Texto Amigos de Luis Fernando Verissimo
Jogo enigmático
Em um tabuleiro quadriculado, peças se entrelaçam,
Cavalos, bispos, reis e rainhas, se misturam a peões,
Onde cada jogada pensada, mostra a estrátegia usada,
A vida se deleita com a mesma magia,
Se entrelaça com outras vidas no tabuleiro do mundo,
E num lançe discreto se percebe gostar de alguém,
Mas sem saber que estrátegia usar, vendo o jogo se dificultar,
Acabar por encarar o jogo como distração, para não sofrer com a ilusão,
Sem saber que esse jogo vai apertando o coração,
Num lançe qualquer ver seu jogo desmoronar,
Quando quem queria ao seu lado,
Começa a se apaixonar, mas não por ela,
Pensa em a riscar tudo mas vê, que já lhe é tarde
Que a vida lhe presenteou com um xeque-mate
Seu amado já não lhe pertence
Cabe a jogadora remontar seu jogo,
E esperar que outro se sente a sua frente para um novo jogo.
Poema Para Quê? Para Quem?
Redigir um poema, para quê?
Poema para o mercado cultural?
Para virar um Best-seller?
Para reprodução da cultura de massa?
Poema para se vender e fazer dinheiro?
Poema para quê?
Como forma de excluir quem não o entende;
Com sua linguagem abstrata e muitas vezes sem lógica?
Poema, poesia, para quê, para quem?
Para fazer a fama de poucos?
Para serem lidos pela elite?
Em redutos tidos como propagadores do saber?
Poema, poesia para quê?
Para falar em amores, abstratos, platônicos;
Onde o leitor embrutecido pelo sistema, não pode ver o amor,
Pois seu amor é concreto aos bens materiais?
Poema, poesias e crônicas para quê?
Para reproduzirem realidades utópicas;
Enquanto o leitor vive realidades históricas?
Poemas, poesias para quem?
Para os leitores da elite conservadora?
Para o jovem revolucionário?
Para o cidadão escravo do sistema que o embrutece;
Ou para o burguês consumir e se achar importante?
Poemas, poesia para quê?
Para conciliar ou dividir as classes?
Para despertar ou transformar o amor em comércio?
Para reverenciar ou reconhecer talentos?
Para fazer fama de uns, e renegar o sol a outros?
Ora, a arte de usar as palavras,
Arte essa restrita a quem?
Ao leitor?
Aos autores?
Ou ao sistema de comercializar?
Cadê o poeta romântico?
Que amava;
Não os bens e sim o homem!
Cadê o poeta que critica a realidade?
Do cidadão a quem lhe remete sua arte?
A arte não precisa regressar ao passado;
Para recuperar seu prestígio;
A arte precisa se humanizar de novo;
Acreditar no ser humano que luta;
Acreditar no amor interno, de cada indivíduo;
A arte precisa começar a revolucionar;
Não o sistema, que esse caíra;
Mas sim o homem;
Para que esse volte a ver na arte;
A crítica a vida sofrida que vive;
E assim se veja no poema;
Como sujeito ativo e não passivo.
Para que o poema, a poesia e a crônica?
Para humanizar o animal homem!
Como acabei me apaixonando
Quando te vi?
Quando toquei sua mão?
Quando senti o calor da sua alma?
Não sei dizer quando, nem como
Mas sei que meu coração bate por ti
E sei que quero estar contigo
E sei que sem você a vida é sem graça
Quero te ver
Quero estar com você
Vou sonhar com você ...
Eternamente você...
Talvez estejamos errado sobre a revolução dos planetas, ou as leis da física...
Não sei, quem julga?
É tudo muito relativo enquanto se está observando, de longe, distante.
Quase que não me sinto daqui.
Como se algo que te preenchesse só fizesse mais um escândalo dentro de si.
Dúvidas amargas, saturadas de respostas desconexas, talvez eu não veja assim.
Se é difícil a gente até se acostuma, mas com a facilidade...teria quanto de esforço?
Será mesmo que vale a pena?
Apenas sento diante do horizonte, e a vida passa..observo.
Talvez não seja assim...
"Um dia um rico triste peguntou a um pobre feliz.
-Por que você mesmo não sendo rico ainda consegue ser tão feliz?
Respondeu-lhe:
-Mantenho esse sorriso em meu rosto
que nunca irá perder seu brilho
pois tenho uma riqueza que dinheiro nenhum nesse mundo comprar,
o amor de minha família."
A grande maioria segue como sempre seguiu: com a grande maioria.
Lá se vai... Um amontoado de opiniões alheias.
E ficou para trás a consciência crítica.
Feliz é aquele que mesmo seguindo como sempre seguiu, conseguir como que por um flash de memória, sentir falta de algo, e convergindo a apanhá-la de volta. Este nunca mais será o mesmo.
Sobrevivendo Na Rua.
AS JANELAS DESSA CASA SÃO SEUS OLHOS! ABRA! VEJA!
VEJA QUE ESTAR NA RUA, MORDIDO De UM FERA cruel e selvagem, faminta. pois você e o único alimento dessa fera chamada vida.
você e a ração da vida que tem, alimente! e alimente bem para não morrer antes dela.
QUE SUAS IDEOLOGIAS ALIMENTE SUA VIDA PELA ETERNIDADE...
Procura
Procurei entre estrelas,
Procurei no céu e no mar,
Procurei no mundo inteiro,
Mas não pude te encontrar.
Ficou perdida em meu passado,
Em algum lugar distante,
Em um momento que deu tudo errado
E por isso não te encontro,
Por isso não estou mais ao teu lado.
Porque fui covarde em alguns momentos,
Porque não declarei o meu amor
E sua lembrança foi o que me restou.
A saudade e o meu amor,
Nunca se apagou.
Quando partiu
O mundo desabou sobre mim,
Você saiu do meu coração,
Minha vida parecia estar no fim,
Fiquei sozinho, fiquei perdido.
Chorei de noite,
Chorei de dia,
Você foi embora,
Levou junto minha alegria.
As noites ficaram mais longas
E em todas elas eu chorei,
Sofri por muito tempo,
Só eu sei o quanto te amei.
Um dia a tristeza foi embora
E novamente pude ver o sol lá fora.
Não podia mais viver para um passado,
Para o que não deu certo, para o que deu errado.
O Sofrimento de um povo
Trabalhar o dia inteiro,
Ser assaltado no trânsito
E ao entrar no mercado,
Ser assaltado de novo.
Me pergunto quando isso vai acabar?
Quando finalmente chega em casa,
A televisão mostra só maravilhas,
Enquanto uns não tem o comer
E outros não tem onde morar.
Me pergunto quando isso vai acabar?
É fácil dizer que está tudo bem,
Quando se nada em dinheiro,
Enquanto o povo sofre,
Enquanto ralamos o dia inteiro.
Me pergunto quando isso vai acabar?
Milagre é o ver um pai de família,
Ganhando um salário pequeno
Que cria seus filhos,
Com tão pouco dinheiro.
Me pergunto quando isso vai acabar?
Lágrimas na Chuva
Nos dois juntos é como o amanhecer do sol,
Quente, bonito e seu brilho é intenso,
Quando vejo o sol nascer eu lembro de nós,
Lembro de você.
Seu sorriso sempre iluminava tudo,
Tornava meu mundo mais fácil, mais seguro.
Na tristeza o pilar que me sustentava,
Na guerra, a pessoa por quem lutava.
Fui um tudo e hoje sou o nada,
Foi meu sol, hoje é minha madrugada.
Andávamos juntos,
hoje estou só na estrada.
A chuva leva minhas lágrimas de solidão,
Um alguém que foi especial
Que já morou em meu coração.
Nosso amor foi embora,
Por isso, tenho medo
da chuva lá fora
Esta noite eu sonhei
Sonhei com a pétala de uma rosa
Com sua delicadeza e perfeição
Esta noite eu sonhei com você
Sonhei com sua forma graciosa
Com sua luz e seu brilho
Estávamos juntos
E isso era perfeito
Estávamos de frente para o futuro
E isso era magnífico
Estávamos de frete para o infinito, que nos aguarda
Desconheço seu além
Mas se você estiver comigo
Seguirei em frente, portanto segure minha mão, que não a soltarei...
As vezes travo uma batalha silenciosa no meu coração, onde a realidade do mundo tenta destruir a bondade que ainda existe em mim.
Onde esculpir a alma já não é mais uma opção, pois a vida não te deixa escolhas pra isso.
Onde nesse conflito somos iludido a desconfiar de nossa própria fé, que nos faz duvidar se bondade é um defeito ou uma qualidade.
Que leva os desesperados a desacreditar no romantismo que a no mundo, onde a maior tragédia será que enquanto alguns amam outros amaram apenas a ideia de amar .
Batalhadora do meu ser,
Quero um dia apenas te ver,
Num dia belo radiante,
Com sua amizade sigo adiante,
Você é aquela que aquebrantou,
A máscara de minha ilusão,
E me deu motivos para sonhar,
Apenas com você, bela dama, quero estar,
Você é a forma exemplar de amizade contínua
Em meu diário você atua como uma noite,
entre luz e escuridão você é minha estrela.
Mesmo de tão longe ainda posso te admirar...
Uma artista. Uma alma.
Uma via dupla.
Um café.
Duas escolhas, uma consequência.
Um jardim.
Um quintal.
Dois ir. Um ficar.
Caminho de praia, caminho de mar, vento de ser, sentir de ficar.
Perguntas e respostas feitas em cima da mesa.
Palavras que voam por um teclado.
O que é vida se não para alguns, alguns dessagrados.
Uma via dupla, uma escolha, uma escola.
O que é vida para eu se não um proposito de cuidar de alguém.
O olhar para o alto, o desatento, o palhaço, o riso.
Um jardim feito de lembranças, onde as flores soltam perfume de esperança.
Um quintal onde meus pensamentos descansam, ao lado do deserto onde deito e penso.
Se soubessem o tanto que ainda há de crescer não diriam que o chorro não importa.
Frases que montam o texto que habita um coração apaixonado pelo viver da morte do ser findado.
Este que termina aqui.
O cego e a guitarra
O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.
Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.
Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.
Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.
Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.
Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.
Do livro "Fernando Pessoa - Obra poética - Volume único", Cia. José Aguilar Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1972, págs 542/543. (Fonte: Projeto Releituras)
Abat-Jour
A lâmpada acesa
(Outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.
E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.
Bem sei... Era dia
E longe de aqui...
Quanto me sorria
O que nunca vi!
E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar...
(Extraído de Cancioneiro – PDF Ciberfil Literatura Digital - Página 7)
Escrevo e divago, e tudo isto parece-me que foi uma realidade. Tenho a sensibilidade tão à flor da imaginação que quase choro com isto, e sou outra vez a criança feliz que nunca fui, e as alamedas e os brinquedos, e apenas, no fim de tudo, a supérflua realidade da Vida...
(Fonte: PESSOA, Fernando. In “Correspondência (1905-1922)”, Lisboa: Assírio & Alvim, 1999, p.150. / Fonte: Templo Cultural Delfos)
"A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la”.
( Bernardo Soares [Semi-heterônimo de Fernando Pessoa],no Livro do Desassossego. (Org.) de Richard Zenith - Assírio E Alvim, 2008.)
"A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e muito mais variado do que o homem de ação. Em melhores e mais diretas palavras, o sonhador é que é o homem de ação. Nunca pretendi ser senão um sonhador”.
( Bernardo Soares [Semi-heterônimo de Fernando Pessoa].)
