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A vida é uma fatalidade. Apesar de morrermos uma única vez e vivermos todos os dias, é bem mais provável a morte do que a vida.
Nos matamos, um pouco
todos os dias
em doses conta-gotas tardias
de suicídios não violentos
São vidas expostas ao tormento.
Desperdiçados os ímpetos e talentos
Morrer um pouco, para que
vivamos como loucos.
Quando deixamos de ser...
Passamos a ver, compreender
E perdemos a nossa essência
Igual aos que vivem de aparência.
Quando silenciamos nossas verdades
Deslocados da Realidade.
Ou quando os vícios tão vívidos,
tão pobres quanto os ídolos.
Apuro aos tormentos
Se sua alma é vazia
Recheada de trevas e poesia,
No relento, presos na própria mente
como detentos.
Morremos e padecemos.
Nós morremos muitas vezes durante a vida. Morremos ao perder um parente próximo ou algo de extremo valor. Morremos ao nos decepcionarmos, ao sermos traídos, desvalorizados, esquecidos, trocados. Mas essa morte é a morte do nosso interior, a morte dos sentimentos. Com certeza é uma morte pior do que a morte biológica propriamente dita. São mortes que apresentam fins antagônicos, ao mesmo tempo em que a morte biológica é a libertação, a morte do interior é o aprisionamento, o fechamento de si mesmo. Onde a tristeza e o sofrimento parecem ser infinitos, o tempo começa a passar mais devagar, a esperança deixa de existir. Por mais que pareça contraditório, um vazio enorme passa a preencher nosso interior, é um sofrimento que aparenta não ter fim. Apesar de tudo, existem duas consequências: ou você superará esquecendo, seguindo em frente, ou a frieza passará a fazer parte de você. No primeiro caso, isso servirá de fortalecimento para você mesmo, nada como a vida não consiga ensinar. Mas no segundo caso, poderá tirar o sossego das pessoas que te amam, e até magoá-las sem que seja a real intenção. O que todos queremos, é ver as pessoas que amamos felizes. Quando alguém que amamos torna-se frio, seja lá por qualquer motivo, isso nos atinge de alguma forma. Tudo que passamos durante a vida serve como aprendizado, são provas que desde nosso nascimento estávamos suscetíveis a enfrentar. Não há nada que o tempo não cure, às vezes inicialmente podemos discordar dessa ideia, mas posteriormente veremos que tudo não passou de um mero fortalecimento para nós mesmos. Qualquer exagero de otimismo, pessimismo ou realismo, fará com que fiquemos presos a um falso pensamento. Otimismo demais nos leva a uma fantasia, onde qualquer coisa muito ruim nos tornará pessimistas. Pessimismo demais nos leva a uma visão decadente, onde qualquer coisa muito boa nos tornará otimistas. Já o realismo, podemos dizer que nos leva a uma visão parcial de otimismo e pessimismo juntamente. Portanto, devemos prezar por doses moderadas de realismo, jamais exageradas. Qualquer exagero de uma dessas escolhas nos resultará no fracasso e no aprisionamento mental. Contra nossa vontade, os sofrimentos no nosso interior são pesadelos que vivemos enquanto acordados, e são mortes que sentimos enquanto vivos.
Sim, é do amor que vivemos. Porém, é do amor que também morremos. Sobreviver não faz parte dos que amam.
Morrer é nascer ao contrário.
É ir mesmo pensando que vai ficar.
Encontrar o desconhecido,
É deixar tudo para trás, nunca voltar para o lugar que se sentia amparado e amado.
Temos menos tempo a cada hora, minutos, segundos; a cada respiração e a cada batida do nosso coração.
Essa vida sólida é rápida e passageira.
Já passei daquela fase de esperar o fim do dia, o fim de semana, o fim do mês ou o final do ano...
Quero viver o AGORA!
Que o dia tenha 96 horas ou mais;
Que a semana tenha 28 dias;
Que o mês tenha 120 dias, e que o ano leve uma década para chegar ao fim... alias, não quero mais ver o FIM de nada!
Porque no fim morremos todos.
Rotina. Assim vivemos e morremos, dia após dia, percorrendo os mesmos caminhos, tornando nossas carreiras desestimulantes, nossos relacionamentos insípidos. Desencanto, alienação e desespero. O prazer e a alegria são raros. E voláteis. Somos completamente infelizes em nossa infelicidade e brevemente felizes em nossa felicidade. Estamos sempre aguardando o dia seguinte, quando tudo o que era para ter sido e que não foi supostamente acontecerá.
Já que vamos morrer, não tem jeito, que tal pensar nela, a morte todos os dias, morrendo em cada um de nós alguma coisa que nos torna prisioneiro e débil.
... e ai quando essa morte fatídica do corpo chegar, estaremos mais leves de consciência e alma... não ficaremos mentalmente barganhando com o Divino um céu nem, amargurando precocemente um inferno.
Nos morremos por que
nos entristecemos
por que perdemos potencia
por que nos relacionamos
por quenos afetamos
e o todo não se relaciona com nada
logo não morre, o que morre são as partes
e nós que somos partes de deus.
morremos em nome dele.
Amizade e como um ônibus sem ponto final, nos somos o motorista e o cobrado pessoas vão entrar e sair dele e essa viagem só termina no dia que morremos.
