Tempos
𝘾𝙖𝙧𝙩𝙖 𝘼𝙗𝙚𝙧𝙩𝙖 𝙖𝙤 𝘼𝙢𝙤𝙧 𝙦𝙪𝙚 𝘿𝙚𝙞𝙭𝙖 𝙄𝙧
Em tempos em que a dor se mistura com o silêncio, Gilberto Gil nos ensinou uma das lições mais difíceis e sublimes do amor: deixar ir. Não por fraqueza, não por desistência — mas por compaixão, por humanidade.
Quando ele disse à filha: "Se tiver sendo muito difícil para você e, se for sua hora, aceite..." não estava se afastando dela. Estava, na verdade, se aproximando do mais íntimo da sua alma. Estava dizendo: “eu te amo tanto que posso abrir mão da presença, se for o que te dá paz.”
Essa frase é mais que dor. É fé. É mais que coragem. É entrega. É o amor que reconhece que cada alma tem seu tempo, seu limite, seu caminho. E que respeitar isso também é cuidar.
Gilberto Gil, músico, pai, homem de fé, tornou-se ainda mais gigante nesse instante — porque foi capaz de transformar o sofrimento em poesia, a aflição em oração, e a despedida em colo.
Sua fala atravessa os limites da linguagem. Ela fala daquilo que não tem explicação, do espaço onde só a fé toca, e onde o amor se prova como absoluto.
Neste momento, mais que aplausos à trajetória de Preta Gil, é preciso reverenciar a grandeza do pai que, diante da escuridão, segurou sua filha com luz.
E é ali, entre a dor e o sagrado, que nasce o verdadeiro amor: o que liberta, mesmo querendo segurar.
꧁ ❤𓊈𒆜🆅🅰🅻𒆜𓊉❤꧂
Eu vi vir tempos que pensei em vários momentos o que e o amor esse tal sentimento que coroe por dentro em silêncio que machuca, cura abala qualquer estrutura não importa a sua altura que sentimento e esse que cobra tão alto o preço te vira de ponta cabeça de sábado a sexta domingo para refleti qual caminho segui já não tenho certeza esse sentimento e bom ou ruim.
“O poder de liderar em tempos de adversidade”
Nos momentos de maior pressão, é onde o líder se forja…
Cada obstáculo é uma escolha: ser moldado pelas dificuldades ou ser a força que as supera…
A mudança começa em você…
Vai deixar o caos ditar as regras, ou vai ser você a mudar o jogo?
Em tempos, que a verdade é mera conjectura, pronuncia-la torna-se um crime hediondo. Cegos e surdos, por suas obstinadas vaidades, revolve-se em suas estupidezes!
Há escassez de água
Há pedras na estrada
Há muito o que se fazer
Há tempos que não se pode fazer nada
Há passagem por oásis
Há entraves no percurso
Há, sempre, muitos desertos nessa vida.
"Aprendi através dos tempos, que as melhores realizações na vida são feitas com método, e não, pressa."
Em tempos difíceis, não dificulte mais o que já é difícil, criar contendas e divisões só trazem maiores dificuldades. Liberte as pessoas dos seus medos e suas angústias. Não fale o que não é para ser dito na hora errada. Tem momentos que é melhor calar do que dizer coisas que magoam, machucam e que causam incertezas e medo.
Por favor, se estiver ao seu alcance somente não me magoe... De uns tempos pra cá não faço esforço algum para voltar para algumas pessoas, então se deseja me ter por perto... Não me magoe!
Vivemos em tempos em que o ato da benevolência está sofrendo represália e o ato da maleficência está sendo prestigiado.
SE EU MANDASSE
Oh, se eu mandasse nos tempos
E nas vidas das mentes
Decretava aos quatro ventos
Mesmo que cinzentos
E sem mais lamentos:
Quem for de mente que não mente
Nem demente
Nunca deve morrer depois dos poetas!
Deve partir ao mesmo tempo de todos,
Porque os poetas
Mesmo que anacoretas,
Nasceram para escrever a rodos
Imagens de pinturas primárias
Que animam o mortal
A viver uns tempos mais
Na vida dos arraiais
Porque afinal,
É no sonho de outras vidas planetárias
Que os viventes cantam outras árias
Cantigas, a uma só voz
Por mim, por ti e por nós.
(Carlos De Castro, in Morra A Censura, em 19-07-2022)
O CRISTO E EU MAIS OUTRO
Só há tempos confirmei
Em êxtase, no cimo de um outeiro,
Que o Cristo nasceu na mesma terra
Que eu, quanto sei,
Se a memória não me erra.
Numa rude manjedoura,
Lá no cimo do "monte do bicho",
Que em pequeno e por capricho,
Lhe construi no presépio de madeira,
Com mãos de artista de primeira,
Em recordação duradoura.
Já homens, eu e ele, ainda sem o outro,
Sentados à sombra dos pinheirais,
Imaginávamos o mundo dos mortais
Sem penas, nem dores e só amores reais...
..................
Depois, vieram algozes e levaram-nos
Sem julgamento, ao suplício final.
Chicotearam-nos,
Ridicularizaram-nos,
E cruxificaram-nos no alto do " monte do bicho"
Também por capricho.
Na pressa de completar o quadro:
Foram então buscar o "Gestas", o mau ladrão.
Deram-me o nome de "Dimas" o ladrão bom.
E ao Cristo, não deram nome, não.
Ele não precisava de graça, pois já nasceu Cristo
E posto isto,
Ele ficou na cruz ao meio.
Eu, Dimas, um dos ladrões, fiquei-lhe à direita
E o Gestas, o bebedolas da aldeia, mais a torto.
Porque ele gostava de morrer,
Dizia
E insistia:
Para ficar vivo, depois de morto!
(Carlos De Castro in Há Um Livro Por Escrever, em 15-03-2023
DANÇAS DO VENTRE E OUTRAS EXCITAÇÕES
Era na noite avançada
Dos nossos tempos idos.
Aplicavas os teus fluídos
Nos requebros do teu ventre,
Em danças que a gente sente
Acordar libidos adormecidos.
Em lascívias
Óbvias
Do teu tronco,
Em sinais de púbis molhados
Nos negros caracóis
Fantasiados
Nos brancos lençóis,
Que depois da dança tua
De ventre
E de frente,
Fazíamos amor
Cansado
Mas sempre apetecido
Quando regurgitavam
Orgasmos,
Em espasmos
De loucura e dor.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-04-2023)
NOVOS TEMPOS VIRÃO
Há tempos atrás dos tempos,
O vento sussurrou-me ao ouvido:
" O sol vai deixar de brilhar!
A lua, viúva, de negro vai ficar!
A chuva, disse-me, vai mirrar!
Eu, por mim, estou a esvaziar!
O céu, vai cair a arder,
No leito seco do mar!
As montanhas irão desmoronar!
Os prados verdes vão crestar!
As árvores, de podres, irão chorar!
Ouvir-se-ão estrondos de terrificar!
Ficarão inertes as aves e os peixes
Sem ar, sem água, a agonizar! "
Carrancudo, perguntei ao vento:
" Ouve lá, ó vento, então eu quero saber:
Porque razão me estás a meter
Tanto medo de arrepelação !?...
Assim sendo, diz-me para onde vou,
Ou então!?...
Aí, o vento mudou de ouvido e segredou-me:
Alguns como tu, ficarão
Na nova terra que há de brotar
Das cinzas da ressurreição,
Onde não haverá castigo nem metas,
Apenas um tempo novo
Onde habitará um nóvel povo,
No promissor mundo dos poetas! "
(Carlos de Castro, In Há Um Livro Por Escrever em 08-05-2023)
DAQUI
Desta terra em que vos falo,
Outros em tempos a habitaram.
Consta que dela também se fartaram
Dos mandadores crista de galo.
Ó terra amarga de que não calo
As injustiças tamanhas,
Dos que a roubam sem abalo,
Por ardis e artimanhas.
Os ouriços embrulham castanhas
Com a carapaça picante,
Assim me rasgam entranhas
Gentes do pior tratante.
E então logo num instante
E sempre que for preciso,
Peço aos mandões não obstante,
Que tenham melhor juízo.
CASTANHAS
Aqui, chegaram em tempos
De outros tempos...
Talvez omissos
Nem derriços,
Mas com muitos ouriços,
As castanhas
De raças tamanhas,
Pequenas ou alentadas,
Agora cozidas, fritas ou assadas,
Em manjares de muitos nobres.
Em tempos iludia a fome aos pobres,
À míngua de mais alimento,
De melhor e gostoso sustento,
Numa vida de amargura.
É verdade, juro pela lua:
Eu perdi o meu juízo
E mais os dentes do sizo,
A trincar castanha nua.
Crua.
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 27-11-2023)
NATAL DOS TEMPOS
Ele teve sempre aquela mania
Talvez até doentia,
Uma espécie de nostalgia,
Quase tara silenciosa
De vestir de cor de rosa,
O Natal da meninice.
E naquela sua tontice:
Saudade da lareira da avó,
As botas velhas engraxadas
Com cheiros a anilinas
No pial limpo do pó,
Simples, sem coisas finas,
À espera do Deus Menino.
Tudo era genuíno
Naquela noite de breu,
Duas meninas e eu...
Que a outra ainda não nasceu...
Noite longa em palha nova
Dos colchões de dormir
Na cama de ferro velhinha,
As fantasias à prova
Num sono que não quer vir.
Sonhavam aquele brinquedo
Ainda que fosse de pau,
Um barquinho ou uma nau,
Talvez uma bola de pano
Bonecas de faces rosadas,
Como as fadas.
Batiam as badaladas
Da primeira missa do dia,
Pé ante pé, em segredo,
Naquela manhã tão fria,
Lá vão eles ao pial...
Nas botas, algo ia mal,
Nenhum brinquedo de pau,
Somente um magro e fatal
Rabinho de bacalhau.
E até ficaram contentes,
Sem chorarem pelos presentes,
Que a vida é feita de nadas...
Restavam as rabanadas,
O que já não era mau.
(Carlos De Castro in Há Um Livro Por Escrever em 21-12-2023)
Pra amenizar o seu sofrimento, pra chegar até o fim dos tempos, a plebe necessita de heróis, mesmo que eles não existiam, mesmo que sejam invenção..
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