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Enquanto lavava a louça, percebi algo óbvio.
Tão óbvio que me irrita; não por ser simples,
mas por ser antigo, conhecido em teoria
e só agora compreendido de verdade.
Talvez você se pergunte o que é.
E lhe respondo com regozijo:
é o ato de idealizar.
Mas não falo da idealização do corpo, da estética, do outro.
Refiro-me à mais sutil e silenciosa:
a idealização da vida.
Essa mania de projetar o amanhã como se fôssemos oniscientes,
nós, que mal lembramos o que almoçamos há dois dias.
Sorri.
Como pude nunca perceber algo tão evidente?
Explico.
Enquanto segurava um prato escorregadio e ensaboado,
pensei no que viria logo depois:
"Termino aqui, guardo as luvas, subo devagar as escadas..."
Tudo calculado, tudo tão claro.
Mas bastaram milésimos de segundo para minha mente
começar a antecipar caminhos,
todos desconsiderando a possibilidade mais real de todas:
os imprevistos.
Foi então que entendi:
por mais que eu deseje algo com todas as forças,
não é só o esforço que o torna possível.
Porque a única certeza é a incerteza.
E perceber isso…
é uma das coisas mais belas que já experimentei.
Tudo é incerto.
Absolutamente tudo.
Num nível tão profundo que chega a ser poético.
Tudo exceto três coisas:
a certeza da incerteza,
a dubiedade da minha existência (e, paradoxalmente, ainda assim existir),
e a certeza de Deus.
Sim, de Deus.
Pois é a própria dúvida que O confirma.
Se eu fosse Deus, não haveria incerteza em mim.
Eu seria resposta para tudo.
Mas como não sou, e a dúvida existe,
a própria existência dela me convence
de que há alguém além de mim;
alguém que é certeza,
e que, por isso mesmo,
é Deus.
E aqui estou.
Lágrimas nos olhos.
Sorriso largo.
Uma alegria que não sei descrever.
É como se, depois de anos,
eu finalmente entendesse o que sempre tentei entender e não consegui.
Como se tivesse encontrado, enfim, a porta,
e não só isso,
como se agora eu também soubesse atravessá-la.
Como se compreendesse a vastidão do universo dentro de mim.
Meus neurônios, uma teia cósmica.
Meu coração, o compasso das galáxias.
Tudo pulsando com uma sabedoria que não sei decifrar,
mas sinto.
Profundamente.
Valsa sem fim.
Imagino nós dois, dançando acordados,
Ao som de Djavan, com taças de vinho em nossas mãos.
Você vem até mim e me beija —
Seus lábios cor-de-rosa tocam os meus,
Nossas línguas bailam em uma valsa sem fim.
Eu não me canso de olhar-te.
Olhar no fundo dos teus olhos castanhos como cobre
É como olhar o paraíso — se é que isso existe.
Nos seus cabelos, a noite se manifesta:
Uma cortina de escuridão
Que abraça minha alma e me conduz
Por um universo de emoções.
E enquanto dançamos,
Me pergunto:
Será amor, ou só o desejo de não estar só?
Talvez seja ambos.
Talvez nem um, nem outro.
Mas ali, nos seus braços,
Eu existo.
Descompasso
Meu tempo passa,
e meu relógio permanece parado
diante de tua congruência,
relembro-me do meu passado.
Vivo ao lado da incerteza,
de braços abertos à inconclusão.
Sinto-me a me desgastar
perante tua exatidão.
Palavra que me prende,
sentimento que me molda,
sensação que me vicia —
é o amor que me desola.
Ó lua,
será que diante
da plena madrugada,
meu tempo descontinua?
Sereno espírito tenho,
Quando em ti penso
Em que no passado há,
O que hoje não há
Mas se hoje não há,
No que amanhã haverá?
Um espírito remato,
Ou um sequioso ser
Que nunca se farta do hoje,
Em que há em você.
O que em ti há,
De tão longe a conquistar?
Perpétua corrente estás,
Na superstição que há
Não no que em ti há,
Mas no que em mim há...
A vida é como um jogo de dados: podemos calcular as chances, mas o resultado sempre nos surpreende.
"É muito louco esse mundo..."
É muito louco esse mundo…
Quando somos crianças, tudo o que queremos é crescer.
Ficamos ansiosos pelos 18, como se essa idade fosse um portal mágico pra liberdade, pra vida de verdade.
Mas quando ela chega… mal dá tempo de sentir.
Ela passa. Rápido. Rápido demais.
Mais veloz que um foguete, mais impiedosa que o tempo.
E aí, o que era sonho, vira rotina.
A liberdade vira responsabilidade.
A pressa vira cobrança.
E o medo começa a crescer dentro do peito.
Medo de não dar tempo.
Medo de falhar.
Medo de ir embora desse mundo sem entender direito o que viemos fazer aqui.
Porque, no fundo, ninguém sabe o que vem depois.
E talvez seja isso que mais assuste:
essa incerteza do destino final, esse silêncio depois da última batida do coração.
Mas enquanto estamos aqui…
Talvez o segredo não seja entender o final,
mas dar sentido ao agora.
Viver de verdade.
Amar sem medida.
Ser presença.
Ser memória boa.
Ser o que o tempo não apaga.
Se for pra escolher entre você e a incerteza, eu escolheria a incerteza.
Pois a incerteza, mesmo sem ser certa, é constante.
Nunca troque quem te faz sorrir por escolhas incertas, essas escolhas podem ter nascido de atitudes erradas, e o sorriso futuro pode não ser seu.
Tivesse tu a mais vaga noção do espaço logrado,
por certo que o ocuparia ...
desprovida do véu da inação,
liberta da mais tenra sombra da incerteza
"O gosto de seus lábios oscilam entre o doce do amor e o salgado das lágrimas, seus olhos entre emoção e dor e seu coração entre incerteza e amor."
- Só de pensar dna possibilidade de te ver,
não sei o que dizer, não sei o que pensar.
Emoção maior não há.
- Contagem regressiva
3, 2, 1
Ansiedade fora do comum.
- Mais perto que nunca.
Posso te sentir.
Tenho uma ideia do que esta por vir.
- depois de tanto tempo
sem sair do meu pensamento.
Dúvidas do ar.
- Oque está para acontecer?
Preciso me controlar,
espero não me decepcionar.
O homem vive em pleno século XXI
com a mesma incerteza de vida, no amanhã,
como viviam nossos ancestrais primatas,
a diferença está apenas no predador,
pois o atual é o próprio homem.
Incertezas
Nascemos e percorremos vários caminhos de questionamentos,
certezas e incertezas,estradas sinuosas e lugares acolhedores.
Passamos por diversos desafios com nosso próprio eu.
Criamos em nossas mentes mundos perfeitos e ilusórios.
A queda vem quando descobrimos que este paraíso não existe...
Somos atormentados por diversos sentimentos inexplicáveis “na adolescência” e chegamos a pensar que eles passariam com a idade adulta, porém muitos não passam. São frustrações, baixa autoestima, medos, confusões, relacionamentos conturbados, melancolias, angústias e mais uma vez incerteza.
Incerteza de que estamos fazendo o certo;
Incerteza de que é essa a vontade do criador;
Incerteza de acharmos que temos certeza;
Incerteza de saber se nesse mundo, realmente, vale mais o "ser" do que o "ter"...
Às vezes, a tristeza bate bem fundo e temos vontade de acabar com ela. Muitos podem não compreender, mas não é porque não cremos em Deus e sim porque há uma interrogação em nossa alma que afeta nossa emoção.
Perdemos o chão;
Perdemos o ar;
Perdemos o medo;
Perdemos a vontade de falar;
Perdemos a vivacidade em vida;
Perdemos o amor próprio;
Perdemos a vontade de amar;
Perdemos a vontade de entender;
Alguns continuam sobrevivendo, mas outros perdem, de verdade, a vida.
Nossos sentimentos são ultimamente considerados como “vitimismo” de situações, mas não são. Muitas vezes falar sobre alguns pontos ou aspetos de nossas vidas é importante, entretanto, quem quer nos ouvir, quem quer ser colo que acolhe. Com isso, nos fechamos em casulos e sempre dizemos que está tudo bem, tudo certo e que ninguém precisa se incomodar, pois tudo está como deveria estar. E assim nossa vida segue. E como eu havia dito uns sobrevivem de forma incoerente, sem sentido, outros partem acreditando que vão dissipar essa dor.
Não deixe de acreditar na dor do outro, não deixe de demonstrar a sua dor, isso não é vitimização, isso é diálogo de amor, de ajuda, de salvação.
Leandra Lêhh
(18/11/2020) #12mesesamarelos
Coró de côco.
Coró de côco, no côco entrou.
Comeu, comeu, comeu e na zona de conforto se contentou.
Não percebeu que o tempo passou, ali viveu, ali dormiu, ali morou.
Pobre coró de côco, ali cresceu, ali morreu, ali ficou.
Minha negação
Com tanta certeza de tudo
Poderia ser eu
Afogada em incertezas, medos e...
Meu ser sobressai
Retorna
Devo saber onde estou, para onde vou
Seria isso algo me dizendo que devo continuar?
Que devo parar?
Que devo mudar de direção?
Minha negação
Tanta certeza de tudo, sabendo de nada.
Me encontro afogada em incertezas
Em que não sei onde me encontrar
Que caminhos tomar?
O que seria felicidade?
Fazer a escolha certa na vida? O que é certo?
Me vejo entre a esperança e o desespero.
É melhor "sobreviver livre e aos pedaços" com a certeza do NÃO, do que "viver inteiro e asfixiado" com a dúvida de um possível SIM.
