Tag pesadelo
#O #VOO DA #MARIPOSA
Ardendo por arder em viva chama...
Sinto, suspiro, choro, colho o pranto...
De inocente olhar, puro e perverso...
Envolto em mistério nevoento…
A mariposa
Soberba...
Confiada...
Bela...
Subiu ao sol...
Cobriu o dia...
Em revoada...
Invadiu a vila...
Sendo desfeita e castigada...
Pela inveja fera de gente má e malograda...
E a multidão dissimulada...
Vivendo tal qual serpente enrolada...
Não lhe deu trégua...
Vomitou ódio pela bocarra...
Tentou compreender a angustiante desgraça...
De ser bela e tão odiada...
Não conseguiu...
E sem entender partiu...
Por mais que eu mesmo conhecesse o dano...
Também ocultei-me em meu abandono...
Foi tudo uma surpresa... Tudo de repente...
Toda a minha alma naquele momento indiferente…
Hoje...
Diante alucinações de um vinho triste…
Pesadelo hediondo me assombra...
Em tê-la visto perder-se na estrada...
A manhã nasce em muitas janelas...
Quem sabe...
Um dia...
Eu tenha o perdão dela...
Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Ecos de uma guerra sem fim
Os mortos sabem o que os vivos insistem em negar: a guerra nunca termina. Ela se esconde nos becos e nas esquinas, na miséria que grita silenciosa e nos olhares vazios de quem perdeu tudo, menos o desespero. A farda que um dia vesti carregava o peso de um mundo que sangra, mesmo quando teima em se cobrir com um véu de paz ilusória. Cada dia de patrulha era uma batalha travada não apenas contra homens armados, mas contra as sombras que habitam o coração da sociedade.
Quem segura um fuzil aprende que a verdadeira guerra não está apenas nos disparos ou nas trincheiras; ela está nos ecos que esses sons deixam na alma. O som seco do gatilho não se cala. Ele reverbera nas noites de insônia, nos pesadelos que queimam a mente e nas lembranças que jamais se apagam. Deixar o front não é suficiente para calar esses ruídos. Uma década já se passou desde que me reformei, mas ainda carrego comigo os rostos dos que ficaram para trás e as histórias que nunca serão contadas.
Apenas os mortos encontram o fim da guerra, pois para os vivos, ela continua de formas diferentes. Cada dia longe do campo de batalha é uma nova luta contra os fantasmas que o dever deixou. Esses espectros habitam o silêncio, a solidão, a memória. A farda pode ter sido guardada, mas o espírito do guerreiro não descansa. Ele permanece, marcado pelas cicatrizes invisíveis de uma guerra que não se apaga, mas se transforma em um fardo que poucos conseguem compreender.
A paz, para quem já viveu a guerra, é um sonho distante, quase impossível. Ainda assim, é o que nos move, mesmo sabendo que ela talvez nunca se concretize. A ilusão de que a guerra tem fim é o que mantém muitos vivos. Mas eu sei, como sabem todos que enfrentaram o abismo, que a verdadeira batalha não se encerra no cessar-fogo. Ela continua, para sempre, nos corações daqueles que sobreviveram.
A maldade sempre está a espreita de que a bondade adormeça para transformar seu sonho em um perigoso pesadelo
A maldade é a eterna vigilante do sono da bondade, transformando sonho em pesadelo e luz em escuridão
Seria um sonho a consciência despertar de um grande pesadelo, mesmo sabendo que a realidade tem pressa e que a vida recusa falhas
Só poderemos despertar para a vida quando acordarmos da falsa realidade do pesadelo que tanto nos atormenta
A ficção e sua irrealidade confundem-se com a vida real e sua surrealidade. No que há de mais comum e brutal, ambas não se diferenciam tanto — ao contrário, completam-se de forma absurdamente íntima.
A humanidade como tal, é a realização do maior sonho de Deus
Mas o mundo em que vivemos, tal como o conhecemos...
Tornou-se num pesadelo. Justamente o que Deus mais temia
O pesadelo nem sempre é o oposto dos nossos sonhos...
Por vezes é a continuação dos nossos sonhos mais lindos
