Te Encontrei
Acurados
Na tua sombra encontrei abrigo,
No teu calor senti o poder da fotossíntese agindo,
Na tua respiração me vi junto a ti como um só corpo, uma só alma.
Quando eu procurei um abraço para me acalmar não encontrei,
A chuva forte veio e me pegou em cheio,
O frio, o medo e a solidão tomaram conta de mim,
os pensamentos intrusivos e as verdades não ditas me sufocaram,
mas,
O tempo mudou não permite que tais coisas permaneçam agindo sem receberem suas devidas cobranças no ávido momento,
De joelhos rezei, de pé acreditei, de longe enxerguei e passei a entender como reagir,
Passo a passo fui saindo do meu próprio eu enterrado,
Aquela luz que me deu forças, também tem me guiado e me protegido do ferro e do fogo,
Olho para trás e vejo o tanto que sofri, olho para trás e vejo o quanto aprendi, da escuridão veio a luz, do vazio veio a fé e do medo veio a vontade de vencer.
"Nunca encontrei alguém, de boa índole, que tenha moral para falar de mim. Sabendo eu que as pessoas que dizem mal a meu respeito têm sempre algo pior a ser dito delas mesmo."
O tempo é vento traiçoeiro.
Eu te encontrei quando o mundo falava baixo,
quando meus dias cabiam em silêncio e rotina.
Teu nome surgiu como quem não pede licença,
e o coração, distraído, abriu a porta sem defesa.
Tuas mãos não prometeram eternidade,
mas ensinaram o agora a respirar melhor.
Nos teus olhos aprendi que o amor não grita:
ele fica, mesmo quando o medo chama mais alto.
Pintei futuros no contorno do teu riso,
mesmo sabendo que o tempo é vento traiçoeiro.
Ainda assim, escolhi te amar inteiro,
porque metade de amor também é solidão.
Se um dia fores ausência, não te culpo:
há encontros que existem só para salvar.
Ficas em mim como luz depois do pôr do sol —
não ilumina o caminho, mas prova que valeu brilhar.
Encontrei um pergaminho antigo,
guardado no fundo do tempo,
nele dizia que o amor não se desfaz,
apenas muda de caligrafia.
Antes de te conhecer,
eu era só um menino sonhador,
rabiscando o mundo em guardanapos, acreditando que versos eram abrigo.
Eu caminhava com o peito aberto,
como quem atravessa um deserto
seguindo estrelas que não sabia nomear, colecionando silêncios como mapas.
Então você surgiu feito tinta viva,
molhou meus dias de cor e sentido,
ensinou minha mão a escrever sem medo, como quem descobre a própria língua.
Hoje sei:
o pergaminho não era papel,
era o meu coração esperando leitura,
e o amor que diz durar pra sempre
aprendeu a morar no teu nome.
Atalho vs Caminho
Te encontrei no atalho,
rápido como um olhar que promete abrigo,
era fácil te querer sem pensar no depois,
como quem foge da chuva
sem perguntar se a casa tem teto.
Mas o amor, descobri, mora no caminho,
onde o passo cansa, o tempo ensina
e cada pedra vira história compartilhada.
Ali, a gente se escolhe
mesmo quando dói continuar.
Hoje sei: o atalho seduz,
mas é no caminho que o amor cria raízes,
não pela pressa de chegar,
e sim pela coragem
de seguir junto até o fim.
Quando te encontrei,
o tempo fez silêncio,
como se o mundo segurasse o fôlego só pra nos ver acontecer.
Teu olhar pousou em mim feito música mansa, e de repente,
tudo que era caos virou caminho.
Teu riso tem o calor de um lar
que eu nem sabia que procurava,
e teu toque escreve em mim
versos que nem o vento apaga.
É como se cada detalhe
teu coubesse exatamente
no espaço que faltava
aqui dentro de mim.
Se um dia a vida tentar
nos perder em suas curvas,
prometo te reencontrar em cada lembrança bonita que criamos.
Porque te amar não foi acaso…
foi destino com nome,
foi o universo sussurrando:
“é ela… pode ficar.”
Toda noite eu acordo
Te procurando
Não te encontrei
Vou clamando
Eu sei que vou Te encontrar
Eu sei que vou Te encontrar.
Meu coração diz
Vou buscar até me cansar
Vou Te chamar até ver Tua face
Não importa se eu morrer
Só quero Te ver
Como Moisés na fenda da Rocha
Como João diante da Tua glória
Se eu cair como morto
Se eu cair como morto
Sei que Tu vai me ressuscitar!
Olhos Fixos
Minha amada,
foi em ti que me encontrei.
Minha amada,
por ti eu cuidarei.
Minha amada,
és o bem mais precioso
que a vida me deu.
És minha âncora em meio ao mar,
e também a tempestade que me faz viver.
És caminho, és destino,
és tudo aquilo que escolhi amar.
Meus olhos permanecem fixos em ti,
como quem contempla a mais bela arte.
Teu é o meu coração,
teu, agora e sempre.
E se o amor insiste em se repetir,
é porque não canso de dizer:
eu te amarei…
e todos os dias,
te conquistarei.
Título:
Onde o Amor Começa em Silêncio
Nos teus olhos encontrei um abrigo calmo,
um lugar onde o mundo desacelera sem avisar,
como se cada batida do meu coração
aprendesse um novo jeito de te amar.
Teu sorriso nasce leve, quase tímido,
mas carrega um universo inteiro de luz,
e mesmo nos dias mais cinzentos da vida,
é ele quem me guia, quem me conduz.
Se o amor tem origem, eu descobri a minha:
foi no instante simples em que te reconheci,
não como um acaso perdido no tempo,
mas como o destino que sempre esteve aqui.
Origem: Autoral ✍️
Encontrei a flor do jardim,
A mais bela que eu já vi,
Meu coração reacendeu em fogo
Quando teus olhos brilharam pra mim.
Teu beijo é névoa constante,
Que cobre a alma devagar,
Um toque doce e distante
Que me faz querer ficar.
E mesmo quando a noite cai,
Teu perfume ainda vem me encontrar,
Como um sonho que nunca se vai,
Como um amor que nasceu pra durar.
Caminho
No caminho da vida encontrei teu olhar,
como quem encontra abrigo depois da tempestade.
Sem promessas grandiosas, apenas a certeza de que teu amor trouxe paz ao meu coração.
Cada passo ao teu lado ganhou mais sentido, cada sonho ficou mais bonito de alcançar.
Teu sorriso iluminou estradas desconhecidas, e transformou distâncias em momentos de amor.
Quando o mundo parece difícil e incerto,
é tua mão que encontro para seguir adiante.
Teu carinho é a força que me guia,
como uma estrela brilhando no céu
da noite.
E se a vida continuar traçando novos caminhos, que sejam todos percorridos ao teu lado.
Pois entre todas as direções que existem, meu coração sempre escolherá você.
Poesia Desalinhada
Te encontrei quando meu coração já não seguia um caminho certo. Você chegou como um vento leve, bagunçando meus pensamentos e colocando esperança onde antes havia silêncio.
Desde então, cada sorriso seu se tornou um motivo para eu acreditar que o amor também nasce no inesperado.
Meu coração é uma poesia desalinhada:
Às vezes tropeça nas palavras, outras vezes se perde no brilho dos teus olhos. Mesmo sem rimas perfeitas, cada verso carrega a verdade de um sentimento que cresce a cada instante, como uma canção que insiste em permanecer.
Se um dia o tempo tentar apagar nossos passos, ainda assim levarei você em cada lembrança. Porque existem amores que não precisam ser perfeitos para serem eternos; basta que sejam sinceros. E, no meio do meu caos, você sempre será o verso mais bonito da minha poesia.
Que a saudade me leve a lugares que eu encontrei amor, abraço e felicidade; que o calor do aconchego das boas recordações e o frio da tristeza se choquem e virem chuva, caindo dos olhos e lavando a alma.
O vento veio me contar os seus segredos
Respirei
E em mim encontrei a maresia
De uma paz infinita
Somente minha... 🌷💌🍀
Nostálgico
Nesta manhã, eu encontrei uma bergamota bem doce e sumarenta
Arauto do outono, filha de uma árvore perdida na planície
Quem me dera voltar, e depois acordar no que já era
Fazendo disso a atualização da saudade
“Soneto das Estações do Ser”
Quando te encontrei, nasceu primavera,
Brotaram flores no deserto da alma,
E o verão chegou com luz sincera,
Trazendo ao peito a mais perfeita calma.
És tu a lua que nas noites impera,
Guia celeste que meu caos acalma,
Farol que brilha quando a noite era
O vazio onde morria qualquer balma.
Sem ti, não há ciclicidade ou fluxo,
Nem o tempo cumpre seu ofício eterno,
Perco outono, inverno, até o luxo
De sentir renascer no que governo.
És tu a roda que ao meu ser conduzo,
As quatro faces do meu próprio inverno.
Minha conversa com Heráclito
Encontrei Heráclito sentado à margem de um rio. Não sei se era o mesmo rio de que tanto falaram depois dele, mas isso pouco importava. A água passava silenciosa, indiferente à nossa presença, levando consigo folhas, reflexos e alguma coisa do tempo.
Sentei-me ao seu lado e perguntei:
— É verdade, Heráclito, que ninguém entra duas vezes no mesmo rio?
Ele olhou para a água antes de responder:
— Olhe para ela. Quando seus olhos voltarem ao mesmo lugar, aquela água já terá partido.
— Então tudo muda?
— Tudo se transforma.
Fiquei algum tempo em silêncio. Depois pensei no mundo que conheço, nas cidades enormes, nos homens trabalhando até o cansaço, na riqueza acumulada em poucas mãos e na pobreza atravessando gerações.
— Se tudo muda — perguntei —, por que algumas injustiças parecem nunca mudar?
Heráclito abaixou os olhos para uma pedra junto aos seus pés.
— Porque mudança não significa justiça.
A resposta me perturbou.
— Então podemos mudar para pior?
— Naturalmente. O rio corre, mas não pergunta ao homem para onde ele deseja chegar.
— Nesse caso, de que nos serve saber que tudo se transforma?
Ele finalmente me olhou.
— Para compreender que aquilo que existe não possui o direito de chamar-se eterno.
Pensei nos impérios. Pensei nos reis. Pensei nos homens que, em diferentes épocas, acreditaram que suas riquezas, suas fronteiras e seus poderes durariam para sempre. Pensei também naqueles que vivem embaixo, sustentando silenciosamente aquilo que outros chamam de ordem.
— Há uma coisa que sempre me incomodou — disse a ele. — Quando uma sociedade produz tanta riqueza, por que alguns possuem tanto e outros precisam lutar pelo mínimo?
Heráclito não respondeu imediatamente.
— Essa pergunta pertence mais ao seu tempo do que ao meu.
— Talvez. Mas a desigualdade é antiga.
— Sim. E exatamente por ser antiga, muitos cometem o erro de imaginá-la natural.
Olhei novamente para o rio.
— Eu não acredito nisso. Não consigo aceitar que a miséria de um homem seja necessária para o conforto de outro.
— Então não aceite.
— Parece simples quando você diz.
— Eu não disse que seria simples.
Sorri.
Heráclito continuou:
— Os homens confundem frequentemente aquilo que existe há muito tempo com aquilo que deve existir para sempre.
A frase ficou dentro de mim.
Talvez seja assim que tantas injustiças sobrevivam. Primeiro tornam-se hábito. Depois tradição. Mais tarde recebem outro nome: normalidade.
E finalmente aparece alguém para dizer que sempre foi assim.
— Mas você dizia que os contrários fazem parte do mundo — provoquei. — Rico e pobre também seriam contrários necessários? Oprimido e opressor? Fome e abundância?
Heráclito franziu a testa.
— Cuidado para não transformar filosofia em desculpa.
Fiquei surpreso.
— Explique.
— Reconhecer que existem tensões entre os contrários não significa declarar justa toda contradição criada pelos homens.
Aquilo me pareceu importante.
Há uma diferença enorme entre compreender o mundo e ajoelhar-se diante dele.
— Então a filosofia também pode ser perigosa?
— Toda ideia pode tornar-se perigosa quando alguém a utiliza para justificar aquilo que não deseja transformar.
O rio continuava passando diante de nós.
Perguntei:
— E o Logos? Essa ordem que você dizia existir por trás das coisas? Onde está essa ordem quando uma criança sente fome diante de uma mesa onde sobra comida?
Heráclito permaneceu em silêncio.
Dessa vez fui eu quem respondeu:
— Talvez aí não exista ordem nenhuma. Talvez exista apenas uma ordem construída pelos homens para favorecer alguns homens.
Ele sorriu discretamente.
— Então você começou a fazer filosofia.
— Porque discordei de você?
— Porque perguntou.
Olhei para minhas mãos.
Talvez a filosofia começasse justamente ali: quando deixamos de aceitar uma resposta simplesmente porque alguém importante a pronunciou há dois milênios.
— Heráclito, eu ainda acredito que o mundo pode ser mais justo.
— Mesmo depois de tudo o que já viu?
— Talvez justamente por causa de tudo o que já vi.
Ele pegou uma pequena pedra e lançou-a no rio.
A água abriu-se por um instante, formou círculos e depois continuou seu caminho.
— Veja — disse ele. — Uma pequena pedra não impede o rio.
— Mas modifica a água.
— Por um instante.
— Às vezes um instante é suficiente para começar alguma coisa.
Heráclito sorriu.
Levantei-me.
Antes de partir, fiz minha última pergunta:
— Se tudo passa, Heráclito, o que devemos fazer enquanto estamos aqui?
Ele olhou novamente para o rio.
Não respondeu.
Talvez porque algumas perguntas precisem permanecer abertas.
Comecei a caminhar e, depois de alguns passos, voltei os olhos para trás. Heráclito continuava sentado diante da água.
Foi então que compreendi alguma coisa que talvez ele nunca tivesse dito:
se o mundo está sempre mudando, nossa responsabilidade não é impedir a mudança.
É disputar a direção dela.
Porque o rio do tempo continuará correndo conosco ou sem nós.
Mas enquanto estivermos em suas margens, ainda podemos decidir que espécie de humanidade desejamos colocar dentro de suas águas.
“Se o mundo está sempre mudando, nossa responsabilidade não é impedir a mudança. É disputar a direção dela.”
HERÁCLITO — A MUDANÇA
Heráclito me mostrou que nada permanece. Somos feitos de passagem, contradição e transformação. Por isso, não temo tanto a mudança. Se tudo muda, aquilo que é injusto também pode mudar e nós podemos participar dessa transformação.
