Tão longe
Às vezes, mesmo de longe, existem pessoas que sabem mais de você do que as que estão perto.
Que bom que existam tais pessoas boas, anjos puros de coração.
O poema que ainda não fiz é perto, é longe, é dentro, é fora. É aquilo de oiro do sol, aquilo de sonâmbulo luar. É pertencimento de regaço a conflitar suas águias de alados. O poema que ainda não fiz esbarra em sombras para rasgar fulgências. É ilha e deserto a dizer desse jeito assim visceral e fatal sobre aprender e sentir VIVER.
Na pretensão de fazer-se verbo, o poema que ainda não fiz, convulsiona verdades doutros para fazê -las, por fim e por começo, minhas. Quiçá, possa eu tê-las, quiçá assim possa eu, sê- las. O poema que ainda não fiz, desarruma certezas, desajeita quietudes, desassossega silêncios, realinha olhares. Maldição consentida que conversa comigo num diálogo estranho, descalço, portanto, íntimo. Desses estranhos que salgueiam, que braseiam, ternuram, adoçam os tudos e os nada em nós. O único acontecer capaz de fazer conhecida, fazer liberta uma mesma alma para muitas vidas. O poema que ainda não fiz, é tecitura das vontades e dos quereres pagãos. É confluir sagrado e profano no inalienável e incorruptível dever SER. Vê como monge em clausura o já tido, sente como entranha cigana o ainda não sido. A licença é para partir. Partir sob ânsia selvagem, alheia ao morno, alheia ao raso, alheia ao atalho, alheia à metades. O poema que ainda não fiz rabisca versões outras de mim, a mãos leves ou carrascas que sejam, sem interrogar porquês, sem censurar soturnos, sem pretender conclusões, sem avultar finitudes. O poema que ainda não fiz, arrasta madrugadas para amanhecer encontros a baloiçar inícios. E quão híbrido de sentires é esse encontro. O poema que ainda não fiz, gargalha gostoso pedaços sonetos da vida. Descansa no papel todos os êxtases de sentir. O poema que ainda não fiz, confia ao mar um girassol de tarde outonal forjado entre sede e fonte como lenda e feitiço de amar a pretender fazer daquele mar, habitar querente de seus tão íntimos e imortais badulaques de amor. No poema que ainda não fiz, existo e subsisto num alto e largo apelo por SER. Tudo o que fascina e por algum descuido acumina, habita teus verbos. Por crença, por rendição por confessa paixão, dou- te em poesia telúrica, vida. Vida já desde o útero, prometida ao divino e inexorável impudor do INTENSO.
Não tenho medo de tudo que eu não sei, tenho muito medo do que presumo saber e é bem longe e equivocado da verdadeira realidade.
Bem longe dos pensamentos, pequenos momentos acontecem e ajustados por nós completam antigas historias e sonhos buscados em silencio em nosso tão sozinho, apaixonado coração. Distante do que os outros sabem, chega um dia que sou feliz.
Nossas crianças de hoje abandonadas longe das escolas, da comunidade e do convívio familiar saudável são os melhores e mais promissores alunos da criminalidade e em pouco tempo os mais jovens chefes impiedosos que iram abalar toda estrutura criminosa urbana.
Sentava-se ao lado, mas sentia-se tão longe, quanto mais presente se apresentava, mais longe estava.
Estou longe de ser uma mulher poderosa, equilibrada, independente, heroica, de fibra, capaz de tudo. Não sou santa, deusa, princesa, rainha. Nada disso. Tenho inúmeros defeitos. Sou humana. Sou mulher. E mulher de verdade que quer colo, que reclama, grita, chora, exige, mas que também cuida, abraça, acolhe quando é cativada. Quero ser feliz. Quero viver, conhecer pessoas, lugares. Quero me descobrir a cada dia e me surpreender com cada descoberta. Quero apenas poder ser eu mesma. Simples assim.
CARTA AO PRÓDIGO
Viva o que precisar vivenciar longe da casa do Pai. Se for necessário, mergulhe. Não é isso o que sentes precisar e queres?
Isso se chamará experiência e dará propriedade ao teu testemunho e pregação.
Mas lembra-te de voltar, prezado pródigo. Porque eu te garanto que aqui é bem melhor; e o sabes!
A porta da Graça um dia se fecha. Reclamarias da falta de chances?
Tudo o que desejo honestamente, nesse interstício - o que também é para mim motivo de oração, é que a mão poderosa do Senhor te proteja das garras do leão que ruge aí fora, ansiando destruir-te.
E que o teu retorno se dê o mais breve possível...
Festa para receber-te não faltará. Tampouco Amor. Nem a comemoração de meu abraço!
(Fabi Braga, 24/09/2014)
À semelhança do José, alguns de nós seremos levados para longe de nossas casas. Ou compelidos a isto...
E diversificados somos; e várias são as casas; sem que se despreze aí os sonhos.
Tal êxodo não será ruim, se conseguirmos compreender que Deus tem para nós e para o Seu Reino, finalidades maiores e melhores!
Nobres são os propósitos!
Quem, portanto - e nesse contexto específico, poderia afirmar que o Egito é um péssimo destino?
E em meu coração, esse palpitar que arde sem pausas, impulsionando-me...
Eis o porquê...
(Fabi Braga, 19/10/2014)
Excesso de confiança
Enquanto você se preocupa com o chocalho da cascavel que tá longe, é mordido no pé por uma naja .
Têm gente que procura mesmo é a eternidade, pessoas que próximo é longe, pois bom mesmo é junto. Para essas, todas as congratulações, pois elas são ímpar e uma vida só é realmente pouco para tão maravilhosa existência. Que a morte não as alcance, que a vida se multiplique e essas sejam tantas que especial passe a ser o comum.
