Texto de Amor Ensinamentos de Vida
Crônica para os Amigos
Meus amigos? Escolho pela pupila.
Meus amigos são todos assim: metade loucura, metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Deles, não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas, angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que se acocora e espera a chegada da lua cheia. Ou que espera o fim da madrugada, só para ver o nascer do Sol.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas próprias injustiças cometidas. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro, quero também a alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade graça, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo e risada só ofereço ao acaso. Portanto, quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia vença.
Não quero amigos adultos, chatos. Quero-os metade infância, metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto. Velhos, para que nunca tenham pressa.
Meus amigos são todos assim: metade loucura, metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter cor no presente e forma no futuro.
Nota: Uma adaptação desse texto, publicado em 23 de setembro de 2003, vem sendo repassada como sendo de diversos autores, entre eles Marcos Lara Resende ou Oscar Wilde.
...MaisNinguém me Habita
Ninguém me habita. A não ser
o milagre da matéria
que me faz capaz de amor,
e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora,
possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho
resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam,
belezas que me endoidecem.
A Filosofia é uma atividade permanente de esclarecimento. Não se pode reduzi-la a um esclarecimento da linguagem, como pretendeu a escola analítica. Porque, por trás da linguagem, existem questões reais substantivas, pessoas de carne e osso, e assim por diante. Tratar tudo isto apenas como análise da linguagem é o mesmo que confundir a comida de um restaurante com o cardápio. Quando o dono do restaurante fala para o seu cozinheiro "Nós temos que modificar o nosso cardápio", o cozinheiro faz novas comidas reais. Não simplesmente pega o cardápio e decide escrever tudo diferente.
Quando o dono fala em modificar o cardápio, está raciocinando metonimicamente. Não é modificar o cardápio em si, mas as comidas que estão referidas no cardápio. O que os filósofos fazem é isto. Não estão reformulando somente o cardápio, mas estão colocando dentro da lista novos elementos que não existiam ou não tinham sido percebidos antes.
Esta é a finalidade da Filosofia, o esclarecimento permanente das questões tal como se apresentam concretamente na cultura e na vida humana, e não somente na linguagem. Obviamente, a análise da linguagem faz parte disto, mas como um instrumento auxiliar cuja importância não deve ser muito enfatizada ou exagerada. Porque a maior parte dos elementos que você lida são elementos que ainda não têm uma formulação linguística, são elementos de experiência interior e exterior que às vezes escapam da expressão linguística. Por exemplo, quando apareceram os fenômenos das duas guerras mundiais e das tiranias totalitárias, impondo aos seres humanos uma quantidade de sofrimento e de situações absurdas que elas não conseguiam expressar verbalmente. Se você ler hoje a obra de Alexander Zinoviev, professor de Lógica Matemática, perceberá que ele usa o seu instrumental lógico para criar uma nova linguagem capaz de descrever o que a situação real vivida pelos cidadãos do Império Soviético. Experiência que, portanto, transcendia os meios linguísticos de expressão dos próprios personagens que estavam vivendo. Como poderia ser isto uma mera análise da linguagem se a linguagem para expressar aquilo não existia no momento? Tratava-se, sobretudo de sentimentos e vivências mudas do coração humano que Zinoviev puxará de dentro da alma humana para uma expressão linguística finalmente. E é evidente que a análise da linguagem de Zinoviev não é a mesma que o próprio Zinoviev está fazendo dos acontecimentos e das experiências reais.
A filosofia analítica é uma filosofia de brinquedo, que transforma as questões mais temíveis da existência humana em meros jogos de linguagem. Isto é bom para quem quer ficar se divertindo em casa, mas não para quem quer meter a mão na massa. É um divertimento acadêmico apenas. Às vezes, produz algo de real utilidade, não se pode negar. Quando eu digo que a função da filosofia é lançar luz sobre estas questões reais, então não estou me referindo a meras questões de linguagem ou de lógica. A própria lógica como disciplina científica é um dos dados da situação social e existencial que estamos vivendo. Ela tem uma função dentro, entre outros, do universo da ciência e da tecnologia, e é, por assim dizer, uma força social. Então tem que ser analisada também como força social e não somente dentro dos detalhes formais da própria lógica.
1 As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram;
2 E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
(Os Lusíadas canto primeiro - 1 e 2)
Sentado e sorrindo aos pés da cruz vazia
Um dia vou tirar os cravos, que prendem suas mãos e seus pés. Do medo vou deixar de ser escravo. Vou fazer o que me der na telha, e com o coração em ceentelha, vou tirá-lo daí com muita fé, vou lhe fazer um bom curativo, colocando panos e remédios, tirando as dores que a 2000 anos moram...
"Deseja saber se um povo é mais propenso à indústria ou ao comércio? Não procure a resposta em seus portos, ou examinando a qualidade da madeira de suas florestas, ou tampouco o produto de seu solo. O espírito mercantil supera todas estas considerações e, sem ele, os outros ingredientes serão inúteis. Procure ver se as leis desse povo incutem nos homens coragem para lutar pela prosperidade, liberdade para buscá-la e sensibilidade e hábitos para encontrá-la, para, por fim, terem a certeza de poder desfrutá-la."
Aléxis de Tocqueville.
Amanhã sera melhor que hoje ..
e assim sera , cada ano que se passa tiramos algo de especial para guardar,
neste, eu descobri que distancia nenhuma separa verdadeiras amizades, que podemos
esperar a verdade das pessoas que menos gostamos ,
Aprendi que crescemos, nunca paramos de descobrir coisas, vi que o melhor amor está
do nosso lado, que as melhores pessoas não são as que nos fazem rir, mais sim as que
nos recebem bem todos os dias, independente do humor, que nos ajudam nas pequenas coisas,
pois nas grandes todo mundo se oferece para dar um apoio ..
Percebi que é impossivel não mentir, mais que é válido uma mentira para o nosso bem,
sem machucar ninguem !
Não percebi, mais senti, que as pessoas mais importantes para mim são aquelas que eu
faço sorrir , que marcam minha vida, que eu considero os MELHORES, e agora sim,percebi
que amar é muito mais sentir do que DIZER !
Mensagem para união e situações difíceis
Na maioria das vezes só julgamos o companheiro, pode ser porque ficam muito tempo juntos, esquecemos algumas coisas, algumas lições, podemos nos encantar com o carinho de outros casais, de outras pessoas, ou até mesmo de outra família, mas não lembramos que quem está ao nosso lado vai ser sempre a pessoa certa, por mais defeitos que tenha temos que olhar o lado positivo, as alegrias vividas, os momentos de dificuldade e saber acima de tudo que o outro precisa de auxílio e que só o amor pode dar, é tão fácil aprender pelo amor, dar dor ao outro pode ensinar, mas marcas com esse tipo de ferro são incuráveis, quem aprende com a dor nunca vai saber passar amor ao próximo, mas sempre achará que a perda de algo, ou o sofrimento fazem o outro aprender, Jesus ensina o amor, é mais difícil ensinar por esse caminho, pode demorar mais, parecer mais difícil, mas é porque no nosso coração existe um lugar como se fosse um reservatório que sempre tem mais espaço para o amor, por isso demora mais a aprendermos, podemos não perceber resultados porque esse reservatório nunca enche, porque o amor nunca é demais.
Por que pela dor o resultado de aprendizado é mais rápido?
Porque a dor tem um reservatório como o amor no nosso coração, porém ele é bem pequenininho, mas tem pequenos vasos que se ligam a todos os sentimentos e a todo nosso corpo, quando é acionado a perda ou o sofrimento e temos que aprender de uma hora para outra uma lição da vida, esse pequeno reservatório explode mandando esse recado a todos os outros sentimentos fazendo uma total desfunção dentro de nós e matando as pequenas sementes plantadas do amor,tanto que quando isso acontece a pessoa não consegue mais acreditar no íntimo dela verdadeiramente na felicidade,pois só é possível essa fé quando nosso reservatório de amor consegue limpar tudo que a dor fez e nem sempre quem deu a dor havia tentado doar amor suficiente antes de ferir.Nessa caso vai demorar que sabe vidas para limpar essas barreiras.
Por isso pessoas amadas,antes de se iludir com a luz de alguém,atenção e carinho,não vire as costas para quem não demosntra essa mesma luz,não pense duas vezes antes de pegar essa pessoa que não brilha perante a você e dar tudo que você tem e também que não tem,eis o que as leis divinas esperam de você,ficar ao lado dos mais fracos,dos que doam menos,pois conseguindo isso saberão o que é a lei do amor,é juntando que faz a diferença,caso contrário o aprendizado pelo dor destruirá felicidades,trará medos,arrependimentos e se esgotará a esperança.Lembrem-se quem demostra luz não precisa de vosso auxílio e de toda doação da sua admiração,pois na vida podemos nos iludir,não conhecemos ninguém para dizer que sabemos quem parece melhor para nós,não podemos querer encontrar o melhor para nós,demos SER o melhor para os que sabemos que PRECISAM verdadeiramente de nós,TEMOS QUE DOAR e não procurar só receber,aliás deveríamos só doar para o outro,pois é dando que se recebe.
Cuide de seus companheiros de guerra!E vencer uma guerra não é ir para um lado que achamos que se tornou vitorioso e nos vai dar essa vitória,vencer uma guerra é ficar ao lado de quem esteve com você desde o ínicio da batalha,é lutar,é ficar ao lado,auxiliar,por mais fraco que seja seu lado,é por ele que você terá que lutar,mesmo que seja até a morte!Nada lhe pagará depois essa atitude de amor,que mais tarde te devolverá tudo de volta,inclusive a VIDA!...Do outro lado você poderia até estar vitorioso e salvo,mas quando ver quem esteve ao seu lado caindo sozinho no campo de batalha,veria o erro,isso de qualquer maneira viria de volta,te devolvendo o que teria de ter passado ao lado quem estava lutando junto com você e assim você veria o que é verdadeira derrota.
Há sempre quem precisa de sua doação,não espere o tempo resolver nada que você consiga,o investimento no amor dá lucros que simplesmente rende juros que o preço é incalculável,dê amor para receber de volta.
Acaso
No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.
A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.
Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.
Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!
Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?
Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...
Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.
Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor
Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais
Abelhas na Barriga
Meu estômago não tem borboletas,
são apenas flores.
Cheias cheias de abelhas.
Agulhas que me causam dores.
Ansiedade?
Talvez medo dessa ferocidade!
Essa idade suficiente para perder beleza
crescer e competir com a velha natureza.
Quando o sol raia, prefiro por dia morrer;
os casulos crescem.
Mas a noite, ah a noite! na lua quero renascer
As borboletas florescem.
Complicada?
Sim, eu sou complicada em alguns aspectos, tenho minhas manias, meus puderes, meu recato, mas, se você não esta disposto a suportar minha complexidade, jamais vai conhecer meu lado magnificamente simples.
Quem não suporta os meus óbices, os meus pontos fracos, quem, enfim, não desvenda os meus mistérios não chega a conhecer o meu melhor, as minhas maiores virtudes, os meus maiores encantos.
Qualquer tipo de relacionamento é constituído de trocas, você só desvenda o melhor do outro quando cede, quando consegue ignorar o que ele não tem de “tão” bom ou, enfim, aquilo que não lhe parece “simples”.
Quando você supera aquilo que não é “fácil” você entra na vida do outro, todavia, quanto mais complicado um homem é, mais raro e belo é aquilo que sua “complicação” esconde, mas nem todos desvendam.
Dança não é ballet, não é tango nem valsa. Dança não nasceu para ser dividida. Sempre veio da universalidade. Sempre quis juntar o que os outros separavam.
A dança é de todos e deve ser ADMIRADA e RESPEITADA independente do ritmo, do nome que é levada ou dos ''passos'' que a compõe.
''DANÇA É A EXPRESSÃO DA ALMA. NÃO DE UMA TÉCNICA!''
A Favela Perfeita
Originalmente fiquei conhecido como um menino do rio, pela alegria forma despojada de ver e viver a vida, não precisava de muito dinheiro, uns poucos trocados, bons amigos e uma resenha na praia para alimentar o bom espírito.
Quando menino e ainda muito pequeno trago boas recordações e lembranças da infância vivida entre becos e vielas na maior e melhor favela dentre elas, sempre reconhecida pelas suas belezas naturais, e visuais deslumbrantes. Apaixonam-se aqueles que a olham de fora para dentro, ou aqueles que de dentro, contemplam o visual maravilhoso do Rio de Janeiro.
Nascido na década de 80, minha favela sempre foi a melhor dentre as favelas, referenciada sempre pelo seu tamanho como a maior da América Latina, impunha respeito e admiração, pois além de fazer parte da história de nossa cidade, compunha em versos e prosas as letras das melhores musicas de funk da época. Reconhecidamente um berço de grandes MC´s da minha geração.
Não tinha policia ou doutor, até bandido respeitava morador, não tinha guerra, quase não tinha tiro, não morria policia, não morria bandido, não tinha bala perdida em morador. Roubo não existia e o corajoso do ladrão, coitado, percorria só de calcinha as ruas da favela, sob ovadas, xingamentos e vaias não corria, e se corresse a madeira cantava.
Pela praia de São Conrado era sempre laser, no sol de verão ou de inverno, seja o morro que descia ou o rico que comparecia. Até você podia ir sozinha(o), pois sabia que no que é seu ninguém mexeria. Mesmo se morasse naquele lindo prédio na esquina.
Na minha favela, a melhor dentre elas, esperto também não se criava, enganou o traficante, achando que passaria batido, vendeu passarinho roubado e acabou culminando o seu próprio fim, um quilo de Sal, e se a sede apertasse, um litro de cachaça dava, para quem sabe, amenizar a dor de uma provável cirrose hepática.
Por falar em bebida, festas iguais não haverá. Bebida e comida a vontade, onde traficante em meio à multidão queria ser apenas um morador a curtir, com certeza o inicio do “Open Bar”. Não existia “mimimi”, era tudo “arregado”, e até o amanhecer não podia acabar. Não tinha briga e não tinha confusão, a festa era para curtir e cantar os funks do patrão. Calma, não se assuste, não é apologia e tampouco ostentação, eram as histórias da favela cantadas nos versos de uma canção.
Orgulhosos são os crias por ter vindo de onde vieram, ter visto tudo que viram e principalmente vivido tudo que viveram na melhor favela dentre as favelas, de origem na Fazenda Quebra-Galhas, que divida virou chácaras e a região carinhosamente foi batizada de Rocinha. A favela dentre as favelas ainda a maior e melhor favela.
Obs.: Esse é apenas um relato de uma Rocinha vista através dos meus olhos, se certo ou errado, não cabe a um ou outro julgar. Opiniões divergentes são sempre bem aceitas, mas espero que saiba que todos gostam de respeito para com o nosso lar. E desculpe qualquer equivoco no português, sentimentos geralmente não precisam de um padrão linguístico para fazê-lo, boas descrições fiéis as informações passadas já dão conta de muito bem descrever.
Desde a adolescência, o meu interesse pelas coisas mais elevadas do espírito foi
recebido pelo ambiente social e familiar em torno com desprezo, chacotas e tentativas
de intimidação. Parecia que ir além do círculo do imediato, do banal e do mesquinho
era o pior dos pecados. Estímulos, só recebi negativos. Mas não posso dizer que
essa experiência tenha sido de todo prejudicial ou mesmo inútil. Com ela aprendi a
guardar meus pensamentos para mim mesmo, evitando bate-bocas dispersantes, e
graça a isso desenvolvi não só o poder de concentração, mas a capacidade de
conservar minhas idéias na memória muito tempo antes de ter a oportunidade de
escrevê-las. Posso dizer que tinha uma filosofia secreta bem antes de que alguém em
volta pudesse desconfiar da sua existência. Só comecei a falar dela em público
quando me senti seguro de que não precisava mais da aprovação ou simpatia de
quem quer que fosse. É por isso que vejo bem claro o ridiculo de toda afetação de
independência. Qualquer moleque fracote pode se vangloriar de que “pensa com os
próprios miolos”, precisamente porque não tem a menor idéia do preço da
independência genuína.
O Peru
Glu! Glu! Glu!
Abram alas pro Peru!
O Peru foi a passeio
Pensando que era pavão
Tico-tico riu-se tanto
Que morreu de congestão.
O Peru dança de roda
Numa roda de carvão
Quando acaba fica tonto
De quase cair no chão.
O Peru se viu um dia
Nas águas do ribeirão
Foi-se olhando foi dizendo
Que beleza de pavão!
Glu! Glu! Glu!
Abram alas pro Peru!
O verme
Existe uma flor que encerra
Celeste orvalho e perfume.
Plantou-a em fecunda terra
Mão benéfica de um nume.
Um verme asqueroso e feio,
Gerado em lodo mortal,
Busca esta flor virginal
E vai dormir-lhe no seio.
Morde, sangra, rasga e mina,
Suga-lhe a vida e o alento;
A flor o cálix inclina;
As folhas, leva-as o vento,
Depois, nem resta o perfume
Nos ares da solidão...
Esta flor é o coração,
Aquele verme o ciúme.
Quando eu era menina o meu sonho era ser homem para defender o Brasil, porque eu lia a história do Brasil e ficava sabendo que existia guerra, só lia os nomes masculinos como defensores da pátria então eu dizia para minha mãe:
– Porque a senhora não faz eu virar homem?
Ela dizia:
– Se você passar por debaixo do arco-íris você vira homem.
Quando o arco-íris surgia eu ia correndo na sua direção mas o arco-íris estava sempre distanciando. Igual os políticos distante de povo. Eu cansava e sentava, depois começa a chorar. Mas o povo não deve cansar, não deve chorar, deve lutar para melhorar o Brasil para nossos filhos não sofrer o que estamos sofrendo. Eu voltava e dizia para minha mãe:
– O arco-íris foge de mim.
Ostentação é o ato ou efeito de ostentar, quer dizer “apresentar” ou “mostrar” num sentido exibicionista, estando ligado ao orgulho, à presunção ou simplesmente à vaidade. É o ato de alguém que exibe as suas "riquezas" ou as suas próprias "qualidades", sublinhando a importância de algo que tem, que fez ou que é. Em boa parte dos casos acontece para retirar o foco de atrativos inexistentes.
Ostentação é uma palavra que tem origem no termo em latim ostentatio, que significa exibição vã ou inútil. Uma pessoa que recorre à ostentação é muitas vezes conhecida como afetada ou fútil.
Quem tenta ostentar com bens e atitudes que financeiramente não pode manter, acaba se tornando escravo da sua própria futilidade.
Pois meus olhos não cansam de chorar
Tristezas não cansadas de cansar-me;
Pois não se abranda o fogo em que abrasar-me
Pôde quem eu jamais pude abrandar;
Não canse o cego Amor de me guiar
Donde nunca de lá possa tornar-me;
Nem deixe o mundo todo de escutar-me,
Enquanto a fraca voz me não deixar.
E se em montes, se em prados, e se em vales
Piedade mora alguma, algum amor
Em feras, plantas, aves, pedras, águas;
Ouçam a longa história de meus males,
E curem sua dor com minha dor;
Que grandes mágoas podem curar mágoas.
