Tenho Cara de Metida
Já não tenho pressa
Já não faço mais nada com pressa
Descobri o prazer de dar tempo ao tempo
A dadiva de estar no presente
Quanta graça existe no devagar, uma lindeza
Agora mesmo, eu estava lavando umas frutas, senti seus cheiros, texturas, vi suas cores
Tão sem pressa que praticamente tivemos um diálogo
Isso me inspirou tanto que eu não resisti a escrever esses versos
Afinal, eu não tenho mais pressa, e as frutas, elas podem esperar
Então, inesperadamente, me assaltou um pensamento
Por que demorei tanto para entender que é melhor viver sem pressa?
E eu entendi por que esse pensamento me assaltou
Pra provar para mim mesma que aprendi
Afinal, demorar é não ter pressa.
Eu que amo a poesia e tenho por ela paixão não existe como criar e do nada inventar sem nenhuma inspiração.
"Tenho coragem para viver o presente me permitindo errar, testar, experimentar, saborear o sabor doce e amoroso do momento!
Sem reagir, contrario ao meu sentimento de compromisso realizado!"
Tenho muitas dúvidas, com certeza, mas nunca me deixo dominar pela cegueira absolutista das certezas nem pela mortal imobilidade das dúvidas.
Remisson Aniceto
"Particularmente amo a África. Eu realmente tenho certeza que todas as minhas origens genéticas vieram de lá."
Eu te amo, mas também te odeio e por eu vivo em meio ao amor e ódio pro ti, tenho medo do simples fato de algum dia essa balança de amor e ódio virar e restar apenas ódio por ti.
O que eu tenho?
Nada.
E não tendo nada,
tenho tudo, pois saiba
que o tudo só cabe
onde houver um nada
onde tudo caiba.
Às vezes me dá vontade de escrever textão... Mas hoje não.
Hoje não.
Tenho sim muita coisa pra dizer, sinto que ainda não fiz metade do que tenho pra fazer nessa vida... Mas hoje não.
Hoje não.
Hoje é só pra mim. Só pra cuidar de mim, me dar vários mimos, me dar vários "sim' s". Sofá, cama, comida caseira, amor de família. Quem sabe mais tarde, amor de amigos. Ou de amantes. Vocês me perdoem mas...
Hoje é só pra mim.
Eu roubei doze bancos em sete estados. Tenho pouco mais de nove milhões de dólares em dinheiro. E ninguém sabe quem eu sou.
Ao abrir os olhos pela manhã consigo ver não apenas mais um dia, mas vejo que tenho mais uma oportunidade de fazer tudo diferente, se fiz errado e fazer tudo melhor se fiz certo.
A paz é algo a se procurar?
É algo?
Tenho tentado criar minha paz
Da forma que for preciso
O problema é que não tem ferramentas certas
Não tem receita
Não tem a dos outros
A Paz deve ser minha
“Minha” é um conceito diferente
Meu, é muito novo para mim
A Paz é um conceito? É uma situação
É psicológico ou psiquiátrico?
É os dois ou nenhum
A sua busca ou só a sua falta
A Paz acho melhor nem tentar
Só ir andando
De repente já estou em paz e nem sei
Essas linhas vem manchadas de lágrimas e cheiro de sangue
Escrevo pois não tenho mais voz para gritar
Para que essas palavras possam eternizar minha revolta
E eu possa deixar a alguém esse vômito de uma vida
Escrevo porque em meu corpo não cabe
Está coberto por costuras e buracos
Remendo as letras que se perderam nas dúvidas
Que não são minhas
Mas de um povo que só questiona mulheres
E faz com que a gente pense dez vezes antes
De entrar em erupção
Que faz com que a gente morra de medo
Fale mais baixo
Seja sombra
Contorno cada palavra com a raiva guardada
E ainda que queimem os papéis grafados
Eles já terão chegado
No peito rasgado de cada fêmea que leu
De dentro delas não há como arrancar
A força internalizada pela dor de todas
Não sou nada além de uma mulher que resiste
Isso é tudo que me basta
E vou parir por escrito estampado e marcado
Um exército de lobas
Devorando o patriarcado
Quando a hora chegar eu tenho brilho
Quando o brilho apagar eu sou constelação
Não perco o timing, nem tudo é dinheiro
Só sei ser inteiro, não sei ser pela metade
