Talvez
Paz não é ausência de Guerra
Quando o Diabo te ignora,
não é porque és forte demais,
mas talvez por já estares
preso onde ele te quer: em paz.
Não a paz que Cristo dá,
mas a trégua da estagnação,
o silêncio que embriaga,
a ausência de oposição.
Pois quem caminha com Deus
vai em guerra, não em festa.
A alma justa inquieta a treva,
e a luz jamais lhe é modesta.
A ausência de batalha
não é sempre sinal de vitória.
Às vezes é o esquecimento
de quem saiu da trajetória.
Lê os profetas antigos:
Jeremias, Elias, João…
Foram odiados pelos reis,
mas guardavam a Unção.
Até Jesus, o Cordeiro,
não escapou da cruz amarga.
Por que esperas, então,
que a serpente não te encare com carga?
Quando o inferno faz silêncio,
escuta o que não se diz:
a alma que se acomoda
não precisa ser por ele atingida.
Mas quando te sentes lutando,
ferido, sozinho, provado,
lembra: os céus te conhecem
e o inferno está alarmado.
"Embora meu corpo possa ser imperfeito, isso não diminui a evolução do meu espírito. Talvez as dores e as penas que enfrento sejam uma oportunidade para me aproximar mais da minha verdadeira essência. É possível que eu tenha escolhido encarnar nesse corpo, sabendo dos desafios que enfrentaria, como uma forma de crescimento e aprendizado. Não permito que as limitações físicas definam quem sou ou o que posso alcançar em minha jornada interna. Meu corpo pode estar preso, mas meu espírito está mais livre do que nunca. Acredito que nada físico pode me limitar na busca por minha verdadeira natureza. E é exatamente isso que me torna invencível."
Talvez não se trate apenas de falar sobre amor, até porque, quando ele não vem acompanhado de respeito, torna-se algo vazio, dito da boca para fora. Sem atitudes que falem mais alto do que uma palavra de quatro letras, o amor não se sustenta.
Amor sem respeito não subsiste.
Amor ou Vento
Às vezes penso que amei —
mas talvez tenha apenas nomeado
um vazio bonito demais
pra continuar sem nome.
Disseram que amor aquece,
mas o que senti
foi mais como brisa:
toca, some,
me deixa tonto…
mas nunca fica.
Te olhei como quem busca casa,
mas será que era você,
ou só a vontade absurda
de enfim encontrar abrigo?
Me doei como quem aposta alto,
sem saber se o jogo existe,
ou se fui eu quem inventou
as cartas, o prêmio e o risco.
Era amor?
Ou só silêncio com cor?
Um eco daquilo que esperei ouvir?
Você sorria,
mas era por mim
ou só por hábito?
Talvez amar seja isso:
um tropeço constante entre
o que é e o que queríamos que fosse.
E o pior —
talvez nunca se saiba.
Talvez amor verdadeiro
nem faça barulho.
Ou talvez ele nunca tenha vindo.
E eu apenas dancei sozinho
com o vento.
"Talvez você seja um cisne em meio a patos. E tudo que está sentindo hoje não é fraqueza — é só a dor de alguém que está crescendo num ambiente pequeno demais para sua alma."
"Talvez você esteja se culpando por não se encaixar, mas o erro nunca esteve em você — o defeito pode estar nos outros que tentam apagar sua luz para esconderem sua própria escuridão."
Tão confuso
Tudo que se refere a mim sempre me parece insuficiente, sendo talvez até um pensamento egoísta de alguém tão egocêntrico ou uma fragilidade do personagem, pois quando se carrega uma exaustão silenciosa por trás dessa máscara de uma pessoa fria, isso também traz outras coisas consigo, como um cansaço que até a melhor noite de sono não resolve, com os medos que nunca disse em voz alta, e até as dores que você não tem tempo para sentir, criando os piores cenários possíveis por pensar de mais na dúvida de entregar tudo de si sem garantia de retorno, gerando uma ansiedade desnecessária, que faz você duvidar se realmente vale a pena, mas apesar de tudo isso, eu ainda me amo em silêncio, e mesmo que eu seja invisível e isso seja algo insuportável, eu ainda me vejo, pois sei que é necessário se reconhecer ainda luto por mim, e mesmo que eu tivesse outra escolha ou um caminho mais fácil ainda faria o mesmo, pois ainda sei que tenho um propósito maior, que assim seja.
Falei que não iria me apaixonar, mas aqui estou sentindo essa sensação outra vez.
Talvez eu podesse ignorar, mas é difícil fazer isso.
Mas eu quero ter certeza do que eu sinto.
E mesmo se for real tenho que arrumar minha mente, não quero tê magoar caso você sentir o mesmo.
Talvez seja dom.
Eu não vejo as pessoas como os outros veem.
Não fico só no que elas dizem. Eu enxergo o que elas escondem.
E talvez isso pareça bonito de longe… mas de perto, cansa.
Às vezes, quando olho nos olhos de alguém, sinto coisas que nem a pessoa sabe que sente.
É como se a alma dela se entregasse pra mim, sem eu pedir.
Eu absorvo. Eu acolho. Mas isso tem um preço.
Já me disseram que eu tenho mãos que curam, que sou calma, que sou doce.
Mas quem realmente me conhece sabe que a minha calma vem depois da guerra.
E que minha doçura tem espinhos porque nem tudo que é verdadeiro é suave.
Eu não sei me dar pela metade.
E por isso mesmo, às vezes, fico esgotada.
Dou tudo quando sinto que posso… mas não faço isso por impulso.
Eu escolho com cuidado quem permito entrar
porque sei que quem me recebe, nunca mais volta a ser o mesmo.
E, sinceramente, eu também não.
Tem dias em que sinto que carrego uma água muito antiga dentro de mim.
Como se tivesse nascido com um véu entre os olhos, uma camada invisível entre mim e o mundo.
Tudo me atravessa. Tudo me atinge.
O que é leve pra outros, às vezes me afunda.
E eu escuto… até o que não é dito.
As palavras chegam até mim no silêncio, do mesmo jeito que a gente ouve a chuva quando tá distraída (eu amo fazer isso)
Natural. Dolorido. Lindo. Mas constante.
Não sei se isso é dom ou cruz.
Na maior parte do tempo, acho que é os dois.
Porque ver demais… é viver sabendo o que os outros ainda estão tentando esconder de si mesmos.
E mesmo assim, mesmo sentindo tudo o que sinto,
ainda me dizem que sou forte.
E eu fico calada. Porque talvez seja verdade.
Mas também porque ninguém entende o cansaço de ser espelho.
P.S: Se eu toquei tua alma, não foi sem querer.
"Se me despisse da minha alma em versos, talvez você entendesse que tudo o que escrevo é para você."
Fabricía de Souza
Talvez seja melhor dar um tempo na carreira literária do que sentir que minha alma se recusa a encerrar.
Eu não sei o que me espera. Só sei que Deus já está lá, onde eu ainda nem cheguei. Talvez o que venha não seja o que pedi em silêncio, mas será o necessário. Entreguei tudo a Deus. As vontades, as pressas, as urgências que construí como escudos, e todas as certezas que forcei até virarem fardos. Deus não se atrasa, Ele só espera a gente cansar de fingir que dá conta sozinho. Tem algo incrível acontecendo mesmo quando não compreendemos. Não sei se é resposta, milagre ou recomeço, talvez tudo junto. Mas sigo com uma esperança bonita, uma fé quieta de quem sabe que o tempo de Deus faz tudo acontecer no momento certo. Nenhum milagre chega antes da hora. Há portas que já começaram a ranger nas dobradiças e, quando Deus decide girar a maçaneta, não há nada que impeça o novo de chegar. Há bênçãos atravessando distâncias que nem saberia explicar, e há algo dentro de mim que reconhece: Deus está prestes a fazer algo lindo, e mesmo sem compreender os contornos do que virá, permaneço aqui: de alma aberta e vontade de agradecer por antecipação. Porque fé, às vezes, é isso: uma espera de mãos dadas com o que ainda nem chegou, mas já tem gosto de recomeço.
Daqui 10 anos, se eu te reencontrar…
você vai abrir aquele sorriso.
Talvez genuíno ou talvez por educação.
Aquele sorriso que é seu detalhe mais notável.
Aquele sorriso que sempre vinha antes de qualquer palavra, e que me desmontava por inteira.
Você vai ser simpático. Gentil.
Do mesmo jeito de sempre.
E eu vou sorrir de volta.
Talvez um pouco sem jeito.
Talvez fingindo que esqueci tudo o que vivemos aos 20 anos.
É bem possível que a gente se encontre em outra cidade,
em outra versão de nós.
Você talvez esteja com alguém.
Eu certamente também.
Com uma família que você não pôde me dar.
A conversa vai ser leve, e até superficial.
Você vai perguntar se estou bem e eu direi que sim.
Perguntarei a mesma coisa e você também dirá a mesma coisa.
Talvez falaremos sobre o trabalho, o clima, o lugar.
Sobre qualquer coisa, menos de nós.
As perguntas que eu gostaria de fazer não serão feitas.
"Você lembra de mim às vezes?
Você também se pergunta como teria sido? Você sabe o quanto eu era apaixonada por você?
O que você sentiu quando me viu agora?"
Não. Essas talvez eu nunca vá fazer.
E então vai haver um silêncio.
Como se o assunto tivesse acabado, como se estivéssemos medindo as palavras.
O tipo de silêncio que só acontece entre duas pessoas que têm muita coisa pra dizer no fim das contas.
Você vai olhar em volta, como quem procura uma desculpa pra encerrar.
Eu vou ajeitar o cabelo, a alça da bolsa no ombro ou até mesmo a minha aliança, só pra fazer algo com as mãos que certamente estarão ansiosas.
Talvez você diga que precisa ir.
Talvez eu diga que preciso voltar.
Nenhum de nós querendo realmente sair dali,
mas os dois sabendo que ficar também não mudaria nada.
E lentamente nos afastaremos,
provavelmente com um “foi bom te ver” e um sorriso ensaiado.
Você irá voltar pro seu apartamento,
que fica próximo ao trabalho que você sempre quis.
Eu irei voltar pra casa,
começar a preparar o jantar das crianças e do marido.
E quando todos estiverem dormindo (menos nós),
talvez a gente pense no nosso encontro de mais cedo.
E se por dentro esse pensamento me bagunçar de novo, ninguém vai saber. Principalmente você.
Esse será um segredo que levarei comigo.
Afinal, algumas histórias não conseguem apagar as marcas que deixaram.
A vida só cresce em volta delas.
Estaremos unidos até que a morte nos separe, ou talvez nem nela, ou talvez só até aparecer alguém melhor e cada um ir para o seu lado, ou não. Podemos até continuar juntos.
As vezes, só as vezes, talvez eu não queira mais parecer tão forte, gostaria de poder apenas sentar e desabafar, chorar no ombro de alguém que me traga conforto e me sentir compreendido mesmo que eu mesmo não me compreenda.
O amor, talvez, não passe de uma ilusão cuidadosamente construída pelo nosso cérebro — uma fantasia tão envolvente que nos faz acreditar que é eterna. Na verdade, é como um sonho do qual não sabemos quando vamos acordar, mas temos a estranha certeza de que, cedo ou tarde, ele vai chegar ao fim. E ainda assim, mesmo sabendo disso, insistimos em vivê-lo, porque é nesse intervalo de ilusão que encontramos algum sentido.
Pro meu futuro
Tão obscuro quando o fundo do poço
escuro
Talvez eu pense em amor
Ou em favor da dor
Me apaixonar pelo esplendor
O que eu espero ou me apego
Fica martelando como se fosse um prego
Mais no final
A única coisa que eu espero
Do poço escuro
E em fim chegar até o fundo
"Cuide de si com a dedicação que talvez nunca tenha recebido. Ame-se com a profundidade que um dia sonhou ser amada. Toda transformação verdadeira começa dentro de você."
Talvez a vida seja um enigma sem resposta, e o sentido não esteja nas perguntas que fazemos, mas nas estradas que escolhemos. Cada escolha é um universo que deixamos de viver, e cada passo é uma invenção do destino, como se fôssemos autores de um livro que nunca lemos até o fim.
