Texto para minha Sogra
Meu Pai só permitiu à Tristeza me abraçar até a minha alma aprender a chorar, porque Ele já havia tecido Lenços de Misericórdia.
Há dores que não chegam para nos destruir, mas para nos ensinar a linguagem que antes não sabíamos falar.
A Tristeza, quando autorizada pelo Pai, não vem como castigo, vem como professora silenciosa.
Ela nos abraça não para nos aprisionar, mas para que a alma — ainda rígida, ainda orgulhosa de resistir — aprenda a chorar.
Embora haja choros de remorsos e infortúnios, chorar é um verbo sagrado.
Ainda que muitos infalivelmente fortes considerem fraqueza.
Mas admitir isso seria também admitir que o Filho do Homem fraquejou.
É quando o coração finalmente admite que não é de ferro, que precisa ser cuidado, que não foi criado para atravessar desertos sozinho, longe do Pai.
E Ele sabe disso.
Por isso, Ele não impede o abraço da Tristeza de imediato.
Ele permite o tempo exato: nem um minuto além do necessário, nem um segundo aquém do aprendizado.
Enquanto a alma aprende a chorar, o céu trabalha em silêncio.
Cada lágrima encontra um destino, cada soluço é ouvido, cada queda é contada.
Antes mesmo que o pranto escorra pelo rosto, Lenços de Misericórdia já estavam sendo tecidos — fio por fio, com paciência eterna, do tamanho exato da dor.
Esses lenços não apagam a história, mas secam o excesso de peso.
Não negam a ferida, mas impedem que ela infeccione.
São gestos suaves de um Pai que nunca esteve ausente, apenas respeitou o processo.
Quando a Tristeza se retira, não leva consigo a fé; deixa uma alma mais humana no lugar, mais inteira, mais capaz de consolar.
Porque quem foi enxugado pela Misericórdia aprende, um dia, até a ser lenço nas mãos de Deus.
A eclipse lunar se aproxima,
e eu sei muito bem
o quê quero e não quero
para a minha vida,
do teu divino olhar levo
o tempo todo o quê alucina.
Só sei que não permito que
o meu coração seque como
vejo alguns corações secos por aí,
para que a seca não seja permitida:
é por isso que te quero aqui.
Um coração quando seca
é bem mais perigoso do que
a seca dos rios Negro e Solimões,
um poema nunca mais o toca,
nem mesmo imagens rupestres
podem ser encontradas
e nem mais se comove
diante de paisagens agrestes.
Quando um coração seca
nele não se encontra mais nada,
é o desastre batendo na porta
sem hora e sem data marcada.
Poesias para Rodeio
Cubro a minha cidade
de Rodeio de poesias
porque desejo tornar
a minha vida interessante,
tornar tudo ao meu
redor ainda mais fascinante
e lembrar que é possível
viver como quem escreve
um bonito romance
mesmo que insistam
a fé da gente nos tomar
e com a nossa inspiração findar.
A minha poesia é
o último frasco
do perfume da Rosa de Ahal
que foi perdido durante
a viagem da caravana
A minha fisionomia
pertence a um
povo pouco conhecido,
Nos meus cabelos
podem ser encontradas
maçãs negras e fadas agitadas
Eu me conheço profundamente,
sei o quê quero,
sei tudo aquilo o que não quero
e a minha intuição não falha.
Jogo de Manipulação
Quando você plantou
a insatisfação com
a minha aparência,
por amor busquei dar razão.
Depois de um tempo pude
perceber que você através
do silêncio e da ofensa
queria devorar o meu juízo.
A boa educação, o gênio
doce e a minha boa-
foram subestimados por
você que implodiu todas
as pontes de diálogo comigo.
O quê vivi com você não
foi um relacionamento,
foi um pesadelo e puro
jogo de manipulação.
Não há mais milagre
que cure em mim o quê
você fez comigo,
Você nasceu para ser
o seu próprio castigo.
Cada péssima lembrança
tua e sempre que tentar
se reaproximar só penso
em dar passos em direção a Lua.
E se a Lua eu não conseguir alcançar,
ao menos moro num lugar
que dá para correr para as montanhas
sempre que tentar se reaproximar.
Mafra Poética
Mafra da minha História,
minha Mafra poética,
O balançar das araucárias
do meu destino falam
das minhas memórias
que um dia hei de contar,
Nunca deixei de te amar
nesta vida mesmo longe
de ti tendo que caminhar.
Poética Mafra poética,
por tudo o quê fostes,
és e para sempre serás,
Tudo de ti em mim
para sempre sobreviverás.
Mafra poética e amorosa,
quando fecho os olhos
ou vejo uma nectarina,
Recordo que há muita
História a ser contada
nesta Bela e Santa Catarina.
Mafra da Minha História
Mafra nascida de dentro
da bela Rio Negro paranaense,
emancipada filha do nosso
Planalto Norte Catarinense.
Mafra que trago no meu
peito a História e a sua gente.
Mafra minha História de amor
atemporal que nas estrelas
foi pela mão de Deus escrita:
és amor para a minha vida
desta Santa e Bela Catarina.
Da Mafra da minha História
nunca na vida me esqueci,
Que ela nasceu da luta
da tropa que pediu abertura
de caminhos e que nem
o tempo apagou de mim
tal qual o aroma do jasmim
do jardim da memória.
Mafra batizada fostes com
o nome do filho do Major,
Mafra abatida e erguida
pela Guerra do Contestado,
Mafra amor da minha vida.
Minha Mafra fostes
colonizada por imigrantes
alemães, ucranianos,
poloneses, bucovinos e italianos,
Mafra amor para toda a vida
e sempre presente nos meus planos.
Minha Mafra sempre
relembrada com orgulho
por tudo o quê fostes, és e serás,
Mafra és amor para toda a vida
que canto para toda Santa Catarina.
Da onde a minha ancestralidade
veio e por onde teve que caminhar,
não troco o meu Brasil Brasileiro
serenamente nenhum outro lugar.
Parte de mim também é indígena
e convicta sob a Timbaúba florida
tenho razões para me inspirar
seja na terra, na água ou no ar.
Não adianta insistir porque
a minha mente não vai mudar,
e o seu tempo comigo irá gastar.
Sei que tudo e todos passam,
e escolhi não deixar me perturbar
porque tudo e todos vão passar.
A tua existência
sobre a minha
sem resistência
faz residência
no florescimento
dos Garapuvus
de Florianópolis
como residência,
Por isso não há
nada no mundo
que plante a ideia
de desistência,
O meu coração
tem raízes na terra
e no teu peito
com plena consistência,
E da mesma maneira
a utopia elegida,
o romance e a consciência.
Admito sem contorcionismo
que sei o meu lugar de fala,
que na minha idade tenho história,
e não tenho o florescer em primícia;
Transbordo sem a flor retórica,
enraizada e resistente a qualquer
estação com encanto e entusiasmo,
arfagem, pulsação e cheia de orvalho.
Por ti milimetricamente provocado,
intencionalmente tenhocada pingo
espargido para deixá-lo vulnerável,
e cheio de razão todo derramado.
Há tempos tudo tem sido calculado
em nome daquilo que pode ser
incorporado, comemorado e desfrutado
talvez por toda nossa existência.
Tudo ao redor faz o coração
renovado sentindo sem temor,
sem tremor, todo suplicante,
e convictamente insaciável:
da tua existência inteira capaz
de fazer da minha uma obra-prima,
tal como a colheita do Licuri intima.
No final, o que realmente importa,
é estar sob rendição da tua turgidez,
para depois com gratidão repousar
serena contigo em total languidez,
satisfeitos, orgulhosos e entregues
plenos como deuses na vida terrena.
Oceânica, aveludada, carinhosa
e de madrepérola sardanapalesca,
A minha presença edênica nunca
será desfeita dentro do coração,
Libidinosa, lúbrica, voluptuosa -
sei que no teu íntimo tenho
o lugar preservado e intocável,
O concuspiscente e o insaciável
se encontram com o pudendo
em estro diante do teu priápico.
Não há como negar que a nossa
fórmula gera uma combinação
explosiva que nem mesmo o tempo
está a altura de alcançar e imitar,
Não nascemos para outro tipo
de languidez que não seja pós vulpina
por nossa plena vontade faminta.
Luxuriosos acendemos o céu austral
que dentro de nós vívido - ilumina,
Que condor só voa com condor,
somos a inquestionável prova viva.
No infundibuliforme o céu e o inferno
sempre nos unirá em nome da astúcia,
da lascívia e da luxúria - imperiosas,
que reunidas se retroalimentam, testam
e põem mortais à prova em todas horas.
Ínscios não somos - e ainda bem...,
tumescente, ebúrneo e desafiador,
sei muito bem que és e com andor.
O sôfrego nunca me desmobilizou,
e no fundo sei que por isso reino
com absoluto fascínio no teu peito;
Sou o ser angélico, o teu beijo de mel,
o Achachairú maduro e a inspiração
primaveral que fortalece contra o fel.
(O teu primeiro amor verdadeiro).
No Hemisfério Celestial Sul,
o céu da minha Pátria amada
a Aurora Austral alcançou --
e em Santa Catarina tocou,
deixando Alfredo Wagner
toda hipnotizada...,
e a mim como mulher
plena, confiante e preparada.
Sim, o meu coração por
um instante apaziguou,
com presença empolgou,
e sigo encantada...,
não pensando mais nada
que me tire dessa cena
que deixou-me extasiada.
Não faço previsão quando
a Aurora Austral voltará
por aqui a iluminar,
Só sei que antes disso
quero estar com você
do lado para gente se mimar,
e do jeito merecido nos amar
de tal forma que não queira
mais para o mundo lá fora voltar,
e outros amores vir a conquistar.
Floração de Manduí
silenciosa no coração,
É a minha presença
que traz o frescor
com flores do amor
discreto e feminino,
Que não será resistido
por nada nessa vida.
Revelo-me como titular
assumida da rebelião
interna que não pode
ser dentro de ti contida,
Eis-me a inabalável
que mantém o tempo
todo a tua pele acendida,
e a fantasia mais realista.
Minha mente e mãos
trazem sempre algo
das quebradeiras de côco
da Mata dos Cocais,
Há tanto tempo faz
que canto para os vivos,
e também para os mortos,
Porque não aceito jamais
o meu chão em destroços;
De tudo o que a Carnaúba
que vida nos traz carrego
tudo sem nada deixar,
Seja com o Bem e o Mal
para virtuosa lidar,
Nada devemos deixar
passar ou deixar de aprender,
para trilhar o caminho
certo para sempre crescer.
Quando todos se forem
sou a flor que rompe
a dureza asfáltica,
A minha guerra sempre
será contra a guerra,
sou enraizada na terra.
Não importa quanto
tempo venha durar,
Com fogo cruzado
nasci com intimidade
silenciar não faz parte;
Está para nascer quem
haverá de me deter.
Como sopro de liberdade
feito para enlouquecer
os senhores da guerra,
Carrego sem ceder,
e sem os esquecer...;
Com pequenas coisas
não tenho tempo a perder.
Por ser semente além
do tempo invernal,
estarei sendo plantada
para vencer o grande Mal.
Parte minha é estrangeira,
e a outra parte é indígena
nascida de Norte ao Sul
abraçada amorosamente
pelo Oceano Atlântico,
Aqui têm todas as razões
de ser o destino romântico.
O Hemisfério Celestial Sul
guarda a Amazônia Azul
do meu Brasil Brasileiro,
que é terra do Pau-Brasil,
ninho do Sabiá-laranjeira
e terra de absoluta beleza.
Entre sóis, luares e chuvas,
não há outra terra que
caiba com todos os sonhos
que nutro todos os dias
com amor, ternura e folias.
Desta vida nada excluo,
nesta terra que me ensinou
honrosamente seguir
de pé com tristezas e alegrias.
A minha liberdade
como mulher não deve
oferecer risco para mim,
para outra mulher,
a quem quer que seja,
e tampouco oferecer
risco ao meu país,
A minha liberdade
como mulher não deve
ser encarada nunca
como ameaça ou ofensa;
E da mesma maneira
que a sua deve existir
reconhecendo o seu lugar,
e o dever inalienável
de usar a cabeça para pensar.
Não tens ideia que a poesia
desta cidade é muito maior
do que a minha poesia,
que talvez não tenha sido lida.
O Sol ainda vibrante anuncia
no Médio Vale do Itajaí
que Rodeio entrará em festa,
por gratidão à terra erguida
com dedicação e amor.
Só sei que o Sol iluminando
enfeita e veste com alegria,
quem sabe apreciar a visão
do nosso Pico do Montanhão.
Com encanto o coração
agradece os sons, o silêncio
e o sino da Igreja Matriz
São Francisco de Assis
que juntos fazem a orquestra
que abençoa o nosso chão,
e faz recordar a tradição.
Sempre que quiserem retirar
o heroísmo da minha história,
ou de quem quer que seja,
Deixo-me iluminar pela chama
do panteão dos heróis,
Para que a glória e a esperança
nada nem ninguém jamais apaguem.
Peço a iluminação e coragem
do espírito de Guglielmo Oberdan,
um valente garibaldino convicto,
o protomártir do Irredentismo;
Para recordar de onde viemos,
pois continua vibrante e mais vivo
do que antes e não será esquecido:
[Que a forca nunca deteve o objetivo].
Com igual espírito do herói ainda jovem,
que com Garibaldi esteve reunido,
Os nossos ancestrais chegaram,
se estabeleceram para [permanecer];
e unidos com amor e entrega
esta Pátria para viver e construir,
Saiba que está para nascer
[quem ousará a História destruir].
"Poetisa"
A minha identidade
não precisa de discrição,
Porque chego sem
nenhuma permissão,
Como substantivo
enraizado, feminino
e em eflóreo Pau-Brasil.
Entre a vida e a morte,
o paraíso e o inferno,
Por norte e algo de sorte
pelo instinto aberto,
e plenamente definido.
Entre a paz e a guerra,
escrita no Universo,
mesmo que há quem
se sinta muito e decida,
Se sou ou não nada
menos do que poetisa.
(Porque qualquer coisa
há mais me torna menos).
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Rodeio, Santa Catarina, Brasil.
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