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Lentos nos fomos esquecendo. Quando
o tempo da velhice nos foi vindo
a tez apareceu amorenada de anos
e afeita ao espírito.
A lavoura sabia aos nossos passos.
Até os desperdícios
iluminavam debilmente o armário
e a penumbra dos rincões escritos.
Mas nós só estávamos
em nos havermos esquecido.
Ou, às vezes, a aura do trabalho
quase fazia com que na mesa o sítio
aparecesse coroado de anos
sobre a mão a mover-se pelo seu próprio espírito.
Com a altura da idade a casa se acrescenta.
Não é que aumente a quantidade ao espaço.
Mas, sendo mais longínquos, o desapego pensa
maior distância quando se fica a olhá-lo.
Ou, se quiserem, uma realeza
se instala à volta dessa altura de anos,
de forma a que os objectos apareçam
na luz de quase já nem os amarmos.
Então a casa distende-se na intensa
inteligência de estarmos
a ver as coisas amarem-se a si mesmas.
Ou com a forma a difundir seu espaço.
Os vivos ouvem poucamente. As plantas,
como o elemento aquático domina,
são dadas à conversa. A menor brisa abala
a urna de concórdia estremecida
que, assim, sensível, se derrama
e é solidão solícita.
Os vivos não ouvem nada.
Mas, havendo acedido a essa malícia
de experiência cândida,
os mortos deixam que o ouvido siga
o fluvial diálogo das plantas
umas com outras e todas com a brisa.
Melhor ainda. Quando, nas noites cálidas,
as plantas se sentem mais sozinhas,
os mortos brincam à imitação das águas
inventando palavras de consonâncias líquidas.
E esse amoroso cuidado de palavras
a urna de concórdia vegetal espevita
até que, a horas altas,
a noite, os mortos e as plantas
caiam no sono duma luz solícita.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO
O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Com a tristeza acender a alegria
Com a miséria atear a felicidade
E no céu inocente da visão
Fazer pulsar um pássaro por vir
Fazer voar um novo coração
Que mil flores desabrochem. Que mil flores
(outras nenhumas) onde amores fenecem
que mil flores floresçam onde só dores
florescem.
Que mil flores desabrochem. Que mil espadas
(outras nenhumas não)
onde mil flores com espadas são cortadas
que mil espadas floresçam em cada mão.
Que mil espadas floresçam
onde só penas são.
Antes que amores feneçam
que mil flores desabrochem. E outras nenhumas não.
Caçadores de coisas
impossíveis. Eu canto
os dedos que transformam
e se transformam. Canto
as marítimas mãos
de Magalhães. As mãos
voadoras de Gagárine.
Procurai-me no mar
procurai-me no espaço.
Estou no centro da terra.
Meu nome é cinza. E espalha-se
no vento. Sou adubo
fermentação floresta.
E cintilo nas armas
Entre aquém e além ser e não ser
tantas portas abertas ou talvez nenhuma.
Não há senão um verso por escrever
e sobre a areia branca a breve espuma.
Da tua vida o que não podem entender
Nem oiro nem poder nem segurança
Mas a paixão do Tempo e de seus riscos
Tu buscaste o instante e a intensidade
E foste do combate e da mudança
Por isso um rastro de ruptura e de viagem
Ou talvez este fogo inconquistado
Como breve eternidade
De passagem
Eu sabia que tinha de haver um sítio
Onde o humano e o divino se tocassem
Não propriamente a terra do sagrado
Mas uma terra para o homem e para os deuses
Feitos à sua imagem e semelhança
Um lugar de harmonia
Com sua tragédia é certo
Mas onde a luz incita à busca da verdade
E onde o homem não tem outros limites
Senão os da sua própria liberdade
Todo o homem tem um navio no coração
todo o homem tem um navio
tem um país a descobrir em cada mão
tem um rio no sangue tem um rio
todo o homem tem um navio no coração.
Todo o homem tem um onde e tem um quando
um tempo de partir um tempo de voltar
sete palmos na terra mil caminhos no mar.
Todo o homem se perde.
Todo o homem se encontra.
E tem um tempo em que se mostra.
E tem um tempo em que se esconde.
Todo o homem tem um por e tem um contra.
Todo o homem se perde.
Todo o homem se encontra:
todo o homem tem um quando e tem um onde.
E contudo perdendo-te encontraste.
E nem deuses nem monstros nem tiranos
te puderam deter. A mim os oceanos.
E foste. E aproximaste.
Antes de ti o mar era mistério.
Tu mostraste que o mar era só mar.
Maior do que qualquer império
foi a aventura de partir e de chegar.
Tudo que é sublime e rústico traz nas suas curvas os traços poéticos necessários para a inspiração e a construção de uma obra de arte.
As coisas não são assim como estão
Mas o tempo está como sempre deveria ser
Sabemos que o mundo
Gira em torno do sol
E dar tantas voltas que hoje não dá pra entender...
100 Desculpas
Me perdoem mas sou apenas um homem comum e tenho cometido alguns erros, porem eu preciso pedir perdão se vacilei demais
Eu nunca pensei que ia chegar tão longe os erros que a gente faz
Só peço desculpa pelo tempo que fiquei longe e você estava sozinha, percebi tarde a grande garota que eu tinha
Meu plano era só derramar lagrimas de alegria, porem eu andei vacilando e espero que ainda seja minha
Eu não pedi você em orações ao bom Deus mas você apareceu
E como um toque de magica tudo se resolveu
Não esperava que um dia ia sentir um abraço tão bom, não esperava um beijo assim onde sai todo seu baton
Um corpo de violão, a mais doce melodia sempre no tom
E agora vejo você chorando pelos meus erros, eu só queria que isso nunca tivesse acontecido
Ontem a gente era sol e sorriso e hoje nublado com corações aborrecido
Sera que nosso amor é tão louco assim? Eu ja nem sei enfim
Ah se você soubesse que eu dei o melhor de mim
Me desculpe se as vezes pareci distante, até eu me sinto longe é um mundo complicado
Me sinto atrasado como uma festa que acabou e só ficou o silencio ea bagunça
Espero que a gente possa se entender e que você entenda que nem sempre éo fim
Prometo melhorar com o tempo e só peço que não esqueça de mim
Porque você sempre vai ser a melhor coisa que aconteceu comigo
Essa vida agitada esta acabando com nosso sono, sejamos pelo menos amigos
Posso parecer um bobo inperfeito mas sempre vou estar contigo
Desculpas, vai pra varios amigos que perceberam o quanto mudei
Desculpe se me calei e não contei pelo que passei
Vocês sempre estiveram comigo até quando não merecia
E quando precisar eu tambem com vocês estaria, sim sem pensar era oque eu faria
Os anos passaram e deixamos de ser crianças, a gente não tinha tanto aquela esperança
O mundo tira nossa vontade de sonhar ea necessidade faz a gente se preocupar, as vezes faz a gente chorar, as vezes se ajoelhar e rezar pra tudo melhorar
Mas se estamos cercados de bons amigos é diferente a gente passa a ter mais coragem
Nada é pra sempre e com o tempo a gente se ajeita tudo é passagem
Eu só espero que de tempo de resolver tudo, eu sei que meus problemas internos não podem me afetar por fora
Sei que os problemas de casa não se resolvem varrendo a porta afora
Varios erraram comigo mas eu não quero pensar em vingança
No final tudo pesa na balança
Ja fiz varias coisas boas pra algumas pessoas e não ganhei nada em troca
Mas não quero nada de volta, podem ficar, não vou ficar na revolta
Tudo que eu quero é ficar em paz sem dever nada pra ninguem
Quero um lugar calmo e talvez passar o resto da vida com alguem
Paz e amor, quero a paz com a presença dela eo amor com suas atitudes pra mim éo melhor que tem, então mina vem!
Vamos ser felizes, me de sua mão mina quero alcançar seu coração
Imagine a gente curtindo a vida pelo mundão
Desculpe se eu viajei demais, prometo não magoar ninguem mais
Da proxima vez vai ser diferente, proxima vez? Não havera proxima vez
A melhor coisa que tem é poder dormir em paz pensando nas boas coisas que a gente fez
VALENTE MOÇO
Valente moço!
Por aturar rabujas
Deste ser sem alcunhas
Nem de ao menos aguarrás.
Valente moço!
Tolera coisa alheia
Faz de te luz que incandeia
E deixa os sonsos se debaterem.
Nadando no ar
Voando na água
Caçando tesouros onde tudo é calma
Outono sereno
Entre risos e olhares
Vida que passa entre milhares e milhares
Mente lutando
Corpo enfraquecendo
Medo efêmero
Desejo passageiro
Buscando o que é puro
Em meio a tantos devaneios
Quase sempre me perco
Em concupiscências enxofrais
Persistência alcança
Quebra paradoxo
O Mal se acanha
Leva embora o opróbrio
A razão se constrange
Ao encontrar o inexplicável
O verbo se alegra diante de tamanha simplicidade
Desde o começo Ele tudo sabia
Sem verbo não há rima, nem poesia
Nele tudo se justifica
Traz sentido a vidas vazias
Pode ser linda como o mar, porém fria como sua brisa..
Pode ser mágica como fogo, más na cama quente como sua brasa..
Com olhar de natureza ela encanta..
Como a bela sereia, ela canta..
Até me encantar, mas já me encantou..
Mano aquele olhar, a cada vez que eu olhava sentia me conquistar e me conquistou..
Droga.
Filho da lua, vivo na madrugada..
Vivo na madrugada pos ao dia tudo não se demostra ser o que é..
Mas na madrugada..
Tudo bem vem átona..
Na madrugada que choro, dou risada, sofro..
Tudo sozinho..
Sem precisar de ninguém fingindo se importar com meus problemas..
Só a lua pra me escuta e me entender..
Já que somos iguais, transmitimos um brilho que não é nosso, e quando estamos sem esse brilho somos esquecidos..
Ela ao dia..
E eu a noite..
Você não me leu direito. Não entendeu quando falei que não me mostro pra qualquer pessoa. Eu quis dizer que me revelo para poucos. Você fez uma leitura rasa e míope. Que pena... pra você.
- Flavia Grando -
Muito me cabe, pouco me convém
Sem tempo para seletivas
Estou ficando onde o santo bate (... amém)
- Flavia Grando -
