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Incompletude? Eu tenho! Com o mal, com mentiras, com a falta amor. Incompletude? Tenho sim! Com a falta de perdão,com erros. Pois o bem, nunca combinará com o mal. A verdade jamais combinará com mentiras. O certo, o perdoar, jamais combinarão com o errado, com a falta do perdão.
A mentira é fel para a Alma Humana e não permite paz para aquele que a usa como ponte para suas conquistas.
O poeta é refugio...
Que através do versar, toma o teto de vidro como escudo de pedra.
E nas falas discretas, muitas vezes incertas, conta histórias concretas, da abstrata noção.
E a poesia? É razão! Do sentido a vontade...
Mas também é ressalva de perder o milagre.
É fingir a verdade, na mentira que foge.
Quanta gente com mãos aparentemente limpas e unhas em aprumo é incapaz de semear um gesto de bondade? E o que dizer daqueles que, com sapatos de couro nobre, emporcalham palácios com a mentira, a desfaçatez e a corrupção?
Os políticos com visão de Estado e os grupos comprometidos com o desenvolvimento, com a ética, com a erradicação da miséria, mundo afora, lutam como nunca e perdem como sempre. Não se sabe o porquê, os povos têm fascínio pela mentira.
Participar do processo político é enfrentar o poder econômico, o exercício da mentira e a sórdida manipulação da democracia.
Para os demagogos o trabalhador é como uma vírgula nos textos: aparece várias vezes mas por si só nada significa.
Em uma democracia sólida não haveria essa encenação: o candidato visita asilo, beija ancião; finge que come bolo e a equipe divulga imagens na propaganda eleitoral. Espero que um dia esses atos fiquem reduzidos ao teatro da história.
Ele inventava tudo. Inventou que tinha um cachorro, inventou que viajou para o Cazaquistão. Inventou que sua avó era dona de um restaurante em Porto Alegre.
Inventou uma história que não tinha fim...
Inventou uma namorada, inventou um amigo, inventou um dia de sol.
E de tanto inventar, aprendeu a acreditar no que inventava. Até que inventou ser feliz...e foi feliz para sempre...
Negritude
Ouço o eco gemendo,
Os gritos de dor,
Dos navios negreiros.
Ouço o meu irmão,
Agonizando a fala,
Lamentando a carne
Pisada,
Massacrada,
Corrompida.
Sinto a dor humilhante,
Do pudor sequestrado,
Do brio sem arbítrio,
Ao longe atirado,
Morto e engavetado,
Na distância do tempo.
Dói-me a dor do negro,
Nas patas do cavalo,
Dói-me a dor dos cavalos.
Arde-me o sexo ultrajado
Da negra cativa,
Usada no tronco,
Quebrada e inservida,
Sem prazer de sentir,
Sem desejos de vida,
Sem sorrisos de amor,
Sem carícias sentidas,
Nos seus catorze anos de terra.
Dói-me o feto imposto ao negro útero virgem.
Dói-me a falta de registro,
do negro nunca visto
Além das senzalas,
No comer no cocho,
No comer do nada.
Sangra-me o corte na pele,
Em abertas feridas,
De dores doídas,
No estalo da chibata.
Dói-me o nu do negrinho
Indefeso escravozinho,
Sem saber de razões.
Dói-me o olho esbugalhado,
No rosto suado,
No medo cravado,
No peito do menino.
Dói-me tudo e sobre tudo,
O imporque do fato.
Meus pêsames sinceros à mentira
multicolor da princesa Isabel.
Mas contudo,
Além de tudo
E muito mais por tudo,
Restou-me invulnerável,
Um imutável bem:
Ultrajadas as raízes,
Negados os direitos,
Ninguém roubou-me o lacre da pele.
Nenhum senhor. Ninguém!
A MENTIRA
Ai de certas pessoas, se não conhecessem o subterfúgio da mentira para ocultarem as mil e uma faces que o sustenta.
Quando muda o tom de voz, fisionomia facial, os gestos ficam mais evidentes e ela surgirá a qualquer momento, parece até que já é um presságio de que algo criado para aquele momento possa ludibriar a inteligência das pessoas, essa sensação demonstra claramente, que há uma insegurança grandiosa se instalando dentro do que foi dito pela mentira. Fatos conotam que as multi faces ou facetas estão a Beira do Abismo. A mentira, ela fica, ela se torna, aliás, enfraquecida quando não consegue alcançar sua presa, podemos acreditar quando uma mentira dita várias vezes, ela pode até ser interpretada como verdade, mas quando a mentira não consegue prosperar! espere o fracasso evidente, pois o cidadão se torna refém de todo aquele Calabouço Montado em suas interrupções mirabolantes que na verdade são grandes mentiras.
Sousa-Paraíba, 16 de janeiro de 2020
Osnildo Silveira
Às vezes, o que nós enxergarmos nas pessoas é apenas uma projeção do que nós queríamos que elas fossem e não o que, de fato, são. Abrir os olhos e encarar a verdade dói, por isso continuamos usando a mentira como lenitivo pra carência.
Um alicerce construído com mentiras se desfaz no primeiro segundo em que uma das verdades vem a tona.
