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DERRETENDO
Não há o que escrever no fim da noite
Todas as ideias estão sob açoite
E nem mesmo com a chuva a cair
Não irá irrigar um novo sentir
Então por isso há que ser muito breve
Urso polar tão branco quanto a neve
E na escura geleira da consciência
Brecha de luz aquecendo transparência!
Encontro um pouco de paz
na chuva,
no nevoeiro que esconde
brevemente os problemas,
na luz que se refaz
durante uma madrugada
acolhedora e serena,
nos raios de sol
que avivam e aquecem
como um gesto de amor
e na neve que se destaca,
mas com o tempo derrete,
sua frieza é temporária
mostrando com simplicidade
que a tristeza é efêmera
e persistente a felicidade.
Lindas flores,
brancas como a neve,
damas da noite
com uma presença que enriquece,
que deixa o ânimo mais forte
pois ainda que seja algo breve,
pra mente, é um necessário suporte.
Flocos de neve, linda expressão do inverno, caindo suavemente sob uma natureza charmosa, charme de um verão intenso, boca primorosa, avermelhada, cabelos encaracolados, calor amável que se destaca ainda mais na frieza, um terno atrevimento, beleza inegável, fascínio que esquenta, espírito que entusiasma à semelhança do fervor de beijos sedentos, fogosidade que alcança a alma, assim, o frio passar a ser coadjuvante, o qual contribui bastante para enaltecer esta mulher calorosa tão significante.
Cena empolgante de quando a rotina pôde descansar e assim, a felicidade entrou em cena, correndo livre, animada, deixando pegadas na neve e marcas nas memórias, sorrisos felizes, reluzentes, simplicidade por toda parte, o vislumbre alegre da infância, algumas páginas lúdicas da realidade, aventura cativante, um bom ânimo partilhado, daqueles que ofuscam as adversidades através de um amor demasiado, os detalhes foram tão calorosos, que nem o frio foi um obstáculo, a propósito, muito pelo contrário, um personagem entusiasmante neste lindo cenário nevado.
Inverno encantador em um cenário gracioso no mês de dezembro, um lugar que enaltece o amor, feito de muito capricho em todas as partes, um exímio afago aos olhos que está à céu aberto, talvez, tirado das páginas de algum livro ou um reflexo de uma inspiração, alguns flocos de neve caindo, enfeitando ruas e prédios, luzes douradas, iluminando vivamente pontos específicos, um ar romântico que afasta prontamente o frio ao deixar o coração aquecido, um ar bastante acolhedor, sonho explícito, muito propício para amar e fazer cada momento se tornar inesquecível.
Preço caro
Na neve densa a raposa branca é invisível,
A audácia assombra aqueles que desafiam a confiança de um sentimento criado em versos vazios,
Intenso e dramático é o motivo pelo qual caço, mas entre os pinheiros e a neve percebo que estou sendo vigiado,
Marcas de pegadas são vistas, o cheiro da carne é sentida, tão próximos e tão invisíveis nessa camuflada aventura que atiça e enfeitiça,
Maduros são os desejos desse encontro provocados por aquilo que nos motiva,
Um tiro é dado a corrida em disparada acontece, a sedução é excitante, a perseguição é um atrevimento sem pudor,
Minha sanidade foi testada, agora o preço é caro a se pagar.
FADA PLUMINHA
Por onde anda seu marido?
Já não tinha mais o que ver
Caminhou por uma linda estrada
partiu, cessou de viver
O homem, foi honrado
quando em vida, sempre humilde
Sua esposa não deixou só
a bruxa, viúva, Matilde
Era mãe de duas filhas
amor pra uma, pra outra nada
Assim vivia a filha Clotilde
e Florença, a enteada
Pra Florença, só trabalho
apesar de seu esforço
Pra legítima, preguiçosa
deseja um belo moço
A beira de um fonte
Florença sempre ia fiar
Após um súbito cansaço
na água o fuso foi parar
E agora, o que eu faço?
Pensou Florença assustada
Se eu volto sem o fuso
Matilde fica revoltada!
Se esforçou para pegar
mas na fonte ela caiu
Muita água, pouco ar
desmaiou de tanto frio
Em um jardim maravilhoso
a jovem moça despertou
Vou fazer um ramalhete
a primeira coisa que pensou
Ao andar pelo jardim
escutou com atenção
A voz vinha de um forno
quem falava era o pão
- Florença, me tire daqui e me coma
será uma satisfação!
- Se demorar mais um minuto
virarei um pobre carvão
A menina agiu rápido
comeu o pão, não deu bobeira
Eis que surge uma outra voz
dessa vez, a macieira
- Colha aqui minhas maçãs
sei que devo merecer
- Estão maduras e pesam muito
não prestarão se apodrecer
Sem se quer pestanejar
atendeu e nada mais
Colheu todas e comeu algumas
dividiu com os animais
Continuou a caminhar
e encontrou uma velhinha
Se tratava de uma fada
a velha, fada Pluminha
A fada sacudia os travesseiros
e caia neve de verdade
Mas a força pra sacudir
se perdia com a idade
Vendo o esforço da senhora
se ofereceu pra ajudar
E na casa da velha fada
por um período foi ficar
O tempo foi passando
Florença não precisava mais de explicação
Fazia todos os afazeres
no sorriso, satisfação
Abriu os travesseiros na janela
e na chegada do inverno profundo
Sacudiu os travesseiros
e fez nevar em todo o mundo
Veio então a primavera
mas era chagada a hora
Com a benção da velha fada
se aprontou e foi embora
- Espere minha querida
sei que parece clichê
-Eu achei isso no lago
acho que pertence a você
Agradecida pegou seu fuso
e voltou sem acreditar
Mas no meio do caminho
seu vestido sentiu pesar
Olhando para suas vestes
se deparou com um tesouro
Viu os trapos que vestia
se transformar em puro ouro
Chegando em sua casa
contou o que aconteceu
Sua irmã e sua madrasta
do coração quase morreu
Se o que dizes é verdade
também posso conseguir
E os passos da meia-irmã
Clotilde decidiu seguir
Foi na fonte, jogou o fuso
fingiu até se afogar
Acordou em um jardim
soube que era o lugar
Viu o pão pedir ajuda
deixou que virasse carvão
Disse a pobre macieira
- Seus frutos apodrecerão!
Entrou na casa da velha fada
mas nunca quis ajudar
E nesse ano o inverno
nem se quer ousou nevar
É chegada a primavera
a moça decidiu partir
Vou ganhar o meu vestido
pela porta vou sair
No caminho olhou pra roupa
estava da cor do azeviche
E pela sua ingratidão
recebeu todo aquele piche
Antes que Clotilde voltasse
com seu vestido divino
Florença saiu de casa
era dona do seu destino
