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Através da leitura a pessoa adquire conhecimento, consciência de deveres políticos e sociais, pode ser influenciada e influenciar, ou seja, o livro pode se tornar uma arma tanto para o bem, quanto para o mal.
Apesar desta decadência literária, muitos escritores perseverantes continuam a embrenhar-se por esse caminho, mostrando que o Brasil pode sim elevar o interesse pelos livros não só nacionalmente, mas a níveis mundiais.
‘Comprem livros, incentivem seus filhos, amigos e parentes no hábito da leitura.’
Se fosse tão fácil
Eu juntaria meu passado e meu futuro
E te daria de presente
E todo livro de romance seria sobre a gente
Hoje, 23 de Abril, comemora-se, mundialmente, o Dia do Livro
Para mim, não poderia haver data mais santificada e simbólica do que esta.
Dia santo. Feriado, no meu coração.
Dia em que reverencio os meus santos de devoção: São Fernando Pessoa, São Carlos Drummond de Andrade, São Érico Veríssimo, São Eça de Queirós, São Machado de Assis, São Monteiro Lobato, Mia Couto, Balzac, Melville, Rachel de Queirós, todos os autores, que li, ao longo da minha vida, tantos que já nem me lembro da maior parte deles.
Mas, os tenho cá dentro de mim, que me marcaram a alma, a ferro, a lágrimas, a sentimentos.
Já esqueci inúmeros enredos, inúmeras tramas das milhares, que li, mas, todas deixaram pequenos traços na minha escrita, na minha personalidade, na minha maneira de ver a vida e o mundo.
Neste dia, dia do meu maior objeto de adoração, de devoção, o LIVRO, tenho pena de não poder ler tantos quantos eu gostaria, de ter tempo, ainda, para ler todos os que não tive o prazer de ler, de cercar-me, por eles, por todos os lados. Mas, não resta muito tempo agora, já não há tempo, para lê-los todos.
Se há algo, que me daria imenso prazer, neste momento de minha vida, seria poder ter os livros, que desejo. E são tantos!
Mas, neste dia santo, dia em que também fui agraciada com uma pequena conquista, ter meus próprios livro publicados, só posso ser grata aos meus amigos, aos meus leitores, ao meu editor João Scortecci. A tudo o que li, ao longo desses anos, vividos intensamente.
Não tenho pretensões de colocar-me ao lado de meus santos de devoção, meus amados escritores, as pessoas, que me abriram o mundo e o desvelaram para mim. Não quero isso. Quero, apenas, poder sentar-me com um livro nas mãos e, por toda a eternidade, saber o que há nas entrelinhas. Entender o que foi escrito e sentido pelo escritor, no momento em que o criou. Porque cada livro é um mundo.
Este é meu último desejo. É entender que a santidade, a verdadeira beleza do mundo está contida nas páginas de um bom livro...
Marilina Baccarat De Almeida Leão (escritora brasileira)
Era uma tarde como esta.
O vento brando
beija meu rosto esmaecido.
Namoro o inverno
na entrada da estação;
entre o trem e a plataforma,
ouço Bolero de Ravel
As tardes não são mais as mesmas,
as árvores, que um dia
me deram sombra,
desabrigaram até os passarinhos.
Mulher, venho-te ver!
Fala da nossa terra,
da nossa raça,
da nossa liberdade,
o nosso rosto sem sombra de grades.
Além do pôr do sol,
ninguém sente saudades.
A cena abriu-se;
um drama baseado em fatos
e mistérios, próximos
e semelhantes, desiguais
e distantes.
