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"Você não pode, às vezes, só escutar o som da chuva? Ou até mesmo, o farfalhar do vento? Estar perto de uma paisagem tão bonita e só sentir a luz bater no seu rosto e refletir no resto do mundo? Nas janelas e prédios e nas gotas em superfícies. Como se algo ao redor falasse com você. Como se algo ao redor usasse a oportunidade desses momentos e procurasse memórias. Imagens antigas bem guardadas no fundo da sua alma. Coisas há muito esquecidas. Como se a beleza ao redor te fizesse chegar ao fundo do que te fez o que é, à sua essência. E do nada você tem esses _flashes_... Essas lembranças.
Umas tão boas, tão alegres... E é como se você estivesse ali, de novo, escutando risadas, ou sentindo o sorriso de alguém falando à sua orelha. Como se você voltasse pro sentimento daquele abraço ou o calor de uma bochecha encostando na sua. Como se você sentisse o sol dar cor ao seu rosto e lembrasse da visão da sua face no olho de outra pessoa, durante um período em que ambos verdadeiramente se olhavam e conversavam através desse olhar, sem palavras requeridas dos dois. Ai, esse momentos que nos são dados. Essas estranhas reflexões...
Não que esses segundos, minutos ou horas tragam a você ou a mim apenas esses tipos de recordações. Pois existem outras, não vamos mentir. Tão profundas, de uma tristeza da qual você nem sempre quer lembrar, mas só precisa. De uma raiva... Dessa angústia que faz com que algumas lágrimas caiam de novo pra que a dor seja apagada por mais um tempo e para que ela te ensina a aprender a viver. Dores que são colocadas de lado, pra que possamos seguir em frente. Mas que nunca são esquecidas. Não honestamente. Sempre estarão lá, sempre à distância de uma memória também.
Esses momentos em que o pensamento corre solto como se fosse uma criança em um amplo jardim... Esses espaços de tempo que usamos para recordar... Pra mim valem mais do que mil horas mal gastas. E temos muitas dessas, com certeza.
E há tantos desses ecos do passado que valem a pena ser postos de lado, esquecidos, mesmo que só por um período de tempo. Não acho que nenhum deles, contudo, seja tão ruim para que não queira ter outros desses _instantes reflexivos_ ... Afinal, existem coisas que vale a pena serem esquecidas, mas também, há outras, tão puras e lindas e contentes, que esmagam todas as dolorosas e sem vida. E essas, as primeiras, essas merecem e deveriam ser lembradas todos os dias.
E é com isso que eu noto, e se você não notou, vou esclarecer: A vida, independentemente da morte, das separações, das brigas, das dificuldades, ela é compensada. Com o que é realmente vida. O sorriso que te aquece, o filho que você vê nascer, o abraço daquele seu amigo, as conquistas que você alcança durante toda a luta, a paisagem que você admira, aquele almoço na sua avó, os Eu te amo que você recebe e os que você dá. Toda a beleza compensa a feiura do mundo. E é por isso que deixamos de lado as coisas ruins, deixamos de lado essas lembranças e preferimos apreciar as boas memórias. E, meu querido, enquanto essa luz brilhar... Enquanto ainda há algum sorriso, algum coração a conquistar, mais um irmão pra amar, mais um próximo... Ainda há... A esperança de muitos durante os séculos, de que o amor, perdido e encontrado, desconhecido e ao mesmo tempo, conhecido, de alguma forma, permanecerá."
Pai...Hoje é o dia simbólico de comemorar tal título, o presente seria meu se você estivesse aqui, se ao menos o privilégio de te ver envelhecer não tivesse sido tirado de mim, seria a pessoa mais feliz do bairro, mundo, universo por ter seus cuidados, amor e mais momentos. Isso que restou, ótimas memórias. O ritual começava a noite, me fazia cafuné até eu dormir. Eu: abenção pai. Ele: Deus te abençoe e te dê juízo. No meio-dia noite ele acordava pra beber água e ia no quarto me enrolar já que eu mexia muito, pela manhã me acordava com beijos e cm aquele cheirinho maravilhoso de cuscuz na manteiga, caramba não tinha igual. Organizava minha mochila, meu lanche, minha vida, nem fazia cara feia se eu pedisse para ir no "cangote" :) e eu era a criança mais invejada da cheche por ter um "pai-herói", chegando da escola ele me recebia com uma saudade que as horas longe pareciam dias, no fim da tarde a gente ou passeava na praça tomando sorvete e correndo ou ficava em casa eu em seu colo assistindo meus desenhos. Que falta o senhor faz pai, sabe aquele sorriso que me arrancava? Nunca mais foi o mesmo.
A vida é construída através do tempo, ao qual nos faz viver momentos que jamais iremos esquecer. Por mais que o tempo passe e tudo se vá, nossas memórias são as nossas maiores e mais belas riquezas que levamos conosco, onde guardamos situações e pessoas que estarão sempre presentes, até o fim e além dos nossos dias aqui na terra.
Nascemos com um privilégio de voltar no tempo, através de nossas memórias.
Só hoje, retornei inúmeras vezes para me lembrar do meu maior erro.
21 (ou memórias limitadas)
Hoje eu completo 21 anos. Que maravilha. Vou confessar que nunca me imaginei com 21 antes. Já me imaginei com 70, aposentado, deitado numa cadeira de praia em Bahamas. E também com 30, estabelecido, quem sabe formando família e financiando um apartamento. Mas jamais pensei que chegaria aos 21. Que idade! Não sou tão jovem como quando tinha 20, nem mesmo um brotinho de adulto aprendendo a pagar contas. De repente pulei um degrau e caí no mundo real. Bum. Estou aqui. Tenho 21 anos e sou um adulto. Cem por cento consciente e responsável pela minha própria vida.
Com 17 eu olhava os de 21 e achava-os velhos demais. Pensava: “falta um cem anos até eu chegar aí”. Mas o século passou como um piscar de olhos. Olho ao redor e noto que o imaginar virou realidade. O tempo passou. A criança cresceu. Já não dá pra fingir que sou adolescente. Pela primeira vez eu percebo que cada uma das minhas idades, aniversários, velinhas sopradas e presentes abertos jamais voltarão. São só memórias limitadas (que com o correr dos anos vão se esticando, se rasgando e se perdendo no esquecimento).
Percebo que talvez eu não crie uma memória aos 22. São 365 dias que me separam do meu próximo aniversário. Nesse meio tempo eu posso ser atropelado, esquartejado, me afogar, levar uma bala perdida, ou ser vítima de um desastre natural. Até se o meu corpo falhar, o diagnóstico: “no máximo 3 meses” pode ser dito por um médico. Isso existe, não? Ou as doenças terminais afetam só os idosos? Não sejamos hipócritas.
Fazer 21 significa estar atento às mudanças do mundo. A própria idade é um alerta. É como se o calendário dissesse: “Agora perceba o quanto mudou. Nada jamais se repete” . E assim me dou conta que nenhum apego valeu a pena. Nem as aversões tiveram sentido algum. Pra quê me apeguei tanto a uma ideia, um sonho, ou um relacionamento se tudo acaba um dia? Pra quê me ceguei de ódio por aquela pessoa? Também de nada adiantou eu me frustrar demais pelas derrotas, ou estacionar nas minhas vitórias. As coisas mudaram. E a tal “estabilidade”, na realidade, nunca existiu. É um mito. Tudo nesta vida está em constante transformação.
Percebo agora que não existe um Gean criança, um Gean adulto e um Gean idoso. Somos vários tempos numa só pessoa. Sou o mesmo adolescente envergonhado por cantar em público. Sou a criança sensível que um dia observava as abelhas no jardim. A sensibilidade é a criança que já fui e ainda vive no meu interior. Reconheço outras idades em determinados medos, traumas, sensações, arrependimentos e aprendizados. O antigos eus continuam aqui. Alguns deles até estão mais presentes que outros – esses pode ser que me acompanhem até o definitivo fim.
Só me resta agora sorrir e agradecer. Que bom estar vivo. Que maravilha poder celebrar mais um ano de amizades, descobertas, tristezas, erros, lições, amores e temores. Que alegria entender que não pulamos de fases como num jogo. Mas deslizamos pelas idades feito o correr das águas de um rio. Por vezes mansa, por outras transbordando pelas margens. Enquanto houver água, que haja vida. Já se foram 21 anos da minha. Tempos que desaguaram em belos lagos cintilantes, oceanos profundos e em cachoeiras paradisíacas.
A ingratidão tem duas memórias!
A que se lembra quando você não ajuda
e a que se esquece quando você ajudou!
Tento me encontrar em cada frase que expresso
Tento buscar nas memórias quem eu sou
Tento olhar para trás e ver os caminhos que trilhei
Apesar de não descobrir nada, ainda tento...
Lembro-me de quando era pequeno
De quando tudo era ingênuo
Épocas passadas onde ainda não sabia o peso da angústia
Sem sentir essas dores de ansiar o futuro
Não aguento mais esse fardo de incertezas
Desse sofrimento de viver e não saber quem sou
Sou o homem que vive sem saber viver
Mas vivo querendo não morrer
Em um mundo visto de uma única perspectiva
A mais simples que eu mesmo criei
Parto rumo a qualquer coisa que eu possa crer ser real
Pois de um ponto chega-se a outro, e desse parte de mim!
Apesar de tudo, não encontrei minha doença...
Não conheço a minha cura...
Não consigo dizer nada sobre mim...
Esvaio-me então no que poderia me tornar...
Pois bem!
Contei a todos presentes como os homens são
O quão desamparado e só estão
E digo que não só a mim, todos somos iguais nesse mundo
Como cegos andarilhos sem destino traçado
Como barcos sem vela a navegar no mar aberto
Mas não se assolem! Pois ainda dizem...
Que alguém compreenderá a nossa mente, e poderá nos tirar desse paradigma!
Então respire e relaxe
Sente-se e reflita
Escute sua mente e diga o que te aflige
Pois como eu, te mostrarei como viver no seu próprio mundo...
Tem dias que você é tão eu,
Extensão do meu coração,
Um pedaço de mim,
Da minha história,
Minhas linhas,
Suas palavras,
Nossas memórias.
Seu rosto tem cara de lar,
Calmaria, eu no seu olhar.
É preciso se amar,
se aceitar,
se respeitar,
se valorizar.
Ser inteira,
sem medo,
sem barreiras,
e sem fronteiras.
Se permite sonhar,
desejar,
e realizar.
Se eternizar nas suas memórias.
Guardar o melhor que existe em você.
Se permitir ser apenas você...
Nosso tempo hoje acabou
Não temos mais o tempo que passou
Mas temos momentos...
Congelados em flashs secretos ;
Efêmeros e fugazes instantes .
Temos a falsa sensação de controle
Que insiste em nos controlar
E ficamos perdendo “o tempo”
Quantificando segundos de infinito
Captando a essência , o que tem de mais bonito
Para o tempo eternizar
E msm q ele passe, e vai passar
As sensações nem mesmo
o tempo pode apagar
Porque estão tatuadas
Em negros grifos
Em arrepios, sussurros e gemidos
Em memórias além do tempo
Num lugar onde nada eh finito.
