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LUIZ GONZAGA
Ele nasceu em Exu
No Nordeste, no sertão
Terra do mandacaru
Onde cantava o baião
O Brasil ele "ganhô"
Conquistou pobre e "dotô"
Viva o mestre Gonzagão
MARCO ZERO
Onde o mar encontra o céu
Onde o céu encontra o barco
Onde o barco encontra o rio
Onde o rio encontra o marco
De onde contam as distâncias
Às cidades, às estâncias
E Recife faz seu arco
esta poesia não te cortará
já nasceu partida
como choro de quem perdeu a mãe
existe o corte de outra faca
palavra
fina ferida fervente
ferinafacadorlírica
corte de rio cinza
cano cratera carvão
cão vidro pluma
a garrafa corta a água
gavião do mangue
toca de caranguejo
puçá de siris
tetéia de goiamuns
a adaga corta a veia
singra a solidão do branco
partidapalavraperdida
mas não se importe leitor
esta poesia corta apenas o papel
já nasceu partida
como a asa do albatroz.
Hoje acordei com saudades do mar...
Água salgada, água de coco, água de chuva...
Onda que quebra, brisa que passa...
Protetor solar, maresia, paladar...
Pés na areia, sol de fim de tarde, sombra de árvore...
Sentidos atentos,
Ausência de relógio,
Bate-papo sem cronômetro,
Tempo vaga sem compromisso...
Abri a janela e olhei o asfalto:
"Como vim parar aqui?"
Como se aqui não morasse...
Como se aqui não tivesse nascido.
O tempo passa e não nos damos conta.
Há tempos caminhei sobre a areia.
No que pensava? Com o que sonhava?
Deixei ali os sentidos,
Assumi o cronograma,
Prometi voltar...
Hoje acordei com saudades de mim...
E lá se vão onze meses de um ano marcante e ainda apreensivo...
No primeiro mês, não imaginávamos pelo que iríamos passar... havia “memes” sobre o "longo mês de janeiro”, piadinhas sobre um vírus de uma "gripezinha" ... e assim foi...
O samba chegou em seguida e quando ele chega o país, praticamente inteiro, aguarda suas belezas e ostentações... e como muitos dizem as coisas, aqui, só começam depois do carnaval... que é quando as fantasias são guardadas e as engrenagens começam literalmente a rodar e a vida volta à normalidade...
Mas...
O mês das águas chegou e
cadê as coisas normais?
Apreensão...
Medo... Tristeza...
Nós não sabíamos o que realmente estava por vir...
Falava-se, bastante, nas mídias sobre um vírus que poderia levar muitos para o mundo espiritual ...
E realmente começou a levar...
Dias difíceis, tristes, desoladores.
Então, o nosso planeta, literalmente, parou...
E em nossas vidas entrou uma intrusa chamada quarentena e que chegava com o intuito de nos preservar. Dessa forma, as "águas de março" deram lugar ao temor de algo invisível e avassalador, pois uma pandemia já tinha se instaurado em nosso universo.
A famosa quarentena fechou escolas, comércios grandes e pequenos, escritórios, empresas, entre outros... e o que mais se ouvia eram as palavras:
" #fiqueemcasa " "#cuidedequemvocêama "
" #vaificartudobem "
E houve também uma novidade para nós, sul-americanos... o uso das máscaras para evitarmos o contágio do tal vírus.
Achávamos que em um mês ou dois tudo, completamente tudo, voltaria a tal normalidade... mas infelizmente ela não apareceu.
Abril... tristeza e reclusão.
Maio... tensão e... isolamento.
Junho... "lives" por todos os lados, mas o sentimento de fragilidade imperava.
Julho... muitos irmãos partindo para o mundo celestial.
Agosto... "será que vão encontrar uma vacina?"
Setembro... “AMARELO” pelo amor à vida, porém houve mínima queda de casos, do vilão invisível, em nosso país.
Outubro... continuou sendo “ROSA”, mas ainda com receio do imperceptível.
E eis que vem o mês “AZUL”...
Novembro chega com muitas expectativas... vacinas são testadas e suas eficácias comprovadas, porém ainda não podem ser usadas, pois ... brigas políticas... discordâncias ... egocentrismo, por parte de muitos "superiores", os ditos comandantes do país e dos estados. Mas, infelizmente, eles esquecem que se unirem as próprias forças, juntos, serão mais fortes e atingirão um objetivo para o bem da nação.
Contudo, uma nova onda, desse vírus cruel, surge no velho mundo e nós do novo mundo voltamos as nossas preocupações, temores, angústias e incertezas.
Quanto aos irmãos que se foram - eles não serão esquecidos, pois estarão, sempre, no coração daqueles que os amaram.
O que eu gostaria de realmente escrever aqui é que hoje, 30 de novembro de 2020, a cura para o terrível vírus foi encontrada, mas infelizmente eu não posso...
Mas, o que eu posso é plantar mais uma semente de esperança em vossos corações e que assim possamos receber o lindo mês de dezembro com energias positivas, com uma fé renovada, com corações conectados a Deus, para que a nossa esperança não se perca.
Vamos ser luz, ser amor, ser bênção, ser paz.
Que Dezembro venha mais iluminado pela luz de cada um de vocês!
Feliz, iluminado e abençoado dezembro.
Com carinho:
Leandra Lêhh
ENTREGA EM VÃO
Trago em meus passos vacilantes
E em meu caminho trôpego
A dor e a agonia
De ter feito tanto por nada.
Instagram: @poetamarcosfernandes
Dizes sempre que me amas
como outrora, antigamente,
que não saio da tua mente,
que está acesa a chama,
no teu peito, que te inflama.
Mas não passam de palavras,
posto que és uma escrava
desse teu próprio orgulho,
e, por isso, não mergulho
nesse amor que não se crava.
Muitos falam de amor
Fazem juras e promessas
“Caso, viajo”… um ator
Logo se desinteressa
Quem ama tem mais ação
Não fica na enrolação
Sai fora, não entra nessa!
Poesia escrava.
Te orienta Poesia...
Cala-te...
Renda-se...
O Poeta que lhe escreve...
Te conduz como escrava...
És para mim...
Minha eterna empregada....
Não te pago...
Não te dou nem um direito trabalhista..
Te comprei com um valor da ilusão...
E por isso te uso em minhas escritas...
Com a intensão de te expor na magia da minha biografia...
Engraçado...
Ah tempos atrás....
Nas menores palavras....
Você me abandonou...
Nas maiores você me pisou...
O significado disso tudo...
Rasgou-me ao meio...
Me deixando na sargeta....
Sujo e jogado...
Esquecido e judiado...
Solitário e chorando...
Por décadas...
Faltou-me o fôlego...
Mas veio a chuva e me lavou...
Relampeou e trovejou....
Uma descarga elétrica me atingiu...
E me energizou...
Foi brutal...
Doeu e passei mal...
E depois disso tudo....
Deixei de ser sentimental....
Entre a terra e a semente...
Tudo é questão de ser coerente...
Entre o amor e o tempo...
Agora em mim...
Prevalece a razão...
A palavra que te falo....
Te elimino do meu coração....
O"Amor". Aqui...
É próprio e é sóbrio...
E nessa talvez ignorância minha...
Te faço em meus olhos...
A menina desejada...
Não te sangrarei...
Não te pisarei...
Até porque...
Não sou um animal....
Esse doce e salgado que trama em minha imaginação...
Com água pura da fonte...
Faço de ti...
Um soro para minha inspiração....
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa
Intenção
no poema
há uma intenção,
nem sempre do poeta
do verso,
mas daquele que versou
o universo.
a poesia, essa religião,
quando acerta,
é oração.
Manancial
a água da colina
desce pura.
nem tudo que toca
é ternura.
nem tudo que nela cai
a deixa impura.
SORTE
não é sorte, é Deus —
dizem os mais crentes.
mas, e os outros,
os que não são poucos,
mas que não têm sorte,
nem são ateus,
mas não são brindados
com o olhar desse tal
Deus dos que dizem
não ser sorte.
NADA
nada
no teu olhar
nada
no teu mar
nada
se não te amar
nada
se não apagar
nada
simplesmente
nada
simples
nada
mente
nada
PIOR
vento
de ventilador?
luz
de lamparina?
alivio
de aspirina?
melhor
sentir calor?
viver sem cor?
morrer de dor?
não, é pior...
bem pior!
−
invisibilidade —
quem mora nas ruas
tem superpoderes
−
morador de rua
não precisa de celular
ninguém vai ligar
−
não era bicho
era nossa gente
revirando lixo
−
mente aberta
militar não limita
liberta
Solitude é saudável
Faz bem para o coração
Isolar-se, voluntário
Bom pra ter reflexão
Estar só por um momento
No traz enriquecimento
Não é nunca solidão.
E ai tempo...
Não foi você que ficou de resolver?
Me prometeu curar e nada Cumpriu,
Disse que iria me ajudar a mudar, Meus pensamentos,
Prometeu calor e trouxe mais frio.
É tempo você nada você cumpriu!
E ai tempo...
Mais uma vez restou eu e você,
Face a face e a imagem é cruel
Mas dessa vez foi diferente,
Sofri calada, sem lagrimas,
Não venci, nem fui vencida,
Mas tempo, amigo, hoje te digo, Me sinto mais forte!
E ae tempo...
Vou seguindo em frente,
Quebrando as amarras e correntes,
Vou parando pegando de volta Meus pedacinhos que me foram Caindo.
E ai temo...
Sinto que algo quebrou aqui Dentro!
Mas não faz mal, errei, amei
Mas tempo, já estou aprendendo.
E ai tempo....
A balada da água do mar
O mar
sorri ao longe.
Dentes de espuma,
lábios de céu.
– Que vendes, ó jovem turva,
com os seios ao ar?
– Vendo, senhor, a água
dos mares.
– Que levas, ó negro jovem,
mesclado com teu sangue?
– Levo, senhor, a água
dos mares.
– Essas lágrimas salobres
de onde vêm, mãe?
– Choro, senhor, a água
dos mares.
– Coração, e esta amargura
séria, onde nasce?
– Amarga muito a água
dos mares!
O mar
sorri ao longe.
Dentes de espuma,
lábios de céu.
A Monja Cigana
Silêncio de cal e mirto.
Malvas nas ervas finas.
A monja borda goivos-amarelos
sobre uma tela de palha.
Voam na aranha cinza,
sete pássaros do prisma.
A igreja grunhe de longe
Como um osso pança acima.
Como borda bem! Com que graça!
Sobre a tela de palha,
ela quisera bordar
flores de sua fantasia.
Que girassol! Que magnólia
de lantejoulas e fitas!
Que açafrões e que luas,
no mantel da missa!
Cinco toranjas se adoçam
na cozinha próxima.
As cinco chagas de Cristo
cortadas em Almería.
Pelos olhos da monja
galopam dois cavaleiros.
Um rumor último e surdo
lhe descola a camisa,
e ao mirar nuvens e montes
nas árduas distâncias,
quebra-se o seu coração
de açúcar e lúcia-lima.
Oh, que planície íngreme
com vinte sóis acima!
Que rios postos de pé
vislumbra sua fantasia!
Mas segue com suas flores,
enquanto que de pé, na brisa,
a luz joga xadrez
alto da gelosia.
Tradução de Mª Clara M.
Ovo, larva, pupa e estágio adulto: a alternância entre as fases de uma metamorfose segue um padrão linear de duração, variando insignificantemente em dias, que se tornam meses e assim uma diferente existência emerge do casulo que abrigou temporariamente um ex-alguém. Me valendo mais uma vez em puro caradurismo da mecânica do mundo, roubo para mim a semiótica e afirmo com provas e convicção que o que nos resta do passado é a pavorosa lembrança de quem fomos há um milésimo de segundo (caso prefira, converta esse tempo à duração que lhe convém). A essa altura do campeonato, se me sobrou um resquício de decência, só me resta admitir o ódio inerente àquela garotinha estragada que acreditava ter o mundo em mãos, mas nem sequer era capaz de administrar os próprios devaneios. Bom, não que isso tenha mudado drasticamente de lá para cá, mas convenhamos que as medicações aparentam surtir um melhor efeito. Apelando (como de costume) a pieguice, dou sinal verde às minhas lágrimas, e que desçam em um tom cinematográfico por essa cara maldita que não passou um dia desse ano hediondo sem levar uma boa bofetada da vida! É, há um ano eu caminhava ao entorno de um parque enquanto levava rajadas de ventos que me desnorteavam em meio a um frio meia-boca de quatro graus, agora me sento no telhado com uma bebida usurpada do armário de meus pais escutando à pavorosa sinfonia de rojões que não tem nenhuma utilidade além de acelerar meus batimentos cardíacos e impulsionar o negativismo que me lembra o calor insuportável que terei de aguentar amanhã. Neste momento deveria estar pensando em como abordarei os acontecimentos traumáticos de dois mil e dezenove nos próximos dez anos de sessões semanais de psicanálise, mas estou escrevendo como uma artista falida mantida pelos pais (sim, é isto o que sou). Afinal de contas, nem os pobres textos escaparam de todas as tragédias, há tempos não vomito a podridão que me faz de hospedeira em um texto melancólico e grotesco, já que por motivos desconhecidos tudo o que escrevo adquiriu um caráter erótico e esporadicamente crítico, minha esperança é de que sejam os tais hormônios os culpados, aliás. Enfim, nessas horas vale a pena citar meu bom e velho amigo Belchior e dizer que ano passado eu morri, mas neste ano eu não morro (espero, não suporto hospitais).
Não é o sussurro ao pé do ouvido na calada madrugada
Não é ser naufrago em mar aberto
Não é a besta que te arranca os dentes
Não é a tua doença congênita, ingênua
É o choro desacompanhado do sono
É o afogar no próprio calar
É ser de si, o próprio algoz
É adoecer sozinho e nada poder falar
O tempo passa na garganta como navalha
E vocês, juntos passam também
Quanto mais sozinha fico, mais o peito envelhece
Quanto mais sozinha fico, mais o corpo me aceita ceifar
Não posso reclamar abrigo, porque o abrigo pra mim é inimigo
Não posso me apoiar em nenhum amar, porque não há amor a se cobrar
Não posso respirar, o medo me roubou o ar
Não posso gritar, pois qualquer som o pode acordar
Não sei o que fazer, não tenho onde ficar
Talvez o que me reste agora mesmo seja o pesar
Pela felicidade que nunca vou ter
Pela paz que nunca irei encontrar
E assim fora-me roubada a essência, o âmago, o cerne; fora-me roubada a identidade em um golpe que embora ideado, teve o poder de atingir-me com a mesma brutalidade com a qual um raio atinge a árvore deixada ao léu em campo aberto, ceifando seu tronco em duas metades rivais.
Então acusaram-me de atentar contra quem eu era, de dilacerar a essência velha em função da debilidade nova. Me denominaram impostora, esvaziaram-me a clareza, condenaram-me por uma prolixidade inventada. Trocaram minha vida por meia dúzia de conectivos conclusivos para assim me retalhar.
Por isso jogaram-me contra a parede, questionado a veracidade de tudo o que tentei dizer, mas que graças à língua não fui capaz de fazer. Duvidaram de minhas dúvidas e de minhas certezas. Questionaram-me e fizeram questionar a verdade que costumava me guiar. Trocaram minha vida por meia dúzia de conectivos conclusivos para assim me retalhar.
Porque acreditam valer mais a palavra do que aquilo que se quer dizer. Falam da confusão de minha escrita porque nunca conheceram a de minha cabeça. Exigem uma clareza que nem a mim conseguem me entregar e em meu martírio escolhem se deleitar, porque são p*tinhas de uma normatividade torpe e vulgar. Trocaram minha vida por meia dúzia de conectivos conclusivos para assim me retalhar.
E antes de mais nada, assumo minha raiva e minha tentativa de negar o que quer que seja que possa meu ego contrariar. Por isso não pestanejo em afirmar que trocaram minha vida por meia dúzia de conectivos conclusivos para assim me retalhar.
