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⁠Posso até pensar em você 
Assim, aleatoriamente 
Sentir sua falta
Querer conversar, 
Contar sobre o momento 
Sobre meus sentimentos 
Sobre a razão de eu estar muda

Posso até querer sua companhia 
Conversar sobre a época de menina
Reviver lembranças nunca esquecidas
Sorrir, brincar 
Passar um momento 
Sem nada pra se preocupar 

Posso, eu posso 
No meu isolamento 
Em meu mundo invertido 
Ter uma história só minha
Onde você é minha vida
E nada muda este capítulo 
Pois eu sou a protagonista 
E nesta minha história 
Você é o único 
E não há ninguém no mundo
Que desfaça está história escondida.

⁠CANTO II
 
Janela d'alma, visão
Íris líquidas pingantes
Longe, longe, coração
Ah, distâncias distantes.
 
Na ronda teu juízo
Envolto em madeira e terno
No bosque paraíso?
Na floresta inferno?
 
Se com luz,
Voo alto
Asas de Ismália.
 
Se na cruz,
Não falto
Mortalha.

⁠RUSH

Quando passei nas Andradas
Uma quinta-feira dessas
Caminhando com pressa
Vi os carros parados
Olhando pros lados
Ansiosos
Rosnando.

E no meio da rua
Um mulato vestindo verde
Com a carne nua
Sangrando
Morto.

E nas calçadas, nos andaimes
Doze menos um operários
Todos temporários
Trabalhavam.

E os caros com pressa.
E o mulato não saiu.
E como não saiu,
Passaram.

⁠VALSA
 
No morrer da lua alva
Giram
Dois pares apaixonados
Olhando-se apaixonados
Querendo-se apaixonados
Perdendo-se entrelaçados e chorando apaixonados
E ninguém, no mundo ou nas estrelas, os salva
Giram apaixonados
Dois pares coitados
Dois pares trocados.

⁠PAIXÃO

Semente da obsessão
Geradora de devaneios
Encantadora de imagens
Velha irmã da loucura

Manipuladora do caráter
Destruidora da razão
Indutora de vontades
Mescladora de sentidos

Por favor, apareça!
Mas que seja,
Que somente seja,
Quando for correspondida!

(Guilherme Mossini Mendel)

⁠O PODER DA POESIA
Ela tem poder de dar brilho ao sentimento,
Às sutilezas da vida, ela dá mais cor,
Provoca emoções de alegria e de dor,
E também novos sonhos, novo pensamento.
Ela tem poder de eternizar o momento,
Por mais simples que seja, por mais breve que for;
Registrando no peito a dádiva do amor,
Provocando emoções, incólumes ao tempo.
No ritmo dos versos da bela canção,
Nos poemas escritos pelo coração,
Está sempre presente, orquestrando as palavras...
A poesia ela é como um sopro divino
Que, da simples canção, faz o mais belo hino;
Que ao poeta mortal, empresta as suas asas!

⁠Os dedos entrelaçados ao vazio da lembrança dele denunciava alguma tristeza agigantada por engenhosos artifícios da sua prodigiosa imaginação.
Pela janela do seu quarto fitou a lua e imaginou a sua rede franjada amarrada em duas estrelas.
Abraçou o travesseiro e mais uma vez olhou para o céu escuro todo cravejado de estrelas com ar de quem acabava de inaugurar um planeta novo.
Naquele dia, ela adormeceu soluçando com o olhar úmido nos olhos ausentes dele

MATURIDADE

Maturidade é você reconhecer o que não está dando certo…
Maturidade é você não procurar quem errou depois de uma decepção…
Maturidade é você não cobrar e nem pagar na mesma moeda…
Maturidade é você saber a hora certa de se afastar…
Maturidade é você se permitir a recomeçar…
Maturidade é você entender e compreender com quem você está perdendo o seu tempo…
Maturidade é você ser feliz com o que te faz feliz.

⁠Resistência do Ego: Uma Poesia Psicanalítica

No labirinto profundo da mente humana,  
Um ego se ergue, forte e altaneiro,  
Vigia as sombras, labaredas de dor,  
No embate interno, um constante atoleiro.

Poeira de desejos, anseios submersos,  
Lágrimas guardadas, sussurros da alma,  
O ego, com suas defesas e versos,  
Construindo muros, buscando a calma.

Mas que resistência é essa que clama,  
Que se esconde nas tramas do ser?  
Entre as vozes do côncavo e do drama,  
Há um chamado, um sutil renascer.

A repressão dança em rituais sutis,  
Moldando verdades, mesmo quando ferem.  
O ego se agarra, é um modo de existir,  
Num mundo que grita e que nunca se encerra.

Sombra e luz se entrelaçam na luta,  
O desejo e o medo, um perpétuo dilema.  
Mas há beleza na busca absoluta,  
Por romper as correntes e a própria algema.

Assim, celebro a resistência sagrada,  
Do ego que não se rende, que enfrenta,  
Na psique, a jornada muitas vezes pesada,  
É também um canto, uma essência que sussurra e alimenta. 

Nas fissuras do ser, onde o eu se revela,  
O ego, sempre audaz, desafia o destino,  
E na dança da vida, essa eterna novela,  
É na resistência que encontramos o divino...

⁠Talvez o que mais doa em mim
Não seja o sentimento ruim me consumindo
Mas a recusa que tenho em senti-lo
Não aceito estar passando mal por você, ou por outros
Não quero me sentir idiota, burra ou tola
Renuncio todo pensamento negativo que possam ter sobre mim
E por isso, me acabo em desgaste
Pois driblo das emoções que me fazem ser eu mesma
Eu sou o que sou
E isto é o que sinto
Ter defeitos/falhas é importante, também
Passar mal não é problema
Fingir que não estou doente, é que aumenta essa dor aguda dentro do peito
Sou uma casa, um canteiro, um castelo
Sou feita por tudo que absorvi, aprendi a ser assim e sou bela pelo mesmo motivo, entro no ritmo que acho certo, meus móveis mudam de cor toda hora, meus quartos são sagrados, pois são segredos, desmorono quando tiram partes de mim Entendi que não existe só o bonito e não existe só feio
Até sendo prosaico, o bom e o belo é superestimado
Prefiro ser assim
Do jeito que estou a ser Agora

-  Minha vulgaridade, me liberta

⁠ANTIGOS DEUSES
Desmoronou sobre mim o mundo
do meu passado, tira-me do sério os pensamentos...
Frustrou o meu ser envelhecido E pegou-o pela mão.
Mostra-lhe agora momentos que ele esqueceu, como se fosse ontem
Sem perceber que o dia se foi
Que memória e lembrança são deusas...
de um mundo,
Há tanto..., tanto tempo... abandonado!!!

⁠Se vc só encontrou a felicidade no Passado  
Certamente esta andando pelo caminho errado

Apenas alguém.


⁠Ela é daquele jeito
Desastrosa até embaralhada
Mas ela não tem medo de não ser 
Amada

Ela continua sendo ela
Mesmo entre tantos bate e bocas 
Tem-se uma grande pessoa
De doidas e loucas
Coragens.

⁠Acampamento é sempre uma diversão 
Barraca, colchão, fogão e botijão
Lanterna, não podemos esquecer 
É com isso que vamos viver
Basta 2 panelas e um pouco de macarrão 
Está pronta a refeição 
Não troco por jantar caro
Pois aquele é um momento raro
Dividir o que tem com a amiga
Pra raspar a panela sai briga
A criança nunca vai esquecer 
Que chamou a outra pra comer 
Que sentaram na cadeira de madeira 
E nem se importaram com a poeira 
Acampamento é tudo simples 
Pode calçar um bom chinelo
Não precisa de nenhum luxo 
O confortável torna-se belo
Não precisa de muitas roupas, só o que cabe em uma mala
Não tem casa para limpar e nem precisa tirar o pó da sala
Aquele pouco é suficiente 
Um colchão e um banho quente 
Um coador pra passar um café 
Cada um está do jeito que é
Com o cabelo não precisa se preocupar 
E percebe que nada vai te faltar 
E quantas amizades fazemos 
Isso é o tesouro que temos
Aquelas pessoas compartilham do mesmo chão 
E isso traz laços do coração 
Quem gosta de acampar
Consegue parar para apreciar 
A chuva, o sol, o que vier
E aproveita tudo que der
Quem acampa observa a natureza
Vê no singelo, no detalhe, sua beleza 
Vive momentos de tranquilidade 
Deixa de lado a vaidade
Percebe que ali tem felicidade 
Que se vive bem na simplicidade 
Hora de partir tem um sentimento triste
É preciso sorrir e ir, mas a vontade de ficar persiste 
O que conforta nosso coração 
É a certeza que foi muito bom
Que logo tem mais acampamento 
E na nossa história ficarão guardados esses momentos 

⁠quando a luz das estrelas durante a noite não me alcança
o que ainda me ilumina é o amor da sua lembrança
Livro de poesia Novos Ventos

⁠Que a dignidade não seja palavra oca em discursos de tribuna, mas semente plantada na consciência coletiva. Que cada verso da Constituição seja vivido como poesia aplicada, que cada mulher, em cada canto deste imenso país, possa viver com plenitude, sem medo, sem vergonha, sem opressão. Ergamo-nos, pois, como sentinelas da Justiça, arautos de uma nova era. Onde a voz da mulher não ecoe apenas como denúncia, mas como canto de liberdade. Onde a tecnologia seja serva da dignidade, e jamais algoz abjeto. E onde a alma do Direito reencontre, enfim, sua essência: Proteger os frágeis. Punir os cruéis. E eternizar, em cada norma justa, o brilho inapagável da coragem feminina.

Incertezas

Não há compreensão,
nunca houve meio termo.
As dúvidas crescem
como ervas daninhas
no solo árido da mente,
raízes que se entrelaçam
em pensamentos turvos,
sufocando a razão
até que tudo se torne sombra.

Lacunas permanecem abertas,
como feridas que rejeitam o tempo,
casos interrompidos,
histórias sem ponto final,
rastros apagados
por tempestades de incerteza.

Não há culpados,
não há suspeitos,
apenas eu,
rodeado por um tribunal vazio,
onde o silêncio se ergue
como juiz implacável,
condenando-me
por crimes que desconheço.

Não há em quem confiar,
pois até meus próprios olhos
me traem,
distorcendo reflexos
num espelho que fragmenta
quem penso ser
no caos que persiste,
como se eu mesmo fosse
o enigma que busco resolver.

⁠viver é sorrir e se permitir sentir,

⁠Por isso não vai para frente 
Só desfila sete de setembro
Mas caminha inconsequente 

Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram sucata. A poesia, nunca.

Mario Quintana
De uma entrevista para o boletim do IBNA. In: A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
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A poesia é irredutível.

Mario Quintana
A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

⁠"Não tenho nada,
e com esse nada que vim, 
um dia espero com nada partir,
deixando contudo a certeza de jamais ter feito nada,
senão com amor,
dedicação e o valor,
de dar-se de si,
sem nada pedir."

⁠"O tempo,
o silêncio,
e a memória,
enquanto nos curam,
nossa alma chora."

⁠PINTANDO A POESIA

Pintei a minha poesia de afogueado
Em pinceladas fortes de uma paixão
Matizado com o rubente do coração
Pra primar o sentimento apaixonado
É a tonalidade trazida duma emoção
Aquela tingida do olhar enamorado
E em cada verso o doce tom firmado
Colorido, avivado, cheio de sensação

Pigmentei o soneto, com sensível cor
Pintalgam versos, em graduado amor
Pra, a quem cá os lê, apreciem tanto!
Qual este versar tem, o arrebatamento
Variegando de beleza a cada momento
Dando o colorido, lirismo e o encanto...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28 setembro, 2022, 14’23” – Araguari, MG

⁠Afoga(não)mento
Afoga.
Estou-me a afogar,
No mar, de pensamentos
De conhecimentos aos quais
Nada percebo, e pouco entendo .
Não mento.
Não mento quando digo não,
Não saber o pouco que sei
E precisar, de pensar
até me aborrecer. Aí sim,
Sem ninguém perceber
A dor interior irá desaparecer
E aí sim, afoga.