Tempos
Vivemos em tempos de grandes transformações planetárias, entre o sol e a lua, com noites ensolaradas e dias enluarados, quase entre espasmos de eclipses. A energia que reside no DNA se desprende, no avivamento da vida, da identidade, do gênero que cada um sempre sonhou em ser e passa a ser, apesar dos fetiches, covardias e apetites mundanos do mundo pequeno, que sempre caminhou machista e material, com seus joguinhos infantis de poder. O verdadeiro ser se encontra no espirito e a sua felicidade exercida está sempre ligada a liberdade de optar pela alma desejo, que o leva a existir para a eternidade.
Nestes novos tempos de revelações, muitas crianças superdotadas na compreensão muito além da cosmovisão quânticas ate hoje conhecida e acompanhadas de uma alta sensibilidade espiritual na compreensão do sublime da vida no espirito eteno cósmico, vão aparecer, em diversos locais do mundo e em diversas culturas. Rogo a Grande Luz da Vida, que as superstições, as religiões e certos conceitos filosóficos ultrapassados, não maculem, desvirtuem ou interrompam suas mensagens simples e profundas, com interpretações, explicações e justificativas terrenas, que por anos nos escravizam a mente e o espirito, proibindo nos de exaltar nossa liberdade. Impostas por falsos poderes do mundo, que por lei e ordem, manipulam nossa contida consciência e espiritualidade.
Verdadeiramente na atualidade literária contemporânea universal, nestes novos tempos digitais de internet, poucos realmente lêem na integra, livros. A grande maioria, de uma forma geral buscam em suas pesquisas pela rede ensaios e aforismos, reflexões e pensamentos. Em si todos buscam resumos do tudo e do contexto que o autor discorreu extensivamente por saberes na obra. Parece mesmo que a mensagem central, esteja grifada e destacada em poucas palavras de tudo que o autor tinha a intenção de ser dito. Ora pela falta de tempo, ora pelo constante movimento que em um breve espaço de tempo, por novas visões, tudo se transforma.
é tempo de desacelerar...
De deixar para lá.
Tempos difíceis nos mostram que a vida é mais curta do que imaginamos.
Contudo, mesmo se ela fosse eterna, não valeria a pena gastar tempo com desilusões, dores e rancor.
É hora de aproveitar o que ainda há de melhor.
Viva o agora.
O presente é o único tempo em que podemos de fato, viver. O futuro nada mais é do que uma suposição e projeção do que gostaríamos que acontece.
Mas por que não começar a luta agora mesmo? A vida pode ser melhor.
É hora de dizer não para o que não se quer. De dizer sim para novas experiências. Não faz sentido viver uma vida que não te faça feliz e grato pelo hoje.
Estamos vivendo tempos em que não podemos mais pensar tanto no futuro assim. O presente é a única certeza. As coisas estão mudando rapidamente e nem sempre nossos planos e esforços trazem os resultados esperados. Mais do que nunca, noassa única opção é o agora.
Vivemos tempos com falta de calor humano: aplaude-se quem está longe, enquanto se despreza quem está ao lado. O distante vira ídolo; o próximo, invisível. E assim, muitos só descobrem o valor de alguém quando já o perderam.
ARRUMADINHO DE AMOR
Desde os tempos de menino,
Quando a vida era brincar,
Já diziam: "Esses dois
Ainda vão se enamorar."
Théo sorria para Flor,
Sem saber o que esperar.
As famílias, entre risos,
Já faziam armação,
Um passeio no parquinho,
Uma doce diversão;
Era um jeito carinhoso
De plantar a afeição.
No balanço e na gangorra,
Na corrida e no escorrega,
Os olhares se cruzavam,
Sem que o tempo desse trégua;
A inocência da infância
Foi quem fez a entrega.
Veio então a adolescência,
Na escola a estudar,
Sempre havia um professor
Que fazia aproximar;
Na mesma fila da sala,
Pra conversa despertar.
Num trabalho em parceria,
Num caderno a dividir,
Entre provas e recreios
Viram sonhos florescer;
Sem que o mundo percebesse,
Começavam a se querer.
Já na flor da juventude,
Nas festinhas do lugar,
Os amigos insistiam:
"Vocês têm que se encontrar!"
Cada dança era um convite,
Cada música um luar.
Quando a vida fez madura
Sua estrada prosseguir,
No cinema, lado a lado,
Foi difícil resistir;
Na penumbra da telona
Fez o amor se definir.
Já adultos, os encontros
Reuniam amizade;
Sempre alguém organizava
Com enorme felicidade:
"Théo e Flor vêm para o jantar,
É por pura afinidade!"
Tantos laços preparados,
Tantos risos sem igual,
Mostravam que o destino
Escrevia um ideal;
Cada encontro era um capítulo
Desse enredo magistral.
Um olhar virou promessa,
Um abraço, um coração;
Duas almas descobriram
A perfeita direção;
Quem nasceu pra caminhar junto
Vence qualquer solidão.
Hoje contam essa história
Com ternura e gratidão:
Nem foi sorte, nem acaso,
Nem somente intenção;
Foi Deus guiando os caminhos
Com amor e perfeição.
Vivemos tempos estranhos: o que antes gerava vergonha, hoje vira bandeira. E o que merecia orgulho virou alvo de chacota e cancelamento.
Por alguns tempos andei sozinho de mãos dadas a solidão, durante o percurso, encontrei com paixões que trouxeram ilusões ao meu coração, mas isso não foi o bastante para quebrar as correntes dessa prisão; Hoje, por conta própria, consegui me libertar; Ando sozinho, desacompanhado da solidão e com o coração em paz, deixando ocorrer naturalmente a magia do amor, pois aprendi que sempre é tempo de apaixonar-se.
AO DIVINO ASSASSINO
Uma litania ante o Sagrado Coração
concebida em Paray-le-Maulnier, tempos
depois do acidente fatal de Anecy Rocha
Senhor, Senhor, o Teu anjo terrível
é sempre assim? Não tensumrefratário
à hora do massacre–ummais sensível
que atrasasse o relógio, o calendário?
Ao que parece a todos tanto faz
por quem o sino dói no campanário.
Começa a amanhecer e uma vez mais
rebelo-me, mas sei que a minha vida
não tem como ou por que voltar atrás.
Aceito que a mais dura despedida
é bem mais que metáfora do nada
a que se inclina o chão; que uma ferida
e a papoula sangrenta da alvorada
pertencem ao mundo sobrenatural
tanto quanto uma lágrima enxugada
à beira de um caixão. Mas afinal,
Senhor, amas ou não a humanidade?
Não fui ao escandaloso funeral
e imaginá-la em Tua eternidade
dói demais! Vou passar mais este teste,
sim, mas protesto contra a insanidade
com que arrancas à muque o que nos deste!
Tu sabes que a soberba da família
era maior que a dela e eu tinha a peste–
pai e mãe apartavam-me da filha
e o irmãozão nem falar… E hoje, coitados,
como hão de estar? Aqui é a maravilha,
as genuflexões… Os potentados
e os humildes, a nata da esperança,
todos chegam por cá meio esfolados,
sangrando como a luz. Não só da França,
toda a Europa rasteja até aqui
esfolando os joelhos, não se cansa
de ensangüentar-se até chegar a Ti
e ao menos a um pixote do Além Tejo
restituíste a vista; eu quando o vi
solucei– mas que o cego e o paraplégico
saiam aos pinotes, que o Teu coração
se escancare e esparrame um privilégio
aqui e outro acolá na multidão,
só me faz perguntar: E ela? E ela…?
Não consigo entender que a um aleijão
concedas tanto enquanto a uma camélia
Tu deixas despencar… Por que, Senhor?
Olho tudo do vão de uma janela,
mas vejo a porta de um elevador
escancarar-se sobre um outro vão,
um vão sem chão… E a seja lá quem for
aqui absurdamente dás a mão!
Me pões trêmulo, gago, estupefato,
pasmo, Senhor– mas consolado não.
A mesma mão que fez gato e sapato
da minha doce Musa, cura e guia,
cancela as entrelinhas do contrato,
Dominus dixit… Mas quem merecia
mais do que uma açucena matinal
um manso desfolhar-se ao fim do dia,
quem mais do que uma flor, Senhor? Igual
nunca viram os mais alvos crisantemos,
tinha direito a um fim mais natural,
à morte numa cama, em casa ao menos…
Mas não– tinha que ser total o escândalo!
Por que, se nem nos circos mais extremos
Teus mártires andaram despencando
sobre os leões, se nem o lixo cai
de oito andares aos trancos, Santo Vândalo?
Não vim denunciar o Filho ao Pai
ou o Pai ao Filho, não vim dar razão
aos que recusam e usam cada ai
contra a humildade; vim porque a Paixão
me chamou pelo nome e a alma obedece
e aceita suar sangue– como não?
Mas não sei mais unir o rogo à prece
do que a elegia ao hino de louvor,
não sei amar-Te assim… Caso o soubesse
teria que ficar aqui, Senhor,
aqui, arrebentando-me os joelhos,
esfolando-me todo ante um amor
que vai tornando sempre mais vermelhos,
mais duros os degraus do Teu altar.
Tu, que tudo consertas, dos artelhos
que desentortas e repões a andar
até às pupilas mortas de um garoto,
do cachoupinho que me fez chorar;
Tu, que a este lhe dás a flor no broto
e àquele o lírio pútrido do pus;
Tu, que passas por um de quatro e a um outro
pegas no colo e entregas a Jesus;
Tu que fazes jorrar da rocha fria;
Tu que metaforizas Tua luz
ao ponto de fazer de uma agonia
um puro horror ou a morna mansuetude–
que hás de fazer, Senhor, comigo um dia?
Quando eu agonizar, boiar no açude
das lágrimas sem fundo… Quando a fonte
cessar de soluçar e uma altitude
imerecida me enxugar a fronte…
Como há de ser, Senhor? Oxalá queiras
que a mim me embale a barca de Caronte
como o fazia a velha Cantareira,
o azul da travessia… A Irrecorrível
arrasta a cada um de uma maneira
e a quem quer que se abeire ao invisível
recordas a promessa: aquele a escuta
e este a recusa porque a dor é horrível,
mas, se a todos a última permuta
terá sempre o sabor da anulação,
o travo lacrimoso da cicuta,
a ela Tu negaste o próprio chão,
deixaste-a abrir a porta sem querer!
Nunca falou na morte, e com razão,
intuía, quem sabe, o que ia ver…
Sentença Tua? Em nome da promessa
não há negar Teu duro amanhecer–
mas quando arrancas mais uma cabeça
como saber que és Tu, que não mentia
O que ressuscitou? Talvez na pressa,
no pânico de Pedro, eu negue um dia
e trate de escapar, mas hoje não;
hoje sofro com fé e, sem poesia,
metrifico uma dor sem solução,
mas não vim negar nada! Faz efeito
essa dor: faz sangrar, mas faz questão
de defender-me como um parapeito
contra a queda e a revolta… Um Botticelli
despedaçou-se todo, mas que jeito,
se por Lear enforcam uma Cordélia
e encarceram a Ariel por Calibã…?
Alvorece, a manhã beata velha
enfia agulhas no Teu céu de lã,
tricoteia Paray-le-Maulnier *
e eu penso: ela morreu… Hoje, amanhã,
enquanto Te aprouver e até que dê
a palma ao prego e o último verso à traça,
vai doer– mas Amém! Não há por que
amar a morte, mas que venha a Taça,
aceito suar sangue até ao final,
como não… Tudo dói, menos a graça,
mata, Senhor, que a morte não faz mal!
Da Festa do Sagrado Coração em Julho de 1979 até aos
26 de Outubro de 1997.
Minha mulher de uns tempos pra ca tem falado aqui em casa o idioma Mandarim
que em português acho que significa;
"Mandarimim"
Nos bons e velhos tempos em que muitos Moleques queriam ser Homens, não havia tantos homens fazendo papel de moleques.
Em tempos de tanta (cão)fusão, sob chuva ou sob sol, que a euforia da Meta não confunda Etanol com Metanol.
Amém!
Com tanta gente Machucada no mundo, até os Carinhos nos cobram mais Cuidados.
Vivemos tempos em que o afeto deixou de ser apenas gesto; virou responsabilidade.
Já não basta estender a mão — é preciso saber onde tocar, como tocar — e até quando tocar.
Porque a pele do outro, tão marcada pelas cicatrizes da jornada, reagiu aprendendo a se proteger antes de se abrir.
E, ainda assim, o mundo continua faminto de ternura.
Talvez por isso os carinhos sejam hoje tão raros e tão preciosos: eles precisam atravessar medos, memórias e desconfianças antes de chegar ao coração que ansiosamente os espera.
E, quando chegam, chegam devagar — quase pedindo licença — porque sabem que qualquer descuido pode reacender dores antigas.
Mas o cuidado não enfraquece o carinho; ele o aperfeiçoa.
É no gesto atento, na palavra que não invade, no silêncio que acolhe, que o afeto encontra seu caminho seguro.
Afinal, quem carrega feridas aprende a reconhecer quem toca para ferir e quem toca para curar.
E talvez seja nisso que a Humanidade ainda tenha Salvação: na coragem de oferecer Carinho mesmo quando ele exige mais cuidado… e na Humildade de recebê-lo mesmo quando ainda Dói.
Saudade dos bons e velhos tempos em que quase todos queriam — e se atreviam — a ser diferentes uns dos outros.
Havia uma coragem deveras silenciosa em não caber nos moldes.
As pessoas ousavam ter opiniões impopulares, gostos estranhos, sonhos improváveis.
Erravam com a própria assinatura.
Discordavam sem medo e sem culpa — olhando nos olhos.
Não precisavam de plateia para existir, nem de aplausos para sustentar suas convicções.
E muito menos subir o tom para tentar sustentar uma ideia.
Hoje, a pressa por pertencimento parece ter substituído o desejo de identidade.
A originalidade virou risco; a repetição, estratégia.
Ser diferente, que antes era um ato quase instintivo de afirmação, passou a ser cuidadosamente calculado para não desagradar o rebanho — ainda que cada um jure ser pastor de si mesmo.
Talvez o medo de ficar só tenha nos ensinado a falar em coro.
Talvez a avalanche de vitrines e vozes tenha nos convencido de que é mais seguro ecoar do que criar.
Mas há um preço muito alto nessa homogeneização voluntária: quando todos repetem, ninguém realmente diz; quando todos performam, poucos vivem.
Sentir saudade daquele tempo é, no fundo, sentir saudade de uma liberdade mais bruta, menos polida e menos aprovada.
Uma liberdade que permitia ser estranho sem ter que pedir desculpas.
Que entendia que a verdadeira diversidade não nasce de discursos ensaiados, mas da coragem nua e crua de sustentar a própria diferença.
Porque, no fim, não há nada mais semelhante do que pessoas tentando, desesperadamente, parecer iguais.
Noutros tempos, eu também já tropecei em vários infortúnios: o mais desonesto deles era me preocupar com opiniões alheias.
Alguns vinham disfarçados de acaso, outros de destino.
Mas o maior deles não caiu do céu nem brotou do chão:
nasceu do excesso de atenção às opiniões alheias.
Enquanto eu media meus passos pelo olhar dos outros, perdia o ritmo do que realmente era meu.
Cada julgamento externo virava régua,
cada expectativa alheia, uma pedra a mais nos ombros…
Mas não era o mundo que me limitava — era eu, entregando minha autonomia à aprovação de quem não podia caminhar meus passos, ainda que suportasse o peso das minhas sandálias.
É curioso perceber que o medo de desapontar
quase sempre nos faz abandonar a nós mesmos.
E, nessa tentativa constante de agradar,
vamos nos desencontrando do que sentimos, pensamos e somos.
O dia em que compreendi isso foi muito menos Libertador do que Honesto.
Doeu admitir que muitas quedas não foram empurrões,
mas escolhas deliberadas feitas para caber em opiniões que nunca me pertenceram.
Hoje, quando tropeço, sei diferenciar:
há infortúnios que ensinam,
e há distrações que aprisionam.
Preocupar-se demais com o que pensam de nós
é uma das mais silenciosas —
porque parece prudência,
mas cobra o preço da própria liberdade.
Definitivamente, é impossível bancar um aluguel tão caro por um imóvel sem a menor condição de habitar: a aprovação alheia.
Em tempos tão conflitantes, talvez não haja motivação mais eloquente para regular o nosso tom que o cuidado com o outro.
Porque é justamente enquanto o mundo insiste em gritar, que a forma como escolhemos falar revela quem de fato somos.
Não é tão difícil elevar a voz quando se acha que está convicto, tampouco é raro confundir firmeza com agressividade.
O verdadeiro desafio, porém, reside em sustentar a clareza sem abrir mão da humanidade — em defender ideias sem ferir desnecessariamente quem as escuta.
Até porque quem acha que precisa subir o Tom para sustentar uma ideia, muito raramente tem ideia para sustentar.
Há uma tentação constante em tempos de tensão: a de transformar divergência em inimizade, discordância em afronta pessoal.
Nesse cenário, o tom deixa de ser ponte e passa a ser a pior das armas.
E quando a palavra vira projétil, o diálogo se torna campo de batalha — onde ninguém aprende, ninguém cede, e todos saem, de alguma forma, muito menores.
Regular o tom não é sinal de fraqueza, mas de consciência.
É compreender que, por trás de cada opinião, existe uma história; por trás de cada reação, uma experiência que nem sempre vemos.
O cuidado com o outro não exige concordância, mas exige responsabilidade — especialmente com aquilo que escolhemos amplificar.
Talvez a verdadeira eloquência não esteja em convencer, mas em preservar.
Preservar a possibilidade de conversa, a dignidade do outro e, sobretudo, a integridade de quem fala.
Porque, no fim, não é apenas o que dizemos que nos define, mas a maneira como escolhemos dizer — principalmente quando tudo ao redor nos empurra para o contrário.
Não
há
Crime Grave
o bastante para relativizar outro.
Em tempos de tantas justificativas vazias e malabarismos morais, parece que a régua da ética se elastificou — estica conforme a conveniência de quem julga, de quem fala, quiçá de quem tenta se eximir.
Como se a existência de um erro maior tivesse o poder mágico e poético de diminuir ou até absolver um erro menor.
Mas definitivamente não tem.
Um crime não anula o outro.
Não o equilibra.
Nem o compensa.
Apenas revela o quanto estamos dispostos a negociar princípios quando eles deixam de nos favorecer.
É o velho impulso de apontar o dedo com uma mão enquanto a outra esconde aquilo que não queremos ver.
Relativizar o erro alheio com base em um erro maior é, no fundo, uma forma forçosamente elegante de aceitar o inaceitável.
É transformar justiça em comparação, quando deveria ser compromisso.
É escolher lados quando o certo seria escolher valores.
A lógica da compensação moral é sedutora porque alivia consciências.
“Perto daquilo, isso nem é tão grave.”
E assim, aos poucos, vamos rebaixando o que deveria ser inegociável.
Vamos nos acostumando com pequenas concessões que, somadas, constroem grandes e medonhas distorções.
O problema nunca foi apenas o tamanho do crime, mas a disposição em aceitá-lo quando convém.
Porque quando a indignação depende de contexto, ela deixa de ser princípio e passa a ser estratégia.
E é nesse ponto que tudo se fragiliza, tudo se perde.
Quando começamos a pesar erros em balanças seletivas, já não estamos mais buscando justiça — estamos apenas escolhendo qual incoerência, qual injustiça estamos dispostos a defender.
No fim, não é sobre quem errou mais nem menos.
É sobre quem ainda se recusa a tratar o erro como erro, independentemente de quem o cometeu e como cometeu.
