Texto de Solidão

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Deserto

Autor: Elias Torres

O deserto que entrei
Deixou-me triste e cansado
Chorei, gritei e tive saudade
do seu gosto e do beijo molhado.

O sol escaldante me judiava
Tive desejos da sombra
e da água da sua presença,
mas sua lembrança me saciava.

Quando estive solitário
desenhei a sua imagem
no céu que me cobria
Eu ficava admirando
a sua beleza junto as estrelas
simplesmente, eu sorria.

O deserto me dominou, porém não me venceu
Forte anseio me estremeceu,mas
aprendi a não sofrer de pieguice
mesmo desejando a sua meiguice.

O deserto machuca, mas educa
Aprendi a não ser um fraco com meu vazio
Diante das minhas necessidades e saudade
Sempre a amarei e nunca serei um baldio.

Quanto mais o tempo passa, mais nos frustramos com as pessoas. Com as atitudes que são diferentes do que esperamos, com a forma com a qual conduzem suas vidas, com as regras que estabelecem para si próprias.
Nos queixamos dos abandonos corriqueiros. Consequentemente, nos afastamos, nos pondo num pedestal que, a julgar pela nossa própria percepção, nos distingue dos outros.
Entretanto, como temos agido com as outras pessoas? E se as outras pessoas se sentem exatamente da mesma forma? O que afasta dois indivíduos que se sentem da mesma maneira, um em relação ao outro, mas não conseguem dialogar em busca desse denominador comum?

À beira da praia, sentado na areia,
Vejo as águas, vivas, que dançam em volta de uma sereia
Brilhante horizonte que acorrenta o meu olhar
Se eu seguir a linha do sol eu vou te encontrar?

O vento que transcorre no meu rosto incolor
Canta canções perfeitas, perfeitas pra quem chorou
O brilho está por aí, minha alma desbotou
Já tentaram me pintar, mas a tinta não secou

Se meu anjo decidisse vim tentar me ajudar
Pediria suas asas pra o mar atravessar
Não tenho barco, não tenho braços que consigam aguentar
A cada dia que passa mais distante você está.

⁠⁠Quando me reconstruir
quero ter janelas enormes
Pra que nenhum canto em mim permaneça tanto tempo no escuro
Pra que algo consiga ser maior que minha solidão
Mas não cobrirei minhas rachaduras
Nem disfarçarei minhas angústias
Carrego comigo cada mulher que eu já fui nas minhas frestas
Usarei esses vazios como respiro e não como ruínas

⁠Eclipse do Ser

Sob o véu da noite escura,
Meu coração, um mar de angústia,
Navega sem rumo e sem ventura,
Na solidão que me conduz à bruma.

Teu olhar, qual estrela a brilhar,
Fascinação em um eclipse do ser,
Na imensidão do céu a cintilar,
Despertando em mim o querer.

No jardim dos sonhos semeio,
Pétalas de amor e esperança,
Cada toque, um verso que anseio,
Dançando à luz da lua em bonança.

Ah, tu és meu sol e minha lua,
Nas tuas mãos, meu destino trilho,
Numa sinfonia de paixão crua,
Nossos corações em harmonia asilo.

Com o calor dos teus abraços,
Meus medos se esvaem no ar,
E, nas asas de doces abraços,
Voo ao céu, sem nada temer ou pesar.

O tempo dança ao nosso redor,
E as horas são notas melódicas,
Conduzindo-nos nesse amor,
Que transcende as formas platônicas.

Nosso encontro, um universo à parte,
Onde a alma se desnuda sem medo,
Cada batida, uma obra de arte,
Numa sinergia que não tem segredo.

Assim, seguimos a jornada, lado a lado,
Metáforas vivas, em eterna melodia,
Num poema lírico e emocionado,
Do amor que floresce a cada dia.

⁠Ontem nevou e fez frio. Não havia mais fogo para aquecer e a luz do Sol não brilhou mais. O caos trouxe a escuridão e a escuridão tomou os corações.
Ontem nevou e a neve cobriu nossas casas. Ficamos perdidos na rua, correndo de um lado para o outro, sem nem ao menos nos reconhecer.
Corações gelados, dominados pela maldade, riram de nós. O Sol se escondeu. Mas buscamos abrigo debaixo da videira.
O grito dos maus nos assombrou e o frio nos silenciou para sempre.
Quem restou se agarra firme naquela árvore e espera a redenção que aquece com fogo e ilumina com a luz que dissipa a neve e destrói o mal.

⁠Agora eu apenas sento em silêncio. Com imagens passando pela minha mente cansada. Sem ponderar mais nada, pois seria inútil. Evitando pensar o que eu poderia ter feito ou falado, se talvez alguma coisa mudaria. Mas acredito que não, as coisas são como devem ser.

E agora eu apenas sento em silêncio. Sem gritos desesperados, sem pensamentos acelerados, sem lágrimas. Apenas me conformo com o que foi e com o que é. O que poderia ser feito, fiz. Se foi ou não o bastante, já nem importa mais, passou. Fiz além do que poderia ter feito e isso é o que realmente me importa.

Mas agora eu apenas sento em silêncio.
Já não há mais certeza do que as coisas são agora. Só resta esperar com paciência que elas encontrem seu caminho. Sem alarde, sem aviso prévio, sem manobras, sem criar expectativas. Sabendo onde quero chegar, sem perder meu próprio caminho e resguardando minhas esperanças. No momento oportuno algo acontece.
Mas só por agora eu apenas sento em silêncio.

⁠Num bater de asas emanei toda fúria que sentia. Toda história se repetia diante de meus olhos, mas não me conformava.
Culpava o mundo, o azar, a sorte e principalmente a mim mesmo.
Tempestades de fogo, raios e furacões. Mantinha longe seus intrusos. No recanto da montanha, a fera voando solitária.

⁠Aparentemente as pessoas não se importam de verdade com o que as outras sentem. Elas perguntam por educação.
E respondemos por responder.
Falamos o que não sentimos, para evitar que a conversa se aprofunde mais, já que ambos não tem interesse em prolongar muito ela.
São tempos em que as pessoas não se importam com nada além de seu próprio umbigo.
O amor está se extinguindo e sua essência está se perdendo.

⁠O loucos estão lá fora se matando
Os daqui são só vítimas do sistema.
Eles sofrem, sentem tanto
E os de fora não veêm problema..

Na pele eles deveriam sentir
Como é viver preso sem poder sair
Ser dopado de medicamento
Ter hora obrigatoria pra dormir

A liberdade é tomada a força
Não se pode mais agir tranquilo
Não se sabe o que pode ruir
É melhor aqui em meu cantinho.

Aqui dentro tomam-se remédios
Dizendo que é pra testamento
A humanidade toda precisa disso
Pra ver se curam esse mal tratamento.

Quem não é visto não é lembrado.
E é assim que somos esquecidos
Passamos de um lindo retrato
A um papel velho,rasgado, sem brilho

⁠O NÓS VIROU EU

A tempestade ficou sem chuva
meu copo acabou o vinho
eu devo sair hoje?
ou devo ficar?
... o que devo dizer
eu aprendi a ler
lendo sua mente silenciosa
eu aprendi a escrever
aprendendo você de cor
mas quem é você hoje?
meus olhos correram para fora da vista
minha rota ficou sem placas
hoje eu perco o seu caminho
para encontrar o meu caminho

Paulo H Salah din

Chega determinada fase da vida que é preciso descobrir a necessidade de estar só para viver certas experiências.
Esse estar só é diferente de ser só. Contudo ele só é possível na solidão, onde se encontra na vivência do silêncio, surdo do mundo, a experiência de viver as demoras, de reencontrar a coragem mesmo que exista cansaço.
É um momento da vida, em que você olha para o céu azul e experimenta o sabor dos sonhos, como se fossem nuvens de algodão doce a enfeitar o nosso céu; momento em que se contempla no verde das matas a esperança de uma nova chegada, ainda que certo seja que haverá uma nova partida; compreende que o vento frio que bate na face também é caricia de Deus em nós.
Viver nos torna fortes, amar nos faz sensíveis e a fé em Deus nos torna capazes de seguir.
E a gente aprende que seguir, só vale a pena, quando se transcende a própria solidão e se descobre que mesmo só, a vida é união, a vida é comunhão e só se chega quando se ama.
Ainda que se tenha que amar sozinho!

⁠Entre Sensações e Cansaços

Diria que a vida é feita de sensações,
que entrelaçam muitas emoções,
das quais não se vê tantas menções.

O que se faz quando todas as palavras
já parecem repetidas?
Já não sei...
Mas sigo a escrever,
mesmo sem sentir que algo irá permanecer.

Gosto de imaginar o cantarolar dos pássaros
que me cercam no desconhecido —
o lugar onde, mais do que reconhecido,
encontro meu verdadeiro eu.
Ali, já não preciso fugir.
Ali, não preciso me inserir.

Pertencimento…
uma falsa convicção criada por aqueles
que mal sabem de si mesmos.
Afinal, onde pertencer,
senão ao próprio ser?

Estou tão cansado,
até um pouco frustrado…
Já não sei o que é me sentir fechado.
Nem tenho mais o desejo de ser encontrado.

Acho que a maturidade
é menos sobre a seriedade
e mais sobre o quanto você se expõe —
por dentro, por fora,
sem precisar de terno,
mas com verdade no interno.

⁠Meu desencontro

Meu desencontro.
Bebo a/à indiferença do mundo.
Crio pontes... Em repentes...
Essa linearidade da vida que roda sobre esferas.
Faço-me fera.
Faço-me alguns eus...
Sofrem alguns...
Centro-me.
No centro me desconcentro... me desencontro.
Difícil encontrar-se num encontro.
Sigo os semiapagados rastros...
Concêntrico... Homocêntrico...
Estou exausta...
E com os sapatos gastos.

Cheiro do teu corpo

Se não se lembrares de mim,
Lembre-se do meu amor por ti.
E no silêncio dos teus pensamentos
Recorde as juras de amor.

Se não sentir o meu cheiro,
Ande nos caminhos que passei.
E na flagrância desse amor
Sinta o calor dos meus abraços.

Se não tiver minha presença,
Releia as cartas que escrevi.
Sinta nelas a alegria
De reviver os meus abraços.

De você não me esqueço
Quando eu vejo as estrelas.
Vejo nelas a luz do teu olhar
Vindo aqui pra me banhar.

E no vento que me cerca
Sinto o cheiro do teu corpo.
Que perfuma a minha vida
Revivendo o nosso amor.

Se me falta o teu calor
Sobra em mim tão grande amor,
Guardado no meu peito
Dado a ti em uma flor.

Edney Valentim Araújo

Procuro uma rosa

Retiro as pétalas de uma rosa
Pra saber do meu amor,
Ela me ama...
Ela não me ama...
Ela me ama...
Ela não me ama...
Procuro uma rosa pra mudar o meu destino,
Ela não me ama...
Estou pensando em minha amada em cada pétala que eu arranco,
Enquanto eu aguardo em silêncio o tempo de sua chegada.
“Ela me ama...”.
E aqui estando, será ela a dona do meu coração.

Edney Valentim Araújo

O amor

Queria saber o que é o amor,
Como eu queria compreender o amor...
Se fosse apenas um sentimento
Eu saberia descrevê-lo.

Quem poderá decifrá-lo
Se o amor é a própria essência da vida.
É a razão que se perde na emoção
Do encontro de duas almas gêmeas.

Mas vou dizer este mistério,
O amor lhe faz viver em mim
Para que eu viva em você,
E juntos, ele nos torna uma só carne uma só alma viva.

Não posso descrever o amor...
Mas tão intenso eu o sinto
Quando junto a ti me falta fôlego
E eu o encontro em teu suspiro.

Edney Valentim Araújo

Menininha linda

Ó minha menininha linda...
O tempo passou para mim
E para você.
E as linhas de expressão
Que hoje adornam o teu lindo rosto
Só serviram para aumentar
O meu encanto por você.
Quanto a mim,
Cada linha que marcou
O tempo que eu vivi a tua espera,
Serviu apenas para mostrar
Onde eu deixei o meu coração,
Mas o amor de minha amada
A qualquer tempo
Rejuvenesce a minha alma.

Edney Valentim Araújo

Minha amada

Subirei ao mais alto cume
Pra gritar que eu te amo,
E quem sabe assim
Ouvira-me o teu amor.

Eu calaria minha voz
E deixaria de declarar-te meu amor,
Se fosse pra te ouvir dizer meu nome.
Aquieta-te, ó minha alma...

Ela saberá que é amada,
Ela saberá que é desejada...
Mas nunca saberá dos teus flagelos
Convulsivo por este amor desmedido.

Gritarei aos quatro cantos,
Falarei aos quatro ventos,
Onde estás, ó minha amada...
Vem saber que és amada.

Edney Valentim Araújo

Um só corpo

Tomei-te pelas mãos
E lhe entreguei o meu coração...
És para mim o caminho
Por onde eu ei de seguir.

Quando a nuvens tenebrosas
Trouxera-me tempestuosas
Sombras da solidão,
Acolheste-me no teu coração.

Trouxestes ao meu rosto
Frondosos risos de alegria...
A minh’alma exulta feliz
Jubilosa em contentamento.

Do cinzento e outrora incerto caminho
Fizeste brilhar a luz da tua presença.
Levaste-me contigo
De um mundo sem forma e vazio.

Para habitar na tua alma
Em um só corpo, uma só carne...
Firmaste comigo uma aliança
Para caminharmos eternamente juntos.

Deixaste-me encontra o teu amor.

Edney Valentim Araújo