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[UMA CANTIGA E SUA PEREGRINAÇÃO POR UM MUNDO DE NOVAS ESCUTAS]
A poesia - diante da possibilidade de ser utilizada como fonte histórica reveladora de discursos, informações concretas e expectativas humanas de todos os tipos - deve ser vista como um veículo de expressão e comunicação que, independentemente das intenções de seu autor, pode conter uma pluralidade de sentidos. Para que um novo sentido se desprenda de um poema ou de uma cantiga, é por vezes bastante que a desloquemos no tempo ou no espaço, que mudemos o seu público ou o trovador ou poeta que a enuncia, que a voltemos contra um novo alvo.
Em sua peregrinação por um mundo em permanente transformação, um verso se transfigura a cada instante, a cada leitura e a cada audição. Para compreender isto, é preciso perceber a leitura e a audição como práticas criadoras. O mundo transfigura o poema porque se transfiguram os olhares e os ouvidos que para ele se voltam, e também porque este poema é inserido em novas práticas, é recriado mesmo a partir destas novas práticas.
O encantador paradoxo da poesia está em que esta transmutação se
opera sem que a forma sequer se altere. Enquanto uma narrativa que é trans
mitida por via oral sofre múltiplas interferências, interpolações, reorganizações do discurso – dada a própria natureza do discurso narrativo –, a poesia, mais ainda a cantiga, está aprisionada dentro de uma grade versificatória, de um ritmo, de um jogo combinatório de sonoridades. Não é possível alterar uma palavra, na sua dimensão material, sem que a estrutura poética desmorone. É isto o que assegura, aliás, a passagem de uma poesia através do tempo em toda a sua integridade material.
No entanto, este poema aprisionado em uma grade versificatória, esta cantiga encerrada em uma estrutura melódica, exercem espetacularmente
toda a sua liberdade. Sem mudar uma única palavra, trazem à tona mil novos
sentidos a cada novo contexto de enunciação. A grade de versos e ritmos não é para eles um túmulo, nem a estrutura melódica é para eles um cárcere. É antes um meio de libertação, que os permite incólumes atravessar todos os
tempos. Já se disse que “um livro muda pelo fato de não mudar enquanto o
mundo muda”. Ainda com mais propriedade podemos considerar isto para o poema, este gênero de discurso que, mesmo quando transmitido basicamente pela oralidade – meio transfigurador por natureza – conserva-se a si mesmo sendo já um “outro”. A estrutura singular do discurso poético lhe dá uma imunidade material, ao mesmo tempo em que de fato não o aprisiona, sobretudo em virtude da natureza fluida da linguagem poética
[trecho do artigo 'A Poesia como Arma de Combate - um estudo sobre as múltiplas reapropriações de uma cantiga medieval-ibérica", Revista Letras (UFPR), vol.90, p.41-42, 2014].
A vida exige ousadia.
Minhas ações são audaciosas,
porém, difíceis.
O perigo pode assustar e embaraçar o ânimo, mas o atrevimento espanta a covardia.
Poetas
Poetas tem uma arma
das escritas amargas
às mais doces
as palavras mais gordas
às mais magras
Poetas trazem aos seus amores
algumas flores
e um poema rico de fascínio
que preenchem suas dores
e os enchem de carinho
O melhor da música
É sentir
Como um lindo caos e loucura
Que passeiam como uma montanha russa
Dentro de si
Muitos poetas exaltaram
a beleza da natureza,
em toda a sua plenitude
e exuberância,
mas isso pode estar contido
na suavidade do movimento
de uma simples borboleta,
na luz que irradia
dos teus olhos,
no timbre da tua voz
ou apenas no teu cheiro.
ASAS DA POESIA
Escrevo com minha alma,
Mas reviso com a razão.
Os versos da minha palma
Escapam de minha mão.
Dizem mais do que eu queria,
Falam mais do que pensei;
As asas da poesia
Por que é que não cortei?
Quem dera com mil argolas
Prendê-las numas gaiolas,
Pegá-las num alçapão!...
Para conter as palavras,
Pra não voar sobre as casas,
Mas é tudo esforço vão!
Quando olho para ti de forma unica e doce, sinto o mundo apaixonado e louco pelo que vê, quando sinto o teu bater do teu corpo e coração simplesmente diz, acima de tudo adoro a perspectiva de mudança e de novas conquistas e vitórias e glórias, porque és uma Duquesa indomável e simplesmente fascinante e unica minha duquesa.
Poema do, o teu aroma adocicado como as planícies de galiza, o teu cheiro gostoso como o mel, o teu coração puro como o universo, o teu toque poético como uma poesia pelos nossos corpos húmidos e ardentes.
Tu és a minha realeza.
Eu não preciso de titulos reais.
Mas sim tu és o meu maior titulo minha duquesa. Eu vivo de amor e paz e não de titulos e glórias. Tu és a minha maior glória.
Mulher e poesia
são formas de arte;
a poesia é estática,
livre ou métrica,
enquanto a mulher
tem liberdade
de movimento;
a poesia tem ritmo,
a mulher desfila;
a poesia tem versos
livres ou rima,
a mulher tem falas
que nunca terminam,
mas a poesia é mulher,
é substantivo feminino.
A beleza da arte, o recebido ou aprendido, são a revelação do ser sobre o parecer, e se mostram quando o ser eu, toca a alma do ser outro.
Poesia sacra e literalidade
De Gênesis à Apocalipse, a poesia sacra descreve pedras que falam; árvores que batem palmas; ventos que cantam; lírios que se vestem de beleza e águas que têm vida.
As palavras mais belas não têm o condão de modificar as circunstâncias, mas podem despertar o desejo de mudança que permite criar as condições para alterar a nossa realidade.
Me fez de poesia
Enquanto me distraia
Arrancou meu sorriso
Em canção de improviso
"Te vejo amanhã?"
Perguntou emocionado
E minha melhor escolha
Foi passar ao teu lado
Cada segredo revelado
Em minha sã escuta
Me deixou assegurada
Da tua verdade bruta
Não lapidou, nem enfeitou
Que delícia de conversa!
Tua sinceridade me ganhou
Em cada prova que me deras
Bendita seja tua alma
Tão franca e calma
Prazer, virei fã
Te vejo amanhã?
(07/02/22)
NABRISA
Envolto pela brisa do mar,
Um garoto se deparou com a bela Nabrisa
Que o fez encantar.
A beleza era tanta
Que em seu coração
Nasceu uma razão para amar.
O enigmático sorriso dela
Também o impressionou,
Deixando-o em estado de torpor.
Ele ficou tão entorpecido
Pelo mágico sentimento que em si nasceu,
Que a magia em seu corpo floresceu.
E de imediato,
Toda a sua alma veio a se iluminar,
Elevando-a ao mais supremo patamar.
Quando falarem mal de vc, não revide! As pessoas quando estão inflamadas pela raiva, tendem a falar coisas pra te diminuir, pelo simples fato de sentir-se melhor com isso...
Se rebaixar a esse nível, deixar com que isso penetre no seu coração, só te fará mal...
Apenas se cale, deixem pensar o que quiserem de vc, o tempo se encarregará de mostrar a cada um a sua verdade.
Palavras Esvoaçantes
Se as palavras tivessem asas voariam até você. E levariam a doçura de cada pronúncia compassadas juntamente as batidas do meu coração e vibrações de minha alma. E te acalentariam como uma mãe que acabou de ter um filho, aquela mistura de amargura pelo rompimento do cordão umbilical com a mais terna emoção de olhar pela primeira vez a face de um amor eterno. E nessa harmonia angelical e única te diria em um sussurrar infinito o quanto te amo.
Poesia bipolar
Do diagnóstico.
Da grande burlação.
Do esquema.
Aberto o sistema.
Privacidade, intimidade.
Violação.
Como é lindo e bonito.
Uauau, escolas, faculdades e formação.
Doutores, a lei social.
Brindam sim, vencedores.
Atores, fajuto, perseguidor tribunal.
Celulares, tvs, canais de comunicação.
Telepatia.
Ciência e magia.
A mente pressionada.
Invadida, lida.
Neurilinguistica.
Tecnologia artística.
Quanto, quantas pessoas tem que pagar.
Na gravidade, nos túneis.
Laboratórios e escritórios.
Templos, espíritos.
Alíens, a reencarnação.
Implante de memórias.
Chips.
Artificialmente.
Brasil.
Seria a grande manipulação.
Segregação.
A grande prisão.
Prostitutas, putos tantos.
Ladrão.
Santos da ciência.
Fria, ela, violência.
Arapucas, cobaias.
A grande programação.
Giovane Silva Santos
Poesia de um estudante analfabeto
O sonho, povo, Brasil.
Mãe, pai, afeto.
Justiça.
Um lar, a paz, um teto.
Jornada.
Começo da saga.
A terra, cheios de donos chamados ganância.
Começa o rock, o reg, a dança.
Quieta, que isso, lambança.
A chave, motivo de opressão.
Acusação.
Massacre, crueldade.
Violento mundo.
Atrevido imundo.
Mente, prisão.
Misericórdia ignorada.
Piedade.
Compaixão.
Toma lá da cá.
Pagamento obrigatório.
Temporário, transitório.
Não, não.
O perverso.
Do amor inverso.
Desfere agressão.
Um labirinto cheio de confusão.
Jajá, literatura dos doutores.
Aqui, um encontro de rimas então.
Analfabeto.
Sem teto.
Mas a alma com salvação.
Giovane Silva Santos
CORPO E ALMA DA POESIA
Bendita a prosa que segue o rumo
De um coração, quase que despido
Das vaidades, na poética o prumo
Do corpo e alma no canto esculpido
Bendita o verso de uma rima pura
Onde figura a sensação da gente
Com trovas tantas, sem censura
Que a ritmo da imaginação sente
E, um afago na atenção do bardo
De um ardor a vibrar tão felizardo
Faz o jeito de trovar mais afinado
É arte e ato certeiro, prosa gigante
Terna e peregrina, o verso amante
Deixando o sentimento aflorado! ...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09 fevereiro, 2022, 10’59” – Araguari, MG
