Tentando te Esquecer
Eu me perco todo dia.
Às vezes nas lembranças,
às vezes no mercado tentando lembrar por que entrei ali.
Tem dia que me perco em gente errada,
em conversa inútil,
em saudade reciclada igual pote de sorvete virando tupperware.
A verdade é que viver é isso:
um grande “cadê meu equilíbrio emocional?”
enquanto a gente procura o celular
com o celular na mão.
Mas sigo.
Porque até GPS recalcula rota,
e eu não vou perder a chance
de me achar mais gostosa, mais forte
e um pouquinho mais surtada amanhã.
A Revolução dos Cansados
Há um momento em que o homem percebe que passou metade da vida tentando convencer desconhecidos de alguma coisa.
Convencer o patrão de que trabalhava demais.
Convencer a família de que fazia o possível.
Convencer os amigos de que estava bem.
Convencer a sociedade de que era útil.
No fim, ninguém entrega medalha para quem morre de exaustão.
Então você começa a perder certos talentos. O talento de discutir. O talento de justificar. O talento de parecer indignado o tempo todo.
Descobre que o mundo continua girando com ou sem a sua opinião. Continua fabricando heróis descartáveis, mártires de fim de semana e revolucionários que voltam cedo para casa porque na segunda tem reunião.
A verdade?
A maior parte das guerras é travada por homens que nunca apertaram um gatilho. A maior parte das virtudes é defendida por gente que jamais abriu mão de um conforto. E a maior parte dos discursos serve apenas para esconder o medo absurdo de admitir que ninguém sabe por que está aqui.
Que tédio.
Cansei de carregar bandeiras que, no primeiro vento, alguém troca por outras. Cansei de lutar batalhas que terminam patrocinadas por quem vende as armas.
Prefiro uma mesa de bar.
Uma mulher inteligente rindo do meu cinismo.
Uma motocicleta velha engolindo quilômetros sem destino.
Uma cerveja gelada enquanto a cidade continua fingindo que está construindo o futuro.
Talvez eu esteja errado.
Mas desconfio que viver sempre foi isso: desperdiçar um pouco de tempo com aquilo que faz o coração bater mais devagar.
O sistema odeia quem descobre isso.
Ele suporta fanáticos.
Tolera miseráveis.
Até admira os ambiciosos.
Mas não sabe o que fazer com alguém que simplesmente encolhe os ombros, acende um cigarro, abre outra cerveja e diz:
— Hoje, não.
Porque quem para de perseguir a cenoura deixa de obedecer ao chicote.
E talvez essa seja a única revolução que ainda não conseguiram vender.
Não espere um final bonito.
A liberdade nunca chega montada num cavalo branco.
Ela aparece numa terça-feira qualquer, com olheiras, uma geladeira quase vazia, um aluguel vencendo e uma estranha paz por finalmente não precisar provar absolutamente nada a ninguém.
Tem gosto de derrota para quem olha de fora.
Mas, por dentro...
Tem gosto de vida.
"Às vezes, a gente se desgasta tanto tentando ajudar ou reparar o caminho dos outros que acaba esquecendo de olhar para o nosso próprio chão."
Será que estamos realmente cumprindo o propósito da vida, ou apenas tentando provar ao mundo que ela vale a pena? Entre o ego que busca aplausos, os likes que alimentam uma validação passageira e um mundo que confunde aparência com valor, talvez tenhamos esquecido o essencial: o amor, o propósito e o nosso próprio valor. Antes de nascer, não conhecíamos a dor; nascemos, aprendemos a sentir, crescemos entre perdas e conquistas e, em algum momento, descobrimos a certeza inevitável da morte. Então, o que é a vida? Talvez seja justamente o intervalo entre o primeiro suspiro e o último — e a pergunta não seja quanto tempo teremos, mas o que faremos com aquilo que recebemos enquanto estivermos aqui.
"Se você gastasse metade da energia que usa tentando me sabotar para fazer o seu próprio trabalho, provavelmente teria resultados melhores."
Prefiro mil vezes errar cem vezes tentando executar uma ideia mirabolante do que acertar a vidinha sem graça e cheia de falsidade dessas pessoas que só sabem falar mal de quem tenta fazer diferente.
É muito mais nobre fracassar tentando realizar uma ideia mirabolante do que ter sucesso vivendo de aparências, cercado por essa corja falsa e sem coração que só sabe aplaudir a mediocridade dos outros.
"Não me explique por que a minha ideia não vai dar certo; gaste essa mesma energia tentando entender como vou fazê-la funcionar."
"Por trás de cada ideia absurda existe um coração compassivo tentando consertar um mundo que desistiu de sonhar."
"O Jurista ao manejar o direito como aplicador da ordem se torna um 'arquiteto' tentando construir um castelo de cartas no meio de uma tempestade".
Tentando desenhar o que vi no sonho...
Um barco caravela da era colonial em um cais, muitas pessoas descendo e subindo do barco...
Eu desci, e logo vi alguém encostado no parapeito da orla, era ele novamente o 'C', nos olhamos profundamente, e rimos um para o outro.
Me despedi desse alguém, e dissemos um adeus que seria para sempre...
Porque enquanto eu estava descendo naquelas terras, ele estava indo para outras.
Eu continuei caminhando, e indo com a minha mala cheia de pertences, para não sei onde...
Eu estava tão feliz naquele instante, mas alguma coisa me dizia que eu deveria embarcar com aquela pessoa de volta, porque depois daquele momento, nunca mais nos veríamos.
Lembro que eu estava com roupas de camponesa.
Uma saia longa e uma blusa de meia manga branca...
Porém, tudo o que fiz foi andar para frente, e olhar para trás, até sumirmos das vistas um do outro.
Ele me olhava com amor e ternura, como quem dissesse "fica comigo e vamos viajar juntos, para nunca mais nos separarmos..."
Antes de partir, havia me aproximado dele e o abraçado. Era como se fosse o último abraço das nossas vidas.
Tão intenso.
É só disso que me lembro ❤️
10/11/2021
9 de junho de 2024... 21:02
Semana passada sonhei que estava tentando atravessar uma ponte, mas precisava repor uns troncos de árvores para passar por cima.
Quando peguei os 2 troncos para colocar em cima da ponte para que eu passasse, eles viraram pó e se desfizeram em minhas mãos.
A aparência de um deles, era como se fosse o rei Charles da Inglaterra deitado.
No fim das contas, a gente passa tanto tempo tentando parecer forte que esquece o básico, quase infantil, quase óbvio, mas ainda assim tão difícil: abrir a boca e dizer. Dizer o que incomoda, o que pesa, o que lateja baixinho no peito como quem pede socorro sem fazer barulho. Porque tem dores que não gritam, elas sussurram. E são justamente essas que mais machucam quando a gente decide ignorar.
Eu fico pensando que amar, de verdade, não tem nada a ver com esse teatro bonito onde ninguém erra, ninguém sente, ninguém reclama. Amar é meio bagunçado mesmo, meio torto, meio cheio de pausas estranhas no meio de uma conversa que deveria fluir melhor. Amar é ter coragem de olhar pra quem está do nosso lado e dizer com uma sinceridade quase constrangedora: olha, isso aqui me doeu. Não foi grande coisa pra você, eu sei. Mas aqui dentro fez barulho.
Porque quando a gente não fala, a gente cria. E a mente, ah, ela é uma roteirista dramática. Ela inventa histórias, aumenta detalhes, distorce intenções. O que era só um incômodo pequeno vira uma novela inteira dentro da cabeça. E aí a gente começa a se corroer por dentro, como se estivesse sendo consumida por algo que poderia ter sido resolvido em uma conversa simples, dessas de fim de tarde, com um café morno e um pouco de coragem.
Tem gente que acha que amar é aguentar calada. Que é nobre engolir o choro, fingir que não viu, que não sentiu, que não doeu. Mas isso não é amor, isso é acúmulo. E tudo que acumula uma hora transborda. Não como uma poesia bonita, mas como uma ferida aberta, daquelas que já poderiam ter sido tratadas lá no começo, quando ainda era só um arranhão.
Amar, no fim, é quase um exercício diário de manutenção emocional. É perceber o pequeno antes que ele vire gigante. É ajustar o que está fora do lugar antes que a casa inteira desmorone. É escolher conversar mesmo quando dá vontade de se fechar. Porque se fechar parece proteção, mas muitas vezes é só isolamento disfarçado.
E eu digo isso como quem já ficou em silêncio quando deveria ter falado. Como quem já criou mil histórias na cabeça por falta de uma frase dita no tempo certo. A verdade é que não existe amor que sobreviva bem ao silêncio constante. O silêncio até acolhe, às vezes, mas quando vira regra, ele distancia.
Então, talvez o que realmente importe seja isso mesmo: sentar, respirar e dizer. Sem ataque, sem defesa, sem roteiro pronto. Só dizer. Porque amar não é fingir que nada dói. É ter coragem de mostrar onde dói, enquanto ainda é possível cuidar.
E se tem uma coisa que a vida ensina, meio sem pedir licença, é que sentimentos ignorados não desaparecem. Eles só mudam de forma. E nem sempre a nova forma é gentil.
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Leveza:
Não passe a vida tentando adaptar-se para ter validação.
Isso não é liberdade e muito menos controle sobre se próprio.
A leveza de se viver é ter auto controle sobre suas emoções e decisões.
Aprenda controlar quem deve entar ou sair da sua vida.
