Tenho Namorado mas Penso em outro
Há noites em que minha mente se torna um labirinto sem saída. Penso, penso e, quanto mais mergulho, menos me encontro. Há partes de mim que parecem morar em um lugar inalcançável. Nem sempre consigo tocar o que sinto. E isso também é uma forma de dor.
Às vezes penso que devo me aquietar, porém quieta já sou. Permaneço imóvel enquanto penso.
E, por alguns momentos, sempre me vem a mesma pergunta: e se eu fizer diferente? Ir em frente e buscar alcançar com as mãos aquilo que só meus olhos alcançaram.
E se eu tocar… será que estrago? Ou é precipitado o medo de me precipitar?
Porque o medo de estragar já não causa seus próprios estragos?
Vai tornando impossível um acontecimento talvez inevitável. Fazendo ruir, antes mesmo do início, aquilo que talvez só precisasse de coragem para acontecer.
Talvez, às vezes, o que chamamos prudência seja apenas temor disfarçado.
E o que mais desejamos não se perde pelo toque… se perde pela ausência dele.
Às vezes, penso que o universo tem um senso de humor bem peculiar.
O par de meias que entra na máquina de lavar, mas sempre sai só um.
O shampoo que é especialista em me deixar na mão parece que conspira para acabar justamente quando eu já estou debaixo do chuveiro.
Ah, e aquela pessoa que você mais quer evitar, mas que o acaso faz questão de colocar bem à sua frente, na fila do supermercado, como se o universo cochichasse: “Eu ouvi você e achei engraçado.”
... penso que
nem toda desilusão,
por mais dolorosa que seja,
deveria sujeitar-se à cura - em
razão de uma significativa carga
de desprazeres e mal-estares
aptos anos imunizarem
de desilusões
maiores!
... penso que
uma Verdade não se torna
crível,porque um homem,inocente, morreupor ela. Mas por sua essência,
por Ele,exemplarmente vivida que,
superando toda e qualquer
resistência ou martírio,
aeternizou!
Entre troncos deformados, galhos estéreis e raízes corroídas, penso em outonos distantes, onde o vazio ainda não tinha tomado tudo. Hoje, nem mesmo as lembranças florescem, apodrecem comigo, como se cada estação me roubasse um pedaço da alma. O que antes era silêncio fértil, agora é deserto e já não sei se há algo em mim que ainda resiste ao inverno que nunca termina.
Minhas promessas têm pé e braço, faço o que digo e digo o que penso, a palavra voltou a ter peso comigo.
Quando penso que estou inteiro, descubro novas rachaduras, e percebo que ser humano é aprender a cair com elegância, a aceitação do próprio caos é libertadora, quem tenta ser perfeito morre antes de viver, eu prefiro ser real, mesmo que doa.
Quando penso em coragem, lembro de pequenas decisões. Elas não soam heroicas, mas movem montanhas internas. Trocar o olhar, dizer o nome, abrir uma porta. São gestos pobres, mas imprescindíveis. E a soma deles nos reconstrói, dia após dia.
Quando penso em destino, penso em escolhas sutis. Não em decretos gravados em pedra, mas em trilhas. Cada pequena escolha é nó que nos define. Às vezes desfazemos, outras apertamos ainda mais. E o resultado é essa tapeçaria que somos.
Às vezes penso que sou ilha e ponte ao mesmo tempo. Isolado, construo travessias para quem está perto. Há dias em que não quero ponte alguma. Outros, sou inteiro de tal modo que abraço o mar. E nessas variações, descubro meu próprio ritmo.
Se você soubesse o que eu sei,
e penso ao seu respeito,
Entenderia meu silêncio diante da sua latumia.
Não tenho medo de dizer o que penso, no dia em que me ver com medo de me expressar, ou estarei seguindo o "efeito manada", ou eu já terei "batido com as botas".
Penso em pensar um pensamento pensativo titular no plural singular diferente eremonopsicofilosofante ao estilo do Pauleremonopsicofilosofante.
Mãos Atadas
E eu aqui…
Às vezes penso que tudo aquilo que pode ser mudado é justamente o que não deveríamos mudar, porque já está escrito.
No entanto, ao meu ver, tudo aquilo que parece impossível de mudar é exatamente o que deveríamos transformar, apesar dos sacrifícios, das dores, do choro e até dos fins que isso possa causar.
Levo isso como um raciocínio de uma equação matemática.
Mas sabendo que cada problema possui sua própria equação, cada condição exige um raciocínio diferente.
É triste quando as falhas são conhecidas e reconhecidas.
Sabemos como consertar, mas não podemos — ou não temos poder suficiente — para fazê-lo.
A isso eu chamo de:
“Mãos Atadas.”
Te penso, e imediatamente te vejo, e ao vê-la, eu sonho, e sonhando eu à quero, e te querendo! Te penso...
(Saul Beleza)
