Texto em versos
Eu queria ser viajante do tempo,
embarcar nos trilhos da memória.
Queria me encontrar
aos quarenta e cinco anos.
Queria encostar a minha
mão do passado
no meu rosto do futuro,
olhar no fundo dos olhos marcados,
mostrar fotografias empoeiradas,
me abraçar por horas e dizer
que compreendo as cicatrizes.
Eu diria agora e sempre,
eu ainda sou 1% do que posso ser.
Carne e osso é pouco pra mim,
eu quero ser verso e poema,
quero ficar gravado na pele dos muros,
quero ser escrito nas placas de trânsito,
quero ser pichado na mármore dos corações
de cada cidadão dessa nação.
Roney Rodrigues em "Mochileiro do Tempo"
Ora não seja tão rude assim.
Enquanto o mundo gira,
você fica aí estacionando
suas mágoas no aperto
desse apartamento.
Vem aqui fora ver as estrelas,
vem aqui fora me abraçar.
Ainda faz um tempo bom
para sonhar com melhoras.
Ainda faz um tempo bom
para se perdoar sem demora.
Roney Rodrigues em "Quase Inverno"
Um pai joga a filha do sexto andar de um prédio
e jura inocência aos policiais.
Bandidos roubam um carro e não permitem
que uma mãe retire seu filho de seis anos
de dentro do carro, o menino fica pendurado
pelo cinto de segurança do lado de fora do veículo
e é arrastado por sete quilômetros de distância.
Menores de idade sequestram um casal de jovens
que acampava, após abusarem da moça em forma
de rodízio, um dos menores a assassina na frente
do namorado e depois atinge o jovem com golpes
de facão, o jovem morre por traumatismo craniano.
Abra os olhos,
não se deixe enganar,
o inferno é aqui na Terra!
Roney Rodrigues em "O Inferno é aqui"
Se tu soubesse como dói
ser desajustado e confuso
talvez não me olharia
como olha para
o palhaço do circo.
Talvez enxergaria
algum sentido
nas minhas palavras disléxicas.
“Abundância de sentimentos foi o que me acabou.”
Essa rotina de beber
para esquecer lesões internas
matou Van Gogh aos 37 anos.
Outra vítima do desajuste,
o mesmo desajuste que
me persegue todo dia
quando saio do serviço.
Roney Rodrigues em "Absinto"
Finalmente você chegou,
achei que não viria,
achei que nunca te conheceria.
Rastejei por anos
como quem vive
no limo de um poço,
no fundo de um porão.
O amor veio como
tempestade sem trovão.
O grande estrondo veio
do ranger de um coração
enferrujado.
Esperei mil anos
nessa minha aflição.
Seu olhar claro,
seu abraço comprido,
é o lar mais aconchegante
em que já estive.
Logo eu que não tinha nada,
agora tenho um reino,
um império só meu,
um peito quente
para repousar o fardo
de não ser poeta,
o peso de não saber rimar.
Roney Rodrigues em "Bruma"
Eu fico triste
por essa geração.
As crianças não jogam
mais taco na rua.
Não tem mais
time da rua de cima
contra time da rua de baixo.
As calçadas
não tem mais marcas de giz.
Ninguém toca mais
campainha pra sair correndo.
Mas ainda brincam
de polícia e ladrão
aqui no quarteirão,
só que ao invés
de cano 'pvc' nas mãos,
a criançada sai armada
de fuzil e “três oitão”.
Roney Rodrigues em "Triste Geração"
Garoto pobre da zona sul,
de roupa e alma rasgada
tecia seu verso, incerto
em seu velho caderno azul.
O telhado tinha uma goteira,
o madeirite tinha uma fresta,
Pela fresta assistia o universo,
A lua, as estrelas, que linda festa.
O dinheiro que o pai trazia,
dava pro pão, mas faltava pra vida.
A mãe dizia menino larga esse caderno
que isso não dá futuro, só ferida.
O garoto da favela nunca esqueceu a viela,
o povo, a dor, a sirene e o caderno.
Foi pro mundo muito cedo,
comprou um livro, vestiu um terno.
Nunca contestou as palavras
afiadas de sua querida mãe.
Desobedeceu ela até o fim da vida.
Em seu jazigo um poema:
Morreu o poeta da viela,
Venha estrela e venha lua,
espiar por entre a fresta.
Venham cear nessa rua,
Chorar a morte, fazer uma festa.
Cantar seus versos, contar seu amor
Fazer com que saibam que poetas
também nascem do calor da favela.
Roney Rodrigues em "Poeta da Viela"
A imparcialidade é uma
armadura pra poucos.
É sombra na vastidão
de um deserto.
É refresco para o coração
desidratado.
Não se esqueça,
quem com a espada fere,
com a espada será ferido.
Quem com as palavras divide,
com as palavras será dividido.
Roney Rodrigues em "Imparcialidade"
Uma energia me suga
ao fundo do teu olhar.
O brilho vermelho
disfarça as cinzas, os restos.
Planetas e estrelas engolidos,
amores extintos e poeira cósmica.
Uma arma tão simples,
uma gravidade tão grande.
Concluo que é impossível
frear meu corpo ou
escapar do teu olhar radioativo.
Roney Rodrigues em "Quasar"
Ela é daquele tipo de mulher que tenta se camuflar nas coisas
Passar desapercebida
Mas sua singularidade é tanta
Que é impossível que não se destaque
Tem gosto excêntrico,
É desajeitada para algumas coisas,
Adora gente que rema contra a maré,
Que tem caráter.
Ela é simples de coração,
Porque sabe que simplicidade é sinônimo de sofisticação.
Ela não abre mão de ouvir Zeca Baleiro e Chico Buarque antes de dormir,
De sonhar com seu lugarzinho no mundo,
De fazer a diferença e cantar sua infinitude.
Ela é, por dentro e por fora, uma extensão da liberdade.
Você é tão diferente dessa gente que conheci e sempre me deixou pra lá, flores não bastam, suspiros não são suficientes, mas quando digo que meu amor por ti é verdade, é bonito, é a verdade mais cristalina que eu conheço.
Um milagre está chegando, menina, e eu acredito nisso, você ficará e tudo ficará bem.
Meus versos são ligeiros, para correrem para teu jardim com intensa emergência.
Me dê uma passagem e uma casinha na beira das tuas estradas, quero morar em ti. Morar no teu âmago sagrado, mas também profano. Morar no teu jeito instigante, no teu gosto de malícia, no teu amor latente.
Me dê sua pele, cola em mim, deixa-me ser a constelação do céu da tua boca, dê-me tua poesia que eu farei de nós reticências, deixe-me ficar em tua vida, em teu mundo. Espera nós de nós que eu te salvo, sempre...
Saudade é meu pavor sempre que meus olhos ficam mareados ao lembrar de teu nome. Tens noção de que dor seja essa?
É como se explodisse dentro de mim, tudo o que eu sou e eu me dilacero e logo estou esmiuçado, em pó. Um peso na garganta me sufoca o choro e sinto uma dor no peito. E eu te escrevo mesmo sabendo que meus versos são de lama.
Só você desmancha meu sorriso tênue e pinta nos meus lábios um sorriso avermelhado.
Teu nome hoje me feriu, cada fonema dele roeu meus ossos frios, mas ainda assim, teu nome é a canção que eu ouço em mil tons e não me canso jamais, tu és minha música preferida, a sinfonia mais perfeita.
Queria eu poder esbravejar aos quatro ventos, aos meus demônios, à toda essa galáxia, o que meus olhos, minhas sombras, minhas palavras dizem, mas assim saíria de mim tempestades e raios.
Eu vejo em você, meus sonhos. Vejo um amor tão puro quanto o céu, o amor nunca é exagerado e amar nunca é demais. Não sei nada sobre o amor, mas o meu amor, ah, meu amor é teu agora, para sempre e mais um dia.
Hoje eu acordei chamando teu nome, procurando teu colo, teu abrigo, teus seios. Não vou te abandonar jamais.
E caso você não tenha entendido os mistérios semeado embaixo dessas palavras, vou te explicar com grito silêncioso:
EU AMO VOCÊ!
AMIGO VENTO.
Amigo vento, vai e vem com seu barulho
Cheio de orgulho, rompendo os muros
Fazendo- me tão bem.
Amigo vento com seu alento
Vem logo cedo
Ou na negra noite também.
Trouxeste alguém,
Era meu bem.
Senti seu cheiro e foi certeiro.
Era você, amigo vento.
Anunciando que ele vem.
Meu-nosso lugar
Apesar de ser manhã,
ainda era escuro.
Canonizamos
no livro da vida,
o beijo eterno
da bondade
revestida de paixão.
Flores delicadíssimas
ornavam as cabeças,
Milagres em forma
de pedras
sob os pés
em resposta de fé.
Esse vento me abraça
e os sabores das amoras
irrompe o inexpressivo
sorriso.
Fotografei su’alma
com meu olhar. Aqui fica!
Ainda dizem coisas dos tempos
das águas doces-salgadas
do nosso ranchinho.
EXISTE UM ADÁGIO POPULAR QUE DIZ: O QUE OS OLHOS NÃO VEEM, O CORAÇÃO NÃO SENTE.EU COMPLETO: SE O CORAÇÃO NÃO SENTE É PORQUE NÃO CHEGOU NA MENTE, SE NÃO CHEGOU NA MENTE NÃO DÁ PRA PROCESSAR, SE NÃO CONSIGO PROCESSAR, NÃO ENTENDO, SE EU NÃO ENTENDO, PRA MIM NÃO EXISTE. E SE NÃO EXISTE, PRA QUE ME PREOCUPAR?
VEJA POR ESSE ÂNGULO ,E EVITE PROBLEMAS.
M.C.A
Não duvide da minha capacidade de modificar o mundo
Por fora sou pequena, mas grande é o meu talento.
Do céu eu trouxe a paz e onde eu pisar não haverá tormento.
Sou coragem e motivação para quem está cansado e sente medo.
Já dizia o sábio Tião, "Quem é bom já nasce feito".
MEMÓRIAS DE UMA NOITE.
Aqui estamos nós a nos olhar
E sobre nós a lua a iluminar.
Ela que clareia a areia e a esse imenso mar.
Aqui estou agraciado, pois teimei em te esperar!
E tu, porque tanto racionaliza o amor, morena ? Porque se preocupar ?
Procura vivê-lo romantizado, em um complexo de alma gêmea.
Porque te preocupas ?
Se quando olhas no espelho vês a mim
Se quando pensas, pensas em mim
Se quando sonha, me evoca em teu inconsciente.
Vivo cativo sem perceber, sendo assim, nenhum esperança há de morrer.
Eu que busquei em você a poesia verdadeira, de tão sublime tornou-se a primeira.
És tu quem me dissolve num beijo cálido.
De tanto querer eu vivo ávido.
Não sabes, mas tens o dom de dissipar qualquer anseio.
Permeia nos fins, e justificam os meios.
Em meio a tantos versos, serei seu cúmplice eterno.
Enquanto isso, permaneço firme, austero, fraterno.
Gastando o giz, desenhando estrelas no céu.
O amor é um sonho doce e todo bom poeta o eterniza no papel.
ABSTRAÇÃO
O que me resta é descrever o que acontece na criação
Na conexão tácita entre o mundo real e o segredo da abstração.
Da percepção das formas imaginárias que me caem, hora com desdém.
Que se consolidam através da técnica, num doce vaivém.
De onde vem essa beleza de jardim, firmeza de arquitetura?
De onde vem essa poesia de mulher, essa flor de formosura?
Como extrair essa melodia tão sublime, sem colcheia ou partitura?
Basta só te imaginar e me conectas com o que há de mais sagrado.
Ao despertar em mim a arte, te transcrevo num retrato.
E é assim que vou unindo a sua vida ao meu caminho
Acabando aos poucos com as reticencias que separam eu ... de você
Sigo a estrada que surge nas águas a luz do luar.
Acompanhando a correnteza, seguindo sempre a navegar.
Então, homem! Vê se aprende a pescar.
Encontra nela a poesia antes de se apaixonar.
Triste dos termos, dos ermos, dos que vivem em amargura!
Não é preciso ser um gênio, nem viver em clausura.
Percebe a música no jeito olhar, a arquitetura no teu corpo de mulher
A poesia de beijo singular, ao doce sabor do bem-me-quer.
tuas chamas me acenderam
feito brasa afastada
quando tocada pela faísca
não sabia que nosso ardor
nos faria arder demais
e por vezes desejar o frio
voltar aos nossos ideais
sorte que temos consciência
da nossa plena dependência
e voltamos a nos encontrar
no lugar que sempre foi nosso:
o palco do perdão.
"ruína e vida"
Mas o que é isso menino,
acha que sou desinformada,
mulher sozinha em desatino
que vive de ilusão e mais nada ?
Pare com essa sua afirmação,
sou é muito bem resolvida,
faço personagens por convicção
para deixar a vida mais divertida
A ninguém firo ou prejudico,
sou uma simples poeta,
gosto de cantos e gritos,
nos versos que são minha meta
Sei muito bem onde sigo,
para que, porque e muito mais,
não gosto de brincadeira comigo,
levo a vida a sério e em paz !
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