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Texto para minha Sogra

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DOS RUMOS DO MUNDO TRANSITÓRIO




Como hei de sustentar // minha alma corrompida?
Como hei de conseguir // avançar no meu tempo?
A alma está inquieta: // são tempos transitórios,
tempos muito mutáveis, // onde o mundo me convida
ao grande baile da vida, // em cenário que é tosco,
e que é impregnado // de falsos sofismas.
Eu desci alguns níveis // para tentar compreendê-lo,
e por fim senti // uma enorme compaixão.
Procurei um salvador, // mas o que eu vi foi
a luta de "Eu" // versus o mundo.
O mundo que eu vi // era uma terra arrasada;
não havia ternura // e o colorido era opaco.
Desviei o meu olhar // para a outra banda do mundo,
e vi o caminhar // de um velho sábio que dizia:
"Tudo é pura mudança: // o amor, a paixão,
a integridade // e tudo quanto se toca!"
Eu perguntei-lhe: // "E a essência dos homens?"
A resposta veio forte // como espada de dois gumes!
"A essência," disse ele, // "já vem de outros mundos!"
A turbulência em mim // aumentou e não pude
entender o mundo // das coisas ao meu redor.
Tudo é um cenário // de cartas já marcadas,
e também um teatro // que é simples e barato!
Mas eu segui o meu caminho. // Quem sabe o que virá
nestes novos tempos? // Tempos sombrios de luta,
onde quase tudo // é tão transitório e temporal!
Eu insisto no amor // e na essência do perdão,
pois o que resta é // aquietar a minha alma
e aguardar os tempos // que ainda são vindouros;
sem ter muitas expectativas // para não dar vazão
à negra desesperança. // Hei de combater
de maneira intrínseca, // e afastar o bem precioso
da Vida, com sua essência, // dos rumos deste Mundo
das coisas que transitam // ao redor dos meus passos!
E se eu vier a falhar, // ao menos tentei...

Degraus da vida

Já me perdi nos degraus da vida,
mas nunca expus minha fraqueza.
Aprendi com cada ferida,
que trouxe dúvida e incerteza.
O que um dia me fez cair
me ensinou também a persistir
com esperança e firmeza.

Muitas vezes me senti cansado
ao subir os degraus da vida,
mas em cada passo conquistado
vale a pena cada etapa vivida.
Seguindo firme e confiante,
com a fé sempre adiante,
vou trilhando de cabeça erguida.

A CALIGRAFIA DO ESQUECIMENTO



​Sobre nós, nem mesmo a minha sombra que rasteja no chão sabe os versos que contávamos para o silêncio; e nem mesmo os lugares que guardamos na memória carregam lembranças sobre nós.


​Um dia fomos presença em nosso pequeno instante, e fomos o próprio presente do instante. E, mesmo que eterno, o tempo leva tudo ao esquecimento.


​Somos dois abismos no profundo de nossas memórias, memórias perdidas entre o real e as imaginações. Se um dia fui o herói nas tuas lendas ou o vilão na sombra das tuas lembranças, tudo o que posso esperar é a ausência de nunca saber.


​Sou a sobreposição da verdade que jamais compartilharemos. Em nossos pensamentos, os versos que contávamos se vão em direção ao esquecimento — a caligrafia apagando o que um dia fomos.


​Então, o último conto, um eco que retorna ao silêncio; e assim, restando em nós apenas a lenda, a verdade que jamais saberemos um do outro.

O PRESENTE


Saudade dói, mas é em contraste com essa minha mais doce homenagem que a minha alma te constrói.


Hoje aquele silêncio gritou no meu peito, sem jeito percebi e o guardei com respeito.


Saudade dói, mas é em contraste com essa minha mais doce homenagem que a minha alma te constrói.


Lembranças doces, suaves, que repousam em várias imagens, seu afago tantas vezes me ofertado, hoje tenta preencher aquele vazio deixado.


E do amor que outrora despertou nesse peito apertado que hoje sofre nas minhas várias noites acordado.


Seguir em frente, te honrar em silêncio, assim valorizo nossos momentos, pois de tudo que restou, não foi só saudade, mas um amor que ainda bate, acompanhado da tua imagem.


Fostes embora, me desejastes ser forte, e assim estou seguindo em frente, lutando e com coragem, da tua partida que já nem faço mais contagem, os dias passam, mas para mim, as vezes parecem apenas miragens e um vislumbre do que seria a eternidade.


Sei que dai de cima me observa e deseja que siga bravamente, mas saiba que te amarei eternamente.

Reciprocidade é meu nome…
Posso te oferecer o meu melhor…
Talvez a minha total indiferença…
Responsabilidade afetiva é o mínimo…
Que não falte clareza nas palavras…
Empatia para com o outro…
Honestidade quanto aos sentimentos…
Consciência dos atos…
Maturidade emocional é crescimento mútuo…
Sinceridade é o meu lema…
Não importa o quão difícil seja…
Que possamos fazer as melhores escolhas…
Ame além da razão…
Seja o sorriso no coração de alguém…
Patrícia Feijó

⁠Tragédia


E se tudo der errado amanhã?
Meus planos, meus sonhos,
Meus amores, minha sorte.
Eu me decepcionar com as expectativas,
Me perder em solidão
E em desejo de morte.
Se o amor não vingar,
O café esfriar,
A carência me dominar
E as angústias me atingirem como um corte,
Qual será minha reação?
Qual será minha resposta?
E se o mundo for realmente uma bosta?
Aposto que nada mudará:
O mundo não deixará de ser mundo,
Meus amigos não serão menos amigos,
Meus planos serão reconstruídos
E eu ainda não terei inimigos.
Não serei menos do que já fui,
Não serei mais do que já sou,
Não ficarei mais louco
E não perderei minha fé no amor.
Os jardins ainda serão floridos,
As cores ainda coloridas,
A água ainda será molhada
E a entrada ainda terá uma saída.
Se eu bater violentamente
No absoluto fundo do poço,
Ainda serei eu mesmo,
Ainda poderei subir de novo,
Ainda vou querer ser feliz,
Ainda vou gostar do som da chuva,
Ainda sofrerei quando sentir dor
E ainda apreciarei a luz da lua.
Se tudo der errado amanhã,
Será exatamente igual a hoje.

Parabéns, Mulher

Demétrio Sena - Magé

Minha vida sempre foi e continua sendo rodeada por mulheres fortes. Fortes como o próprio mundo exige que a mulher seja, em razão do machismo e da misoginia de uma sociedade profundamente patriarcal. Minha mãe, cuja força moldou a resistência de suas nove crias, como parecia improvável para todos a mera sobrevivência. Minha avó materna, minhas tias, irmãs, e as inúmeras amigas que tive ao longo dos meus anos me ajudaram muito em minha formação como pessoa.

Tempos depois me casaria com uma das mulheres mais fortes e generosas que já conheci, e com quem tive a sorte de me casar. E tenho, ainda, duas filhas que também forjam minha índole e com as quais aprendo bem mais do que sempre julguei ensinar. As preocupações que tenho com elas, por saber em que mundo vivemos, é compensada pela admiração que tenho por ver o quanto elas enfrentam as próprias adversidades e não desistem.

A luta pelos direitos sociais e políticos, a busca de um mundo que as incluísse com respeito e dignidade, iniciada no índio do Seculo XX, pela ativista alemã Clara Zetkin, ainda tem muito o que vencer. A sociedade, vocábulo feminino, mas que abriga um patriarcado perverso, preconceituoso e feminicida, tem muito a ser erradicado, conscientizado e vencido nesta questão, para se tornar uma sociedade justa. Humana. Coerente. Parabéns, mulher, por não se deixar sucumbir!
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Impetuosa

⁠Eu não estou aqui.
Já faz um tempo, mas não estou aqui.
É como se minha consciência pairasse
em outro lugar.
Enquanto isso, o meu corpo se encontra fixado no tempo,
onde há folhas mortas e paredes desbotadas.
O céu está como jornais molhados — quase pingando, querendo cair.

E eu... um ser tricotômico,
que se iguala a mais uma natureza: o êxtase do momento.
Meus olhos, cheios de água, não aguentam tamanha tristeza que o céu expõe.
Se expande em mim léguas e léguas, mas não há horizontes, pois não sei pra onde ir.

Como voltar pra casa, se já não me sinto em casa dentro de ti?

Minha vida...
Entendo o tempo lá fora.
O que há em ti que me abrigue de volta?
Por onde me levará o meu caminho, se ando perdido?
Sem horizonte, sem mulher e sem direção.

Ela vem...
Ela vem como quem não quer muito,
e sim o suficiente para apaziguar suas emoções.
Por dentro da janela, eu a espio nervosa,
como se fosse a única maneira de retribuir através da dor.
Sem se importar com o que virá depois,
ela simplesmente se derrama na cidade cinzenta,
onde pessoas andam como cápsulas vazias em meio ao temporal.
A chuva cai, e em meu coração troveja...

⁠Bom dia, minha querida!
Hoje é um dia especial, pois é a véspera do Natal.
Eu estou muito feliz por ter você na minha vida,
Você é o meu presente mais precioso, a minha alegria.
Eu te amo muito e quero te abraçar bem forte,
E te desejar um Natal cheio de paz, luz e sorte.
Você é a minha estrela guia, a minha inspiração,
E eu agradeço a Deus por essa linda união.
Bom dia, minha amorzinha, e feliz Natal!
Você é tudo para mim, você é o meu ideal.

A Maldição de Sariel

(à maneira de Kierkegaard)





Minha maldição não é visível aos olhos comuns,

porque não vive fora de mim,

mas no silêncio onde o homem encontra a si mesmo

e descobre que não pode escapar.





Sou condenado a perceber que a vida não me pertence —

ela apenas me atravessa,

como um vento frio que corta e não se deixa segurar.





Sinto o peso do eterno no instante,

o peso de Deus no olhar humano,

o peso da ausência onde deveria haver consolo.





E, enquanto outros caminham distraídos,

eu caminho acordado demais,

ferido demais,

amando demais.





Não sei se isso é dádiva ou castigo,

mas sei que não há cura.

Porque aquele que vê o fundo do poço

já não consegue fingir que só existe a superfície.

O Sorvete que Virou Saudade

Algumas lembranças têm gosto.
A minha tem gosto de chocolate.

Todo Dia das Mulheres
eu chegava com um Magnum na mão.
Era simples, quase bobo para quem via de fora.

Mas para mim
era uma maneira silenciosa de dizer
tudo aquilo que às vezes os filhos
não sabem falar direito.

Eu entregava o sorvete
e dizia que a amava.

Ela sorria.
E naquele sorriso
o mundo ficava em paz por alguns segundos.

Eu não sabia
que um dia aquele gesto tão pequeno
viraria uma das maiores saudades da minha vida.

A gente nunca imagina
que os momentos comuns
estão, na verdade, se tornando eternos.

Hoje o Dia das Mulheres chega
e eu sinto falta daquele caminho simples:
comprar o sorvete,
bater na porta,
ver o sorriso dela.

O sorvete ainda existe.
O dia ainda existe.

Mas agora
o amor que eu levava nas mãos
precisa viajar pela memória
para chegar até ela.

E às vezes eu penso…

se o céu tiver pequenas alegrias humanas,
talvez em algum lugar
minha mãe ainda esteja sorrindo
enquanto eu chego com um Magnum na mão.

— Sariel Oliveira ✍️

Retorno à minha essência e volto a ser de mim,
ainda que enlutada,
percorra sozinha no grito das gaivotas
as vagas do nosso amado mar.


Saber-te em mim será sempre a minha maior alegria,
ter sido tua um dos melhores e maiores êxtases que alguma vez uma mulher possa ter experimentado.
Em ti me enrosco todas as noites lambendo-te as feridas dos dias onde te deixei liberto, à deriva de todos os meus caprichos,
e foram tantos!


Por vezes tenho a sensação de que ainda estás presente
e a saudade fervilha nesta ausência de nós.
É como se te visse e ouvisse boquiaberto e feliz
enquanto eu tentava arranjar os desalinhados cabelos
no temporal dos sentidos:
“ meu amor, como és linda! A mais bela das mulheres, é minha!”


É por aí que eu vou quando tudo o que ouço agora é uma cruel e inoportuna mente gritando-me exactamente o oposto
quase até à loucura!


Perdoo-te teres partido, mas nunca te teres tornares silêncio,
cobardia e bicarbonato de sódio
neste corpo onde explodem lavas,
corpo de primícias tuas
onde navegaram navios
e tuas mãos de menino.


Célia Moura, poesia

Inteiro...


Eu não estava procurando nada.
A vida seguia. Imperfeita, mas minha.


Então você chegou.
E quando chegou,
o mundo não fez barulho,
fez sentido.


Nada precisou ser preenchido.
Algumas coisas apenas encontraram lugar.


Eu observei.
Não por desinteresse,
mas porque quem já caiu
aprende a respeitar o tempo das coisas.


Havia cuidado no teu jeito.
E o cuidado verdadeiro não invade,
permanece.


Aos poucos, baixei a guarda.
Não por promessa,
mas porque parecia seguro existir ali.


Eu tinha feridas.
Não escondi.
Estou tratando.


As tuas ainda sangravam.
Não por fraqueza,
mas por medo do que cresce,
do que exige futuro.


Eu entendi.
E não te culpei.


Eu errei.
Como erra quem se envolve de verdade.
Mas soube parar,
olhar de novo,
voltar melhor.


Não ofereci um conto bonito.
Ofereci presença.
E isso eu sustentei.


Você me fez acreditar de novo.
Não em finais perfeitos,
mas na possibilidade de caminhar junto.


Por isso me mostrei.
Inteiro.
Sem personagem.
Com falhas, medos, noites mal dormidas
e a coragem de dizer: é aqui que eu fico.


Eu confiei.
E confiança nunca é ingenuidade,
é escolha consciente.


Eu te amei.
E ainda amo.


Não como quem espera algo em troca,
mas como quem respeita o que foi real.


O que é verdadeiro não se apaga quando termina.
Muda de lugar.
Vira memória viva,
não ferida aberta.


Eu sei quem eu fui.
E sei quem sou agora.


Minha felicidade não depende de você.
Mas ao teu lado,
ela teria sido mais calma,
mais casa,
mais chão.


Eu quis ser teu homem.
E, por um tempo,
isso foi verdade para nós dois.


Hoje eu sigo.
Inteiro.
Sem culpa.
Sem ruído.


Com amor onde ele cabe
e dignidade suficiente
para não negar o que senti.

Sonhei com a minha avó já falecida, dizendo que não queria mudar o telhado da sua casa, que era de telhas, para telhado de "pau a pique" eu dizia que se ela não quisesse, era só deixar o telhado e Mudar só as paredes da casa, que precisavam de uma reforma.
Eu em seguida dizia pra ela tomar banho, que tínhamos que sair, então dei a ela meu shampoo e creme pra colocar no cabelo, ia dar o shampoo do meu marido, mas vi que já estava acabando, então não dei, ela saiu pra tomar banho e me olhava com um olhar muito duro.




Julho de 2023

Ode de despedida


As árvores da minha terra
já não morrem em pé…

morrem nas manhãs frias de nevoeiro,
morrem numa paleta policroma desbotada,
morrem num tempo esculpido por uma soturna melancolia,
morrem no ocaso da memória continuamente vivida,
morrem na toponímia de um corpo consumido,
morrem 
morrem as minhas raízes
silenciadas dentro de mim.

Silêncio.

O silêncio insuportável da minha alma.
Causa barulho em noite calma!
O sorrir da solidão.
Traz emoção ao coração!
Mas nem toda solidão é sofrimento,
Mas um prazer reflexivo ao firmamento.
O silêncio nos faz pensar,
Faz sorrir ou faz chorar.
Porem existe um silêncio que ninguém pode tirar.
É o silêncio do coração,
Pois dependendo, pode causar outro tipo de emoção .

Por que existe algo em vez de nada? Minha resposta a essa pergunta é que há algo que sempre existiu, algo eterno, e esse ser eterno só pode ser Deus.




​Além disso, proponho outras questões:
Será que a ordem pode vir da não ordem?será que a vida pode surgir da não vida? Será que a consciência pode vir da não consciência? Pode a racionalidade originar-se da não racionalidade?pode as emoções e sentimentos não vir das emoções e sentimentos?pode a ética e moral vir da não ética?




​Creio ser impossível que essas coisas surjam de forma espontânea, sem provirem de algo já existente. Para mim, elas só podem ter vindo de Deus; por isso, acredito absolutamente em Sua existência."

Historia, não drama

Minha ansiedade me acompanha
como um ruído constante,
um alerta que nunca desliga,
e junto dela
o medo de exagerar,
de sentir demais,
de parecer dramática
por simplesmente sentir.

Ela nasceu cedo.
Entre olhares atentos demais,
expectativas grandes demais,
e a sensação de que sentir
era sempre exagero.

Cresci ouvindo
que tinha tudo.
Casa, cuidado, conforto,
um berço chamado de ouro
— como se isso anulasse
qualquer vazio que coubesse em mim.

Quando doía,
não era dor:
era drama.
Quando eu reclamava,
era vitimismo.
Aprendi cedo
a engolir sentimentos
antes que alguém dissesse
que eu estava exagerando.

Meus irmãos gritavam mais alto,
quebravam mais coisas,
ocupavam mais espaço.
O do meio, o mais difícil,
recebeu colo em excesso,
atenção dobrada,
como se o amor fosse um prêmio
para quem dá mais trabalho.

E eu?
Fiquei quieta.
Aprendi a merecer afeto
sendo fácil.
Sendo compreensível.
Sendo grata.
Mesmo quando algo em mim
pedia socorro —
em silêncio.

Hoje, no amor,
minha ansiedade aparece
com cuidado demais,
palavras medidas,
e o medo constante
de ser intensa demais.

Não é ciúme,
é receio.
Não é cobrança,
é medo de perder.

Carrego um receio silencioso
de depender,
porque no fundo
ainda busco validação
como quem pede permissão
para existir
sem pedir desculpas.

Já disse a ele
sobre meu medo de abandono.
Não nasceu agora.
Veio de casa.
Veio das vezes em que fui ouvida
só quando não incomodava.

Tenho amor,
mas também tenho feridas.
Tenho entrega,
mas carrego alertas.
Não sei sempre explicar
nem organizar o que sinto,
e ainda assim
sinto —
mesmo com medo
de parecer dramática.

Não quero amar por carência.
Não quero ficar por medo.
Quero escolher.
Inteira.
Mesmo ainda aprendendo
a confiar
que meus sentimentos
não são exagero,
são história.

Eu demorei para entender que minha fé não precisava de moldura. Não era sobre pertencer a um templo específico, repetir palavras decoradas ou provar algo para alguém. Um dia percebi, quase em silêncio, que Deus não estava distante nem escondido atrás de rituais; Ele morava em mim. E quando entendi isso, algo dentro de mim ficou tranquilo, como se finalmente eu tivesse chegado em casa.

Não depender de religião não significa desrespeitar quem encontra Deus nela. Pelo contrário, cada pessoa tem seu caminho, sua ponte, sua forma de conversar com o céu. A minha foi mais silenciosa, mais íntima. Foi no meio das minhas dúvidas, das quedas, das noites em que eu conversava sozinha com o teto, que comecei a sentir uma presença que não precisava de intermediários. Era uma fé simples, quase cotidiana, como respirar.

Eu descobri que Deus aparece quando eu cuido de alguém, quando eu escolho ser justa mesmo sem aplauso, quando eu perdoo, quando eu me levanto depois de um dia difícil. Ele está nos gestos pequenos, nos pensamentos que tentam ser melhores do que ontem. Mora nas decisões que tomo quando ninguém está olhando.

E isso muda tudo. Porque quando a gente acredita que Deus vive dentro da gente, a responsabilidade também muda. Eu passei a olhar mais para dentro, a vigiar minhas próprias atitudes, a tentar ser um lugar bom para Ele habitar. Não perfeito, porque ninguém é, mas verdadeiro.

Hoje eu caminho assim: sem precisar provar fé para ninguém, sem carregar rótulos pesados, mas com uma certeza calma de que não estou vazia por dentro. Há uma luz ali, discreta, constante, que me lembra todos os dias que Deus não está longe. Ele está aqui, comigo, vivendo cada passo da minha história.

⁠Minha linha do tempo é atemporal...nela há futuros, passados, e presentes no mesmo instante. Correlacionados, entrelaçados, e dependentes de si próprios. Meu hoje é a reação que fiz ontem, e meu futuro viverá a ação do meu agora. Quando olho para trás, vejo o que terei na frente. E assim sigo meus dias...buscando no ontem, para melhorar meu hoje e garantir meu amanhã! Plantando e colhendo!
G.M.