Tag morte
Mãezinha, eu não estava lá para cobrir o seu corpo, e tenho apenas palavras – palavras de uma língua que você não entendia – para realizar aquilo que você me pediu. E estou sozinha com minhas pobres palavras e com minhas frases, na página do caderno, tecendo e retecendo a mortalha do seu corpo ausente.
A luta é grande,
O inimigo, forte.
Para vencer a morte
Há que se sobrepor ao temor,
Não ter medo de ninguém,
Seja quem for.
De todas as máquinas inventadas pelo homem nenhuma é capaz de tirar tantas vidas de maneira tão natural quanto o automóvel.
Só mais um grito
Ela grita por socorro
Para teu olhar eu corro,
Mas como não tenho,
Aos cortes recorro,
Nessa dor eu morro.
Junto dessa dor,
Sentimento esclarecedor,
Tudo que sente é tristeza
Incerteza.
A morte chegando,
Seu coração não mais palpitando.
Naquela dor, novamente calvagando.
Dores não citadas,
Poesias não pautadas,
Guardo essa dor que a mim foi dada.
Só mais um grito por socorro
Como eu disse, aos cortes recorro,
Nos braços da vida eu escorro.
Um ótimo dia para morrer...
A morte lhe sorriu.
Quando chegar o seu dia...
Não alterará se estiver um dia lindo ou chovendo pedras.
Não mudará se você tem cem amigos ou dois, isso só altera a quantidade de pessoas no seu velório.
Não será notado se você era bonito ou feio.
Não terá privilégios se era rico ou pobre.
Não há diferença se você era casado ou não.
Não te credência se você escreveu trinta livros ou só uns bilhetes.
Não importará a religião que você idolatrou a vida inteira.
Não valerá nada se seu time é da primeira divisão ou da quarta.
Não mudará nada se você é doutor e PhD ou um analfabeto.
Não servirá em nada se você deu a volta ao mundo ou só conheceu a sua cidade.
Não haverá questionamento se você gostava de rock ou sertanejo.
Não alterará se você amou uma ou cem mulheres.
Não modificara sua sorte se em sua vida era um exaustivo trabalhador ou um vadio.
Não será suas obras caridosas que te salvarão
Não será o glamour que te deixara imortal.
A única coisa que poderá mudar é se você teve uma real intimidade com Deus sem religisodade durante sua caminhada, e se Ele, pela sua misericórdia o salvará.
Senão será apenas você e os vermes junto no caixão. E adeus!
A vida da morte
Não é apenas decomposição, não é a entrada no caixão, é mais relevante, é a vida dilacerante, a morte ganha vida no corpo em movimento, é mais ou menos quando acaba o gás, é o prazer de satanás, habitação do cansaço, do desgosto, do descontentamento, da falta de prazer no pensamento, quando os sinais chamam a lutar, mas a cada dia nada transformar, sabe gente, quando a vida é tribulada, toda oportunidade ceifado, esse exato instante, o pranto alarmante, que escorre em meus dedos, revelo meus segredos e dou libertação a vida, para não ficar comovida, se está escrito nesse porte, se preferes ser réu, da vida a morte, esse diálogo magoa, não estou querendo ser coitadinho, mas o diabo vive coladinho, o que esse bicho viu em mim, desde criança perseguindo, ferindo, que arrepio, já rezei, orei, clamei, jejuei, porém o inimigo atravessa, não deixa alcançar promessa, por mais que o espante e tanjo, não consigo ver meu anjo e entrego minha sorte, vejo em mim a vida da morte.
Giovane Silva Santos
O DEPOIS
Sobre a tela da vida passo o pincel, pintando o que não terei, perdendo um pouco de mim a cada pincelada;
Ninguém é preparado para morrer, mas sabemos que é loucura não esperar que um dia a pele ficara gelada;
Porque a vida se esvaia, perdemos o nosso ser e ainda como loucos temos esperança de para sempre viver;
Tentando se enganar para fugir da foice, um dia vamos ser levados e “o depois” nós logo vamos conhecer;
Quem sabe como vai ser? Eu digo que é melhor não saber, pois fugir só nos levará a uma tragédia maior;
Colhendo os frutos da vida secamos a nossa fonte, é necessário se alimentar, mas regue ela com o amor;
Então viva como se fosse se último dia, se de felicidade puder transbordar é melhor preparar o seu cálice;
Não vale a pena guardar mágoa, mesmo que não exista céu manchar seu legado com ódio só atrai a foice;
Não adianta limpar o corpo se a morte embaça a vida, Maquiando para disfarçar o horror de nosso mundo;
O Câncer real ninguém explica, a droga do ódio vícia tanto e é passada pelas gerações fadadas ao submundo;
O chão sujo de sangue é a maior prova da fragilidade humana, nos achamos maiores do que podemos ser;
Mas abrace o seu próximo como um símbolo de paz, quem plantar o amor a felicidade um dia ira colher;
A vida é mais do que um destino, construímos nossa própria história, fazemos as nossas próprias leis;
Reencarnar para corrigir nossos erros não funciona, se praticarmos o mal receberemos tempos difíceis;
Querer encontrar o sentido da vida é andar em círculos, se a vida são flores quero ela em meu jardim;
Esperando encontrar algo na caminhada, não sabemos o que é, mas queremos ficar maravilhados no fim.
Se Você Ama Aqueles Que Por Deus Foram Gerados,Então Verdadeiramente Você Está Na Vida e Na Luz,e Não Precisa De Profecia Para Saber Que Passou Da Morte Para a Vida,Aquele Que Não Ama Continua Morto,Muitas Pessoas Consegue o Mais Difícil Que é Amar a Deus Que Ele Não Vê,e Não Ama Uma Pessoa Que Ele Vê,Quem Faz o Mais Difícil,Certamente Irá Fazer o Mais Fácil,Senão Ele Não Passa De Um Mentiroso.
O pensar é um verdadeiro algoz à saúde mental que, mais cedo ou mais tarde, desembocará suas dores no físico e na cova.
Este pode ser teu último ano de vida, teu último mês de vida, tua última semana de vida, teu último dia de vida, tua última hora de vida, tua última refeição da vida, teu último suspiro de vida. Então, está pronto para partir em paz?
SONETO EM REVERENCIA
Evocar o tempo, e nesta saudade em rudez
as lembranças são qual suspiros de tua ida
o silêncio invasor na casa após a tua partida
pra morte, igual, desfolho outonal em palidez
Fatal e transitório, a nossa viveza é vencida
pelo sopro funesto, ao sentimento a viuvez
Julho, agosto, setembro, vai-se mês a mês
ano a ano e outro ano a recordação parida
Da saudade filial, que dói numa dor doída
de renovação amarga e de vil insipidez
que renasce na gelada ausência sofrida
No continuar, o vazio, traz pra alma nudez
chorada na recordação jamais esquecida...
Neste soneto solene: - sua bênção outra vez!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
13 de julho, 2016
Cerrado goiano
morte de meu pai
Naquela madrugada, o seu silêncio escreveu saudades e com ele sua morte trazia...
Acordaste do sonho da vida, e tuas lembranças, nos acolhia.
copyright © Todos os direitos reservados.
Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol
ÚLTIMA VEZ (soneto)
Tal dia, marcado, será derradeiro
Sem eco, sem contenda, e paz
Tão segredado, de saber ineficaz
Que bom é se manter cavalheiro
E neste exato momento, fugaz
Que o é, no silêncio de mosteiro
Apagarás da vivência tal letreiro
E o já, egresso, não suspeitarás
Um dia, o gesto será só roteiro
Instantes do palco, por detrás
E na pena a tinta sem o tinteiro
Última vez, suspirada cor lilás
Desfeito e desnudado useiro
Nada mais terá regresso, jaz!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
Morte
O final da sua existência
Será lembrada ou esquecida
Se o que fez tem relevância
Pela humanidade conhecida
O que dá sentido a vida
É o fim e sua partida
Se adiquiriu deixe pra trás
Quando morrer não vale mais
O seu legado ficará
Se a vida dedicar
A outro ensinar
O que você não irá levar
O conhecimento que tiver
Compartilhe se puder
Seu nome lembrarão
Não terá vivido em vão
Na história só os grandes
De conquistas importantes
Que deixaram influência
Necessária a existência
Roney
Por que nas latas de cerveja não tem fotos de tragédias fatais, de famílias destruídas, de mães em prantos e de gente falsa rindo?
