma eram punhais no coração.
À Deriva -
Recordo meu Amor aquele dia
tão longe das promessas que fizemos
recordo meu Amor o que dizias
os sonhos, as palavras que dissemos.
Das noites que passei em solidão
à deriva no pulsar da minha dor
das horas que sofreu meu coração
deixa que te lembre meu Amor.
Minh'Alma caminhando pelas ruas
foi vivendo esse desgosto que é só meu
erguendo minhas mãos eu toco as tuas
olhando o meu retrato vejo o teu.
Dois barcos sem destino, dois lamentos,
dois corpos à deriva pelo rio
dois olhos que não veem, dor, tormento
dois peitos que se amarram no vazio …
Canto do silêncio
Quando percebi em teus olhos
a tua cruel indiferença,
meu coração soluçou.
Balbuciou gemido de intensa dor
e a amargura me dominou.
Fraquejei diante da tua frieza,
do teu silêncio, da tua crueza,
da tua indiferença, da tua ferocidade,
do teu desamor, da tua maldade
do teu infindável torpor.
.
Senti o medo abrigando-se
em meu íntimo e naveguei
por mares escurecidos
mergulhada na aflição da incerteza.
Tantas perguntas sem respostas!
Por que finges que me ouves
Se não me escutas?
Por que me olhas
se não me vês?
Por que silencias
quando devias falar?
Umbelina Marçal Gadêlha
Meu Retrato -
Minha angustia sem fim
solidão que me prende
ai distancia de mim,
ninguém a entende.
Meu lamento sem tecto
minha casa sem porta
tao longe do afecto
sou filho que se aborta.
Ai loucura de quem
só vive de loucura
sou nada que vem
num passado que perdura.
Tão distante da Vida
tão frágil e forte,
ai esperança perdida
à espera da morte.
Minha infancia marcada
meu canto de fado
numa triste fachada
algures meu retrato.
Esperando por Alguém -
Vontade que me escalda!
Sentir teu corpo no meu corpo,
olhar teus olhos,
entre frémitos e espasmos.
Ai loucura dos teus dedos
percorrendo as teias longinquas
do meu medo ... eu desejo ...
ser noite, madrugada,
auroras floridas, radiantes,
de petalas no leito, secas,
perfumadas, debruçadas sobre o nada
que somos um do outro ...
... hora amarga, hora doce,
hora de espuma e de espanto!
Onde as linguas, humidas,
tecidas de loucura,
se erguem, tacteando a lucidez
do pensamento sem pensar ...
Mulheres
Aaaaaa, as histórias do meu cantar…
Além das brumas de Avalon
existem muitas Fridas,
pintando e bordando um cenário de inclusão.
Que cantam
Que riem
Que cuidam
e nos fazem acreditar.
Bem perto da toca do coelho aliciano
recita uma pequena Greta
as maravilhas do plantar.
Na tribuna do parlamento
discursa uma Marielle
fazendo ecoar resistência
frente as injustiças do lugar.
No centro da fome,
dentro do lixo,
tem a Dona Maria,
que amamenta seu filho
e o encoraja a falar.
No meio do povo
tem uma menina
uma moça
uma mulher
uma idosa...
Com asas gigantes.
Com flores na mão,
que levanta todo dia
e faz o mundo mudar.
Valnia Véras
A Sós com o Mar -
Nas descalças areias deste mar
recordo o mar que nunca tive ...
... meu sonho feito ao mar!
O destino que sonhei é longe do que sou!
P'ra outro destino não vou!
Dor, espuma, espanto na solidão das ondas
que esbatem nestas rochas!
Eu e Ele a sós! O mar! O mar! ...
É de pedra a minha dor,
é d'água o meu sonho,
meu corpo feito de pó,
minhas lágrimas sem cor ...
E há um pássaro que voa,
um Sol que se esmurece,
eis que passa uma pessoa,
viver assim, ninguém merece!
Meu Estar ... agora -
Agora só num mundo que me apavora ...
Agora só numa ângustia que me bebe ...
Agora só no pulsar da Vida ...
Agora só! Tão só! Que dó!
Dois lamentos, dois destinos,
dois corpos que se entrechocam
no passar das coisas vãs ...
Um é meu! Outro da vida!
Agóra só! Tão só! Que dó!
Nada é longo! Tudo é breve!
Como a morte que sucede
ou a vida que arrefece.
Agora só! Que dó!
À chegada e à partida - sou nó!
Tão só! Tão só!
E alembro os olhos verdes,
espelhados, sem fim,
de uma aurora que me criou!
De uma "velha" que me amou
numa infância JAZ morta.
Minha Avó! Minha Avó!
Que é morta - também!
Estou só! Tão só! Que dó!
Partiu! Não volta!
Minha Avó! Minha Avó! ...
Toada -
Tenho em mim uma ilusão
no raiar da madrugada
vou salvar meu coração
ao cantar esta toada.
É um fado que me eleva
numa esperança que se ergue
dessa dor que tudo leva
já mais nada me persegue.
Desse Amor perdi o jeito
já nem lembro o seu olhar,
não o quero, não aceito
que me torne a enganar.
Vem a sorte e vem a vida
em seguida outro amor
nunca mais estarei perdida
por quem não veja o meu valor.
Outro amor há-de chegar
é a minha confiança
corre a vida sem parar
e com ela a minha esperança.
Quando entrastes no meu quarto sorradeiramente,
A porta do meu quarto estava fechada,
Mas os meus olhos estavam abertos,
E meu coração escancarado esperando por ti,
Óh amada minha; És a lua da minha inspiração,
És a minha expiração; Respiração.
Suspiro por ti; Vivo por ti;
És minha vida, querida.
Caminhos estreitos
Por onde me perco
Loucos delírios
Que me causa o meu devaneio
Corpo sobre brasa
Boca ardente que me arrasa
Olhos surpresos
Trazendo me loucos desejos
Em pensamento te busco
Te procuro nos meus anseios
Te sinto próximo mesmo ausente
Me sinto sua calorosamente
Fogo que queima veloz
Ar que dispersa
Brisa que vai e
E pensamento que fica!
Sem ar me vejo
A vida se vai aos poucos
Meu abandono meu tormento
E minha alma sem sentimento
Por aqui tudo bagunçado
Me sinto sem saída
Minha mente norteada
Pondo um fim em meus dias
Por onde caminho não a mais chão
Não a mais sol
O que me restou foi a escuridão
Minhas forças? Por onde foi
Não sei, só sei que já se fui
E não percebi
Não a mais esperança
Não a mais felicidade
Não a mais vida
A dor vai além da alma
Me arrancaram meu sorriso
Tiraram minha calma
Me deixaram em pedaços
Como de fosse cacos de vidro
Literalmente acabaram comigo
Com a dor eu aprendi o que era o amor
Aprendi que a vida bate mas ensina
E que ser feliz nem todos
Os dia se podia
Que as lágrimas derramadas
Nem sempre eram amargas
Aprendi que idade
Não é maturidade
Amadurecer dói
Assim como um sentimento reconstroi
