Texto de Reflexão de Amor
CAATINGA
Há um tempo.
Em que o tempo.
Não ajuda.
A chuva não pinga.
As nuvens não carregam.
E também secam.
Seco é o ar.
Céu parado.
Acabaram as farturas.
Semear o que,
Se o tempo já se fez.
Nada que vai nascer.
Terra que vai padecer.
Esperança de um tempo.
De uma renovada vegetação.
Para a vida no sertão.
PESAR NATURAL
Assassino incerto,
Sem tiro certo.
Pagar pelos restos.
Imortal animal.
Inseto.
Minhoca e borboleta
Mosca e barata.
Lagartixa e, tatu bola.
Pisar esmagar.
Sem a consciência culpar.
Pesar dos pesares azar.
Pernilongo.
Tapa orelha.
Perder o sono.
Tudo fica em pune.
Vaga-lume.
POESIA.
Para se entender poesia.
Deve-se ler. Uma, duas, três Quatro e cinco vezes.
Entender poesia.
Devem-se ler seis, sete, oito, Nove e dez vezes.
Para se entender poesia.
Deve-se ler.
Cem duzentas e trezentas vezes.
Para se entender poesia.
Deve-se ler mais de mil vezes.
Para se entender poesia. Devem-se ler mais vezes.
Devem-se ler mais e mais vezes.
Deve-se ler infinitamente.
Deve-se ler diariamente.
Deve-se ler eternamente.
Para se entender poesia.
Devem-se ler todos os dias.
YO!
CÁRCERE
Agora
Depois do... depois de...
O homem volta a ser.
Um ser sagrado
Tudo será perdoado.
Não foi nenhuma
Passagem fenomenal.
Não era nem carnaval.
Apenas natal.
Do indulto ficamos mudos.
Saímos pro mundo.
Pensamos, mas não voltamos.
A dor da gente.
É a dor que sente
A minha mãe.
A minha mina.
Pobre mãe.
Pobre meu pai.
Descanse em paz.
Minha mãe, também foi uma menina.
Por favor, entendam.
Meus amigos parentes e vizinhos.
A minha expressão.
Não está na proporção.
Do meu coração.
Coisas do Oriente.
E era uma borboleta, que voou, voou...
Sobre os quatro cantos do planeta.
Encontrou com muitos senhores e, senhoras.
Percorreu toda uma história, de sabedoria.
Quando um sábio chinês.
Perguntou-lhe:
Posso ser você?
Sonhando que era uma borboleta, pousou!
Em um velho poço.
De onde bebeu d´água purificada.
Tornando-se moço.
Ensinou para seu povo.
Se não tens nada para me trazer!
Leva-te o que tens aqui!
Alguns dias parecem pesados
Em dias assim, de chumbo e calmaria tensa,
O mundo grita em cores que a alma não pensa.
O coração, outrora canção leve e solta,
Bate exausto, na engrenagem que nos volta.
O peso interno, fardo invisível e constante,
Não se revela em números, mas em instante
De respiração curta, em nó na garganta,
Em sombra alongada que a alegria espanta.
Esmaga lento, como a gota que fura a pedra,
Cada suspiro um passo em direção à treva.
A força se esvai, a vontade se dobra,
Sob o jugo silente que a alma absorve.
Mas lembre-se, em meio à pressão que aperta,
Que a noite mais densa precede a alvorada liberta.
Ainda há espaço para um respiro profundo,
Para encontrar em si um novo mundo.
Quando eu morrer
Dá o que restar de mim
Às crianças
E aos idosos que esperam para morrer.
E se precisares chorar,
Chora pelo teu irmão
Que caminha pela rua contigo.
E quando precisares de mim,
Coloca teus braços
Em volta de alguém
E dá a ele o que precisas me dar.
Quero deixar-te algo,
Algo melhor
Do que palavras
Ou sons.
Busca-me
Nas pessoas que conheci
Ou amei,
E se não puderes deixar-me partir
Ao menos deixa-me viver em teus olhos
E não em teus pensamentos.
Podes amar-me mais
Deixando as mãos
Tocarem as mãos,
Deixando os corpos tocarem os corpos,
E libertando
As crianças
Que precisam ser livres.
O amor não morre,
As pessoas sim.
Assim, quando tudo o que restar de mim
For o amor,
Dá-me como um presente a alguém.
Quero esquecer que vivo, leva-me a algum lugar que não seja esse lugar em que estou. Faz-me esquecer o peso que carrego nos ombros, essa carga pesada de pesados escombros, queira ser como a fragrância de uma flor, minha história feita de dor.
Lugar... estar... esquecer... pesar... flor... fragrância... Leva-me para sempre, sem rumo nem distância!
O Sítio de meu Tio!
Fui passar uns dias no sítio de meu Tio Celso. Cheguei em uma tarde de sexta-feira, chegando, desfiz as malas e me acomodei, minha tia já vem com uma xícara de café, leite, umas bolachas, biscoitos, pão, tudo caseiro e feitos por ela mesma. Comi, logo mais tarde teve outro café e logo depois a janta. Depois da janta, assistimos a novela e fomos dormir, acordei bem cedo, bem cedo mesmo, aproximando-se das 05:00 horas, minha tia se levanta, vai ao banheiro, lava o rosto e vai preparar o café. Logo meu tio se levanta eu fico a observar a rotina deles. Meu tio se levanta vai ao banheiro, se lava, vesti a roupa que usara no dia anterior, sai do banheiro vai até a varanda, pega uma xícara de café e “bola um cigarro”. Tomando o café, fumando eu argumentei;
- Rotina já, né tio? Todos os dias!
Ele diz;
- Sim meu fio, todos os dias o tio se levanta, tira o leite, entrega no tanque. As vezes a gente se cansa mas é mil veis mió que trabaia pru zotro.
Chegando no curral, minha tia já peia uma vaca, meu tio outra e eu me sentei em umas tábuas do curral e fiquei a observa-los, me senti livre. Eu que moro no terceiro andar de um prédio no centro da cidade grande. Após tirar o leite, voltamos para casa, meu tio vai entregar o leite, minha tia prepara algo para comermos, Meu primo mais velho já foi para escola e meu priminho se levanta, minha tia prepara o mamar do próprio. (Minha tia o teve após uma certa idade, então foi uma gravidez de muito risco). Meu tio retorna, tomamos café e eles vão matar um suíno.
No dia seguinte, acordo às 04:00 horas e se repete a rotina, minha tia se levanta, prepara o café, logo meu tio também repete as atividades, tiram o leite e para mim, tudo é novidade. Aproveitei ao máximo, brinquei bastante com meu priminho. Ah! Eles cuidam com uma mamadeira, um bezerro recém-nascido e órfão. Eles vivem tão livres, plantão, colhem, vendem, compram e por mais que eles podem acordar a hora que bem quiserem, eles acordam cedo para aproveitar o dia e para finalizar, finalizo com um pequeno conselho de vida que refleti enquanto os observava.
Amanhã pode ser tarde, a vida está passando rápido! E se perdemos tempo é porque temos tempo! Mas depois lá na frente ao olhar para trás, veremos o rastro que deixamos. E este mesmo rastro irá nos mostrar quem fomos, e o que recebermos será consequência do que plantamos durante este caminho. Sempre é tarde para se viver verdadeiramente. Seja breve! Você manda em sua vida, não deixe o comando nas mãos de quem não tem controle, porque a queda pode ser fatal. A Vida fácil do mundo errado te escolhe, e você vira presa fácil!
SILVA ROCHA Valdemiro
Pensar ao invés de seguir o inconsciente coletivo é transcender as correntes da conformidade e da repetição automática. Significa desafiar as normas estabelecidas, questionar as crenças arraigadas e buscar uma compreensão genuína do mundo e de si mesmo.
Quando pensamos de forma independente, somos capazes de discernir entre a sabedoria herdada e a verdade pessoal. Em vez de simplesmente aceitar ideias pré-concebidas, examinamos criticamente cada conceito, avaliando sua validade e relevância para nossa própria jornada.
Pensar requer coragem e introspecção. É um convite para explorar territórios desconhecidos, desafiando-nos a sair da zona de conforto e enfrentar nossos próprios preconceitos e limitações.
Ao escolher pensar ao invés de seguir o inconsciente coletivo, abrimos espaço para a reflexão e evolução pessoal. Tornamo-nos os arquitetos de nosso próprio destino, moldando nossas vidas de acordo com nossas próprias visões e valores, em vez de simplesmente seguir a correnteza das convenções sociais e culturais.
Pensar, verdadeiramente, implica transcender a corrente do inconsciente coletivo que muitas vezes nos envolve. Enquanto o inconsciente coletivo representa padrões de pensamento, sentimentos e memórias compartilhados pela humanidade ao longo do tempo, pensar significa questionar essas normas, desafiando-as com discernimento e reflexão.
Ao invés de aderir automaticamente às ideias predominantes, o pensamento envolve a análise crítica, a busca por perspectivas diversas e a formação de opiniões fundamentadas. É um ato de autonomia intelectual, uma escolha consciente de não ser guiado apenas pelas correntes da tradição ou da opinião popular.
Para muitas pessoas, o conhecimento é desvalorizado em favor da conformidade cega. Preferem abraçar o que é imposto como verdade e depositar sua fé em diplomas de papel. Viver no automático, sendo moldado por agendas externas, parece mais simples do que o desafio de pensar por si mesmas. No entanto, essa mentalidade aprisiona a mente e limita o potencial humano. O verdadeiro crescimento ocorre quando nos libertamos das amarras da complacência e abraçamos a jornada do pensamento crítico. É através da reflexão e da análise que podemos transcender os limites da ignorância e alcançar novos patamares de compreensão e realização.
Na existência, os padrões comportamentais atuam como grilhões invisíveis, moldando e muitas vezes limitando a experiência humana. Essas repetições automáticas, frequentemente adotadas inconscientemente, tornam-se as grades que aprisionam a autenticidade e o potencial de cada indivíduo.
Esses padrões, muitas vezes enraizados na cultura, na educação e nas experiências passadas, agem como espinhos que ferem a expansão da consciência. Ao condicionar respostas automáticas, impedem a exploração de novos horizontes emocionais e limitam a percepção de possibilidades.
Essa repetição de comportamentos limitantes cria um ciclo vicioso, alimentando sentimentos de baixa frequência. A autoestima é corroída, enquanto a sensação de inadequação e insatisfação se torna constante. Esses padrões, como sombras persistentes, obscurecem a luz interior, impedindo a expressão plena do ser.
No entanto, ao lançar luz sobre esses padrões comportamentais, abre-se uma janela de oportunidade para a transformação. Reconhecer as amarras que envolvem é o primeiro passo para quebrar os grilhões. A conscientização se tornam aliada poderosa na quebra desses padrões, permitindo a liberação de sentimentos de baixa frequência.
Desafiar os padrões comportamentais limitadores exige coragem e auto-reflexão. A busca por novas respostas, a exploração de territórios desconhecidos emocionais e a adoção de práticas que nutrem a positividade são fundamentais para romper com as correntes que aprisionam o potencial humano.
Em um mundo vasto de possibilidades, é imperativo transcender os padrões comportamentais condicionados, liberando-se para experiências mais ricas e elevadas. A transformação interior, guiada pela consciência, desenha um novo horizonte onde sentimentos de baixa frequência cedem lugar à ressonância de uma existência mais plena e gratificante.
Tenho andado em silêncio. Falar não tem sido o bastante, apesar de já ter falado muito.
O observar tem me parecido mais atrativo.
Deixar as coisas tomarem seu rumo sozinhas, como quando observamos aquela gota de chuva escorrendo pela janela... Ou quando vemos alguma presa prestes a ser devorada por seu predador que está ali parado, aguardando o momento certo, pronto pra dar o bote...
Certamente sabemos como será o desfecho da história, mas observamos com um certo fascínio...
Conto vantagem por isso, mas somente eu sei o peso de carregá-la...
Uma intuição que está sempre certa, traz consigo a frustração de não se surpreender...
"No fundo eu já sabia"... - Repito comigo.
Saber de tudo traz o vazio do conhecimento pra mentes humanas... O nada se torna muita coisa e tudo se torna nada...
... Já por algumas vezes senti uma satisfação e contentamento que não cabia mais em mim... Ia crescendo e iluminando o caos aqui dentro...
Lutar não foi em vão, mas me entregar teria sido.
Eu me via como um fraco, mas hoje vejo o quanto fui forte. Suportei o impensável, enfrentei...
Depois de muitas quedas, eu venci... Não deixei a luz que havia em mim se apagar...
E aprendi a aceitar os altos e baixos, sem me perder no processo...
Chovem gotas esparsas, a esmo,
água, ternura da natureza,
onde tudo tem sentido,
um conforto e um carinho
Não tenhamos medo portanto
do tempo, nem do amanhã incerto,
nele haverá um alento
a suprir necessidades
Em meu canto, prometo,
em horas de escuridão,
sonhar com um algo melhor,
sempre, para todos e a mim,
Enquanto isso, percebo os pirilampos,
que voam piscando felizes,
durmo e sonho com a paz,
esquecendo o mundo e seus deslizes
Meus versos
Meus versos, tão meus...
São vento, são flores entre mil perfumes
que espargem junto ao canto dos passarinhos,
são simples, tem leveza e descansam de algum queixume,
passando apenas uma porção de carinhos
Meus versos, tão meus...
são teus, não enxergas neles os laços
onde cada letra que surge é simplemente
um doce abraço ?
Não sucumbi às vagas ferozes que vinham
em cascatas mortais tentando me levar,
não sucumbi a tsunamis, vendavais,
nem às pedras atiradas nas vidraças,
não sucumbirei nem a ataque nuclear,
tenho um bunker que é pura proteção,
aço indevassável, alimento, água e ar,
é a poesia pura, germinando no coração,
dela nunca irão me separar
Então parei e observei:
vi, que havia muita pressa nos passos dos homens;
pouquidade de silêncio, e sobras de irreflexão.
.
Um lapso temporal, para muitas saudades,
é tudo que manteve-se, nessa estrada,
encalços e índices de reencontros.
.
["O viajante, em meio a eira do campo"].
Me chamo Murromoliua.
Filho empobrecido com o colono português.
Não trago luxo na bagagem, mas trago verdade.
Carrego histórias do chão, do dia a dia, da vida que me ensinou mais do que qualquer livro.
Gosto de aconselhar não porque sei tudo, mas porque já vivi o bastante pra saber o que dói, o que passa… e o que fica.
Cada conselho meu vem de uma cicatriz. Cada palavra minha vem de um lugar sincero.
