Tag poesia

5476 - 5500 do total de 37092 com a tag poesia

dos dias que não se quer ser

era mais uma madrugada
dessas tempestuosas.
noite estranha era aquela.
não sentia o cheiro da chuva.
diferente de outras,
não existia relação ali,
entre mim, a água que ruíra na minha janela e a madrugada.
noite atípica.
o frio se acomodava latentemente aos arrepios da estranheza.
quando dei-me por conta,
estava lá, fitando uma poesia,
que temerosamente me desaparecia.
quando nossos olhares se cruzaram,
lembro-me de querer vorazmente devorá-la.
era estranho,
a madrugada que não escolhi,
a poesia que parecia ser eu.
nem me lembro mais quando esqueci de lembrar que era uma madrugada atípica,
dessas que só se dorme.
num átimo, estava completamente seduzido pela poesia.
imerso,
já nem sabia o que era noite, o que era poesia,
o que era eu.
minha respiração ofegava,
lembro-me de apavorar por isso,
mas era certo,
quanto mais apavorava mais escrevia.
e foi assim que eu danei-me a escrever.
escrevi, escrevi, escrevi
escrevi, escrevi, escrevi,
escrevi, escrevi, escrevi
escrevi, escrevi.
lembro-me de escrever tanto, mas tanto, que a poesia já não tinha mais nada,
nem uma palavra sequer.
em exaustão me apaguei
sem ver a cor das três madrugadas seguidas.
depois dessa, vieram muitas outras madrugadas,
outras poesias.
mas nada como aquelas.

Inserida por rubobrobsky

o choro

era domingo.
passava pela rua Janice
com sua filha de mãos atreladas.
olhos bem abertos e verdes.

era domingo de ventos
num desses
um cisco
num outro Janice
a moça de olhos bem abertos e verdes

cisco que pousa em olhos bem abertos e verdes.
dessa vez era o de Janice.
lágrimas desciam

a polícia passava
e Janice a moça de olhos verdes e grandes não parava de lacrimejar

Janice era branca, mulher fina
e muda.
sabe-se lá porque que na tentativa de acalmar as lágrimas dos olhos
seu dedo flechava Muriel

Muriel. quinze anos.
fazia compra para sua mãe Katia na feira.
provava das uvas das senhoras que lhe oferecia uvas.

uvas, sorriso não.

sabe-se lá o que fizera na vida Muriel.
se nascer não bastasse.

volta-se ao fato não previsto por Janice,
nem mesmo pelas senhoras da uva.

Muriel terminaria estirado numa das tabas com as uvas,
uvas acopladas de sangue.

num desses domingos de vento
Muriel sentia pela última vez o cheiro de uvas
e na calçada do morro
punha-se a chorar Katia

o choro.
o choro da viúva, mãe de dois filhos
empregada doméstica
e moradora da periferia.

invisível que era
só se via lágrimas a descer.
lá do alto.

Inserida por rubobrobsky

nunca fui de saber o que fazer com o que sinto,
não aprendi a não sentir.
paradoxo esse que é
de ser grato
e detestar esse fato.

Inserida por rubobrobsky

liberte em alma o que é preso em matéria

Inserida por rubobrobsky

entorpecida

lá estava ela, titubeando
alma pleno regozijo
seguindo em direção da morte.
era um péssimo dia para morrer.
mas morreu.

Inserida por rubobrobsky

raso
irra
zoável
riso
ri

ra
zoável
ra
zoável
zoá
levar

Inserida por rubobrobsky

formigamento

coibia-se
até não sentir mais.
de fato, poderia crer,
com veemência,
que não sentia
não obstante, atrozmente
incomodava.

Inserida por rubobrobsky

sobre a saudade
me sinto grão.

Inserida por rubobrobsky

Noite
"somos que nem a espuma da onda
viajamos no melhor lugar ate chegar na praia
então sumimos na areia
como se jamais tivéssemos existido"

Inserida por Pccmagdalena

Poesia não é poema e poema não é poesia!
O que temos dentro de nós pode nem chegar a ver a luz do dia.

Inserida por valdaamundos

Se souber mais do que eu, faça-me uma crítica construtiva, se não souber, procure saber!

Inserida por valdaamundos

CHOVE

Acordei
E vi que chove
Observei
Que não era só lá fora
Revestido de breu
Minha alma
Também chora
Dengosa
Amorosa
Reclama do olhar
Da sua beleza singular
Sua essência
Desta sua silenciosa ausência
Não importa os desencontros
A sua irreverência
Não diminui o meu amor
Nem a dor
De sua indolência
Onde está?
Os sonhos sonhados
Os beijos por nós calados
Curvo-me diante desta ferida
Aberta
Sofrida
Tocada sem nenhum pudor
Nenhuma compaixão
Nenhum valor
Acho que foi só ilusão!
Agora solidão...

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Rio de Janeiro, 30/08/207
05'30"

Inserida por LucianoSpagnol

Fica comigo... Fica comigo essa noite
Fica enquanto o fogo brilha
Fica que eu te faço feliz
Fica comigo até o raiar do dia.

Fica nos meus braços essa noite
Diz que não é o que você sempre quis?
Finge como é o seu costume fugir
Finge que sou seu amor, que eu te faço feliz.

Inserida por Phneno

Não tenho certeza,
Tenho medo,
De me afundar nas profundezas de teu imenso oceano.

Inserida por izadora_ortega

Eu te quero
Eu desejaria todo anoitecer olhar as estrelas com você.
E ao amanhecer acordar em seus braços.
com o brilho do sol,
Seus olhos castanhos acordariam como paixão.
Os traços de teu rosto seriam a melodia de meus lábios.
O movimento de carícia de teu corpo , ao perigo da incerteza.

Inserida por izadora_ortega

Maldição do amor

logo fui dar meu coração,
E ele o amaldiçoou de puro amor,
O sangue que corria sobre minhas veias era de imenso calor, no fim.
Palpitante como meu coração,minha mente se achou.

Inserida por izadora_ortega

A poesia
Ela tem verdade, que nos ousamos desacreditar,
E mentiras que ousamos enfeitiçar.

Inserida por izadora_ortega

Paz!
Momento sublime que nos redime
aos pés do Criador
Enquanto infantes, das reais diretrizes
Meros aprendizes
Refletindo em contemplação
o equilíbrio da ação, no existir
e sempre e sempre, persistir!

Inserida por siomarareisteixeira

"Eu vejo a sua beleza que você não enxerga, eu consigo enxergar através da sua beleza física, eu olho através de seus olhos e enxergo o quão bela é a sua alma, sua alma é cheia de luz e luz é beleza, beleza essa que transparece em seu olhar, a beleza física é passageira um dia ela deixa de existir, mas a beleza da alma ela não,ela é eterna."

Inserida por rafael_amaro_lopes

"Mesmo que a luz do sol e da lua deixem de brilhar,eu continuarei a enxergar, pois você é a única luz que me tira da escuridão."

Inserida por rafael_amaro_lopes

A maior distância que separa as pessoas não são os quilômetros, mas sim o medo de dizerem uma pra outra oque sentem

Inserida por rafael_amaro_lopes

Às vezes sofremos tanto por umores não correspondidos, que chega uma hora que nos trancamos em uma pequena caixa, com medo de se apaixonar de novo e acabar se magoando outra vez, o nosso coração vira pedra, e o amor dentro de nós morre, dizemos para nós mesmos "nunca mais irei me apaixonar", mas o amor é como a fênix ela morre, mas também sempre renascerá.
E então você encontra uma pessoa especial pela qual vale a pena se arriscar, e ela te mostra o amor o novamente, e mesmo que corra o risco de você se magoar outra vez, você se arrisca, porque vale a pena, vale a pena lutar pelo amor, o amor nos transforma, nos cura, nos faz ser uma pessoa melhor, e oque mais precisamos em nossas vidas e amor, e saber demonstrar esse amor. Mas se no final você acabar se magoando tudo bem, porque a vida é assim, se você não se arriscar e tentar, você nunca saberá se teria dado certo.
Então sai desta caixa onde você se trancou e demonstre todo seu amor, não tenha medo, pois há alguém por aí esperando para receber esse amor, mas você nunca saberá se não se arriscar.

Inserida por rafael_amaro_lopes

Jamais decista porque encontrou um obstáculo, enfrente os seus medos e não deixe que nada impeça,
Pois Você é mais forte e mais capaz do que imagina.

Inserida por Juniocamargo

EXTREMOS

O barulho, o som
Sussurros de loucos
O silêncio absoluto
Para ouvidos moucos

A opressão do clarão
Pela lente externa
Supressão da visão
A escuridão eterna

Para o manjar insosso
O paladar exigente
Para o gosto sem rosto
Sabor sempre ausente

Nos pequenos frascos
O aroma importado
O cheiro amordaçado
Jamais inalado

Um aperto de mão
O abraço negado
O afagar consciente
Nunca experimentado

Sentidos no extremo
Opção e carência
De um lado exigência
Do outro a ausência

Inserida por wilson_magalhaes

tudo é caminho
não há ponto de chegada
não há ponto de partida

Varjota
cheguei
um sem fim de vezes
fui embora outro monte
na sua maioria foi
o meio do caminho
que já foi Fortaleza
Recife
Diadema
e Viena que
ainda será

minha mãe foi também
caminho
meu pai também
que já vieram de meus avós
de outros avós
e outros outros e outros
e
tudo é caminho
sem começo nem fim
sem velho nem novo
o poema é mais
um

sempre vai
e vai e vai

a vida é uma reta torta
nó-cego de motivos
que é caminho
e não volta

Inserida por pensador