Tag poesia
O marmeleiro descasca
no seu verde antigo
o açude racha
no seu mar antigo
o mormaço
esse nem dá as caras
e a gente vive
disso tudo já vivi
sou amigo disso tudo
não precisa desse medo
O rio das garças
vem desde o arraial da telha
(onde colhi meu sangue caboclo)
até o atlântico
que beija portugal
e belisca o mar do norte
das terras baixas da holanda
(dois pedaços de terra onde meu sangue europeu nasceu)
Tenho sangue de gente
tenho essa poeira laranja na cara
no peito
no sangue
sou metade gente
metade bicho
sou sertão da cidade
sou pedaço água
ferro
terra
sou rio
trilho
rodagem
E se algum dia o brilho acabasse?
E se as as estrelas não brilhassem?
E se algum dia o frio nos tomasse?
Você teria amado?
E se algum dia você parasse?
E se algum dia você se cansar se?
E se simplesmente você não acordasse?
Você teria aproveitado?
Se algum dia a vida perder-se a cor
Perder-se o amor
Perder-se o calor
Você teria a sentido?
Se algum dia tudo acabar, os teus olhos você fechar e repousar.
Você teria vivido?
Você se sentiria perdido?
Estaria muito frio?
Se algum dia você se magoou
você se enganou?
Mesmo de mente atordoada dizendo estar zen
Você fingiu estar bem?
Se a sua vida você não viveu
Você a felicidade perdeu?
E você acha que poderia voltar atrás?
Se algum dia você esquecer-se de amar?
Acha que conseguiria voltar?
A vida é um sopro, a vida é um carrossel, a vida é rápida, a vida é curta.
E sua vida acabasse? Você a viveu?
Nunca entendi tão bem a apreciação por uma cidade e o porquê de tanta exaltação,
só colocando meus pés nos lugares sagrados que entendi e exaltei,
óh cidade do nosso agrado,
óh cidade tão bela,
óh maravilhas secretas,
óh lugar de esplendor e inspiração,
agora eu entendo qualquer devoção,
e que cidade maravilhosa, um tesouro nacional,
quero voltar pra ti e nunca mais sair,
dos encantos,
beleza e tua cultura tão realista,
o que me resta?
saudades,
deste magnífico lugar e de suas beldades.
Primitivo No. 1
Nossos desejos nos devoram.
E lentamente devoram o cérebro,
o coração e os olhos.
Pronto! Agora somos irracionais.
Primitivo e lutando irracionalmente
pelos frutos de nosso desejo.
Talvez isso seja só um transe
e logo vai acabar.
Será? Um desejo hipnótico que nos devora
e permanece. Nós somos primitivos.
Nos devoramos uns aos outros
com o propósito de alimentar nossa imaginação.
Frio, primitivo e agressivo.
Sendo devorado pelo desejo.
SOUSA, Rodrigo. 2019
As vezes pra deixar-se bordar,
a gente precisa mais que deixar-se tocar.
A gente precisa deixar-se sentir!
Eu e o tempo não nos entendemos muito bem. Sou imediatista demais, e ele insiste em ser futuro. Não conjugo o verbo esperar. "Esperança", não me veste. Talvez por isso eu ame tanto o por do sol. Aquele momento em que a noite ainda não se fez e o dia calmamente se fecha. É a fresta no ciclo onde o ontem e o amanhã escorrem juntos, e nesse lampejo, vislumbro o hoje em toda a sua plenitude.
e como tenho minhas loucuras.
afirmou com veemência.
doses desmedidas
neste mistério pitoresco,
cujo espetáculo onde o palhaço sofre de amor na vida,
contempla a encenação do patife que se auto-flagela.
só mais um trago de cigarro
antes que a noite vire dia.
DEPRESSÃO.
Depressão nunca é uma escolha,
Mas sempre uma conseqüência
Mesmo que vc viva com três pessoas dentro de uma bolha,
Nunca coloque alguém acima de sua própria existência.
VIDA.
Muitos se perguntam se a vida tem sentido,
Eu só posso te responder que quem diz sim tá mentindo,
Pq conforme tudo vai acontecendo,
Ela se mostra um verdadeiro labirinto.
Vocês tem que se conscientizar que a felicidade não está em bem material ou em status.
ELA ESTA SEMPRE NO SEU INDIVIDUAL.
Tem gente que não enxerga a verdade por medo de não entender,
Essa pessoa não é cega só tem medo de ver.
A poesia é algo "tipo assim", reflete o momento do poeta,
que poetando, sua alma acalma...
EXPLICANDO A POESIA
Marcial Salaverry
É preciso saber dosar a emoção,
para não magoar o coração...
Entender o significado
de um verso apaixonado,
que revela um sentimento poetal,
ou uma poesia sentimental...
Nas linhas de um poema,
é esse o real dilema,
o poeta revela o que sua alma lhe diz,
e que nem sempre condiz
com o que lhe diz o sentimento...
Pode sorrir vivendo um tormento,
como pode chorar num momento de alegria,
sem sair de sua fantasia...
Pode falar de amor
mesmo com a alma cheia de dor...
Dentro da realidade,
o poeta vive na virtualidade...
Precisa seguir o fio da inspiração,
poetando conforme sua emoção...
E então, para com a vida não chorar,
põe-se alegre a poetar...
E assim, a poesia explicando,
vamos pela vida caminhando,
fazendo a alma sorrir,
aliviando o porvir...
Marcial Salaverry
Me prove na “real”
Não quero os “noves-fora”
Pois, há erro
Preciso de um argumento certeiro
Sem secura na boca, nem malícia,
Sem gaguejar, nem desmentir a física
Quero uma operação real
Uma prova nada subjetiva
E que seja objetiva
Onde estão os amores de antigamente?
Aqueles que duravam séculos
Que enfeitavam os jardins da vida
Que entoavam cânticos e declamavam poesias
Juras eternas, espaços de tempo em que o tempo não passava e nem a vontade de estar na presença desse amor
Verdadeiros presentes
Inspirações à alma
Amores que resistiam ao tempo, às brigas e aos apelos emocionais por que tudo era uma prova em si desse amor
As mulheres conheciam o sabor da espera e por elas eles permaneciam sofredores e guerreiros de suas tormentas
Gentis com o tempo e donas de suas verdades elas não colecionavam amores
Onde estão os amores de antigamente?
Que passeavam pelas calçadas nas tardes de domingo
Espreitavam uma única que fosse a razão de encontrar esse amor
E por esse amor sofriam calados
Esperavam uma vida inteira
Até que esse amor se revirasse em um
Ah, esse antigo amor que desconhece as razões de novas ilusões
Desprendido desse árido deserto de sentimentos em que profanam as paixões contraditórias e abandonadas à própria sorte
Contrário ao ciclo vicioso de poucas descobertas e de muitas aventuras exaustivas e obscuras
Esse amor - quem sabe - refeito pela dureza e a beleza de sua época há de florescer novamente um dia.
