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Ela é como vinho. Para apreciar e ter a melhor experiência possível, é preciso degustar devagar e com paciência.
Ela é como vinho. Cai bem num dia frio, te abraça com seu calor, te faz esquecer suas preocupações, te deixa alegre e sonolento e, às vezes, até transborda.
RECOMEÇO
Uma visão, uma mão sobre o vidro da janela.
Um pensamento alheio, longe, vago, distante
Um destino a ser traçado, uma nova vida a ser definida
Olhos distantes buscam o vazio. Vidas não vividas.
É noite. A cidade acordara. O breu lá fora apavora
Às luzes ultrapassam as cortinas que através do vidro emolduram a sala
O medo ficou do lado de fora. É tempo de repensar, de ir além
O que estava guardado a sete chaves e o que estava oculto vieram à tona.
O Jazz toca na vitrola. A nostalgia se fez presente.
O passado trouxe lembranças de um tempo que desconhecemos
E que precisava ser vivido hoje. Resquícios de uma vaga lembrança. Um filme.
Nossa música, um vinho na taça, um brinde, uma dança.
Uma caneta esquecida no móvel da sala. Um pedaço de papel sobre a mesa
História para contar. Relatos que nem lembrávamos de que um dia fez parte
Da nossa história. Vem. Chegou a hora. Precisamos revirar as páginas
Recomeçar. Reescrever. Reinventar ou talvez deixar acontecer.
A madrugada se despede neste momento e eu preciso partir.
O que precisava terminar, o tempo se encarregou de levar
Um novo período irá começar. Uma nova porta irá se abrir.
Uma nova chave no chaveiro. Um novo tempo e uma nova escolha.
Uma vida humana dura em média oitenta anos terráqueos ou cerca de trinta mil dias terráqueos. O que significa que eles nascem, fazem alguns amigos, comem muitas refeições, casam-se, ou não se casam, têm um filho ou dois, ou não, bebem muitas taças de vinho, têm certo número de relações sexuais, descobrem um caroço em algum lugar, sentem um pouco de arrependimento, imaginando para onde foi aquele tempo todo, sabendo que deveriam ter feito tudo diferente, percebendo que teriam feito tudo do mesmo jeito, e então morrem. Caem na grande escuridão do nada.
Lugar TRANQUILO...
Sintonia INTENSA...
Vinho SECO...
mulher MOLHADA...
Vida VERDE...
Homem MADURO...
Momento ÚNICO...
Saudade DUPLA !!!
O silencio total do meu quarto é a minha desolação, os pássaros cantando por detrás da janela fechada é como os gritos das almas que vagam no inferno, é isso, esse é o meu inferno, esse é o meu próprio destino, apenas um ser vivo tentando sobreviver, sem ninguém, sem nada, sem palavras e sem pessoas.
O caótico ciclo da vida nos leva a lugares inusitados, tipo, dentro de si mesmo, vendo tudo e não vendo nada, a solidão é sólida como um bloco de tijolos, fria como um edredom molhado do vinho que você derrubou enquanto tentava esquecer que estava vivo, enfim, não é tristeza, é apenas, metamorfose.
Acabei de quebrar uma, das duas taças de cristal que eu tinha há quarenta anos. Não preciso mais dela.
Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto, isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como "doce", "amargo", "ácido", etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados a imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura.
Há muito tempo terminei minha refeição e me retirei da mesa onde estavam Platão e um grupo de homens embriagados. Eles idealizavam e discutiam um sentimento do qual não me recordo muito bem, mas que em vagas ocasiões acredito tê-lo vivido.
"Quero outro mundo"
Te encontrei sem procurar
Você parecia estar perdida
Dançando aquela música
Você estava tão bonita
Mesmo com falta de ar
Com o seu jeito desajeitado
Você me trouxe alegria
"Vou sumir
Quero algo para beber
Meu gosto está amargo
Não sei o que fazer
Quero outro mundo
Me perdi nesse mundo
Quando descobri que meu mundo era você "
Não venha dizer que me ama
Se nisso você não acredita
De que importa existir amor
Se isso tudo é passageiro na vida ?
Não quero um amor eterno e perfeito
Prefiro meus amigos e um copo de vinho
Rejeito sua companhia
Eu escolhi ficar sozinho
Como vinho (mulher)
Eu digo que a mulher é como o vinho, porque, ao tomá-lo, não dá para sentir todas as sensações de uma só vez. Tem que degustá-lo aos poucos e, sempre que puder, prová-lo um pouco mais ao amanhecer. E, quanto mais tempo durar, será ainda melhor e bastante prazeroso bebê-lo novamente.
Existe olhar que te faz profecia, revela mistérios, sabota o comum. Existe olhar que produz sedução e libera sabores de vinho quente em noites de neve; aconchega, esquenta, amacia o coração. Existe olhar que embeleza os dias de quem o vê e encanta a alma de quem por ele é visto. É um olhar que poetiza a vida de sonhos e que faz a gente despertar numa doce e bela história de amor. Assim é o seu olhar pra mim.
Eu venho,
tu vens;
ele/ela vem
nós VINHO
vós vides
eles/elas vêm
mas chegaram tarde
e já acabou o VINHO
Saudade
Saudade é a ausência que não se cala,
Da presença que não fica.
Saudade são os dias que se demoram
E a hora que não se finda.
Saudade é a garrafa vazia,
Que enche de vinho o copo; tormentos.
Saudade é a madrugada que vira sol,
De um dia sem brilho, lamentos.
Saudade é a canção que entristece o olhar
E mexe na ferida aberta sem estancar.
Saudade é o braço que abraça a solidão,
É o momento que envolve emoção.
Saudade é quando madrugo lembranças
E estampo sorrisos fingidos pela dor.
Saudade é sentimento em alerta
Toque de recolher interno; revelador.
Saudade é não falar da falta que sente
E o que sente se manifesta sem consentir.
Saudade é chuva que não molha,
Verão que evapora, outono que nunca tem fim.
Saudade é turbilhão que aflora o gostar,
É terra que faz água do rio secar.
Saudade é vestir-me de ti em cores,
Abrir o mundo, arrancar dores...
É ter-te aqui, ali, fora e dentro de mim.
Quando estou completamente sozinho...
Muitos pensamentos surgem de mansinho...
Mas, só os escuto tendo ao lado uma taça com vinho!
Pedro Marcos
Que a vida lhe traga vinhos e flores que adornem sua alma como num jantar à meia luz. E que, assim com a taça cheia, lhe seja saborosa, prazerosa e suave.
Quem sabe eu encontre o que eu preciso
No fundo de uma taça de vinho (...)
Todavia, se eu não encontrar,
Espero pelo menos me embriagar!
Embriagado, pode até ser que dessa forma eu consiga esquecer
Aquilo que tanto me fere e faz sofrer.
Não quer dizer que me olhando, pessoas poderão notar,
Aquilo que frequentemente, insiste em me atormentar.
Porém diante de toda essa angustia e desconforto,
Esqueço o meu “eu” que quase se encontra morto...
Ainda tenho a esperança que isso é só uma fase
Que me consome tão quase
Fazendo eu desejar
Que a morte a mim, venha chegar...
E no meio desse eterno pensar, sentir, amar
Continuo o vinho beber e dele me embriagar...
