Texto de Reflexão de Amor
'CONVICÇÃO'
Ele tem fé em dias melhores
Mosteiro e solidão
Virou elo falando de amor
Forte tal qual as correntes entrelaçadas
Não se precisa de templo para cultivar o que de melhor temos
Tampouco de falácias erguidos pelos homens
O amor está na alma serena
E ninguém tira-lhe essa imensidão para o mar...
Anda descalços e de mãos dadas
Sem importar-se com castelos de areia
Finca trilhas a cada amanhecer
E não se deixar levar tão fácil como as folhas soltas de verão
Areia molhada nos pés [é essa a sensação]
Desvenda caminhos com uma única razão:
A vida e os seus sinos!
Badaladas nas horas vãs [outras certas]...
Já não basta as convicções sem o frio cervical
A criança ainda chora adulta
E as estradas
jangadas para um novo mundo
Trás crenças
Mitos
Sorrisos
Procuras...
'FALTA...'
"José era infeliz porque não tinha um amor. Depois que conheceu Ana, seu único amor, José continuava infeliz."
Tempo frio. Lembrei da frase acima e estive me questionando: - para onde as pessoas caminham desenfreadas, e o que elas tanto procuram? Lembrei de um amigo professor que chegara ao topo da profissão, desabafando que 'estava meio perdido sem saber mais o que fazer!' E que 'faltava-lhe alguma coisa para preencher o vazio.'...
As pessoas, ou quase todas sentem algum tipo de falta. E nesse contexto, lembrei de uma frase de Marcel Proust que fala 'só se ama [aquilo] que não se possui completamente.' Em meias palavras, depois que se chega ao topo, os 'sentidos se perdem', seria isso? Aqueles cinco anos suado e o carro não faz mais sentido: a tinta esbranqueceu, arranhaduras tornaram-se perceptíveis..
José sentia falta de um amor. E quando falamos de falta, isso nos remete a certos sentimentos/sofrimentos. Ana não foi o suficiente? Sim! Talvez sim. Talvez não. A verdade é que ela preencheu um dos vazios, existem outras centenas a serem preenchidas. O lóbulo é temporal...
José continua a andar desesperado nas suas buscas. Depois de tanto tempo, percebera que outras brechas fora aparecendo. Ele não desiste! 'Sentir falta' faz dele 'José.' A infelicidade é só um ponto de vista e as faltas que tanto lhe corrói, faz parte do paradigma humano....
'A infelicidade caminha ao lado do homem. Isso faz dele brilhante, gigante, diamante, fértil e generoso..."
'SÍNTESE'
És síntese
Amor maior
Resumo e explicação...
Sorriso coerente
Parte que faltava ao coração
Brilho nos olhos...
Etimologia e paixão
Lógica e efeitos
Defeitos compreensíveis...
És perceptível
Imortalidade arraigada ao sol
Sonho de almas...
Latitude e esperança
Bonança nas tempestades
Apego e decisão...
Com suas alegrias e tristezas
É proeza suspirando mundos
Sibilante na alma...
Inclinação perfurante e calmaria
Doravante pequenino
Filho pródigo...
És esbelto
Franzino e afeto
Filho meu...
'OS ACENOS DO AMOR...'
A amor novamente acena cintilando os escombros
Lençóis embrulhados com nódoas
Tempos de assombros levando os amores de outrora.
O amor sucumbiu,
Despencando os olhares...
Decerto,
O Júbilo momentâneo perfurou corações
Navegando no antes [no agora e no depois]
Ele vai acenando
Nas suas ruas de granizos...
O Amor derrama seus novos espinhos nocivos
Coadjuvante subalterno manda flores
Tornou-se criança,
Cheio de esperança na escadaria de sabão
A visão o fantasma perfura-lhe...
A liberdade carcerária é imanente
O Amor corrói em todas as direções contrárias
E as almas se apaixonam novamente
Fervilhando prerrogativas no almoço,
No café da manhã...
O Amor sequioso agora ganha forças
Partilha alegrias extraordinárias
Mas novamente as maresias cristalizam mágoas,
E vem a solidão no almoço,
Outras fomes no café da manhã...
'AFOGO-ME...'
Afogo-me,
tal qual um louco falando de amor,
insano porque não há quem entenda-lhe os pergaminhos.
Desenho corações em linhas sinuosas,
mergulhado nas incertezas dos dias.
Sento-me sob à mesa.
Desonesto,
falando dos dias felizes...
O mar flamejante está à procura de marinheiros.
Soluto porque sou mar de desespero.
Não tenho amanhã,
nem cultivo.
Tampouco porto para ancorar-me nas ilhas incipientes criadas no manjedouro...
No dia a dia,
espero lentidão velada que sufoca-me.
Afoga-me nas substâncias de combinações não feitas,
rarefeitas no tempo sacrificando pulmões.
Sou expressões resultando incoerência,
dias sem sentidos.
Submergindo fracassos nas torturas,
acasos imperceptíveis,
procuras...
'REMANECER...'
Te encontrei e presenciei tanto pão à mesa e tu na penúria evocando amor, crenças. Contemplei os restantes dos dias futuros embrulhando teu estômago, e teu olhar parecia o de uma criança, sorridente. O por do sol, desencanto no entardecer, repetidamente, congestionou tuas esperanças. Sei, és sobras, a quem importa se no fundo, o mundo é egocêntrico. As águas sempre correm lavando tuas mãos e todos sabem, somos animais insensatos...
O teu oceano secou. Poucas torrentes ainda sobrevivem e há tantos animais sedentos! Egocêntricos precisando da ingenuidade das crianças para transformar o mundo a sua volta. Remanescer é ter uma alma profunda para nascermos diariamente e esbanjarmos devoções ao próximo. Precisamos de canções para aprendermos a ser útil, adultos com passos de rebentos outorgando compaixão. Trucidastes as cicatrizes que me faz hipócrita...
Sei, não teve muitos acertos na vida. Olhando-te, as mãos estão distantes, sem garras para enfrentar o sofrimento. Precisas de contos e contornos para suspirar a alma simplista. Agora vejo o quanto nos tornamos pequenos, sereno sem florescências na alma. A vida é passageira, mas ainda restam os acasos. Que novas árvores cresçam pujante dentro do teu coração, suplicando a felicidade que precisas...
Poema do amor impossível
Quisera fosses sonho, pra sonhar-te
Literalmente doce, devorar-te
Se fosses um poema, declamar-te
Talvez fosses problema, resolver-te
Quisera fosses morte, pra morrer-te
Se feita pro consumo, consumir-te
E se eu te visse triste, divertir-te
Mas eu existo apenas pra querer-te
Quisera fosses fumo, incinerar-te
E se você sumisse, procurar-te
Quem sabe então; eu nunca te encontrasse
E Deus me desse a sorte de esquecer-te
O amor de Deus é coisa estranha
Permite a gente caminhar
Faz a gente ter tanta visão
Que o domínio da própria vida
Parece ser total
Tamanhas são as ilusões que Ele permite
Difícil encontrar alguém que acredite
Que Deus sabe mais que nós
A exata tradução da muda voz
Que se cala triste
Triste por ver que após a caminhada
A ilusão desaparece
No alto da montanha onde subiste
Teu sorriso há de apagar-se
Pois nada daquilo que Deus te deu
Jamais foi posto assim, tão distante
São teus pés e tua fraca visão
Que permitiram
Tua cara triste no escuro do teu quarto
Fruto da ilusão que Ele permite
E prossegue a permitir
Que cada um tenha o direito
De destruir o próprio mundo
do jeito que bem entender
Que chega a ser difícil acreditar
No amor de Deus
Essa coisa esquisita
Tamanha imensidão desse carinho
Que permite a cada um
de seus tristes filhos queridos
Criar pra si mesmo uma montanha e subir
Pra depois, sozinho, chorar escondido.
Edson Ricardo Paiva.
Um anel de brinquedo
Um amor de verdade
O bolo feito com carinho
A falta de jeito ... a ansiedade
A fotografia de um final de tarde
Explosão no Céu escuro
Lua clara no horizonte
A marca solitária dos meus passos
A palavra saudade ...só pedaço de papel
O chá que queimou-me a língua
de tão quente
O preço de tudo isso
É o quanto vale pra gente
E não o valor que o mundo lhes dá
Pois a bem da verdade
O mundo mente.
Edson Ricardo Paiva
Um amor com sentido.
Eu quero um amor que me ame
Um amor que não me amou
Pois, a bem da verdade
Não existiu, não ensinou-me amar
Eu, por não saber o amor
Não o sei dizer como é
Eu quero que um amor me queira
Sem saber que me quer
Um amor que ame sem pensar
Que chame meu nome
De maneira inconsciente
Que fique contente ao saber de mim
Sem saber nada a meu respeito
E que mesmo assim
Esse amor me ame do mesmo jeito
Que acorde com saudade
Que se deite tarde da noite
Feliz por saber que existo
Triste por eu não estar por perto
Um amor que espreite
Atrás da grade da janela
Esperando eu passar
Tentando ser discreta
Feliz por me amar
E que não desperte suspeita
Que ama
Mas que ame sem medo
E que tenha grata esperança em meu lugar
Pois viver sem ser amado e nem querido
É coisa que cansa, mas não mata
Mas, em virtude dos amores ruins
Que eu sei que existem nesse mundo
E quando a gente pensa
Num amor que sempre quis
E sabe possível haver amor assim
Meu espírito feliz, consente
E é nesse momento
Que a vida passa a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva
Hoje eu vou
Passear com meu amor
do jeito que a gente queria
Vamos rir e nos divertir
esquecer um pouco
dos problemas desta vida
e vivê-la
Vamos caminhar na praia
Antes que o Mar se esvaia
Ver o nascer o e pôr do Sol
Se Sol houver
Se não tiver praia e nem Sol
Não tem nenhum problema
Estaremos na companhia um do outro
e isto, na vida
é tudo que vale à pena.
O pássaro pulou
Voou de galho em galho
cantarolou bem baixinho
Meu amor, a minha flor-de-maio
dormia ainda
Não viu esta parte linda do meu dia
Tomara que ao menos sonhe comigo
Vai ganhar café na cama
Meu amigo passarinho vai pro chão
Pegar bichinhos nas flores que cairam
de vez em quando ele pia
depois voa
Todo voo é poesia
Voar à toa
Creio que seja
A coisa mais boa que existe
Eu não voo
e nem por isso sou sempre triste
mas me pergunto:
Passarinho, por que sumiste?
Mesmo assim meu dia é bom
Pois eu sei que você e ela
Existem.
Não precisamos
Nunca precisaremos
A gente, definitivamente, não precisa
Chorar por amor
no calor de uma tarde indecisa
Precisamos apenas
Daquela cor maravilhosa
Meio vermelha, meio azul
e meio cor-de-rosa
Que aparecem nos ocasos
E precedem as noites mais amenas
Que já vimos nesta vida
Mentimos pra nós mesmos
Quando dizemos que não podemos
Dividir e compartilhar
Pois todos vivemos neste mundo
e não passamos um segundo
Sem respirar todos, sem exceção
O mesmo ar e dividir os mesmos mares
a mesma Lua e o mesmo Sol
O tempo voa
O vento gira em caracol
Mesmo quando
Não precisamos de mais
de nada mais
Que uma simples brisa
Acho que todos precisamos
De uma parede pintada de água e cal
e ser criança brincando
Com chapeuzinhos de jornal
Num lindo quintal de terra batida
e samambaias penduradas
em vasos de velhas latas
Não precisamos de mais nada
Além de pássaros nos ares
E frutas nos pomares
Não precisamos
A gente não precisa
Prosseguir contrariando a natureza
à guisa de alguns trocados
Não preciso e nunca precisei
de muitas camisas
e mais que um par de luvas
Eu preciso, eu quero e eu espero
Poder novamente
dançar na chuva de dia
e à noite olhar estrelas
Viver com simplicidade
Não preciso chorar por amor
Preciso viver bem
ao lado de alguém
Que me queira de verdade
Existe muito ouro no mundo
Sempre em locais intangíveis
Existe muito amor no Universo
Existem coisas puras, belas e incríveis
Existe muita poesia em tudo
Pra cada situação
Existe sempre uma palavra certa
Mas às vezes teu coração
Se torna voluntariamente
Um local deserto e aparenta estar vazio
É isso que muitas vezes fazemos da vida
Não existe nada inalcançável
Eternamente inabitado
ou ruim
Eu sou aquilo que eu faço de mim
As estrelas parecem distantes
Distantes estamos nós
daquilo que é evidente
Não somos, na maioria das vezes
O que pensam da gente
Mas permitimos
que nos transformem naquilo
E prosseguimos modificando tudo
Raramente pra melhor
Passamos muito tempo
Tentando conseguir alguma coisa
Que mais tarde
descobrimos não querer
As estrelas estão exatamente
Onde deveriam estar
Assim como o teu coração
O que modifica tudo
É a maneira de olhar pro cèu
ou os sentimentos
que de um momento pra outro
deixamos adentrar nossos domínios
Viva como se deve viver
Espere as coisas acontecerem
no tempo certo
E o ouro vem até você
E você perceberá
Que as estrelas sempre estiveram
Perto, muito perto.
O primeiro passo para o Homem
Chegar à Lua
Uma palavra
Conquistar um amor
Uma palavra
Iniciar uma Guerra
Uma palavra
Sobrepor-se aos outros seres
Uma palavra
Ficar rico
Uma palavra
Construir o Canal do Panamá
Uma palavra
Chegar à Presidência
Uma palavra
Casar
Uma palavra
Tocar um instrumento
Uma palavra
Chegar a um novo invento
Uma palavra
Escrever um poema
Uma palavra
Arrumar um problema
Uma palavra
Perder tudo
Uma palavra
Outras palavras vem depois
Mas tudo se inicia com uma palavra
Pense nisso
Antes de proferir a sua próxima frase
Uma palavra inicia tudo
As que vem depois são decisivas
Sempre
Samba.
Tem emoções
Que a gente sente à toa
Esse tal de amor, por exemplo
Não é coisa muito boa
Ela judiou tanto de mim
Que meu coração se esfola
Me fez eu violar minha viola
E cantar o samba de outra escola
Depois ela foi embora
Só vou gostar de samba, agora
Não estou mais nem aí com ela
Nem sinto mais o arrepio
Por aquele sorriso vazio
Aquela linda boca banguela
Cantou bem alto o samba concorrente
E eu fiquei tão descontente
depois que ela me deixou
levou até as minhas panelas
Me constrangeu, me intimidou
e riu de mim
Eu juro que foi assim
Não quis meu amor, tão puro
Ficou fazendo jogo duro
Eu posso viver sem ela
Mas este samba que eu fiz
Juro que não vai ter fim
Meu amor
Conforme eu lhe prometi
Hoje eu lhe trouxe a Lua
Ei-la aqui, pra provar
Que eu não me esqueci
Podes ficar, ela é sua
Amor da minha vida
Se quiseres continuar
A dividí-la com a Humanidade
Eu posso devolvê-la ao Céu
Onde ela há de ficar
Por toda a eternidade
Porém, na verdade, ela é sua
Assim como minha alma
Meu amor, minha vontade
e meu olhar
Se olhares em meus olhos vais ver
Que o brilho que neles existe
Quando olham pra você
é maior e mais intenso
Que a luz do luar
Por favor, não me deixes
ficar triste
Nunca mais
Por você eu buscaria
Até o Astro mais distante
Mas a qualidade de nenhum deles
não chega a ser nada, diante
desse meu amor
Que não morreu
Mas existe
é de verdade
e é seu.
O amor é algo inexplicável
Não devia ter esse nome
Não se nomina o inominável
Quando ele é lindo como a dança
inocente igual a criança
e mais forte e mais envolvente
que a própria fome
Ninguém o entende
Por mais que o estude
Ninguém o aprende
Quem tenta, se ilude
Ninguém o inventa
Ele simplesmente existe
E quem o conheçe
dele jamais se cansa
Porém está tão distante
Que o voo do condor
Não o alcança
O amor é algo indizível
Como um dia disse o Poeta
Ele te leva do Alfa ao Ômega
Sem ao menos passar pelo Beta
Irreversível
Como a vida que brota
Em qualquer embrião
Insubstituível
Ninguém o copia
Ninguém o arquiteta
Ninguém nem ao menos o mente
A gente apenas o sente
E quando o perde
A gente simplesmente
Senta e chora
Perder um amor
É uma dor que não passa
e nem melhora
E quando a gente o sente
Tudo piora
E não troca essa dor
Por coisa alguma
Ele é amor
É uma dor que te faz rir
E que você se acostuma a sentir.
Não Construa teus Castelos no Céu
Nem confie em um amor
Feito apenas de Papel
No Céu, somente Deus
A Quem você pode confiar teus sonhos
Teus segredos, tuas andanças
O amor de Deus não se desgasta
Amá-lO de volta é o importante
Já lhE Basta
Foi Ele quem Criou o Verbo Amar
Quem o ama de verdade
Ama em outro patamar
E aceita as realidades
Deste Mundo, resignado
Papel se queima
Quem insiste e teima
Troca uma vida inteira
Por cinzas, por pó
Por um grande nada
Que um dia vem e vem sem dó
Mas se tem o Amor de Deus no Coração
E anda por caminhos retos
Mesmo que fique sem um teto
Jamais há de se ver só
Pois Deus ama o correto e o justo
As falsas promessas que te fazem
Os amores passageiros e mundanos
Um dia jazem fatalmente
Num lugar frio, triste e sombrio
Onde jazem os amantes do ouro
Pois aonde estiver seu coração
Estará também o seu tesouro
Por não saber voar
de vez em quando
Eu voo de amor
E quando sinto calor
Eu volto pro ninho
E procuro
Um abanador de carinho
E saio mais tarde
Pedalando amizades
é muito leve fazer isso
Nas rodas da sinceridade
E quando minhas pernas se cansam
Eu uso meu estoque de abraços
É isso que eu faço
Para otimizar o torque
Meus braços se abrem
E abarcam o Mundo
Desde os pássaros no Céu
Até o plâncton esquecido
Lá no fundo do Oceano
Com meu abraço de menino
Eu acolho até aqueles
Que não constavam nos meus planos
Pois eu sei
Que não pode haver enganos
Nos desígnios do Divino
