Texto de Carlos Drumond de Andrade - Antiguidades
Às vezes
Às vezes meu silencio é uma janela
Às vezes meu silencio é uma panela de pressão
Às vezes meu silencio é uma passarela
Às vezes meu silencio é ele
É ela
Salvação
Às vezes meu silencio
É um crime
Às vezes meu silencio é um time
Às vezes meu silencio é uma taça
Uma graça
Uma massa
Uma traça
Uma missa
Às vezes meu silencio é uma mostra
Às vezes meu silencio, não há quem possa.
Às vezes meu silencio é bossa
Às vezes meu silencio é um frevo
É um nervo
Uma nave
Uma chave
Um choque
Às vezes meu silencio é um toque
Um truque.
As Vezes
As vezes meu silencio é estratégico
As vezes meu silencio é solidão
As vezes meu silencio é analgésico
As vezes meu silencio é só canção
As vezes meu silencio é só um medo
As vezes meu silencio é armação
As vezes meu silencio é só o tédio
As vezes meu silencio é sim e não
As vezes meu silencio é só mensagem
As vezes meu silencio é apagão
As vezes meu silencio é uma bobagem
As vezes meu silencio é nada e não
As vezes meu silencio é um vicio
As vezes meu silencio é vazão
As vezes meu silencio faz sentido
As vezes meu silencio furacão
As vezes meu silencio é só eu mesmo
As vezes meu silencio pá e pão
As vezes meu silencio é poesia
As vezes meu silencio é terra e chão
As vezes meu silencio é você
As vezes meu silencio coração
As vezes meu silencio é todo mundo
As vezes meu silencio contramão
As vezes meu silencio é alegria
As vezes meu silencio é noite é dia
As vezes meu silencio é só silencio
As vezes meu silencio é dor,plantão
As vezes todo mundo acha estranho
Meu silencio,meu tamanho
Minha desaparição.
vendedor
sou um simples vendedor.
nao burlador.
muinti menos ladrao.
mas sim lutador.
um simples ser humano.
carregado de dor fruto do meu suor.
orgulhoso estou de fazer um trabalho tao inoncente e decente.
vender e um trabalho tao nobre que nao e so de pobres.
vendo tudo menos uque cinto no meu coracao.
Queria eu, poder consertar o passado. Fazer tudo dinovo e diferente, e dessa forma poder mudar o presente.
Quantas coisas deixamos para trás... Tantas coisas deixamos de fazer...
Quem me dera saber o amanhã.
Fico pensando que tudo seria diferente.
Mas quem somos nós para saber que importância isso terá no futuro.
O amanhã é tão desconhecido quanto o universo.
Muitas vezes estamos atrelados à cegueira do ego.
As vezes mergulhados nas nossas mazelas cotidianas.
Pois somos um oceano infinito e desconhecido. E nem sempre pacífico.
Mas o que importa a outra margem?
O bom mesmo é navegar em segurança, sempre avistando terra firme.
Dessa forma nunca nos perderemos no caminho.
Afinal, quem navega em linha reta, sempre chega na outra margem.
Então vamos navegar o barco da vida.
(C.F)
Tenha um dia feliz
Dê descanso a sua mente
Tenha menos preocupações
Deixe os problemas de lado por um momento.
Sente-se. Tome um café.
Mas não pense em nada.
Apenas sinta o aroma e sabor.
De paz ao coração
Tenha pensamentos mais positivos, mais leves...
Respire mais devagar
Admire a natureza
Ouça o som dos pássaros
Corra por aí... Sorria!
Sinta o vento, sinta o sol
Esvazie de si.
Seja suave como a brisa.
- Carlos Figueredo
É dia de pensamento poético.
Algo que você não sabia, ficará sabendo nessas linhas...
O poeta não é aquele que simplesmente inventa o que escreve.
Muito pelo contrário. Bem mais que simplesmente escrever o que pensa, o poeta escreve aquilo que sente.
Muitas vezes aquilo que vive.
Se queres conhecer o poeta, observe as suas palavras.
Elas são verídicas.
(C.F)
Cárcere
No instante em que você surgiu com uma luminosidade extravagante chamada sorriso, eu estava completamente desarmado e vulnerável. Uma paralisia estreitou meu coração e o tempo!
Minhas opções se tornaram pó naquele instante sumarizando todas em uma só... você!
Congelado no tempo estou em memorias de amor e festa. Loop eterno.
Como já dizia o poeta:
“Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim....
...E é por essas e outras que a minha saudade
Faz lembrar de tudo outra vez...
...Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez...
...Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer...
...Você foi o melhor dos meus planos”
Então bebo, escrevo, grito, corro, choro, procuro meios de esquecer-te e concebo que não há meios nem formas. Apenas conto com a ajuda do tempo amigo que de amigo não tem nada nesse instante.
TENHO UM SONHO PRA MUDAR O BRASIL;
Cada cidadão deve defender sua ideologia social e seu posicionamento político, qualquer um,
ESQUERDA, DIREITA, CENTRAL, LIBERAL, ESTADISTA OU SIMPLESMENTE ANARQUISTA.
IMAGINE 100% DA POPULAÇAO EMPENHADA EM DEFENDER SUA IDEOLOGIA, sem cair na falácia dos jargões e xingamentos de baixo escalão, sem rotular os posicionamentos, elevando o nivel do debate.
Pior do que ser contrário a ideologia é ficar "em cima do muro", não defender nada, aceitar tudo, fechar os olhos para a politica para fugir da crítica, como dizia Platão:
"Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política. Simplesmente serão governados por aqueles que gostam".
Voar
Se estivessemos no mesmo avião e o mesmo fosse na direção do chão.
Se só existisse um unico paraquedas de competição em minhas mãos.
Daria a voce a chance! a alegria! por saber que sem ti não mas viveria.
Sei que é felicidade e pura diversão saltar com um de comperição.
Fique feliz! Muito mais feliz estou eu,
Voar sem paraquedas é de Deus.
“Futuro”
Passeando pelo jardim encontrando a natureza
Surge repentinamente a visão de grande beleza
As cores agradáveis crescem e vivem na realeza
Os dias passam e ficam as lembranças do jardim
Copiamos a realidade, mas não realizamos assim
As crianças aqui passaram, não viram o que eu vi
Se perderam com atenção navegando no escuro
A única pretensão é querer ser alguém no futuro
Avise por gentileza que o futuro a Deus pertence
Sentindo o coração, podemos observar,
Um lado bom e outro para amar.
Por outro lado vemos as partidas dos pedaços que faz o todo,
Vemos tambem o conteudo que sobra dos outros amores.
Observando atentamente ja não mas entendo,
E tenho delicadeza em dizer compreendo.
Este é o meu que esta em pedaços ou o seu que sobrou o meu espaço?
“Sonho”
Gostaria de acordar e continuar todo o sonho
Era o tempo de descansar e ter um belo sono
Seria a minha felicidade em sonhar acordado
A realidade é viver como um olho arregalado
E para não ser enganado outro meio fechado.
Descansando o corpo para encarar todo o dia
Refrigerando a mente para o próximo sonho
Assistir e sentir a leveza da alma sobre colchão
Como todos os humildes eu só durmo no chão
Martilhe esse dia amanhece e o sonho acabará.
Basta sorrir para que esse dia possa vir a existir
Teremos mais interesses em viver como nunca
Feliz é sonhar acordado e o sonho ser realizado
Feliz é acordar e lembrar dessas horas honrosas
Fico sem saber se acordo ou durmo para sonhar.
Aprendi por um descuido dos meus pensamentos que amar é mais do que um sentimento que falam por aí, hum!
Aprendi como um sopro de realidade, talvez um soco na cara mostrando a verdade que os laços criados não podem ser desfeitos; e por fim percebi que até a multiplicação por zero, de mim não posso tirar você.
GARIMPAR ESTRELAS
Procurando o verso no peito
eu sou como um garimpeiro
cravado no ventre da terra
– em suor e solidão –
buscando sua salvação.
Tal qual esse homem de fé
não me falta esperança na lida
nem me tem o amor de partida:
a palavra é meu tesouro
e meu verso, meu ouro.
Cada dia é uma despedida
e cada queda uma ferida,
mas quem vive da busca não morre
– em tempo Deus socorre –
vai garimpar estrelas.
DIA A DIA
Queria ter uma orquestra de sapos, cigarras e grilos.
Queria um céu de vagalumes, borboletas, canarinhos.
Queria criar tigres, sereias e golfinhos.
Queria tanto, queria encanto.
Mas venha cá, não se assuste, seja amigo.
Vou contar-lhe um segredo, não espalhe, guarde consigo:
– Eu tenho isso e tenho mais, menos paz.
Converso com anjos e sinto demônios, dia a dia.
Vejo mundos, ouço cânticos, por mania.
Eu tenho um buraco embaixo da cama
que dá na rua, dá na lua, em Berlim.
E não adianta correr, esconder-me, está em mim.
Eu digo sim, abro o peito, abro a porta,
pra uma vida curta, pra uma vista torta.
A LUZ DO FAROL
Não te recitei poemas nem fiz juras de amor,
eu te ofereci meus dias e minha vida
como um criminoso buscando redenção.
E você me abrigou sob sua luz,
intensa e constante como um farol
invadindo o mar para salvar os esquecidos
e os desesperados.
Você calou meus demônios com sua ternura
e fendeu a sepultura onde jazia meu coração
com um simples olhar, com um simples estar.
Eu deixarei morrer cada entardecer
enquanto teu beijo amanhecer o dia.
Eu deixarei morrer cada dezembro
enquanto tuas palavras brotarem janeiros.
Eu deixarei morrer as flores do meu jardim
enquanto teu corpo ressuscitar a primavera.
Eu deixarei morrer silenciosamente
no teu seio minh’alma ou meu espectro,
pois em mim toda paz perde o reinado
(não há virtude sem o pecado).
NOITE DE ESTRELAS
Joguei fora o paraquedas e pulei,
voei como um míssil por entre as nuvens
espalhando no céu canções de paz
e lembranças de dias passados.
Tudo o que se tem é o agora
e cada momento será como uma ressurreição.
Darei à luz um campo de girassóis
e semearei palmeiras na lua,
para que não falte beleza e esperança.
Minha casa será uma noite de estrelas,
onde as crianças crescerão descalças
e cavalgarão unicórnios.
Com um grito lançado ao vento
rebatizarei o homem de errante,
pois suas perguntas só terão respostas
na ausência do medo de tentar
e na consciência de que só se pode ser sincero.
A única fome será de amor.
A única sede será de vida.
Não existirão horas e minutos, nem relógios,
o tempo se medirá em sorrisos e abraços
e em banhos de cachoeira,
sendo proibido não ter tempo.
Cada coração será uma janela aberta,
de onde se verá uma complacência fraterna
do homem para com tudo
que o cerca, que é vivo e sente,
que acaba e deixa saudade.
Nesse mundo de mãos dadas
num arco-íris esconderei minha derrota,
para que esse desejo egoísta de ficar
se mostre belo nos dias de garoa.
MINHA MELHOR ORAÇÃO
Eu rezava para Deus minha melhor oração
quando te obrigava a um sorriso ligeiro
por qualquer bobagem sem graça.
Eu bendizia ao Senhor
quando te levava à gargalhada,
sua irresistível gargalhada
que ecoava por horas no nosso bairro
como um desatino da felicidade.
Eu corria o meu terço mais puro e sagrado
quando caçava teus beijos entre os lençóis
e encontrava meu paraíso
fincado nos teus olhos de conivência.
Eu pedia devotamente ao Redentor
– na minha silenciosa súplica –
para que a eternidade
fosse o quintal dos nossos sonhos
ou um simples reflexo
das horas em que vivemos um do outro.
POEMA DAS PALAVRAS AUSENTES
Hoje, embebedado de sentidos, resolvi escrever sobre você.
Quis narrar como sua beleza agressiva furta toda a atenção
e como seu olhar está sempre a pedir um afago
e breguices de amor, que adoro dizer ao seu ouvido.
Decidi descrever como seu desajeito é todo complexo,
querendo ser companhia para o meu descompasso.
Quis divulgar como suas curvas delicadas revelam desejos meus
e se exibem de maneira solar à meia-luz.
Cambaleei entre palavras relembrando
como seu sorriso me traz um futuro bom
e como tenho em mim uma tempestade de você.
Recordei cada instante, todo o tempo,
calando meus versos, por breve momento.
Percebi que para você nenhum verso é decente
e que palavras não seriam suficientes.
Para falar de você
minha poesia deveria ter o cheiro da primavera
e a tenuidade de uma manhã de inverno;
teria de ser bela como um pôr-do-sol sobre o mar
e quente como um abraço de saudade.
Pediria a transparência da água de uma nascente
e a pureza de lugares desconhecidos.
Para falar de você
minha poesia deveria ter o gosto ingênuo das nuvens.
Não bastaria uma canção,
seria necessário compor uma sinfonia.
Eu teria de divulgar segredos
– sagrados segredos –
que te fizeram assim: tanto!
Para falar de você
eu teria de desvendar o encanto
que nos cerca e que nos uniu:
teria de justificar o incompreensível.
Por isso, para você eu escrevo sem palavras
e te dedico um silêncio profundo,
porque só o silêncio pode falar
quando as palavras não podem descrever.
O DITADOR
Se eu fosse o ditador da Síria, da Líbia ou do Iêmen
– lutando pelo poder –
não atiraria balas, não lançaria bombas:
a revolução não se curva às armas.
Eu atiraria rosas, lírios e tulipas,
recitaria poemas e entoaria canções:
eu mataria de amor.
Se eu fosse o ditador do Egito, do Iraque ou da Jordânia
– lutando pelo poder –
não atiraria balas, não lançaria bombas:
a revolução não se curva às armas.
Eu lembraria histórias, causos e mentiras,
compraria um circo e contaria piadas:
eu mataria de rir.
Se eu fosse um sangrento ditador,
eu deixaria de ser um sangrento ditador.
Não atiraria balas, não lançaria bombas, não faria nada:
eu mataria de tédio.
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