Tag métrica
A fita métrica do amor
Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.
( _____)
Gostas de ler poesia?
Jabberwocky, uma quadrilha?
Entre loucos, uma menina
Num país de maravilhas
Papel e um tanto de tinta
Aquecem uma noite fria
Enchem a taça vazia
Pra solidão, há companhia
Uma igreja é minha vizinha
O pastor canta, prega, grita
Demônios que ele exorciza
É nisso que o povo acredita
(Deus é surdo: gritaria
Invadiu o que escrevia)
Musa que os versos inspira
Não te desapontes ainda
Teu nome com tudo combina
Jóia preciosa? Safira
Sou aquele metido a artista
Mas que não tem medo, arrisca
Que apostaria suas fichas
Quer outra pedra? Ametista
Rubro, fogo que ilumina
Perfeito, Perfeccionista
Vinho pra taça vazia
Chama a esquentar noites frias
Se estas distraída, uma dica
Na Sílaba, a vogal é a rima
Que é a espinha dorsal: poesia
Estás em todas as linhas
O verso abre uma caixinha( _____)
Um nome que não é “Maria”, (é _____)
Ajudo em te chamar de amiga? ( _____)
És tu quem terminas( _____)( _____)
Para funcionar: tem q ser ruiva, ter lido Alice, e o seu nome tem de ser algo como /aía/ Maria, Larissa, Camila, Lavínia, Regina, Letícia, etc. E também tem de prestar atenção na conjugação verbal...
“Você” rima com todas as linhas: Patrícia, Marina ou Melissa.
Não dar pra ser só proza.
Eu sei ser poesia.
Sou a métrica rica, decassílaba de Castro Alves
Sou também o fogo ardente de Camões.
Sou um soneto, maltrapilho, vestido de sensações
A ciência é uma métrica lógica, para alguns... É algo exato para outros, ainda assim, é algo humanamente patético para os conscientes...
Fita métrica desenrolada; fita métrica compulsiva, nada foge do seu olhar-- é medir, aumentar, reduzir, descartar!
Fita métrica que almeja dilapidar os sonhos; e os descarta, se não se enquadram na realidade perversa e discriminatória.
Fita métrica que quer medir o corpo sem conseguir sondar a alma; ousando catalogar sentimentos nos moldes contidos nas inúmeras revistas descartáveis e bem mundanas.
Deus não nos mede com uma fita métrica; o Seu olhar benigno e amoroso jamais avalia uma pessoa pelo seu aspecto exterior; Ele nunca nos julga através desse foco insano, preconceituoso e devastador!
O amor não cabe numa fita métrica; ele é de imensurável alcance, não rebaixa, nem reduz, não exclui, nem rejeita, não comprime, nem descarta; e nunca cabe numa estreita ótica recheada de carnalidade que visa denegrir outro ser-- a imagem e semelhança de Cristo.
Hoje queria ouvir o mar Pensar longe, no horizonte do lar Sentir aquele vento que refresca a brisa Onda que deságua na areia lisa Uma atrás de outra no mesmo som Um movimento simétrico tom a tom Despertar um amor de longe Uma fé inabalável de monge Caminhar sem certo destino Um desapego da época de menino Morar numa casa na praia Pode ser Meirelles , Calhau ou Atalaia A vida em puro respiro A métrica por um suspiro A rima rica por ousadia Um poema contando cada dia!
Em relação à poesia, a única coisa que discordo, é medi-la, pois o sentimento diz que ela é livre; a criatividade, que ela sempre será rica e o autor, que seus versos jamais devem ser contados, já que são escritos com a alma.
Dos cordéis cito elementos
Tidos como essenciais
Todos tão fundamentais
Que elevam meus argumentos
Autentico ensinamentos
Cito a métrica fiel
A rima com seu papel
E a oração feito luz
Trilogia que introduz
Este ABC do cordel!
A vida passa por sua própria métrica de tempo, alguns conseguem com louvor escreverem seu nome, no livro da vida mas outros anônimos são só instantes.
MÉTRICA DA PALAVRA
Com que métrica, meço a palavra,
Que na profana finitude acena.
A palavra que não findo ou deslindo,
A espera da promissão do sentir.
Com que sina, exprimo, a palavra que desabitada não cabe.
Que quase de tudo no nada sente.
Com que reluto ou proclamo,
Antes de purgá-la ou expressar vivência.
A palavra que se define ou desdenha,
Que se sonha para fora de sua voz.
E que teima em ficar a espreita,
Em cada ver que verte a palavra existir.
Com que raiar, ilumino a palavra,
Que fibra se tece no esperar,
Pela palavra que aberta se esmera,
Em encontrar ser para recriar.
Carlos Daniel Dojja
