Tag estava
Estava frio, era meio noite meio madrugada, não sei ao certo, estava completamente avoado, embriagado, e depois de alguns passos e dois tombos já não havia mais bagagem as mãos, já havia espaço para mais bagagens depois do último tombo. Você tinha ido embora, te pedi para lembrar das coisas boas, mas sei lá, coisas boas são saudades e elas o que são? Já sozinho, na primeira esquina fiz amigos de boteco, amigos de pinga, contei para eles que o medo tinha me apagado no escuro daquela história. Sei que te feri com meu silêncio, mas queria te atingir com minha paixão, hoje só me bajulam por esse bar e não consigo ter a calma de sua boca em minha saliva. Sinto que te devo explicações, é meio inaceitável sua decisão e ela me faz faltar o ar, eu sei que agora somos como dois estranhos, quem sugeriu tudo fui eu. A decisão é um prato quente, fervido em névoa sombria de dor, então você ficará inserido apenas em minha paisagem. Adeus.
Era tudo difícil, cansativo, estava confusa, não sabia o que era, mas haviam coisas estranhas acontecendo. Parecia que estava chegando o fim, parecia que tudo o que fiz, não ganhava um significado, nem sentido, só sabia que precisava de descanso. E lá, naquele pequeno espaço escuro onde algumas vezes frio, outras quentes serviu-me de morada. Não faço ideia quanto tempo lá fiquei, quantos pensamentos elaborei, quantos sonhos moldei, quantas coisas que queria mudar, quantas escolhas me arrependi realizar. Senti algo que me conduzia à sair, não estava preparada, estava com medo do que poderia acontecer, só lembro que me espremia por uma pequena fenda e quase sufocada consegui sair, eis que depois de tanto sacrifício o mundo, enfim, sorriu para mim e pude voar e como um pássaro o céu alcançar. E lá do alto pude olhar o mundo de um novo lugar e foi onde finalmente compreendi que o sacrifício que vivi serviu pra mim poder hoje sorrir. - Disse a Lagarta.
Não importe-se por rastejar, lutar, se superar, por se preparar, não importe-se em enfrentar metamorfoses de crescimento, evolução, amadurecimento, pois esse é apenas o seu treinamento para poder voar.
Ela estava debruçada na janela da varanda, quando o avistou montado em seu cavalo, imediatamente ela sorriu.
Você já parou e pensou: Onde eu estava com a cabeça quando fiz aquilo?
Quando você fez, você achou que estava certo. E hoje, você está certo ou após alguns anos você vai dizer: Onde eu estava com a cabeça, sobre o que está acontecendo agora.
VOLTAR ATRÁS
Sinais de que foi feliz:
no porta-retratos
a imagem dela...
No sofá da sala:
numa almofadinha...
“Fui eu que fiz.”
Os dizeres dela.
Na gaveta do criado mudo:
O livro nunca começado...
Por ela presenteado...
Na página da dedicatória...
O amor dela pra sempre marcado.
No solar da porta:
Um tapetinho surrado
Mil vezes lavado
Por ela... pra trás deixado...
Tantos sinais...
Que de desfazer o tempo é incapaz.
E o que ele mais queria?
Era poder voltar, voltar no tempo... voltar bem, bem lá pra trás.
