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O Ringue
Estou aqui sentada olhando para o nada, em meio a pensamentos que se confundem em suas diferenças.
O corpo parece retraído, sem vontade de agir, lutando contra a cabeça que clama reação.
Um ringue de luta livre... mas nada parece ser livre, os holofotes se tornam imensas nuvens cinzas.
A cabeça clama vitória, o corpo a derrota.
Serei eu o juiz dessa luta, que dita as regras?
Juiz é um ser solitário, mas solitário por opção, ou melhor, por devir. Embora cercado de advogados, servidores e assessores, é sozinho que decide, que condena, que absolve.
Essa solidão que envolve os nossos magistrados garante a cada um deles a primazia do juízo imparcial, longe dos desejos, das paixões, tendo concentrada as atenções àquelas folhas processuais e, analisando prova e refutando argumentos vazios, profere, enfim, sua sentença.
Sentença, por sua vez, vem de sententiam, o sentir do juiz. Entretanto, esse sentido é racional, e não embebido de torpes paixões e desejos incautos. A sentença é o resultado de uma longa jornada, que começa com a propositura da ação, passa pela análise e aceitação da peça, tem como ápice a instrução do processo e, só depois, após todas essas importantes etapas, vem a assinatura do juiz ao final da sentença.
A situação é ainda mais grave quando não se está diante de um magistrado, mas sim de uma dezena deles, reunidos em colegiado, servindo ali não mais como arautos da revisão de imprecisas e injustas decisões, mas jogando com a mídia, que nunca está saciada , sempre na espreita de recolher o último vernáculo e, quando lhes falta algum, recorta o contexto das falas.
O juiz corrompeu-se a partir do instante em que, antes de proferir a sua sentença, ligou o telejornal ou tateou o impresso diário. Eis o momento a partir do qual o magistrado largou a toga, a caneta, e travestiu a praguinha, o microfone e, andando em direção ao fórum, contornou a urbe e foi discursar e prestar contas de suas ocupações togais.
O imenso range de forças que atua sobre nós (astrológicas, numerológicas, quirológicas, cabalísticas, espirituais, mentais e etc) é semelhante a dois times de excepcionais advogados cósmicos. Um deles existe para nos defender dos malefícios da vida. O outro, quer se aproveitar de nossas falhas morais para nos levar a condenações severas. Quem vence perante o juiz da consciência? O time que ressoa com nossas atitudes e comportamentos frente às leis da vida. Eis aí nosso grande poder de mudar o destino.
Deus nos chamou para anunciar o evangelho do reino e da salvação, não para sermos juízes contra o pecador.
Para o melhor [para mim] JUIZ Português…
“Não tenho amigos ricos”, disse um dia;
O de Portugal, MELHOR justiceiro;
devido a tão pra o TAL, estar primeiro;
essa tão linda por JUSTA ironia.
Que prazer tão grande O tal a mim deu;
por tal citar provando-me tão ter;
em si, o preciso para JUSTO ser;
dado que o havido em tais, tão se perdeu.
Oxalá, como Ele apareçam mais;
dispostos a corruptos enfrentarem;
por tão serem ceguinhos pra o dinheiro…
Dos ricos, que vendam o olhar a os tais;
pra em vez de a JUSTIÇA, lhes aplicarem;
só terem pra o POBRE um julgar, matreiro!!!
Pena de Paixão
Na verdade, não existem termos específicos para expressar tamanha envolvência e afinidade. Se eventualmente estamos a cometer algum crime, confesso tudo diante do Juiz da Paixão e Amor, pois será justo que nos condenem com pena de prisão perpétua na mesma cela, sem direito a vestuário nem preservativos.
Saíde Cássimo Jailane
Diante do Senhor
Algumas vezes me imagino diante de Nosso Senhor que abre o livro de minha vida e diante da Verdade me reprova nos mandamentos da Sua lei.
E eu sem argumento aguardo o meu veredito final do justíssimo Juiz porque sei que diante dele não há argumentos, justificativas ou mentiras porque Ele tudo sabe e tudo vê.
Quantas vezes sinto raiva, rancor, e espero que o meu próximo se dane. Quero que ele se exploda, pois, o meu desejo é me vingar! E eu sei que esse sentimento não é cristão.
Eu sou consciente e reconheço que sou imensamente fraca por falhar diante da minha pouca fé quando Deus me põe à prova.
Eu amo, respeito e quero bem a quem me ama, mas isso é muito fácil. Como não amar a quem só nos trata bem?
Mas Deus quer que nos irmanemos e amemos a todos por igual, mas é muito difícil amar a quem nos faz mal.
Deverá um juiz, ao sentenciar, alinhar-se com a sombra do réu, pois, sentenciando uma pena à outrem, usando como régua a análise da sua própria sombra, estará mesmo a agir com injustiça, não importando o que dizem os papéis e as provas.
Raiva? Não sinto raiva. Embora muitos se achem deuses, são apenas homens comuns dotados de alguma inteligência e esforço pessoal. Os humildes são bons juízes, apenas os humildes.
A cerca de 2.000 anos,
um homem inocente foi condenado, preso, torturado e crucificado
por um erro do Poder Judiciário.
Passados todos esses anos,
ainda temos esperança
de que o Judiciário não continue errando.
Cada indivíduo tem um juiz capaz de se deixar corromper dentro dele, a cada suborno ele acaba perdendo seus valores morais.
Se em nome da segurança jurídica,
o operador do Direito renuncia ao princípio da razoabilidade,
ele se torna cúmplice de condutas imorais ou transgressoras
e coloca em risco o próprio ordenamento da sociedade.
A segurança jurídica não pode ser utilizada
como subterfúgio para que se promova a injustiça.
Julgamos as pessoas pelas nossas crenças, costumes e verdades.
Somos o juiz, os jurados e a plateia.
Só não podemos esquecer que, seja qual for o veredicto, ele só tem validade dentro das paredes do nosso eu.
