Tag pernas
Linda, leve e doce
Cabelos soltos, seios que adornam
um lindo corpo.
Pernas delineadas que encantam,pés
pequenos, retrato de uma doce mulher,
que o pensamento sonha.
Mas é real, meiga, jeito tímido,um encanto
no olhar.
Boca de contorno suave, lábios risonhos.
Que vontade de vê-los falar, e depois bem
de leve os beijar.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Os corredores dos hospitais públicos continuam aplicando seus
“ótimos” tratamentos de habilitação de Pernas-fracas.
Se existe uma vantagem em ser cadeirante? não sei, mais sei que perdi a sensibilidade das pernas, mais aumentei a do coração.
Desde sempre fui muito atrapalhada. Sabe, era uma criança que toda hora caia no chão, raspava o joelho na parede áspera, batia a testa na porta, cortava a perna na quina da escada, enfim, vivia sempre machucada.
Tudo bem, criança é assim mesmo, precisa de toda essa adrenalina pra crescer. Só que além de ser travessa, eu era (ainda sou) teimosa. Ah, quantas vezes minha mãe falou: “menina não cutuca essa ferida, vai ficar marcado”, “para de arrancar as casquinhas”.
O problema era que eu não escutava a minha mãe e, confesso, adorava puxar a proteção que o meu organismo produzia para tapar a ferida. Eu ficava admirada e vivia me perguntando, como aquilo era possível.
O tempo foi passando (eu ainda continuei caindo), só que eu já não cutucava mais as casquinhas. Aquilo que a minha mãe dizia começou a fazer sentindo. Passei a ter vergonha das minhas pernas, pois estavam todas manchadas.
Uma vez fui para a escola de bermuda. As outras crianças começaram a zombar de mim. Lembro-me de escutar “Ah que pernas finas e perebentas”. Depois disso não usei mais vestidos, bermudas e condenei as saias. Só deixava as pernas respirarem dentro de casa.
Por conta deste aprisionamento poupei meus cambitos das tardes de sol. O resultado são duas pernas brancas.
Comecei a perceber que com o tempo, as cicatrizes que eu carregava nos braços foram desaparecendo por conta do sol, mesmo assim, não libertei os membros inferiores do corpo humano. Eu ainda tinha vergonha e continuava a preferir as calças.
Dias atrás eu refleti. Essas marcas são lembranças do que eu vivi, não são motivos para eu me envergonhar. Muitas delas vieram a partir das buscas de aventuras no quintal, outras foram produtos de coisas ruins, mas que eu superei e cicatrizaram. Enquanto eu não deixá-las “livres”, elas continuarão ali. Não que eu queira esquecer, mas tenho que começar a me alforriar deste trauma.
Sábado passado usei uma bermuda pela “primeira vez” depois de muito tempo, na frente de pessoas que não eram meus familiares. E sabe qual foi à sensação? De ter saído de uma masmorra, onde eu mesma me acorrentava.
As únicas loiras inteligentes que eu conheci foram as que me mantiveram perto do coração e longe das suas pernas.
Harmonia
Muitas coisas a dizer e nem sei por onde começar;
sentimentos confusos e muitas vezes o pânico a dominar,
quando o vento gira e a escuridão começa a aparecer;
repentino anjo da morte vem a cavalgar.
Nuvens, areia, sol e calor, turbulência começa causando suave tremor.
Viva a vida vorazmente esqueça o futuro está no presente.
Se o universo todo está a conspirar o ciclo da vida começa a girar,
terra fogo água e ar todos os elementos são para combinar.
Estupido e ríspido muitas vezes o destino começa a brilhar,
onde está você furta-cor que vai para lá e para cá,
você não tem paradeiro nem cela nem lugar pra ficar,
ouça a voz da solidão sente comigo e aprenda a lição:
Se duas mãos você tem e duas pernas também,
agradeça, sacuda e tente nova versão.
Ter coragem tem a ver com ser forte. E se for forte, bem... a força surge quando alguém é amado, não acha? Se você sabe que é amado, então isso é tudo de que precisa. O amor lhe dá pernas de aço.
Sejamos como os pássaros. Primeiro aprendem caminhar com as próprias pernas. Depois aprendem voar com as próprias asas e cada vez mais alto.
“Quando você corre numa planície, a mente o domina; Quando você sobe uma montanha, as pernas o dominam. Mas quando você desce uma ladeira, seu controle está na própria sorte.”
É que quando eu te vejo não tem jeito. O coração acelera, a mente dispara, as pernas tremem e o meu olhar fica entre os teus olhos e o teu sorriso. É uma confusão de sentimentos que até que eu consiga entender você já passou e com certeza também não entendeu nada.
Você vem falar comigo e o coração já fica na defensiva prevendo o perigo e mandando sinal de alerta. Com um frio na barriga, o meu tom de voz me denuncia.
É que te ver passar me faz lembrar como é bom te fazer ficar, e a vontade é que você fique, mesmo com as minhas loucuras, mesmo eu tentando te proteger de quem me causa insegurança... E mesmo que você reclame, a gente sempre tem isso né? É cuidado, é medo de perder, é reação a tudo de bom que você me causa.
Não tem isso de não confiar no taco, tem aquilo de saber o quanto você me faz bem e querer só pra mim. E o tanto que eu te quero fica estampado toda vez que te tenho perto.
Chegue aqui pra ficar, pra somar, vem aqui pra dividir tudo de bom que há de existir, em você e em mim.
"Por que eu andaria com as minhas próprias pernas se tenho as pernas dos outros pra andar?"
Assim pensa o aleijado emocionalmente.
Ruim é quando os outros resolvem levar suas pernas embora...
A mentira tem muitas faces, pernas curtas, mas enormes asas. Por isso, ela tem dado suas caras por todo lugar até o dia em que a espada da justiça lhe corte as asas e a desmascare.
Rodoanel do coração
Translucida memória,
fotografia do tempo...
Apagada na história,
Do meu pensamento...
O passado é uma lanterna...
Que ilumina o meu caminho,
O presente me da pernas...
E eu não caminho sozinho.
Passa tempo, passa vento...
E o mundo a girar.
Na esquina do futuro...
Ainda hei de te encontrar.
Na próxima vez que eu partir, me ame.
Mas me ame com o olhar,
e com um abraço terno e caloroso,
daqueles que fazem a gente desejar viver ali.
Na próxima vez que eu partir, me ame.
Me ame com tua alma,
e faça com que ela invada todo o meu ser.
Me ame com doçura.
Me beije com os lábios já cheios de saudade,
e afague meus cabelos
como quem quer, na verdade, puxar-me para si
e não me deixar partir de modo algum.
Na próxima vez que eu partir,
me agarre, simplesmente,
me prenda entre tuas coxas o tempo que for possível,
e me deleite dentro de ti.
Deste modo, da próxima vez que você me amar
eu é que já não poderei partir.
:::: Augusto Branco
Sessão coruja.
Livro de cabeceira+insomnia.
Um travesseiro entre as pernas que não é você.
Navego passados
e lembranças
Os covardes e os sobreviventes são os únicos que numa situação de perigo se surpreendem com as próprias pernas.
